Notas iniciais
Oii gente.
Depois de um século tentando escrever,postei outra fic Charlena.
Eu tenho planos de postar uma Percabeth e uma Tratie.Fiquem ligados ;)
Até lá em baixo
Aproveitem =D

― Senhorita Beuregard, prestou atenção em alguma coisa que eu te disse nos últimos trinta minutos?― rguntou o Diretor Slenner com uma voz grossa e assustadora, que faria até os valentões do terceiro ano se remoerem de medo.

E, não, na verdade eu não tinha prestado atenção em nada do que ele tinha dito. Eu não tinha prestado atenção em nada do que havia acontecido depois de que eu bati na Rosie mais cedo. Sim, eu sei que violência não adianta nada e eu geralmente não sou uma pessoa violenta,porém ela fez uma coisa imperdoável! Ela deu uns amassos no namorado da Indy, fazendo eles dois terminarem. Ela estragou um amor verdadeiro! Deveria ser presa, na minha opinião...Então eu dei um tapa na bochecha dela e a Rosinha começou a chorar desesperadamente. Lindo, não? Não, não é lindo. Eu tenho certeza que aquilo nem doeu, eu sou tão forte quanto a princesinha Sofia, mas ela fez um escândalo em pleno intervalo e a inspetora que a adora veio ver o que tinha acontecido.

Aí eu vim parar na Diretoria.

― Sim, claro ― confirmei, também assentindo com a cabeça.

Ele suspirou visivelmente cansado.

― Detenção― anunciou, jogando um papelzinho em cima do meu colo.

A parte boa é que talvez eu consiga juntar algum casal de marginais que estão detentos. A parte ruim é que eu vou ter que faltar no meu encontro com o John. Coitado.

***

― Nada de falar. Nada de comer. Nada de assoviar ou fazer gracinhas. Nada de mexer em celular, iPod, iPad ou em qualquer outro “I” que vocês tiverem. Nada de se mexer, nada de respirar. Se vocês desobedecerem qualquer uma dessas regras, será mais uma hora com essas bundas gordas na cadeira dessa sala. Entendido? Ótimo. Desejo a todo vocês uma péssima tarde ― disse a supervisora de detenção.

Eu tenho certeza que no fundo a Senhorita Campbell é apenas uma alma romântica incompreendida pela sociedade. Bem lá no fundo, mas ela é.

A detenção tinha a duração de uma hora e além de mim, outros cinco adolescentes estavam naquela sala. Não reconheci nenhum, eram todos do Ensino Médio(acho) e eu ainda era da 7° série. Geralmente pessoas do Ensino Fundamental 2 não ficavam de detenção, porém, eu sou sempre uma exceção.

Olhei ao redor daquela sala e bufei profundamente quando vi que não tinha nenhum jeito de juntar casais.

Sempre amei dar uma de cupido. O amor para mim é o sentimento mais puro presente na humanidade, porém o mais incompreendido pelas próprias pessoas que o sentem. É verdade, não estou brincando. É só observar: Todo começo de relação é complicado pelos próprios envolvidos. Porque eles complicam tudo. E a continuidade da relação continua complexa, porque eles complexam tudo. E não há nenhuma razão aparente para isso. Pelo menos eu nunca entendi.

Os outros cinco detentos se espalhavam pela sala. Eu estava sentada na primeira cadeira da fileira que se encostava à parede e há três carteiras atrás de mim havia um garoto loiro; ele usava uma calça jeans, uma camisa laranja e óculos escuro que o fazia parecer um tipo estiloso de bad-boy. Do meu lado havia um garoto alto, um pouco musculoso de mais para a idade; uma cicatriz perto da orelha, cabelo preto. eu o achava bem bonito. Sinceramente, eu o achei bem bonito. Eles eram os dois únicos sentados perto de mim, os outros estavam bem distantes.

Aquela hora de detenção foi a mais longa da minha vida e a TDAH só piorou toda a experiência. Quando eu não estava olhando para o teto, estava cutucando minhas unhas perfeitas ou penteando meu cabelo, ou até pensando na minha vida.

Minha madrasta estava fazendo uma festa de aniversário para mim, mesmo sendo contra minha vontade. Não me entenda mal, amo aniversários e amo festas, porém, sinto como se não fosse correto que minha madrasta estivesse fazendo isso. Na minha opinião, outra pessoa deveria o estar fazendo. Mas não é possível...

Nunca conheci minha mãe (os mais espertos perceberam de quem eu estava falando no parágrafo a cima),mas meu pai sempre dizia que ela era linda e que nós éramos parecidas. Ele costumava dizer que sempre que me olhava, a enxergava . Toda vez em que me lembrava que ela havia nos abandonado, me subia uma raiva e meu pai percebia, porém apenas dizia:

“Ela é sua mãe. E é uma mulher incrível.”

Nunca entendi o que tem de tão incrível em uma mulher que abandona a própria filha, mas papai parecia nunca duvidar das suas palavras. E, depois de um tempo, ele não estava mais presente para responder minhas perguntas, afinal...

*****

Quando o sinal bateu, todos os detentos já se levantaram rapidamente para ir embora. Eu já havia jogado minha bolsa no ombro e já estava me levantando da cadeira, quando a coordenadora de detenção disse:

― Senhorita Beuregard, podemos conversar um momento a sós?

Eu assenti levemente com a cabeça. Dois dos outros detentos estavam me olhando com uma cara de “SE FERROU”. Os outros dois me olhavam desconfiados. E a coordenadora me encarava com a cabeça levemente inclinada para o alto e um sorriso sombrio no rosto. Eu juro que a vi passando a língua nos lábios enquanto me observava.

*****

Eu estava sentada na carteira em frente à mesa da professora (onde a coordenadora estava sentada). A mulher ainda me encarava sem dizer nada e não parecia que seria a primeira a abrir a boca. Eu também não queria, mas eu já estava ficando com medo do que estava acontecendo.

― Hãn...a senhorita não queria falar comigo? ― minha voz estava trêmula.

― Sim, senhorita Beuregard. ― Então ela sorriu.

Minhas mãos estavam suando, não sei o porquê, mas uma sensação ruim preenchia meu peito. A mesma sensação que se apoderou de mim quando meu pai sofreu aquele acidente de carro, dois anos atrás.

― Como está Afrodite?― perguntou, chegando mais perto de mim.

― Quem?

― Sua mãe ― falou, como se fosse óbvio.

Afrodite, Afrodite, Afrodite... Eu conheço esse nome de algum lugar . Só não sei de onde... Mas tinha alguma coisa a ver com mitologia grega. Ela era deusa de alguma coisa, mas não conseguia me lembrar de quê. Acredito que para a senhorita Campbell afirmar que uma deusa era minha mãe, tinha bebido muito naquele dia.

― Nunca conheci minha mãe ― afirmei. ― Não sei do que você está falando.

O sorriso dela se alargou mais ainda e senhorita Campbell se aproximou muito mais de mim.

― Ainda não foi para o acampamento? ― Fez uma pausa. ― Melhor ainda!

Então ela pulou em cima de mim e senti alguma coisa perfurando meu braço. Gritei de dor e de surpresa. A coisa que perfurava minha pele estava sendo arrastada para baixo, fazendo a pele do meu braço abrir. Doeu, muito. Eu gritava de dor. Não sei exatamente de onde puxei força, mas empurrei a senhorita Campbell e corri para a porta da sala.

Ela estava trancada. O que eu iria fazer?

Melhor ainda: O que estava acontecendo? Eu já não entendia mais nada. Só entendia que minha coordenadora estava tentando me matar, que meu braço doía e que estava zonza.

Forcei a maçaneta da porta mais uma vez, porém de nada adiantou. Quando me virei, ela já tinha se levantando do empurrão que eu tinha dado. Mas aquela não era a minha coordenadora... Era um monstro. Tinha a pele cheia de verrugas horríveis e dentes pontudos, assim como o nariz. Gritei de medo. Ela possuía garras enormes, que tinham perfurado meu braço. Uma poça de sangue estava perto de mim, por causa do sangue presente no meu braço que ainda escorria.

Encostei minhas costas na porta enquanto aquela coisa se aproximava cada vez mais. .Era o fim. Eu não sabia lutar, não entendia o que estava acontecendo, e não era rápida para correr.

Apenas rezei para que algum milagre acontecesse. E minhas preces foram atendidas. Senti um impacto forte na minha cabeça e depois não vi nada mais que a escuridão.

*****

― Será que ela morreu? ― uma voz perguntou. ― Cara, se ela estiver morta, Quíron mata nós dois.

Quíron?

― A menina pode morrer e você está preocupado em Quíron te matar? ― outra voz, mais grossa, perguntou.

Onde eu estava?

― Sim ― confirmou.

Meus olhos estavam pesados. Minha cabeça doía e aquelas vozes ao fundo não me ajudavam em nada. Eu tinha morrido? Era isso? Não, eu ainda era muito jovem para morrer. Não queria morrer. Preferia acabar um solteirona cheia de gatos do que...Bem, eu prefiro qualquer coisa a terminar como uma solteirona cheia de gatos, na verdade. Até a morte.

Forcei minhas pálpebras a se abrirem. Consegui, mesmo piscando por alguns segundos para me acostumar com a claridade.

Dor, foi o que eu senti, antes de ver qualquer coisa ou processar qualquer informação. Minha cabeça doía, meus braços doíam... E minha perna estava ardendo.

Mexi um pouco minha cabeça e olhei em volta.

Eu estava ainda na sala de aula da escola, mas a coordenadora não estava mais lá. No lugar dela, estavam aqueles dois garotos: O loiro e o musculoso bonitinho.

Tentei me levantar, mas senti uma dor tão aguda na cabeça, que voltei a deitar no chão.

― Opa... Calma aí, patricinha ― provocou-me o loiro.

Já não fui com a cara dele.

Não falou “patricinha” de um jeito bom, que nem algumas pessoas diziam (que é basicamente alguém que costa de coisas determinadas femininas: rosa, arrumar cabelo, pintar unha e não gosta de coisas determinadas masculinas: Futebol, esportes...). Minha opinião sobre o assunto é que as pessoas deveriam deixar umas as outras viverem do jeito que quiserem. Mesmo que ache estranho ou inadequado... Eu continuo gostando de rosa! Não é só porque menina que anda de skate e gosta de futebol virou modinha que eu tenho que me tornar uma para ser uma pessoa legal.

Mas, voltando ao assunto dos garotos, eu ainda não tinha entendido direito o que estava acontecendo e os garotos pareciam preocupados.

Por alguma razão, minha atenção estava completamente focada no garoto bonitinho.

― Quem são vocês?

― Perguntas depois ― falou o loiro. ― Temos que ir embora daqui.

Afastei-me deles com medo. Da última vez que alguém havia me dito que eu tinha que ir embora de um lugar, foi quando eu vi meu pai sendo morto por um bandido. Uma mulher muito bonita tinha me mandado ir embora. Ela era loira, usava um vestido rosa que batia no joelho e era realmente muito linda. Doía até pensar que eu nunca seria tão incrível quanto ela. A mulher apenas olhou para o meu pai ensanguentado no chão, parecia ter lágrimas nos olhos. Não sei o porquê de ela ter ficado assim. Nunca a vi com o meu pai.

― Você tem que ir embora, Silena ― disse ela.

― Mas... Meu pai ― eu disse chorando, apontando para o seu corpo inconsciente.

― Eu irei cuidar dele ― prometeu a estranha loira. ― Mas você precisa ir embora.

― E... Quem é você?

Ela apenas me olhou e disse:

― Nos veremos de novo, Silena. Até lá, fique atenta.

Isso é tudo que eu me lembro. Aquela estranha nunca mais apareceu, conforme o tempo passou, parei de pensar no assunto...

Então, quando aquele garoto disse que tínhamos que ir embora, eu só pensava nisso. Não consegui me mexer.

O loiro me olhou sem paciência alguma, irritado.

― Você é surda ou o que garota? Nós precisamos mesmo ir embora.

― Travis, calma... ― disse o outro garoto. ― Ela acabou de ser atacada. Paciência.

― E daí? Nós dois também fomos atacados e nem por isso estamos agindo como retardados!― retrucou impaciente.

― Eu não sou retardada! ― falei para o tal de Travis, um pouco impaciente.

Garoto idiota!

― Então vamos logo ― disse ele, puxando meu braço, fazendo-me levantar.

*****

­­­­― Olha, eu nunca pensei que a vida das pessoas podiam dar reviravoltas tão incríveis quanto a que eu tive. Nunca imaginei que algo pudesse acontecer de tão incrível comigo. Mas aconteceu.E aconteceu com todos vocês também. E eu acho que todas essas reviravoltas, afinal... Valeram a pena . Porquehoje aqui, agora, nós estamos finalmente em família. Estamos finalmente no lugar em que pertencemos. E ninguém pode tirar isso de nós, tenham certeza. Vocês têm o direito de ser felizes. E bem... Essa foi a minha história ― disse, finalizando tudo.

Os novatos à minha frente bateram palmas, animados e eufóricos. Quíron pediu que eu contasse uma história a eles e eu acho que consegui prender a atenção dos pirralhos. Eles estavam tão nervosos, tinham acabado de chegar ao acampamento, tinham acabado de conseguir uma família e tudo isso estava sendo arrancado deles por causa da guerra.

Fui embora da fogueira quando percebi que minha presença já não era tão importante assim.

Eu ouvia os gritos das conversas atrás de mim, mas continuei caminhando em direção à colina meio-sangue. Andei, passo por passo, cobrindo meus braços. Estava frio. Longe da fogueira batia um vento gelado e não havia nada para me proteger.

Subi a colina e comecei a arfar com o leve exercício físico. Eu realmente estava fora de forma, tinha que começar a me exercitar mais...

Ri comigo mesma com esse pensamento. Charles teria dito que eu estava ficando muito sedentária.

Quando cheguei perto do topo da colina, me sentei. Senti a grama fria pinicado minhas coxas nuas e o vento continuava a bater nos meus braços. Eu estava com frio. Mas precisava pensar. Eu precisava tentar...

Tirei o pingente com a foice de Cronos de dentro da minha blusa. Segurei a foice com a minha mão.

―Afrodite... ― comecei baixinho. ― Bem, mãe... Eu sei que não falo com a senhora há muito tempo. E eu sei que provavelmente a senhora não deve estar muito feliz comigo por causa das decisões que eu venho tomando, mas... Eu quero, eu preciso, te pedir uma coisa: traga Charles de volta para mim. Se você trazê-lo, prometo abandonar Cronos, não importa qual ameaça Luke fizer. Eu me arrependerei, eu pedirei desculpas... Só traga Charles de volta. Por favor...

Espero que ela tenha me escutado e que traga Charles são e salvo pra mim.

Então me deitei em cima da grama e admirei o céu escuro.

*****

1 semana depois...

Estava chovendo, mas ela não se importava. Correu para fora do Chalé de Afrodite, mesmo sentindo as gostas da chuva prendendo a camisola à sua pele e escorrendo pelo seu rosto. Bem, além das gotas de chuva, havia suas lágrimas escorrendo...

Estava perdida. Não sabia mais o que fazer para tentar parar de chorar. Ela não queria parar de chorar. Queria deitar para sempre e nunca mais acordar nesse mundo... Num mundo em que ela não achasse justo viver.

― AFRODITE! ― gritou Silena para o céu, mesmo sabendo que não era sua mãe que havia formado aquela chuva e que a deusa estava no Olimpo, com todos os outros deuses. ― Por que você fez isso comigo? ― diminuiu o tom de voz. ―Por que, Afrodite, por quê? Eu me arrependo de ter me juntado a Cronos... Eu estava disposta a abandoná-lo! Mas você o tirou de mim...Por que você não me ajudou? Por que, pelo menos uma vez na vida a senhora não podia parar para pensar nos seus filhos? A senhora não podia parar para pensar que nós estamos sofrendo aqui no Acampamento? A senhora não poderia parar para pensar que não está sendo fácil? A senhora não poderia parar para pensar que podia gastar míseros cinco minutos da sua imortalidade para ajudar as pessoas que a senhora colocou no mundo? Não podia, não podia? MAS É CLARO QUE NÃO PODIA. Pois a senhora estava ocupada demais pensando em si mesma, não é?

Ela respirou fundo, sentindo a chuva ficar mais forte e a sua raiva aumentar ainda mais.

―A senhora já ajudou milhares de pessoas que não significavam nada para você e não poderia me ajudar pelo menos uma vez? Não poderia prestar atenção em mim? Não poderia ver que eu tento ser, todo dia, a filha perfeita que a senhora merece, mas parece que nada adianta! Eu só queriaque, pelo menos uma vez na vida, a senhora olhasse para o Acampamento, olhasse para o nosso chalé... E nos ajudasse. Uma vez, pelo menos... Por que a senhora não pôde fazer isso?

Então a menina, cansada de gritar para o nada, caiu no chão de joelhos, sentindo a lama sujar sua pele e a grama a arranhá-la. Então chorou, como estava fazendo nos últimos dois dias.

E um pouco longe dali, no Olimpo, Afrodite suspirava olhando o estado de raiva e frustação em que sua filha estava. Desejava poder dizer que ela, mesmo sendo uma deusa, não poderia lutar contra o destino de nenhum semideus e o destino daquele menino já estava traçado. Desejava poder dizer que ela olhava para o Acampamento e para o seu chalé, sim.

Mas ela não podia dizer essas coisas, afinal, existia uma regra...

Uma maldita regra.

Uma regra que traçou milhares de destinos ao mal, mesmo sendo destinada ao bem.

Notas finais
E aí,o que acharam?
Deixem rewies,gente,falando a opinião de vocês =D
Beijinhos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!