Lágrimas de um Lírio

1 Prólogo & Capítulo Um


Notas iniciais
Se gostarem, comentem ok? Não sou tão experiente em escrever, então agradeceria se me ajudassem >.

PRÓLOGO

A primeira vez que me mudei foi quando tinha 14 anos, e não foi uma simples mudança. Sai da cidade de onde vivi durante toda a minha vida, sai do país que achei que viveria para sempre. Mas quando a crise atingiu todo o mundo, minha família não teve escolha a não ser se mudar da Itália para o Brasil, a terra natal de meus pais. Não era fácil deixar tudo para trás, mas nunca fui aquela menina que contestava as decisões dos pais. Pelo contrário, sempre mantive a minha cabeça baixa e nunca abri a minha boca para nada. A única coisa que eu não sabia, era que a minha vida iria dar uma reviravolta de 360º.

Pra começar eu nem sabia o que escrever aqui. O psicólogo Anderson acha que se eu escrever, posso me abrir mais com um pedaço de papel do que com ele. Talvez esteja certo, não gosto de falar muito com os outros. Lembrei-me que ele vai ler isso, mas talvez ele me entenda, não é? Afinal tem um motivo para meus pais terem arranjado um psicólogo para mim, mesmo que eu diga que estou bem. Enfim, essa é um breve relato de como minha segunda vida começou, e espero que você aguente até o final, Dr. Anderson.

CAPÍTULO UM

Era o primeiro dia de aula, havia chegado mais cedo com a minha mãe ao meu lado. Não sabia como agir, todos ao redor estavam me olhando como se eu fosse um alienígena e talvez de fato eu fosse. Tinha cabelos cor de tomate, olhos verdes e sardas pelo meu rosto, e principalmente por meu nariz. Mas o motivo “mor”, o maior motivo, era o fato de minha mãe estar junto comigo.

Eles riam pensando que eu não era capaz de me cuidar sozinha, que tinha que estar acompanhada da minha mãe para tudo. Algumas meninas passaram rindo do meu lado, e imediatamente me encolhi, com certeza era de mim que riam.

- Lily!- minha mãe me chamou e pulei assustada, ainda perturbada com aquela situação.

- Olá Lily, sou o Diretor Caio- ajeitei a alça da minha mochila e observei o homem, talvez uns 45 anos.

- Hum, oi- murmurei.

Ele se virou para a minha mãe falando alguma coisa a qual não me importava muito, estava mais preocupada com os olhares sobre mim. Pois é, eu costumava pensar muito que as pessoas me olhavam, riam e que me criticavam. Mas elas fazem isso, não fazem?

- Bem, tchau Lily, fica com Deus- minha mãe me deu tchau com a mão e seguiu seu caminho. Pela primeira vez ali, consegui respirar.

- Então Lily, vou te levar para a sua sala de aula, você vai entrar no na 8ª B, vamos lá?- bufei por ter que ser escoltada pelo diretor, ninguém gosta das pessoas da administração. Mais um ponto negativo para a Lily.

Quando meus pais disseram que íamos nos mudar para Camboriu, procurei imediatamente no Google Maps. Descobri então que era uma viajem de mais de 12 horas de avião, e que ficava no litoral do Brasil. Estávamos voltando para a casa.

Meus pais se mudaram para a Itália quando eu tinha aproximadamente nove meses, minha irmã nasceu lá, nós duas crescemos lá. Agora que eu tinha 14 anos, a crise também atingiu o país e como muitos imigrantes, meus pais tiveram de vir embora.

Eu não me importava muito com a mudança, ligava mais para o fato de ter que conhecer novas pessoas. Era uma lástima nisso. Afinal, quem ia querer ser amiga de uma estranha que tinha cabelos cor de tomate que provavelmente seria alvo de piadas? Ninguém.

- Chegamos Lily- quase trombei de encontro com o diretor e resmunguei baixinho com aquilo.- Professora, com licença?- respirei fundo tentando me controlar, iria dar um soco na cara daquele diretor mané.

- Ah, claro- escutei uma voz delicada vindo de dentro da sala e estiquei o meu pescoço para ver quem era.

Uma mulher bem nova, com cara de universitária estava de frente para os alunos. Ela não podia ser a professora, era linda de mais para isso. Senti minhas bochechas esquentarem quando ela me pegou lhe olhando, foi quando voltei a me encolher atrás do diretor.

O segui para dentro da sala, segurando a alça da minha mochila com força. Tentei não olhar para os alunos, mas era inevitável. Escutei o que o diretor tinha que falar sobre mim, mas não prestei atenção. Ficava desviando o olhar o tempo todo, muitas vezes para baixo, e também ficava mexendo os meus pés.

- Tenho certeza que vocês a farão se sentir em casa- dei um pulo quando o diretor colocou a mão dele no meu ombro e logo em seguida saiu da sala.

Respirei aliviada e então percebi no que eu tinha me metido, estava numa sela cheia de desconhecido, que podiam estar pensando as piores coisas sobre mim. Isso não era nenhum pouco agradável.

- Pode se sentar, Lily- a voz inconfundível da professora me trouxe de volta a realidade.- Aliás, me chamo Kátia.

Assenti rapidamente com a cabeça e então me virei começando a andar. Só havia uma carteira vaga na segunda fila e não pensei duas vezes antes de me sentar nela.

As duas primeiras aulas eram da Kátia, que dava aula de ciência. Ela logo se mostrou uma ótima professora, que era respeitada pelos alunos. Algo que logo se mostrou difícil quando o professor Ícaro entrou na sala para a sua aula chata de inglês.

Confesso que quase fui morta pelos alunos que saíram correndo assim que o sinal para o recreio bateu. Antes porém que eu saísse da sala, Ícaro me chamou.

- Esta gostando da escola?

- Bem, até agora, o que significa apenas duas oras e meia de aula, esta indo tudo bem- ele me observou, sorriu e então foi embora, o que eu realmente agradeci.

Sair para o pátio e se aventurar não é nada fácil, é seu primeiro dia, e as pessoas te olham como um demônio de sete cabeças. Aquelas pessoas cresceram juntas e estão provavelmente na mesma sala desde o maternal. Não é de se surpreender que olhassem com interesse uma nova pessoa. Eu só não sabia se dizer se esse interesse era bom ou ruim.

Sentei em um banquinho onde ninguém estava, e tirei o celular de meu bolso. Havia uma mensagem da minha irmã, perguntando como era a escola. Ignorei aquilo e guardei o celular novamente no bolso. Não havia nada de interessante ali.

- Você devia se enturmar com os seus colegas de sala, é uma boa opção- Kátia se sentou ao meu lado com um sorriso no rosto e me ofereceu seu sanduiche. Neguei com a cabeça.

- Eu não te vi chegando... Mas er, como posso dizer, não sou boa em fazer amizade, se é que me entende- falei enquanto brincava com os meus dedos.

- Claro que entendo, mas também conheço os meus alunos, eles são ótimos e não vão te excluir porque chegou do nada- ela sorriu para mim e aquilo me pareceu falso de inicio, mas logo tirei esse pensamento da cabeça.

- É, talvez eu deva tentar... Você- o sinal interrompeu a minha fala que ficaria inacabada para sempre.

- Te vejo por aí Lily- Kátia se levantou e fiz o mesmo.

Minha vida não era nada emocionante, sequer conseguia conversar com uma pessoa interessante direito. Mas eu sempre lembraria do sorriso da Kátia, que me conquistou desde o começo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar _o_ Até a próxima *-*