Lyrics Of Love
2 Warblers
Notas iniciais
O dia começou calmamente em Westerville, com um sol mais quente que o normal, brilhando lá longe e aquecendo a todos. Blaine acordou com a maior determinação possível e nem se sentia sonolento por ter acordado segundos atrás. Ele tinha uma motivação, ele tinha algo importante para fazer e ele precisava que tudo desse certo.
Ele se levantou, fez sua rotina matinal, tomou seu café da manhã e foi para a escola com uma carona de Cooper, seu irmão.
Blaine chegou cedo na escola, encontrou-se com Sebastian na entrada do colégio e foi com o amigo até a sala do diretor. Era agora que ele teria a resposta de seu pedido.
Primeiro Blaine falou com seu professor de inglês, Elliot, sobre sua vontade de ter um coral na escola. Quando o professor concordou com ele de que seria uma boa ideia e que ele até seria o professor do coral, os dois foram até o diretor para pedir a permissão do mesmo. E hoje Blaine saberia se tudo deu certo.
A ideia de criar esse coral é bem simples: a) ele gosta de cantar e seus amigos também; b) ele precisava admitir seus sentimentos por uma pessoa e não poderia ser em palavras e ele esperava que por música ele conseguisse; c) era uma ótima desculpa para passar mais tempo com Kurt, seu colega de classe, sua paixão secreta.
O único problema, caso ele conseguisse criar o coral, seria chamar Kurt para participar. Mas ele preferiu pensar nisso depois que conseguisse seguir pelo menos uma boa parte do plano.
O diretor atendeu Blaine e Sebastian com uma feição séria, que praticamente já dizia tudo que Blaine não queria ouvir.
— Sentem-se. – Parecia um pedido por parte do diretor, mas era uma ordem. – Vendo vocês aqui tão cedo é que eu percebo o quanto querem esse coral.
— Sim. Quero muito. – Disse Blaine, se corrigindo em seguida: – Queremos muito.
Nesse momento, Elliot entrou na sala com uma feição tão séria quanto a do diretor, o que preocupou Blaine mais ainda. Ele estava se afundando cada vez mais em sua cadeira. Diferente de Sebastian, que tinha um olhar superior a tudo e a todos. Ele era sempre assim e isso sempre fazia Blaine rir. Mas agora não. Não era o momento nem o local para isso.
— Chega de tanta seriedade. – Riu o diretor. – Elliot está aqui justamente para que nós possamos informar vocês como tudo funcionará. Eu reservei uma das salas da Dalton para o coral de vocês e Elliot será o professor que os guiará sempre. Quero que vocês dois... – Apontou para Blaine e Sebastian. – ...encontrem os doze componentes necessários para que vocês possam participar das competições e quero também um nome, porque aí eu mesmo inscreverei vocês. Façam cartazes anunciando o coral e coloquem nos cartazes que as audições será na próxima sexta-feira. Chamem todos que vocês conhecem e vamos fazer uma boa música nessa escola. Posso contar com vocês dois?
Blaine e Sebastian assentiram com um sorriso enorme nos lábios. O sinal logo tocou e eles foram para suas respectivas salas de aula. Durante a aula de inglês, Sebastian ficou dizendo para Blaine que o moreno mesmo tinha que convidar Kurt. O Anderson disse que não tinha essa coragem e que ia pedir a ajuda de Nicolas, irmão de Sebastian, sim.
Mas quando a aula de literatura chegou e Kurt não entrou na sala ao lado de Nicolas, foi como se o lindo dia de sol tivesse ficado nublado de repente. Como se toda a alegria de Blaine tivesse se esvaído na velocidade da luz.
Blaine se distraiu rabiscando qualquer coisa no seu caderno, quando viu um caderno e dois livros serem largados com força na mesa ao lado da sua. Era Kurt.
— Oi... – Blaine iria perguntar se estava tudo bem, mas a face de Kurt dizia claramente: “não me dê bom dia nem pergunte se estou bem, apenas me embebede e me tire desse inferno”. Então o moreno resolveu deixá-lo quieto.
Vinte minutos se passaram e Blaine sentiu alguém o cutucando. Era Sebastian. Sebastian estava sempre com sua melhor cara de ‘bitch’ para todo mundo, mas para Blaine sua cara era pior. Era quase malvada, ele estava praticamente obrigando o moreno a ir falar com Kurt. Ao ver a professora sair da sala, Sebastian viu a maior oportunidade do mundo para empurrar Blaine para cima de Kurt.
— Hey, Kurt! – Blaine só faltou se afogar com o ar só de imaginar o que Sebastian poderia falar. – Eu e Blaine estamos com um projeto bem interessante, sabia? Por que você não conta para ele, Bee?
— Deixe-me adivinhar... é um projeto onde vocês dois ficam se beijando e jogando sua alegria como purpurina para cima de todo mundo? Me desculpem, mas eu prefiro cortar os pulsos enquanto ouço qualquer música que grude na cabeça, como Sorry. – Nem Blaine, nem Sebastian entenderam o mal humor de Kurt.
Os dois apenas olharam na direção de Nicolas que, sem emitir som, disse: “não falem com ele”. O Smythe apenas negou com a cabeça, revirando os olhos. Blaine, por outro lado, tirou coragem de onde não tinha para falar com Kurt.
Ele pegou uma folha de seu caderno, pegou uma caneta e escreveu:
“Não sei se você viu, mas agora a escola tem um coral. Essa é o meu projeto com o Seb. Seria legal se você participasse, as audições serão na próxima sexta-feira. — B.”
Ele amassou o papel e, lentamente, empurrou para a mesa de Kurt, que se assustou. O castanho pegou o papel e o abriu com a maior má vontade que encontrou. Como era possível alguém estar tão mal humorado tão cedo da manhã?
Kurt rabiscou alguma coisa no papel e o devolveu para Blaine. No papel dizia apenas um “não” e a assinatura era um grifado “não me enche”.
— O que? Por que não? Por que você não quer? – Perguntou Blaine.
— Preciso ter um motivo para negar seu convite? – Kurt perguntou se levantando, ignorando o fato de que ele tinha aula ainda. – Apenas... apenas não, ok? Obrigado, mas não.
Blaine não podia negar que ficou, no mínimo, desapontado com o que acontecera.
[...]
Quando chegou a manhã de sexta-feira, Blaine conseguiu ficar ainda mais decepcionado, caso aquilo fosse possível. Kurt havia o ignorado a semana inteira e, agora, para encerrar sua semana da pior maneira possível, apenas onze pessoas estavam inscritas no coral, contando, claro, com Sebastian e ele. Ele ainda precisava da décima segunda pessoa, ou tudo teria sido em vão. Isso, considerando que todos os onze fossem ser aprovados por Elliot, que seria o jurado.
Ele passou a aula inteira pensando em uma maneira de convencer Kurt a participar do coral, mas o castanho nem sequer apareceu durante as aulas. Ele não apareceu na quinta-feira também. Algo estava estranho.
[...]
— Kurt, você precisa levantar daí e seguir em frente. Para de besteira. Eles não estão namorando. – Nicolas dizia para Kurt repetidas vezes aquela mesma frase, que parecia não fazer efeito algum para o amigo. – Você acha que o meu próprio irmão manteria um segredo assim de mim? Eu e ele conhecemos Blaine desde que nascemos praticamente, eles não esconderiam isso de mim.
— Nic, o pior não é isso. O pior é eu estar triste por ser um idiota. – Reclamou o castanho, chorando mais ainda.
— Então eu tenho a solução: levante dessa cama, tome um banho, coloque seu uniforme e seu melhor perfume e vá fazer aquele maldito teste para o coral junto comigo.
— Não. Eu não vou. Não aguento mais ver aqueles dois juntos. Sebastian me odeia e Blaine nem me nota.
Nicolas revirou os olhos. Se Kurt ao menos soubesse da verdade. Ele queria contar para Kurt sobre os sentimentos de Blaine e também queria contar para Blaine sobre os de Kurt. Mas sua lealdade aos dois amigos era maior do que sua vontade de contar e acabar estragando tudo.
[...]
Na hora dos testes, todos estavam nervosos. Todos tremiam atrás do palco. Elliot pediu para todos se sentarem nas cadeiras que ficavam de frente para o palco e disse que ele iria chamando um por um para que eles fizessem seus devidos testes.
O primeiro a cantar foi Blaine, que cantou Already Home, do A Great Big World; após ele, foi Sebastian, que cantou Nirvana do Adam Lambert; então veio Nicolas, que cantou Perfect, da banda One Direction; Hunter cantou The Ballad Of Mona Lisa, do Panic! At The Disco; Nick chegou no palco já cantando Fire Starter, da cantora Demi Lovato, enquanto seu namorado, Jeff chegou cantando Hands To Myself, da cantora Selena Gomez; Wes cantou Budapest, do George Ezra; David cantou Take Me To Church, do Hozier; Trent subiu ao paco e cantou Cool Kids, do Echosmith; Eric, um aluno novo da escola, cantou I’m A Mess, do Ed Sheeran; e Alec, outro novo aluno, cantou Wake Me Up When September Ends, da banda Green Day.
Após todos terem se apresentado, Elliot subiu no palco para falar quem ele escolheria. Acabou que todos passaram no teste. Por mais que Blaine estivesse feliz por ter tido sucesso no plano do coral, ele estava triste por ter falhado na parte de trazer Kurt até eles. Nicolas, que estava sentado do lado do moreno, possuía um sorrisinho sacana no rosto, o qual ninguém havia entendido. Ele era o melhor amigo de Kurt, assim como Sebastian era o de Blaine.
— Vamos continuar procurando pelo décimo segundo integrante, mas parabéns a todos vocês e... – Elliot foi interrompido por uma música que começou a tocar no auditório e era a própria banda que tinha na Dalton que estava a tocando.
Sem mais nada dizer, Elliot desceu do palco, sem entender nada.
I close my eyes, I take it slow
(Fecho meus olhos e vou devagar)
Lay on down and let me rest my soul
(Me deito e minha alma descansa)
I've been so high, I've been so low
(Eu estive tão alto, tenho sido tão calmo)
I'm just tryna find my way back home
(Só estou tentando encontrar meu caminho de volta para casa)
Todos escutaram uma doce e suave voz invadir o auditório, mas, apenas três meninos ali tinham certeza de quem era que estava cantando. Kurt saiu do meio do escuro do palco e andou para frente até estar sob o holofote. Todos o olharam surpresos, pois o castanho era um dos alunos mais quietinhos na escola. Eles só o conheciam, porque eram seus colegas de aula mesmo.
Can't help but roam
(Não tenho ajuda, mas continuo por aí)
My signal's gone
(Meus sinais se foram)
Guess this journey's left me on my own
(Acho que essa jornada é por minha conta)
I don't care why
(Não me importa o porquê)
I'm alone, alone, alone
(Eu estou sozinho, sozinho, sozinho)
Kurt tremia de nervosismo. Ele tentou não procurar por um certo par de olhos cor de mel, porque sabia que os seus próprios se perderiam por lá e ele acabaria estragando tudo. Ele conheceu Blaine há um bom tempo atrás e no início ele simplesmente gostava da amizade do moreno, porque ele o tratava bem, coisa que só Nicolas fazia na época. Mas, com o tempo, aquele amor de amigo se tornou paixão e ele jamais poderia imaginar que seria uma paixão tão persistente. O único problema é que ele nunca teve coragem de admitir seus sentimentos, justamente pelo fato de seu medo de ser rejeitado ser maior do que qualquer outra coisa.
And if I could
(E se eu pudesse)
Forget about the way you loved me
(Esquecer a maneira que você me ama)
Forget about the world we set in stone
(Esquecer sobre o mundo que nós criamos)
I'm dreaming with my eyes wide open now
(Eu estou sonhando com meus olhos abertos agora)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
I never thought that I'd be broken
(Eu nunca pensei que estaria quebrado)
I never thought I'd be this far from home
(Nunca pensei que estaria tão longe de casa)
I'm dreaming with my eyes wide open now
(Eu estou sonhando com meus olhos abertos agora)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
Kurt andou um pouco mais para frente e abriu um pequeno sorriso. O mundo de Blaine se iluminou por completo ao ver aquele sorriso, mesmo sendo pequeno.
A voz de Kurt estava agradando a todos, de um jeito que só a voz de Blaine havia agradado anteriormente. Elliot já tinha sua decisão tanto sobre o fato de Kurt já estar aceito, quanto sobre quem seriam os principais solistas do grupo para as competições: Kurt e Blaine.
I close my eyes, I take it slow
(Fecho meus olhos e vou devagar)
Lay on down and let me rest my soul
(Me deito e minha alma descansa)
I've been so high, I've been so low
(Eu estive tão alto, tenho sido tão calmo)
I'm just tryna find my way back home
(Só estou tentando encontrar meu caminho de volta para casa)
Sebastian e Nick trocavam risadinhas, cochichos praticamente, e isso estava já irritando Blaine e Nicolas, que apenas reviraram os olhos e deram um olhar mortal para cima dos garotos. Eles logo ficaram em silêncio.
Não interprete isso de maneira errada. Sebastian não tem nada contra Kurt, ele tem algo contra o mundo, contra até seu próprio reflexo em um espelho. O motivo de tudo isso? Ninguém sabe, talvez nem ele mesmo.
Can't help but roam
(Não tenho ajuda, mas continuo por aí)
My signal's gone
(Meus sinais se foram)
Guess this journey's left me on my own
(Acho que essa jornada é por minha conta)
I don't care why
(Não me importa o porquê)
I'm alone, alone, alone
(Eu estou sozinho, sozinho, sozinho)
Kurt continuou a segurar firme o microfone, conseguindo abrir um sorriso um pouco maior enquanto deixava a música o dominar por completo. Ele estava na dúvida se tinha escolhido a música certa, então pensou que o que importava mesmo era a sua voz e performance, e não a música em si. Sendo assim, ele se permitiu cantar o final da música um pouco mais tranquilo.
And if I could
(E se eu pudesse)
Forget about the way you loved me
(Esquecer a maneira que você me ama)
Forget about the world we set in stone
(Esquecer sobre o mundo que nós criamos)
I'm dreaming with my eyes wide open now
(Eu estou sonhando com meus olhos abertos agora)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
I never thought that I'd be broken
(Eu nunca pensei que estaria quebrado)
I never thought I'd be this far from home
(Nunca pensei que estaria tão longe de casa)
I'm dreaming with my eyes wide open now
(Eu estou sonhando com meus olhos abertos agora)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
If only I could hit the ground
(Se pelo menos eu pudesse atingir o chão)
Quando ele terminou a música, todos se levantaram e aplaudiram o castanho, que sorriu envergonhado em forma de agradecimento.
— Seja mais do que bem-vindo a nossa equipe, ainda sem nome. – Disse Elliot.
— JÁ SEI! – Gritou Blaine, assustando a todos. – Nós podíamos nos chamar Warblers. Eu não sei de onde veio essa ideia, só sei que faz sentido.
Todos gritaram alegres com Blaine, com enormes sorrisos nos rostos. Agora eles já tinham sua equipe completa, com nome e tudo.
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