Lápide [Poemas]
24 Carta Póstuma
Notas iniciais
Sei que me ouve, onde quer que andarilhe
Sopro palavras sombrias que um dia o vento há de lhe entregar.
Sim, sou eu.
A terra fria e pantanosa,
onde outrora já caminhaste descalça e tropeça
As gotas que me escorrem são presentes do orvalho,
nascido com a sua chegada,
e que agora gela meu ventre
O reino em ruínas despenca no esquecimento.
Exibindo triste os alicerces que ajudaste a construir,
porém frágeis pelos pregos que nunca fincaste.
A relva craquela seca como um outono eterno,
de cuidados por ti negligenciados.
Os frutos, assim, murcharam,
incapazes de lhe nutrir
As flores sem cor suplicam que eu não lhe culpe.
Você era apenas uma criança perdida,
aninhada onde calor algum perdura.
Onde quer que esteja, não se preocupe com esse lugar.
De natureza morta ele ja era feito antes da sua chegada.
Pitoresco e apavorante lugar.
Erga a cabeça, olhe para o céu e siga o aquecer
Que minha canção encha seus pulmões
e que minha melancolia chova e lhe afogue a alma.
Deixarei que ela lhe assombre e amedronte uma última vez,
para que eternamente se lembre daquele que um dia fora seu fúnebre lar.
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