Lápide [Poemas]
18 Fantasmagórico
O outro mundo se calou em luto (Consegue ouvir?).
Respire o silêncio absoluto (Consegue sentir?).
A noite chora lá fora com a morte do entardecer.
Logo ele virá, e você saberá quando a pele contorcer,
aliciada pela brisa gélida que veste o ser.
Abstenha da luz os olhos, ouça sua canção de ninar.
Ele a compôs para as criaturas da umbra,
e ela as convida para dançar.
Ele enegrece rosas, enrubesce a lua, musicaliza a tempestade.
Alguém o acompanha na cidade,
dançando as notas frias,
sorrindo ao refúgio dos dias.
A mais bela das Marias.
Mas acautelem-se os vivos que se encantam com a melodia,
e que não toquem o corpo espectral.
A alma escorre, a carne oca, a vida esfria,
você vira elenco num coral teatral.
Agora durma, Vênus, querida.
A canção já começou, e o timbre é alegórico.
Ela lhe aninhará o sonho fantasmagórico.
Também não chore se ouvir despedida.
Em seu "boa noite" há contida a incógnita sepulcral...
Mas aqui será, eternamente, onde cantará seu verso final.
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