Lírio
1 Capítulo único.
James Potter lembrava-se bem da primeira vez que avistara Lily Evans: os cabelos ruivos e os olhos amendoados verdes se destacaram em meio a multidão de novos alunos. Mas não era apenas isso: a garota tinha algo de especial — talvez fosse o sorriso, o jeito de falar e articular ou mesmo de andar -, ele não sabia dizer o que era. Apenas sabia que era especial.
Lembrava-se também do quão ansioso ficara ao vê-la caminhar ante as escadas do grande salão até o chapéu-seletor — nunca torcera tanto em sua vida para que alguém fosse para a mesma casa que ele. A curiosidade em seu peito somente se findou quando ouviu o chapéu gritar em alto e bom som: "Grifinória!" e um sorriso se alastrou em seu rosto.
Nunca esqueceria da primeira vez em que falara com ela, ainda que esta se resumisse à uma singela conversa de "Oi, eu sou James" e "Oi, eu sou Lily", além do sorriso inocente e animado que ela direcionara a si naquele dia — um dos poucos nos primeiros três anos.
Tiveram uma curta, porém animada, conversa sobre a vida antes de Hogwarts. Ele descobrira naquele mesmo dia que Lily era uma nascida trouxa — o que somente o deixou ainda mais encantado pela garota.
Os anos se seguiram e seu fascínio sobre a ruiva aumentavam a cada dia, a cada feitiço conjurado com explendor e cada poção realizada com sucesso e maestria.
Foi logo nos primeiros meses que, decidido, iniciou uma perseguição infidável. Tentava todos os dias conseguir fazê-la sorrir novamente como naquela primeira vez e, quem sabe, tornar-se amigo dela. É claro que a ruiva não gostou tanto de tê-lo quase sempre por perto a falar asneiras, mas não desanimava: um dia ela seria sua amiga!
Não demorou, entretanto, para que James percebesse que o que sentia pela garota era muito mais do que um simples gostar de amigos: era amor. Amava-a como nunca amara alguém e, por isso, passou os quatro anos seguintes em tentativas — um tanto frustradas — de conquistá-la e torná-la sua amada namorada.
Entretanto, não desistia. No último ano, com o amadurecimento que adiquirira, conseguiu conquistá-la verdadeiramente. Numa tarde em frente ao lago declarou seus sentimentos da forma mais sincera e madura que conseguia — embora sem deixar seu jeito maroto de lado — e convidou-a para que fossem à Hogsmead juntos, quem sabe pudessem ser no mínimo bons amigos. Lembra ainda da sensação de ouvir um "sim" quando até então preparara-se apenas para a negativa.
Ficara totalmente sem reação e foi preciso que a garota lhe beliscasse para que percebesse que aquilo realmente era real. Decidido, deu o seu melhor naquele passeio e nos que se seguiram. Conquistando, ainda naquele ano letivo, o coração de seu amado lírio.
Agora, com a varinha em punho, lembrava-se mentalmente de todos os momentos vividos ao lado dela, dos amigos e do pequeno filho Harry. Lily era uma ótima mãe e, embora não se considerasse o melhor dos pais, ficava extremamente satisfeito de fazê-los feliz. Ver o sorriso no rosto de cada um todos os dias mantinha-no tão vivo quanto o amor que sentia por ambos.
E por esse amor, como uma última tentativa de mantê-los a salvo, é que apontou corajosamente e lutou bravamente contra Voldemort, numa última esperança de que alguma coisa aconteceria e manteria Lily e Harry a salvos.
Se sacrificaria por ela e seu filho quantas vezes quanto podia. Amava-os da forma mais sincera e verdadeira possível.
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