Lúcia

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi oi, pessoal, um pequeno aviso antes de começarem a leitura:
Criticas são sempre bem vindas, sejam negativas ou positivas.
Se tiver algum erro gramatical minhas desculpas.
Vou tentar postar um capítulo por dia, mas não posso prometer pois esse ano estou estudando muito.
Lembrando sempre que plágio é crime.
Créditos: Todas as imagens foram encontradas no site deviantart
Os personagens e frases aqui presentes são todas da minha autoria.

Jô me disse que o mundo sangra a uma velocidade maior que a da luz e que devemos sempre dizer o que pensamos. Ela é sempre assim, suas formas de tentar me ajudar acabam me complicando mais ainda, pois suas ideias são complexas demais e eu me enrolo toda.

Ela também me diz que o cosmo é bagunçado e que a gente tem que sofrer para aprender e eu lhe digo que sou hedonista e que a solidão me dói. Ela ri e diz que eu tenho muito o que apanhar da vida.

Ela é toda complicada e eu sempre acabo dando conselhos a ela, dizendo-lhe para ser mais paciente com o marido sonhador. Ela me diz que sou humanitária e promete que vai pintar a casa de azul para se acalmar. Somos duas doidas, mas está tudo bem por mim. Eu gosto de arrumar a confusão dela e ela se sente a vontade dando opinião nos meus problemas. É uma boa forma de distração.

Pago a consulta e vou embora e nós não nos falamos por uma semana, só nas segundas-feiras das 16 ás 17 e é a melhor hora da minha vida. Jô não é só minha psicologa é a milha melhor amiga, ou se preferir, a única, mesmo que para ela nossa relação não passe da relação doutor-paciente.

Não sei porque estou falando dela, chega a ser engraçado, eu sei o que eu vou falar, eu ensaio até como falar mas na hora não sai nada, passei 20 minutos olhando esse papel em branco e tudo que me saiu até agora foram palavras sobre a Jô, não sei nem porque insisti em escrever um livro, não tenho nada a dizer e livros que não dizem nada são inúteis, e eu nunca pensei que seria inútil, e sou.

*apagar*

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Me levantei da cadeira do computador e fui até a geladeira, caralho, que diabos estava acontecendo com a minha criatividade? A editora já me ligou duas vezes cobrando o capítulo vinte e três e eu simplesmente não consigo terminar, deve ser porque a Jô morre depois dessa consulta e eu não quero perde-la. Gosto de escrever sobre ela, talvez me identifique ou desenvolvi um tipo de amor-personagem, talvez os dois.

A geladeira está vazia, meu apartamento está uma bagunça.Quando ele ficou daquele jeito? Sábado, quando cheguei da balada que fui obrigada a ir pela Alice eu joguei algumas peças no chão do quarto, mas parece que eles se multiplicaram, tem roupas espalhadas por todo os cantos. Os pratos nem cabem mais na pia, nem sei quanto tempo faz que eles estão ali, já que não tem alimento nessa casa a dias. Não tenho tempo para arrumá-lo, quando não estou estudando estou escrevendo, quando não estou escrevendo estou estudando...

Meu celular tocou, ''não seja a editora, não seja a editora'', pensei comigo mesma, não era. Era a Alice, pensei em ignorar, com certeza ela iria me chamar pra sair ou algo assim, tentar me tirar de dentro desse apartamento e me levar pra conhecer algumas pessoas. Mas eu não podia, não antes de conseguir escrever o capítulo vinte e três.

Alice parecia um camaleão todo mês ela aparecia com um cabelo diferente, já deixou o cabelo enorme, já raspou a lateral, já repicou o cabelo, até careca já deixou e as cores então nem se falam, azul, laranja, rosa, roxo, verde... Quando o assunto era chamar atenção ela não se importava em economizar.

Mas agora deixe-me me apresentar, meu nome é Lúcia, só lúcia , nada de nome composto, nasci no interior de Minas, numa cidade pacata chamada Bom Jardim de Minas. Cresci sem conhecer o meu pai, minhas duas irmãs mais velhas dizem que eu sou sortuda por isso. Minha mãe nunca parava em casa, trabalhava o dia inteiro para conseguir sustentar nós três. Sou grata a ela e eu a amo mais que tudo, mas a primeira oportunidade que tive vim embora pra São Paulo, quando recebo um bom dinheiro envio uma parte para ajudá-la, ela me liga agradecendo e é o único contato que ainda nos resta.

Mas isso não diz nada, vou recomeçar. Me chamo Lúcia, tenho vinte e dois anos e no momento curso psicologia e escrevo história para ilustrar, ou talvez abafar, o terror que é a vida cotidiada, dá pra ganhar alguns trocados com isso. Sou baixinha e o meu corpo nunca foi, digamos, cheio de curvas, estava mais o para o corpo de uma adolescente, eu ainda tenho o cabelo longo preto e uso franjinha, o que me deixa com mais cara de criança. Não sou do tipo que chama a atenção, passo longe disso, sempre fui muito pequena e magrela. No meio das minhas amigas sempre fui a última em tudo, pros seios crescerem (Acho que pararam de crescer logo depois que começaram... T-T), pra menstruação descer (foi com 15 anos, acredita?) pra dar o priemiro beijo, pra começar a namorar...

Minha barriga está roncando, eram 18 horas em ponto. Minha carteira tem alguns trocados, deve dá pra comprar alguma coisa, visto uma calça djeans que está jogada em cima da TV (Não sei como ela foi parar ali) e troco a camiseta branca rasgada por uma preta cheia de tachinhas, que pelo visto devia ser da Alice. Prendo meu cabelo num longo rabo de cavalo, pego minhas chaves e desço até o primeiro andar.

Tirando o fato de ser um bairro perigoso e muito barulhento tenho sorte de morar aqui, na frente do meu prédio tem uma farmácia, atrás dele um mercadinho onde costumo fazer minhas compras e descendo um pouco a rua fica a lanchonete do tio sandro, tirando o nome, lá é o paraíso, as comidas são deliciosas e é tudo muito barato, é o meu salvador para dias como hoje.

Desço a rua com os passos acelerados e me dou conta de que vai chover, mas já estou na metade do caminho, muito tarde para voltar. Acelero o passo mais ainda, talvez eu consigo comprar o lanche e voltar pra casa antes da chuva cair.

Entro na lanchonete e vou até o balcão:

-Boa noite, em que posso ajudá-la?- o rapaz fala enquanto digita algo no computador que está a sua frente

-Hum... vou querer um pastel de queijo e suco de caja- respondo olhando o cardápio que está colado no vidro do balcão

-É pra já- ele fala me olhando e sorrindo, uau, que gato- A senhorita pode esperar aqui do lado, ou pode sentar ali — ele aponta para uma mesa vazia um pouco distante do balcão- se preferir. Ainda vamos fritar o pastel.

Agradeci e fui em direção a mesa, com certeza eu iria acabar tomando banho de chuva. Não pude evitar de notar que uma garota me olhava desde a hora que eu pus os pés aqui. Ela tinha o cabelo loiro, obviamente pintado já que a tinta começara a cair na raiz, revelando a cor natural do seu cabelo, preto e os olhos um pouco tristes demais.

Me sentei a mesa que o moço me indicara, de costas pra garota loira e comecei a brincar com alguns potinhos que haviam em cima dela. De repente sinto alguém se aproximando e antes que pudesse ver quem era a pessoa já estava sentada na cadeira a minha frente, era a loira.

-Oi, você é a Lúcia, né?- ela me pergunta me olhando com os olhos brilhando

-S-sim... — respondo meio sem jeito, olhando-a mais de perto eu pude ver que ela era muito conhecida, ao mesmo tempo que parecia que eu nunca havia a visto- desculpe minha ignorancia, mas eu não, não lembro de você

-Oh- ela disse sorrindo e estirando a mão completou- eu sou a Fabiana, uma grande fã.

Opa, peraí. Ela disse fã?! Foi isso mesmo que eu ouvi. Eu agora tenho fãs??

-Eu li alguns dos seus livros e você é demais!!

-Fico feliz por você gostar!- retribuo o aperto de mãos.

-Eu escrevi algumas histórias inspirada nas suas, mas infelizmente estão todas em casa, eu ficaria muito feliz se você as lesse e me dissesse o que achou, sua opinião é muito importante para mim.

Ela não dava nenhuma pausa ao falar, e continuava me olhando com os olhos arregalados o que estava me deixando completamente desconfortável.

-Bom, será um prazer imenso -menti- Eu... posso te deixar meu email e você os manda

-Séééééééério?- ela perguntou sorrindo- você é demaissss Lúcia!!!

-Uau- falo um pouco espantada com a reação dela

pego um guardanapo que está em cima da mesa e uma caneta que sempre ando comigo (vida de escritor) e anoto meu email.

-Muito obrigada, eu vou mandar agora mesmo!- ela me abraçou e eu tentei retribuir sendo o mais simpatica possível.

Ela foi embora feliz da vida, caramba, isso foi muito estranho

-Aqui está senhorita- o garçom falou colocando meu pastel e meu copo de suco em cima da mesa

Agradeci e comi tudo.

A chuva começou a cair e eu não estava disposta a esperá-la cessar, sai do restaurante enquando a chuva não estava tão forte e quase comecei a correr, sempre fui horrível na questão equilíbrio, eu era muito desastrada e o medo de cair me fez desacelerar.

Pouco tempo depois eu já estava em frente ao meu prédio e a chuva estava cada vez mais forte, de longe avistei alguém parado bem em frente, era a Alice espremida na parede tentando fugir da chuva, não pude evitar não rir.

-Até que enfim!- ela grita ao me ver- Nossa, Lú, liguei milhares de vezes pra você, onde você se meteu

-Fui comer alguma coisa- falei girando a chave na fechadura

quando entramos pude vê-la melhor, ela tinha raspado a lateral do cabelo e tinha pintado de rosa, ela me olhou e sorriu e eu já pude imaginar o que viria a seguir

-E ai? O que achou?

-Irado.- respondi tentando ser o mais convincente possível

-Você detestou né?- ela disse olhando pra baixo

-N-NÃO!!! Não é isso, é só que...- tentei pensar em algo- mesmo vindo de você é algo que ainda não estou acostumada, poucas pessoas tem esse tipo de coragem. Mas ficou legal.

-Você mente tão mal, Lú.- ela disse revirando os olhos

-Azul ficaria melhor

-Anotado

Subimos as escadas e entramos no meu apartamento

-Caramba, o que aconteceu aqui?- ela disse olhando a bagunça que estava o meu apartamento

Peguei uma toalha e comecei a me secar

-Ei, eu vim te chamar pra gente dar uma saída. Lembra do Rafael e do Victor? Eles estão na cidade

-Não brinca! — falei deixando minha empolgação fica evidente demais

-Ah sim, o Rafael tá doidinho pra te ver. huuuuuuuuuuuuuuuuuum- ela falou sorrindo e fazendo cócegas em mim

-PARA, SÉRIO.- disse tentando segurar as mãos dela- você sabe muito bem que eu não... que eu prefiro um pouco mais delicada.

-Para de ser boba. Se você curte colar velcro não significa que não podemos sair como amigos...

-VADIA!- eu gritei totalmente constrangida

-Calma, eu só tô brincando. — ela disse tentando conter o riso

-De qualquer forma não tenho como sair, não hoje, preciso terminar de escrever essa porcaria do capítulo 23.

-Vem, vou te ajudar- Alice sentou na cadeira do meu pc e começou a ler- Apropósito vou dormir aqui hoje.

Sorri e fui em direção a ela e ficamos escrevendo juntas até umas duas da manhã, mas finalmente posso entregar o capítulo 23 e receber meu pagamento.

Notas finais
Obrigada por terem lido, espero que tenham gostado. Comentários são sempre bem vindos ;)

Até a próxima pessoal. :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.