Lyra Carrow Black
1 De volta à Hogwarts
Notas iniciais
O primeiro dia de aula serve apenas para desejarmos as férias outra vez. Sou Lyra Carrow Black, tenho 15 anos e estou começando o meu sexto ano em Hogwarts, um ano antes da formatura, e confesso que eu não vejo a hora de me formar logo.
Não que eu não goste de Hogwarts, mas eu não aguento mais ficar estudando todas essas coisas, eu não gosto de dividir um quarto com outras garotas e é péssimo não poder agarrar o meu namorado pelo castelo sem levar uma bronca, ainda que esse namorado tenha grandes chances de se tornar o meu noivo esse ano já que escutei meus pais dizerem que falarão com os pais dele esse ano para fazerem o arranjo.
Geralmente, somos prometidos muito cedo aos outros, igual ao meu irmão Orion e a minha prima Walburga, mas eu fui uma exceção à regra, sabem por que? Porque eu deveria me casar com o Avery, mas bati o pé até o fim para que os meus pais não me prometessem a ele porque eu sou estupidamente apaixonada por Charlus Potter e estávamos começando a namorar.
Pra minha felicidade, os Potter são uma família bem tradicional no nosso meio e por isso meus pais permitiram, se não eu teria que fugir com ele porque eu não me casaria mesmo com o Avery. Eu até acho ele um bom amigo, mas eu não consigo sentir atração nenhuma por ele.
Mas, voltando ao meu primeiro dia de aula, eu saí de casa dando pulos de felicidade porque eu não via a hora de usar meu uniforme e o meu material escolar novos. Esse ano, eu também queria fazer parte de algum clube na escola além do clube do Slugue. Ver garotas em atividades como o clube do duelo ou no quadribol não era muito bem visto, mas eu queria fazer algo pra ficar marcada na escola, ainda mais popular e ser importante em algo. Talvez eu fizesse testes para o time de quadribol ou talvez fizesse parte dos estudos avançados em transfiguração porque eu morria de vontade de ser uma animago um dia. Na verdade, eu decidiria o meu destino na viagem de trem já que o Charlus é monitor e não poderá ir comigo em uma cabine.
Assim que cheguei à estação com os meus pais e com o Orion que estava começando o seu último ano, ele correu pra falar com o nosso primo Cygnus que também estava pra acabar a escola e eu fiquei com os meus pais, até que vi um menino do meu ano sozinho. Tudo bem que era comum vê-lo sempre afastado dos outros mesmo perto dos amigos que ele tinha, mas hoje eu fiquei com dó dele porque todos nós tínhamos família, menos ele.
— Mãe, está vendo aquele menino ali? Ele estuda comigo, mas está sempre sozinho... ele é órfão e não tem ninguém no mundo! Sempre que ele vem pra escola, ele está sozinho! Eu vou lá fazer companhia pra ele enquanto o Charlus não chega, está bem? – Eu perguntei e eles se entreolharam.
— Lyra, você estará em breve prometida para o Potter, não é bem visto que você vá falar à sós com outro rapaz... se os pais dele chegam e veem, dificilmente vão querer fazer o arranjo! – Caelum Black, meu pai respondeu desaprovando.
— Mas estamos cercado de gente em todo o lugar! Por favor, olha como ele está sofrendo! – Eu apontei pra ele todos nós vimos o menino em questão quieto, com as mãos no bolso enquanto olhava para o chão. – Aposto que se sente mal porque só ele não tem família!
— Vamos todos juntos então! – Morgana Carrow Black, minha mãe sugeriu e fomos todos ao encontro do menino.
— Oi Tom. – Eu o cumprimentei esticando a mão pra ele. Ele me analisou por alguns segundos com aqueles olhos frios, como se eu tivesse interrompido algum importante pensamento dele, mas logo sorriu e apertou a minha mão. – Como foi de férias? Estes são meus pais!
— Oi srta. Black. É um prazer conhecê-los, senhores. Minhas férias foram comuns... eu apenas estudei e revisei as matérias. Ano que vem serão os NIEM’s e eu não quero correr o risco de ir mal... – Ele respondeu mecanicamente, mas eu sabia que ele era tímido e estava fazendo o melhor que podia.
— Está vendo, Lyra? Por que não aprende com o seu amigo? Ela não pegou nos livros uma vez sequer. – Meu pai respondeu e Tom sorriu. Talvez o meu pai tenha ficado tocado com o fato de Tom ter estudado nas férias porque não tinha nada mais pra fazer.
— Como se ele precisasse estudar. Tom é o melhor do nosso ano! – Eu digo e o Tom dá um sorriso tímido. Meus pais sorriem encantados com ele.
Minutos depois, Charlus Potter aparece e me cumprimenta com um beijo no dorso da minha mão e aperta as mãos dos meus pais, sobrando só um leve aceno para o Tom. A verdade é que eles não se falam direito. Charlus diz que o Tom é mau e que eu deveria tomar cuidado com ele, mas tudo que temos são suspeitas de coisas que ele pode ter feito, como por exemplo, alguns incidentes que fazem nascidos trouxas pararem na ala hospitalar. O problema do Tom eram os amigos macabros dele como o Lestrange e o Mulciber que eu nem chegava perto, mas o Tom não. Talvez, ele só andasse com esses meninos por medo de ficar ainda mais sozinho já que ele vinha de um orfanato.
— Agora que está aqui, Charlus, nós iremos. Bom início de aula pra vocês, meninos. – Minha mãe diz amavelmente, me beija e sorri pros meninos. Meu pai faz o mesmo. – Escreva quando chegar, Lyra.
— Está bem, mãe. Amo vocês! – Eu respondi pra eles e eles se foram.
Incrível que foi só meus pais darem as costas para o Tom fechar o semblante e Charlus também, mas era Tom que tinha chegado primeiro naquele local, então o certo seria que nós saíssemos.
— Vou falar com o Septimus, você vem? – Charlus me perguntou sem me olhar e eu sabia que tinha algo errado, talvez por eu estar conversando com o Tom.
— Sim. – Eu respondi prontamente e me preparei pra empurrar o meu carrinho. – Até mais, Tom... – Eu me de despedi sorrindo e ele apenas acenou com a cabeça, então nos afastamos.
— O que fazia com ele, hein? – Charlus me perguntou. – Ele tem um caráter duvidoso, eu já não te falei? Eu me preocupo...
— Ele estava sozinho, sem família e sem ninguém... eu só quis ser gentil... ele é só um menino e se faz coisas ruins é porque não tem família e anda com aqueles meninos horríveis! – Eu respondi. – E se chamássemos ele pra andar conosco?
— Nem brinque com isso. Eu quero distância desse maluco. – Charlus disse e eu preferi não discutir. Apenas fui com ele até o Septimus que estava de mãos dadas a minha prima Cedrella e conversando com a minha outra prima Dorea.
Em pouco tempo, estávamos conversando animadamente até que Franco Longbottom se aproximou de nós. Enquanto conversávamos, eu olhava preocupadamente para Tom, e só sosseguei quando vi que Avery e Abraxas se aproximaram dele para conversarem, apesar de Tom sempre falar pouco.
Mais uma vez, vi Charlus ficar aborrecido e quando entramos no trem, ele nem ao menos me beijou como sempre fazia.
Quando o trem chegou, procurei um vagão com as minhas primas e Druella Rosier que se juntou à nós depois e eu desabafei o meu caso com elas.
— Talvez ele esteja com ciúmes de Tom Riddle, ele é lindo, não é? Altamente compreensível! – Dorea falou. – Se você não tivesse Charlus, eu diria que você forma um belo par com o Riddle. Os dois são inteligentes e Norma Crabbe diz que ele tem um beijo excelente, sem falar que há grandes possibilidades de ele ser ministro da magia um dia...
— Eu estou feliz com o Charlus, Dorea, por que não tenta você com o Tom já que está sozinha? – eu respondi. Já não era a primeira vez que eu escutava ela dizer que eu poderia formar um par com outra pessoa que não fosse o Charlus.
Apesar do aborrecimento, eu não podia negar: Tom Marvolo Riddle era lindo! Ele era mais alto que todos os meninos, era magro apesar de não ser magrelo, tinha os cabelos e os olhos bem negros e a pele bem branquinha. Ele parecia um anjinho já que os cabelos dele faziam leves cachos nas pontas, e o fato de ele usá-lo penteado para o lado, realçava ainda mais os cachinhos na ponta que faziam um contraste perfeito com o semblante sempre fechado que ele tinha, mas que combinava com os lábios finos dele. Tom tinha o nariz delicado e apesar de sempre usar vestes de segunda mão, ele era o garoto mais bem arrumado da escola já que andava sempre muito limpo e com todos os botões devidamente abotoados. Eu sabia que ele havia ficado com a Norma Crabbe algumas vezes, e talvez não tenham começado a namorar porque ela saiu da escola sem se despedir de ninguém. Ouvimos dizer que ele ficou com outras meninas também, mas até agora, nenhum boato confirmado já que muitas meninas inventavam terem tido um caso com ele de tão bonito que ele era.
— É que eu estou gostando de outro menino! – Ela confessou e todas quisemos saber quem é. – Não posso contar agora, dá azar...
— Larga de ser tonta! Melhor dizer que não quer falar – Druella disse e eu concordei.
Fomos a viagem toda falando de meninos. Cedrella contou que já discutiu os nomes dos filhos com o Weasley, Druella estava na torcida pros seus pais conseguirem arranjar o seu casamento com Cygnus e eu estava apreensiva pelo distanciamento de Charlus já que durante a viagem, ele não veio até a cabine uma vez sequer.
Quando chegamos à Hogwarts, ele logo se encarregou de ajudar os meninos do primeiro e eu saí triste do trem, sem nem perceber que os cadarços dos meus sapatos estavam desamarrados. Eu tropecei e iria cair feio, mas então senti uma mão segurando o meu braço suavemente.
— Tenha mais cuidado. – Tom falou mecanicamente, e em seguida apontou a varinha para os meus pés para amarrar os meus sapatos.
— Obrigada, Tom... – Eu agradeci e ele sorriu, dando as costas para mim em seguida.
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