Eu levantei minha mão. Olhei bem para ela. O sangue pingava no chão e as unhas estavam sujas do liquido vermelho. Levei a mão ao olho. Mais sangue saía de lá. Eu estava chorando. Chorar: um ato que algumas vezes é bom, mas pode acabar me matando. Minha pele já estava pálida e eu não podia acreditar no que acabara de acontecer. Eu a matei.

Eu matei minha outra metade, minha parte malvada. Eu matei meu outro eu e agora escorria para a morte certa. Duas de mim morreriam no mesmo dia. Algo que eu nunca pude prever, nem com meu dom, que ao mesmo tempo, se revelou uma maldição.

Olhei para o cadáver que estava na minha frente. Os dois olhos abertos com exagero e o sorriso com ar zombeteiro. Ela, quer dizer, eu podia fazer aquela cara, mesmo morta? Apoiei-me na parede, esperando pela morte enquanto chorava loucamente.

Soltei a picareta que estava na minha outra mão e chorei. Chorei como um bebê que anseia pela atenção de sua mãe. A garota morta na minha frente não era exatamente eu. Era minha irmã. Minha gêmea. Minha outra face.

Kimura Keiko era minha irmã, até o momento em que a matei. Meu nome é Kimura Kimiko. Eu me considero uma aberração. Uma maquina de morte. Qualquer coisa, menos inocente. Mas toda história deve começar de certo ponto. Então vamos lá.