Lápide [Poemas]

10 O corvo e a árvore


O Corvo repousa sobre a árvore

Árvore asquerosaDe braços retorcidos em lamúriaDe pele subjugada pelo tempoDe galhos desnudosEspinhos frios

Outros pássaros se aninham em seus bosques vívidosSeus orgulhosos pedestais coloridos De confiantes adornos emplumados

As patas do corvo ensanguentam-se quando pousaMachucadas pelas facas afiadasO corpo treme vulnerável a um frio melancólicoOs galhos que já não sustentam mais a ave como outroraA grama gélida onde o sol já se cansou de caminhar

"Por que ele nunca procurou outra árvore?"O vento pergunta

"Acho que se apaixonou pelos espinhos.Ou talvez se aqueça nas memórias das flores que já lhe fizeram companhia por ali"Responde o bosque