Lírios
18 Capítulo 18
Quase derrubei o garoto com meu abraço, mas ele não pareceu se importar, retribuiu meu abraço e começou a acariciar minha cabeça, perguntando-me o que havia acontecido. Tentei responder entre os suluços, mas foi inútil. Youta pressionou seu indicador sobre meus lábios, pedindo-me para ficar calma. Parei de chorar depois de um tempo, mas permaneci muda, fazendo com que o garoto ficasse ainda mais preocupado.
Youta decidiu me levar de volta ao vilarejo e me obrigar a casar com ele — algo que eu não recusaria agora. O senso de direção do jovem era impressionante, ele sabia exatamente por onde viemos e como fazer o caminho de volta. Querendo ou não, tive que lembrar em como era comôdo andar com o Sesshoumaru, sem destinos exatos. Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho estranho que veio da floresta. — Cuidado! — Youta se jogou em cima de mim, derrubando-me no chão. A árvore que estava ao meu lado agora estava caída, cortada na altura de meu pescoço. Youta sacou sua fiél adaga e foi para cima da youkai, aquela que estava com o senhor Sesshoumaru a pouco tempo atrás, me substituindo. Depois de desviar de muitos golpes, o garoto conseguiu fincar a pequena arma no peito da youkai, mas isso não a parou. Com a mão desocupada, segurou o rosto de Youta e, com um movimento simples, arrancou-lhe a cabeça, como se aquilo não fosse nada, e a jogou no chão, virada para mim, como se me encarasse. Comecei a gritar, desesperada e quando dei por mim, um youkai majestoso estava sangrando na minha frente. — Cheguei bem a tempo — Ele parecia irritado. — Se..Se..Senhor Sesshoumaru — Eu não consegui me mexer, estava com medo, e isso foi tudo o que eu conseguir gaguejar. — Feche os olhos, Rin — Pediu-me o youkai — Isto vai acabar rápido. Obedeci, tentando pensar em outras coisas e deixando Sesshoumaru resolver tudo, mas fiquei ouvindo os youkais. — Prefere esta fedelha? — Kagura estava gritando. — Sim — Sesshoumaru respondeu com calma — E não a chame assim. — Uhn.. — Acho que a youkai guardou o leque — Faça como quiser, um dia ela vai morrer mesmo e... Não ouvi o resto da frase, minha curiosidade me obrigou a abrir os olhos e assistir as garras do senhor Sesshoumaru atravessando o peito da youkai. Eu sabia que ela estava certa, mas fiquei feliz por ela não ter completado a frase. O youkai não a matou, Kagura ainda respirava com dificuldades no chão, e me pegou no colo, me abraçando com carinho. — Me desculpe, Rin... Eu estava errado — Sussurrou — Não consigo ficar sem você, mesmo que seja melhor você viver entre humanos. — Senhor Sesshoumaru — O abraçoi com força, chorando, lembrando dos últimos dias longe dele — Não me deixe novamente... Por favor, de novo não! — Nunca mais, Rin... Nunca. Senti os lábios do youkai colarem nos meus, mas logo se abrindo, movendo-se com suavidade — um beijo. Eu tinha muitas coisas para lhe contar e perguntar, mas achei melhor ficar quieta e aproveitar o abraço, o começo de muitos momentos como esse.
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