Lástia: Volume 1

1 Capítulo 1: A Rainha de Guiera.


LASTIA – Capítulo 1

O corvo voou através de uma névoa impactante. Avistou com sua alma negra, o Reino de Guiera. O Reino mais poderoso de toda a terra. Seus muros eram impenetráveis. O castelo era extremamente gigantesco e cobria grande território das terras da família Albuquerque.

O corvo então parou em uma estátua de um anjo em sua nudez em pedra. Observou com o olhar a alma daquela mulher sair rapidamente de seu corpo. Observou o sangue jorrar pelo seu pescoço e cobrir as gramas daquele pequeno jardim do lado leste do castelo. Observou ela. A soberana de todo o reino, cometer o mais hediondo crime. Seu nome era Dayane. Dayane de Albuquerque. A Rainha de Guiera. Ouviu as palavras soarem de sua boca em uma maldade sórdida.

— Seu filho será meu.

A ave negra observou o olhar da camponesa, que já estava ficando sem vida. Observou o seu sofrimento e a sua surpresa. O olhar era misturado com todos os sentimentos possíveis em um ser-humano. Naquele momento, Dayane havia mostrado aos céus a decadência de sua alma. Não se atreveu a olhar para os lados, e nem dirigir seu olhar para o brilhar da tarde. Estava com vergonha do Senhor. Estava com vergonha de seu pecado maldito que havia cometido. Sua cabeça apenas lhe amedrontava com sua voz interna lhe dizendo: “O sangue dela estará em suas mãos até o seu último dia de vida; Toda vez que olhar para ele, seu filho, sentirá a morte em seus olhos. Além de ser um bastardo, será a lembrança de seu pecado. Esta é a punição que ganhará dos céus. Essa é a punição que ganhará... do destino.

A faca então caiu de suas mãos molhadas de sangue quente. Dayane se tremeu completamente e se apavorou. Seu corpo começou a tremer e seu olhar começou a ficar embaçado. Agora, no entanto, era tarde demais para arrependimentos. Dayane presenciou uma maldade em sua alma que ela nunca pensou em ter. Naquele momento então, ela correu dali. Correu dali e foi rumo ao quarto de sua enteada. A Princesa Carla. As duas não se gostavam. Carla nunca havia aceitado as palavras de amor de Dayane para com seu pai, o Rei Eduardo II, que havia morrido após a coroação de sua madrasta. Após a morte do rei, Dayane se tornou a Rainha de Guiera. No entanto, as leis de Lastia eram severas. Uma rainha não podia governar um reino sozinha. Precisava de uma garantia masculina no trono. Teria que ser um filho legítimo, caso o contrário, Dayane teria que deixar o trono e voltar a viver como uma camponesa nas periferias do Reino. Por esse motivo, antes de se casar com Eduardo, ela já estava grávida. No entanto, não dele. Mas sim de seu amor verdadeiro. Um amor que não iria lhe trazer riquezas. Após a morte de Eduardo II, Dayane confessou a todos do Reino que estava esperando um filho. Isso deu a ela uma chance de continuar no trono. No entanto, em uma noite chuvosa, nove meses depois, eis que Dayane sente dores e acaba dando a luz. Mas não a um menino. Mas sim a uma menina.

Ela exigiu completamente descrição de suas amas de companhia. Dayane confiava nelas. Não totalmente, mas sabia o que Dayane era capaz de fazer com uma traidora. Por esse motivo, mesmo sendo uma adorável criança, Dayane a levou no meio da noite para uma floresta. Ninguém desconfiou a não ser Carla. Sim. Carla ficava de olho em Dayane dia e noite. Ela havia visto Dayane sair naquela tempestade que ficava mais forte a cada segundo.

Dayane viajou com um cocheiro de confiança para o leste de Guiera e do castelo. Ela tinha que ganhar mais tempo. Aquela menina iria tirar-lhe do trono. Dayane havia prometido a si mesmo que ficaria rica. Que ficaria poderosa nos oito reinos de Lastia. E ela não iria voltar a ser uma camponesa qualquer. Por esse motivo, ela precisava de um herdeiro ao trono. Precisava de um príncipe para mantê-la no poder. Mas onde, ela encontraria uma criança? Era impossível.

{...}

Dayane agiu com desespero. Em uma floresta escura e tenebrosa, ela bateu na porta de uma casa coberta por lodo e voltada por madeira podre. Então, quem abriu foi um mistério. Ninguém podia dizer claramente. Mas deu para saber que era uma mulher. Uma mulher que com o tom de sua voz, deveria ter cinquenta anos de idade.

Naquele momento, Dayane deixou sua filha com aquela mulher, e saiu.

— Faça o que quiser com ela. Eu não me importo. – Disse ela friamente.

A carruagem real então saiu daquele local tenebroso e molhado. A chuva não parava. Dayane suspirou profundamente, e então chorou. A cobra tinha sentimentos. O que causou as suas lágrimas? As lembranças dele. De Daniel. Seu verdadeiro amado. Ela havia visto o rosto de seu passado em sua filha. Ela pensou em voltar. No entanto, não teve escolha. Ela tinha algo que mantinha para si mesma. O que seria de tão importante para ela sacrificar a sua felicidade daquela maneira? Dinheiro, poder? Não acho que Dayane gostaria de ser uma rainha. Governar um reino poderoso como Guiera. Ela sabia dos deveres de um rei. Não era trabalho fácil. Ela iria se complicar cada vez mais em seu próprio caminho. No entanto, as pessoas que ficassem em sua visão, iriam se complicar ainda mais.

Como a camponesa que estava a beira da estrada no fim do dia seguinte. Ela tinha uma plantação de abóboras. Sua casa estava caindo aos pedaços. Dayane então olhou pela janela da carruagem e viu ela. Varrendo aquele chão. No entanto, ela olhou mais profundamente e viu no chão um bebê. Sim. Um bebê que estava nu ao ar livre. Estava coberto por um lenço e estava pegando sol. Aquela mulher claramente cuidava de seu filho. O fato é que sua casa estava repleta de morcegos. Não era saudável para aquela criança. Dayane ordenou o cocheiro que parasse a carruagem e então desceu.

Quando a camponesa a viu, deslumbrante e com a coroa em sua cabeça, ela se curvou imediatamente. Dayane no entanto havia tido algo em seu coração. Havia sentido uma espécie de amor e sombras pela aquela criança. O plano de Dayane era demoníaco. E vocês já sabem o que aconteceu.

Dayane levou a mulher para o castelo de Guiera. Lhe deu conforto e a hospedou durante uma semana, em segredo. Uma ala do castelo onde apenas ela tinha parte. Então, em uma tarde escura, Dayane havia visto a mulher, no jardim do castelo com seu filho. A mulher antes de experimentar o inesperado, agradeceu Dayane com um beijo em sua mão. Agradeceu a Dayane pela misericórdia e pela bondade. No entanto, sua surpresa veio após um abraço da Rainha. A morte havia a alcançado.

{...}

Dayane olhou para a criança. Estava ainda tremendo. A criança estava chorando. Queria mamar. Aproveitando os seis fartos de seu pós-parto, deu de mamar a criança. A partir daquele momento, Dayane havia anunciado o bebê para todos. Não deixou ninguém vê-lo para não desconfiarem que estava velho demais para um recém-nascido. No entanto, seu plano maligno havia funcionado. Ela continuaria no trono. O bebê era um menino saudável e belo. Assim, a Rainha Dayane disse a todos:

— Seu nome... será Daniel de Albuquerque. E ele, filho do Rei Eduardo de Albuquerque II, será o futuro rei de Guiera. Até completar dezoito anos. Nesse tempo, eu, A Rainha Dayane de Albuquerque... permanecerei no trono. Então, curvam-se perante a mim, e saúdam sua rainha. Aquela que os salvará da miséria e da pobreza. Aquela que irá dar a Guiera... o poder e o triunfo dos oito Reinos de Lástia.