Lápis e Pincéis

5 4 - O passado daqueles pincéis


Notas iniciais
Oiee leitores *----------*
Tudo bem com vocês?
Bem, aqui vai ser revelado o passado do Aoi, mas diferente do que vocês comentaram nas reviews, eu quis fugir dessa coisa de amor do passado de certa forma, e coloquei uma coisa mais simples, mas espero que gostem x3
E não joguem cometas na cabeça do Uruha por causa do sorriso dele no final. Ele quer fazer surpresas para o Aoi :x
Boa leitura.

Eu vejo meu futuro quando olho em seus olhos

O seu amor faz meu coração viver

Porque eu vivi acreditando que todo amor é cego

Mas tudo sobre você me diz que desta vez

Kiss — Forever

- Passado difícil?

- Sabe que não? Apenas solitário.

Kouyou virou-se para o amante.

- Se importa?

- Quanto mais tempo com você, melhor.

Kouyou sorriu. Os dois dirigiram-se para um dos sofás que havia no ambiente e se sentaram de lado, ficando de frente para o outro.

- Aquele bilhete é tão forte.

- Eu ganhei aquela tela do meu professor de pintura. Para ser sincero é uma tela normal, mas ela já veio com aquele escrito e ele disse – Nesse momento Yuu tirou uma das grossas mechas de cabelo negro do rosto, levando até a orelha – que naquela tela eu deveria pintar o amor da minha vida.

- Isso faz tempo?

- Faz sete anos. De lá para cá eu tive três romances, mas não consegui pintar nenhuma das três pessoas. Desde então quando terminei o último relacionamento há um ano eu me foquei nos outros trabalhos e deixei o cavalete ali com a tela. Desde aquele dia ele está esperando.

- Você não conseguiu pintar porque faltou inspiração?

- Não, na verdade minhas mãos tremulavam e eu ficava incapacitado de desenhar. Mas, em outras telas todos saíram bem feitos.

- Estranho isso, não?

Yuu assentiu com a cabeça e Kouyou lembrou-se da tal lata de sopa que havia comprado.

- Oe, Yuu, tive uma idéia.

O homem fez um gesto indicando que Kouyou continuasse.

- Como eu vi que você também queria a tal lata de sopa, eu pensei que talvez você pudesse ir lá à minha cabana tomar ela comigo.

- Está falando sério? – O pintor sobressaltou-se no sofá.

- Não seria uma idéia tão ruim, né? Assim eu aproveitava e te falava sobre o meu passado também.

- Mais do que comer a sopa, seria uma ótima companhia.

Kouyou sorriu e os dois se levantaram, saindo da casa do pintor. Era mais ou menos quatro e meia da tarde já, e os dois chegaram à cabana de Kouyou pouco depois das cinco. O arquiteto levou as compras para dentro de sua nova, mas temporária moradia, e Yuu o ajudou a guardar nos lugares certos.

- Aqui é bem aconchegante. – Disse o pintor sentando-se numa das quatro cadeiras do conjunto da mesa redonda que havia na cozinha.

- É um bom lugar mesmo, sabe? E por sorte da mesma forma que estava descrito no catálogo.

- É isso é realmente importante. – Yuu riu do próprio comentário.

- Hei Yuu, como vai ficar o quadro do meu chefe? Você chegou a falar com ele?

- Eu falei com ele quando saí da padaria de manhã, e ele disse que assim que passasse das quatro horas ele poderia ligar a qualquer momento. Mas, eu já tinha passado algumas informações pra ele.

Kouyou soltou um ‘’hum’’ e ouviu um toque que notou ser do celular de Yuu. O pintor levantou-se e foi até a sala para atender. Era o chefe do arquiteto.

Kouyou escutou pouco mais do que as respostas de Yuu, e ouviu claramente o pintor dizer números e outras informações que deveriam ser sobre sua conta bancária. Alguns minutos depois escutou Yuu voltar para a cozinha.

- Cara, seu chefe é um porre.

Kouyou deu uma risada alta, sendo acompanhado do pintor.

- Sim, ele é insuportável.

- Acredita que ele disse que vai, a cada dois dias, me ligar para saber como as coisas estão indo?

- Sim, acredito sim. E olha isso me fez lembrar do estúdio de arquitetura que você disse que tem aqui.

- Você pretende ficar? – O coração de Yuu disparou.

- Eu não decidi ainda, sabe? Preciso dar uma olhada tanto no lugar quanto em outras coisas. Mas, seria uma delícia morar aqui.

A mente de Yuu começou a processar aquela frase e o pintor desejou com toda a força que tinha para que Kouyou morasse ali. Apesar de ter o conhecido há apenas algumas horas, estava mais do que certo que ele estava apaixonado.

- Yuu, hei Yuu.

- Desculpe, estava com os pensamentos longe daqui.

- Notei. – Kouyou sorriu e o pintor fez o mesmo – Estava perguntando se o cheiro está bom.

- Sim, está, desculpe por isso.

- Não se importe. Mas, me diga em que estava pensando?

- Principalmente no quadro do seu chefe. – Mentiu – Apesar de ele ser um chato, aquela foto é tão bonita. De certa forma vai ser bom pintar algo daquele tipo.

- Por falar nisso, ele disse se vem buscar?

Yuu sobressaltou-se na cadeira.

- Não, ele disse que vai depositar o dinheiro na minha conta e não pode sair de Tóquio.

Kouyou sorriu sem deixar o pintor ver.

- Então vou ter que levar pra ele quando for embora.

‘’For embora... For embora... For embora...’’

Novamente aquilo reverberou na mente de Yuu.