A calçada era estreita. A rua estava fazia. A noite estava no seu pique.

Eu tinha acabado de sair do bar, meu hálito devia estar um nojo.

Andava meio caindo. -Merda de calça!- gritei comigo mesmo, transar com aquela garçonete no banheiro minúsculo, foi até bom, mas ser expulso e ter sua calça meia rasgada,putz, isso me deixou puto.

O semáforo estava piscando só no amarelo. Não avistei nenhum carro ao longe,nem do canto direito e muito menos do esquerdo. Pisei na rua fria. O furo debaixo do meu sapato vazia o ar gélido do asfalto entrar sorrateiramente nos meus dedos. — Viva a Las Vegas, baby!- devia ser efeito do álcool eu está cantando algo do Elvis ou sei lá quem.

– Transa comigo e não pergunta meu nome?

ela a mulher e o motivo pelo qual fui expulso do bar. Aquela voz sedutora tinha algo estranho. -Então qual o seu nome? diga,vamos!- gritei sem olhar pra trás atravessando a rua como se ela fosse minha passarela.

– Meu nome é a morte.

Não sei o que me deu, mas ela me convenceu a olhar pra ela.

Não era pelo sua curva bem definida, pelo seus lábios carnudos, mas pelo tom de sua voz que foi diferente de tudo que eu já tinha escutado.

A merda de tudo foi olha-la.

Justo na hora que me virei, um carro surgiu do nada e me fez ir pelos ares. Minha coluna foi de encontro ao chão, como duas pessoas que nunca se viram se abraçando pela primeira vez. sentir algo quebrar. sentir meu corpo clamar. Meus olhos ficaram sem direção. Eu não sabia como tinha acontecido. Não me importava mais com nada. Só queria sair dali vivo.

Cometi um erro.

Tentei engatinhar até a calçada. Meu pé não estava me obedecendo direito. Sentir uma dor horrível em minhas costas.

–Não lute!

a voz voltou,não sei da onde vinha pois eu tinha visto ninguém na hora que me virei.

– você é o que? anjo?

–tudo menos isso.

sabe quando seu corpo se sente indiferente? quando você sonha que tá caindo? quando percebe que está chutando algo mesmo dormindo? foi isso que aconteceu enquanto tentava sair dali. Eu tava com medo! Para de julgar minhas ações como de um idiota! A voz estava me deixando aflito! estava me testando!

A dor!

Eu estava gritando pro nada,vi que aquilo iria acabar. Mas não daquela maneira.

Senti um cheiro estranho, o cheiro me deixava mais perturbado, eu vi!

Os olhos queria me comer.

A garçonete tava deformada, não sei explicar, eu estava com medo!

Os olhos vermelhos, que irradiava fúria e morte.

Ela arrastou meu corpo até um lado escuro de um beco, e meus olhos só conseguiram enxergar o brilho vermelho.

sentir meus braços sendo arrancados, minha face sendo rasgada, meu coração arrancado.

A morte me abraçou.