Mágica - Livro I
6 Convites
Notas iniciais
Cass atrasou sua chegada ao Jocão como pôde. Se perguntava: por que estava indo até lá? Por que não queria deixar André a esperando? Por que aceitou que ele a esperasse? Na verdade, ele havia dito que já estaria lá de qualquer forma, era uma escolha apenas dela encontrá-lo, o que, depois da conversa com Thomas, lhe dava um pequeno frio na barriga.
Entrou no café por uma entrada lateral, pôde ver André sentado no sofá, bem acomodado em um canto com a mochila ao seu lado, olhando para o caderno enquanto clicava repetidamente no botão de uma caneta. Ela se aproximou devagar, foi notada quando estava a poucos passos do sofá.
— Atrapalho? – ela deu um meio sorriso ao se aproximar.
— Não! – ele respondeu abrindo um sorriso sincero, logo guardando caderno e tirando a mochila de cima do sofá para liberar espaço – Eu só peguei o caderno porque achei que você ia demorar mais. Pode sentar.
— Hm… Então você que compõe os grandes hits da Ruína? – ela havia percebido as frases colocadas em forma de poema no caderno quando ele o guardou, se sentou ao lado dele sem cerimônia.
— Não – ele riu – A maior parte é o Lucas. Eu estava justamente tentando escrever algo que não fosse sobre fracasso de relacionamento, você deve ter notado que ele é um poeta de um tema só.
— É, são músicas de pegar menina. – ela fazia que sim com a cabeça como se fosse óbvio.
— Qual música é feita pra pegar menina? – ele pareceu curioso, mas riu do comentário.
— Da banda? Todas! – ela deu risada
— Eu gostaria do feedback completo, se tiver!
— Ah… Aquela que começa tãnãnã-nãnã – ela fazia a melodia da guitarra com a voz – e aí o Lucas canta “eu achei que seria diferente com nós dois” – ela cantarola.
— Mas é mais uma música de término! – ele ficou curioso – Por que seria música de pegar menina?
— Porque garotos decepcionados e tristes são atraentes!
— São? – ele tentava não rir, mas não conseguia.
— São! – ela riu também.
— Mas como? – ele só queria ouvi-la, Cass percebia não só nas intenções dele, mas no jeito que ele se ajeitava ficando de frente para ela apenas para olhá-la melhor enquanto ela falava. E ela estava à vontade.
— É que rola uma coisa meio “ah, olha só, ele se esforçou tanto por ela, ela não soube valorizar!” – ela fazia uma voz meio fina – e no fim da música ele sofreu tanto de um jeito tão bonitinho que alguém pode pensar “nossa, comigo seria sim diferente, eu valorizaria o Luquinhas”. Ou qualquer um de vocês, claro.
— Qualquer um, fazendo cara de triste, estaria valendo.
— Exatamente.
— Entendi, entendi. – ele riu – Então como você já pegou o esquema, já está acima dessa lógica, é isso?
Essa frase parecia perfeita para emendar uma cantada. E sentia que nele havia interesse, curiosidade, mas não conseguia dizer se seria exatamente naquele momento. Mesmo assim, considerando sua vasta experiência em ser adolescente, se tivesse de apostar quando seria, seria agora.
— Sim. – ela confirmou, aguardando a investida que viria a seguir.
— Que bom pra você, eu não recomendo qualquer relação com esse povinho de banda de escola.
Ele a pegou de surpresa com a piada autodepreciativa, que na verdade depreciava aos dois, mas ela riu. E percebendo as intenções se movendo dentro dele, era possível dizer que, ao rir, ele ficava satisfeito. Parecia estar ali realmente para conhecê-la, o que parecia bom demais. Desviou o olhar limpando os olhos, se recuperando da risada.
— Quer um chocolate? – ele puxou a mochila para perto, abrindo um bolso com algumas opções de doces vendidos na lanchonete.
— Não, valeu. – ela fez que não com a cabeça e a mão, mantendo um sorriso no rosto.
— Pega, eu comprei a mais pensando que você podia querer. – ele queria que ela aceitasse, afinal que mal faz tentar agradar alguém que se está conhecendo?
— Ah… Nesse caso. – ela olhava as opções – Eu gosto desse.
— Pode pegar!
— Obrigada.
Ela pegou uma barrinha, abrindo delicadamente. Ele devolveu a mochila no chão, a viu partir dois quadradinhos para si e oferecer para ele outros dois. Ele aceitou, achava fofo o como segurava o chocolate levantando os dedos para não derretê-lo.
— E o que você já conseguiu conhecer da cidade? – perguntou enquanto ela mastigava.
— Olha, não muito. – ela parecia tentar se lembrar – Eu fui basicamente no shopping, vi que tem um parque meio abandonado perto de casa, com um lago…
— Você tem que ir no Coliseu com a gente! É um bar de música muito bom, queria muito conseguir tocar lá.
— E menor entra?
— Você tá em uma cidade pequena, ninguém fiscaliza isso.
— Eu já morei em cidades pequenas que fiscalizavam!
— Não aqui, pelo menos não em áreas longe de escolas. – ele terminou o chocolate enquanto pensava – Vocês se mudam muito?
— Hm? – ela perguntou também mastigando o último pedaço.
— Sua família.
— Ah… Bastante na verdade. Meu pai é escultor, ele trabalha com restauração de peças… A gente tá aqui porque ele tá restaurando as esculturas de um templo da maçonaria, algo assim.
— Caralho, que viagem.
— É…
— E vão dizer que não dá pra viver de arte.
— Olha, não somos ricos, parece um negócio meio incerto sempre. Mas a gente consegue se virar.
O interesse em conhecê-la continuava genuíno, Cassandra sentia e se sentia à vontade com isso. De forma quase automática, se ajeitava no sofá ficando de frente para ele também enquanto brincava com a embalagem do chocolate entre os dedos.
— Acredito… Você vai fazer algo parecido?
— Não, eu sou péssima com isso. – ela riu – Eu ainda estou me decidindo, já pensei em algumas coisas, mas… não me sinto boa em nada.
— Você é uma excelente baterista.
— É, tirando isso! Aliás, obrigada, mas… Não sei se seria minha profissão. E você, vai fazer o que?
— Alguma engenharia. – ele deu de ombros enquanto falava, como se fosse algo desimportante.
— Nossa, você parece muito empolgado! – ela ironizou.
— É só pra minha família não me encher tanto, se eu não encontrar coisa melhor pra fazer já tem a faculdade, sei lá. – parecia um assunto que ele não queria se aprofundar, ao mesmo tempo que não se incomodava em mencionar. Havia um certo desprezo pelo próprio plano, mas era uma sensação que Cassandra entendia.
— O John Deacon era engenheiro eletricista. – tentou confortá-lo.
— Era?
— Aham! E pensar que se ele tivesse seguido engenheiro, a gente não tinha a linha de baixo de Under Pressure.
— É verdade! Caralho, ainda bem que ele não ouviu meus pais! – ela riu, e ele também deu risada da própria piada. André não tinha uma aura bruxa a qual ela pudesse sentir, a proximidade não fazia formigar seus dedos, mas partindo da ponta de seus pés ou do fundo de seu estômago, sentia alguma coisa. – Você tem namorado, Cass?
Assim como a frase a pegou desprevenida, as intenções de André mudando também a surpreenderam. Ele queria beijá-la, ela sabia. Suspirou antes de responder:
— Não.
— Ficante? Ex maluco?
Ela riu. Não conseguia sequer ficar nervosa, de alguma forma ele sabia a deixar à vontade. Mas não podia ficar solta demais. Ou podia? Não sabia dizer.
— O que você quer saber? Se o caminho está livre?
Ela já sabia a resposta, mas queria saber se ele admitiria.
— É, é isso sim.
E ele ter admitido a fazia querer também. Odiava admitir, mas encontrava dificuldade em processar palavras enquanto analisava a curvatura do sorriso de André, a covinha discreta em sua bochecha.
— E se eu tiver um ex maluco? – ela desafiava, era sua tentativa de ser engraçada e aliviar a sensação de desejo que surgia, mas sem sucesso.
— Aí preciso saber se ele também está na cidade, se ele anda armado… – ela ria e não conseguia controlar o sorriso em seu rosto – Se ele for maluco de longe, tudo bem!
— Que vergonha desses homens de hoje em dia, não enfrentariam nem um maluco armado por uma garota. – ela continuava fazendo piada.
— Bom, eu não sou nenhum príncipe destemido de conto de fadas, acho melhor que a gente comece com você sabendo disso. – ele adotava um tom diferente, que dificultava saber o quanto era sério e o quanto era brincadeira. Talvez fosse as duas coisas.
— “Que a gente comece”? – ela buscava confirmar o que ouviu.
— Mas eu também não espero que você seja uma princesinha delicada. – para ele, parecia ter deixado bem claro.
Cass analisou o espaço. Não havia nada que os atrapalhasse, a não ser saber que ela sempre esteve mentindo sobre quem era. A não ser toda sua lista de impedimentos que Tom e outros poderiam achar tola.
— Eu não tenho certeza de que é uma boa ideia. – ela suspirou ao dizer, buscava em sua lista mental os motivos que podia dizer a André – Depois pode ficar um clima estranho, a gente tá na mesma sala, você e seus amigos precisam de mim tocando na banda…
— Eu não acho que ficaria um clima esquisito. A não ser que você faça alguma coisa que não quer fazer! Tipo me beije sem querer me beijar. – ele era sincero, Cass sentia que sim – Daí peço que me avise, porque nossa proximidade tá passando a mensagem contrária.
Notar a pouca distância causou um pequeno susto que Cassandra não demonstrou. Suas pernas se tocavam como se o sofá de três lugares fosse apertado para os dois, os rostos estavam próximos, ela conseguia sentir o hálito de chocolate. Sabia que os dois queriam, mas eram muitas crenças e desconfianças para se desfazerem em minutos em um sofá.
— Ainda… Ainda não.
Ele respirou fundo e se afastou devagar, desviando o olhar para ajudar a se controlar. Cass sentia as intenções dentro dele, o desejo de beijá-la e de saber porque não poderia, e ao mesmo tempo uma grande vontade apaziguadora de só não estragar tudo. Olhando ao redor, os olhos dele encontraram a jukebox.
— Tá bem então. Quer escolher uma música?
*
Mais tarde, depois do que foi praticamente um encontro, mas Cassandra não admitiria, os dois aguardavam a saída de Agda da escola no ponto de ônibus. Já era possível ver algumas crianças saindo apressadas pelos portões, Agda vinha com suas duas amigas a passos lentos, conversando.
A bruxa adolescente já sentia as bochechas doerem depois de passar praticamente toda a última hora segurando um sorriso que não se desfazia em seu rosto. Doía e mesmo assim não conseguia parar, sorria porque André estava sorrindo também o tempo todo e gesticulava sendo o extrovertido engraçadinho que era.
— Sério, é bem divertido! Quando você percebe que ninguém está julgando, você se solta. – ele tentava convencê-la de conhecer um karaokê da cidade.
— Eu aposto que é sim divertido, mas cantar? Não. Não mesmo. – ela fazia que não com a cabeça.
— Sua voz é bonita!
— Pra gente manter sua opinião, vamos garantir que você não me ouça cantar, ok?
— Você não pode ser pior do que os malucos que já aparecem lá de vez em quando.
— Ha! Posso sim.
— Veremos. – ele conseguiu ver com o canto dos olhos que Agda estava se aproximando com as amigas, fazendo dessa sua última oportunidade de pedir algo: – Me passa seu número?
Ela engolia a seco.
— Tá. – ela esperava ele pegar o celular, falou o número em seguida – Eu fico pouco com o celular.
— Tudo bem, você me responde quando conseguir.
André ainda mexia no aparelho quando Agda se aproximou falando com a irmã.
— Eu demorei muito?
— Não, estamos bem no horário. – Cass respondeu ainda sorrindo.
— E aí, Agda? – André cumprimentava a mais nova com um toquinho de mão – Praticou com o violão que nem eu te falei?
— Não, eu já esqueci tudo! – a mais nova respondia fingindo estar desconcertada, o que fez André dar risada.
— No ensaio da semana que vem a gente repassa. – ele a tranquilizava.
— Se for praticar com aquele violão velho lá de casa, vamos precisar de cordas novas. – Cass mal lembrava de ter visto o violão nos últimos anos.
— Posso te mostrar onde fica a loja na semana que vem! – André parecia feliz em ser útil. Terminou de digitar algo no celular e, no instante seguinte, Cass ouvia o celular em seu bolso avisar que uma mensagem chegou. – Mas agora tenho que ir. Falou, grande Agda?! – ele cumprimentou a mais nova com um toquinho de mão de novo.
— Falou, André! – Agda o cumprimentou e naquele momento parecia não perceber nada demais entre o guitarrista e sua irmã
— Tchau, Cass.
Ele se aproximou de Cassandra para trocarem beijinhos no rosto em despedida, tocou sua cintura para isso, e Cass, confortável com isso, acariciou o braço dele sem perceber quando estavam se afastando.
— Até amanhã! – ela se despediu ainda com um sorrisinho no rosto.
— Até amanhã! – ele respondeu e fez um gesto apontando o próprio celular e o da garota, como se pedindo para que ela checasse.
Cassandra tirou o celular do bolso fazendo que sim com a cabeça, sem dizer mais nada. Ele se afastou a passos apressados, ela o observou ir tirando fones de ouvido de um bolso da mochila e virar a esquina saindo de vista. Depois, checou a mensagem no celular, que dizia apenas: “eu adorei hoje”.
— O que foi isso? – Agda finalmente notou.
— Nada.
*
Havia uma sensação de anormalidade na casa das jovens bruxas. Nos dias que se seguiram, Cassandra aparecia sorrindo para mensagens no celular. Cícero a observava, reconhecendo o que significava o sorrisinho constante no rosto da filha, mas sem entender como isso acontecia.
Rodeava a filha mais velha tentando puxar uma dessas conversas que pais e filhos precisam ter. Nunca parecia o momento certo, não porque Cassandra parecia inacessível, mas porque a simples ideia de perguntar a filha se ela estava apaixonada parecia constrangedora, ela devia se sentir livre para dizer ela mesma! Se ela não havia contado, por que perguntar?
Rapidamente se passava quase uma semana, o ensaio da banda havia acontecido em mais uma quarta-feira, quando as duas filhas chegaram em casa. Cassandra o cumprimentou sorridente, quase cantarolante, apenas anunciando que havia chegado e estava indo para o banho. Agda, por outro lado, andou a passos duros até a cozinha e se jogou na cadeira com cara de poucos amigos. Cícero estava pronto para perguntar por que Agda estava emburrada, mas a mais nova apenas exclamou sem se importar se a irmã mais velha a ouvia:
— Nossa, eles estão um nojo!
— Eles quem? – o pai se sentava com ela à mesa.
— Cass e o André!
— É esse o nome dele?
Agda olhou para o pai parado ali, a ouvindo. Se ajeitou na cadeira para contar a ele como se fosse a própria orientadora da escola preocupada com o foco da irmã em namorados em vez de estudos, e, no caso de Agda, a preocupação era especificamente com os estudos que a irmã deveria ter pela vivência com Thomas. Cass estava perdendo tempo.
— Sim. Ele estuda na sala dela e é guitarrista da banda, está com ela o tempo todo!
— Mas por que estão um nojo?
A curiosidade de Cícero era genuína.
— Eles estão o tempo todo de sorrisinho assim um para o outro – Agda sorria, juntava as mãos e balançava a cabeça como se fosse uma animação infantil –, fazem piadinhas, aí ela fica com vergonha. Caramba, e eles ainda nem se beijaram!
— Ah, não?
— Não! Cass tá com medo de se envolver com um mundano e ele deve achar que tá em algum tipo de teste ou sei lá. Vive sendo tão legal. – Agda girava os olhos.
— Isso não era pra ser bom?
— Ah, pode até ser! Mas ele tem que ter algum defeito, não é possível. Eu mesma tenho testado ele, o cara não fala “não” pra nada! – ela parecia querer estourar – Quer ser incrível com a irmã mais nova do interesse amoroso dele, né? Daí fica sendo tão gente boa comigo, sempre sorridente, me deixa tocar a guitarra dele e os dois ficam lá flertando.
— Você está com ciúme, Agda? –o pai dava risada.
— Eu?! – Agda parou para pensar – Um pouco, talvez. Ela só quer saber dele, eu escrevi três capítulos que ela não leu e… – “e temos uma investigação pra tocar”, pensou a bruxa criança – Sei lá, me parece perda de tempo.
E ele não conseguia negar que parecia.
*
Na sexta seguinte, o terceiro B pegava suas coisas para ir até o laboratório de química. Já era a primeira aula do período da tarde, o grupo caminhava junto pelos corredores quando Cassandra deu por falta de seu estojo. Avisou que já voltava e deu meia volta se apressando pelo corredor. Thomas deu mais alguns passos até inventar que tinha de ir ao banheiro antes da aula começar e sair apressado para a sala onde Cassandra estaria. Mais alto e mais rápido, entrou na sala logo depois dela.
— Cass! – ele a chamou assim que passou pela porta.
— Hm? Oi!
— Preciso falar com você.
Eles falaram pouco sozinhos desde a quinta passada, quando conversaram sob a sombra da árvore. Mas ela sabia o que o faria ir atrás dela tão apressado.
— Pode falar.
— Então… – ele se aproximava para poder falar mais baixo, conferia a porta para ter certeza de que não vinha ninguém – Meus pais perceberam que eu estava mais forte, e… consequentemente entenderam que eu tinha um segredo novo.
— Ah… – ela apontou para si mesma com cara de dúvida, buscando confirmar se o segredo era ela.
— Sim. E eu tive que contar sobre você.
O rosto de Cass se contorceu em uma careta, incomodada.
— Pior que eu nem posso dizer que não sabia que isso podia acontecer…
— Então, mas não acabou por aí. – ele estalou a língua antes de continuar – Eles querem te conhecer.
— Que?!
— Convidaram toda sua família na verdade, estão empolgados com a ideia de conhecerem outros bruxos.
— Você falou sobre a minha irmã?!
— Não. Eles presumiram que você não devia estar sozinha! Eu disse que você era bem reservada e que não sabia nem se você iria, muito menos sua família.
— Certo… – mais bruxos, e a chance de conhecê-los era real. No fundo de seu peito sabia que poucas coisas eram mais empolgantes do que isso – Eu tenho que ver.
— Claro, eu sei. Bom, mas vai ser um almoço, no domingo. Minha avó é ótima cozinheira.
Uma avó bruxa. Há quanto tempo ela não via uma avó bruxa?!
— Sua família é grande?
— Acho que não muito… Eu tenho uma irmã mais velha, a Tabata, mas ela não tá morando com a gente mais. Eu moro com meus pais e minha avó.
— Ok. – ela estava pensativa, tinha um sorriso nervoso no rosto – Eu quero ir. Mas acho que você entende se eu disser que tenho medo!
— Claro, entendo! – ele pensou um pouco – Se eu puder ajudar… – olhou para a porta de novo, depois as janelas, não havia ninguém – Eu prometo que somos amigáveis.
O círculo dourado se formou rapidamente no ar, se desfazendo como uma bolha de sabão em seguida. Cassandra sorriu agradecida, fez que sim com a cabeça, esse tipo de feitiço realmente facilitava muito as coisas.
— Eu tenho seu número, te dou uma resposta até amanhã.
— Está bem! – ele olhou de novo para a porta, dessa vez se encaminhando para ela – E obrigado por considerar, você nem é obrigada a ir, mas se for vai ser bem significativo. Ver um de nós…
Cass se colocou a acompanhá-lo.
— Eu imagino, e faço isso mais por mim também. – ela olhava para o chão, pensando no que diria – Eu gostaria de entender mais sobre onde viemos.
— Somos bruxos de conhecimento, minha mãe vai adorar responder suas perguntas, todas que ela puder!
— Podem ser muitas.
— Acredite, ela não vai se cansar. – ele quase girava os olhos, o que a fez dar risada.
*
Já era hora da saída quando o grupo caminhava junto para o portão. Lucas, André, Cass, Laulau, Thomas e Melissa, vários falando ao mesmo tempo. André se mantinha perto de Cass como se já fossem namorados. A prorrogação dos flertes que não traziam resultados físicos não faziam mal, mas ele planejava por um fim nesse jejum.
— Eu estava pensando da gente ir no Coliseu amanhã. – ele falava para o grupo – Quem anima?
— Eu vou até se a banda for ruim. – Lucas não pensava para responder.
— Vocês tem que avisar isso mais cedo, eu tenho que falar com a minha mãe, um dia não é antecedência suficiente pra ela. – Laulau parecia com preguiça.
— Fala que meu irmão vai levar a gente. – Lucas sugeria.
— Quem mais vai? – ela olhava para Melissa e Thomas.
— Vou estar com o Thi. – Mel já não deixava esperanças.
— Eu tenho um compromisso familiar à tarde. – Tom pensava – Que horas vocês vão?
— Geralmente umas oito. – Laulau o respondia.
— Bom, então talvez dê.
— E você, Cass? – André esperava a resposta da menina.
— É aquele de música ao vivo que você falou né? Eu vou ter que ver, mas acho que dá. – ela sorria em resposta.
— Me avisa que a gente ajeita as caronas!
Como era sexta, o grupo todo foi ao Jocão. Ficaram conversando, jogando baralho e tomando refrigerante como já parecia ser costume. Às 16h, como sempre, Cass deixou o grupo.
*
— COMO É QUE É? – Agda quase saltou do banco do ônibus quando a irmã a contou sobre o convite que Thomas a fez.
— Quer chamar mais atenção? Acho que o ônibus de trás não ouviu. – Cass cobria o rosto enquanto falava baixo.
— Nós vamos, né? – a mais nova se sentou e voltou a se comunicar pela mente da irmã.
— Eu vou, mas você não.
— Que?! Por que não? Isso é muito injusto!
— Se eu desaparecer, quem vai avisar nosso pai o que pode ter acontecido comigo e ajudar a investigar meu desaparecimento?
— Não tente fazer parecer importante.
— É importante! E necessário. Eu vou, você não.
A mais nova tentava disfarçar o desagrado, balançava o pé se sentindo acelerada.
— Preciso saber dos detalhes quando você voltar pra casa!
— Pode deixar.
— Esse tá sendo o melhor ano escolar que a gente já teve.
— É, eu concordo.
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