Lwu

6 Capítulo 6 Sou um detetive


Notas iniciais
Eu sei que demorou um pouquinho... Mas aqui está mais um capítulo de LWU!
Espero que vocês achem esse capítulo bom.

Aqui vai...

Comecei o meu trabalho.

Sim. Eu estava ciente de que já era tarde e que eu não deveria sair na rua desse jeito, mas não queria ficar parado em casa enquanto eles começam a resolver os casos legais. Sabia também que Pai reclamaria bastante se visse que eu escapei. Afinal, como ele sempre diz a cidade não é um lugar seguro para uma criança como eu ficar andando por aí de noite, mesmo que seja á trabalho.

Mas, sendo franco... Criança?! Quem ele pensa que eu sou? Algum garotinho infantil que não sabe cuidar de si mesmo? Eu já sou bem grande! Grande o suficiente para poder me proteger de bandidos como esse tal de Deep Blue.

Mas tinha tudo planejado. Ele não notaria nada. Antes de sair eu, inteligentemente, coloquei alguns travesseiros na minha cama por baixo de um cobertor. Desse modo pareceria que ainda estava lá dormindo. Isso se eleparasse de arruamar aquelas pastas e arquivos para conferir se eu ainda estava lá, coisa que eu sabia que seria pouco provável.

Mas lá estava eu andando pela rua em direção ao Palace, quando... notei que estava perdido. Eu devia ter virado a rua errado, ou alguma coisa assim.

Pensei em perguntar para alguém, mas não havia uma alma viva na rua. Estava deserta e eu estava começando a ficar com medo...

Comecei a correr de um lado para o outro em desespero.

“Como eu vou voltar para casa agora?! O que eu vou fazer?! E se o Deep Blue aparecer?! E se eu nunca vir o Pai, o Kisshu e Masaya de novo?!” Pensava eu enquanto corria de um lado para o outro no meio da rua.

Estava a ponto de começar a chorar, quando senti alguém segurando o meu braço. Eu olhei para trás com medo de ver quem podia ser, mas logo me acalmei ao ver que se tratava de uma garotinha.

Ela era pequena... Bem, do meu tamanho na verdade. Tinha olhos castanhos e seu cabelo era loiro.

“Com licença...” Falou ela. Sua voz era fraca e baixa. “Mas você poderia ajudar uma garota necessitada?”

“Ne-cessitada?” Repeti piscando os olhos. Foi aí que percebi... O cabelo dela estava sujo e sem brilho. Suas roupas também não estavam nos melhores estados.

“Sim... É que...” Ela tentou explicar, mas teve que parar para colocar a mão sobre a barriga. “Estou morrendo de fome.”

“Bem... É que eu... Sabe...?” Parei para pensar em uma coisa que me partiu o coração. “Há quanto tempo você está com fome?”

“Uhm... Acho que há uns 5 dias... Não lembro a última vez que comi.” Respondeu ela.

“5 dias?!” Me surpreendi. “Bem... É que para falar a verdade eu me perdi. Poderia me ajudar a chegar a casa novamente?”

“Se eu te ajudar você me ajuda?” Perguntou ela esperançosa.

“Claro.” Concordei.

“Certo.” Sorriu ela. “Qual o nome da rua?”

Eu falei o nome da rua.

Ela segurou delicadamente o meu braço e começou a me puxar.

“É por aqui.” Informou. “Siga-me.”

“Certo.” Concordei novamente.

Ela me levou desse jeito por algumas ruas. Nós viramos umas esquinas... E em uns 7 minutos nós estávamos parados na frente da LWU. Eu fiquei tão feliz de estar finalmente em casa que poderia até cantar, mas lembrei do meu acordo com essa tal garota.

“Escuta... Eu vou entrar e trazer muitas coisas para você comer, mas você tem que ficar aqui em silêncio, certo? Não pode fazer barulho.” Falei para ela.

“Está bem... Mas, por favor.” Pediu ela. “Volte.”

“Eu vou voltar.” Afirmei.

Ela sentou na calçada esperando e eu fui sorrateiramente para a porta da LWU. Olhei em volta. Não tinha ninguém na rua. Era perigoso deixá-la lá por muito tempo sozinha naquela rua, por isso tentei me apressar.

Eu olhei para uma das janelas que davam para a rua. As cortinas estavam fechadas, mas eu podia ver a sombra de Pai. Ele parecia estar lendo alguma coisa, e como era a janela do escritório, provavelmente não sairia de lá.

Eu abri a porta delicadamente. O primeiro cômodo era o da recepção. Eu abri uma porta do lado da mesa de recepção. Ela dava para o corredor. Lá tinham as portas de todos os quartos, banheiros, e da cozinha.

Era a terceira. A cozinha.

Eu entrei sem fazer barulho nenhum. Abri um dos armários. Eu não tinha a mínima idéia do que pegar.

“Quantos dias ela vai ficar sem comer depois disso? Será que mais alguém dará comida para ela?” Pensava eu.

Então eu decidi.

Peguei uma sacola e comecei a encher de comida. Joguei nela salgadinhos, doces, umas latas de refrigerante, umas balas, e até uma lata de atum.

Eu saí do mesmo jeito que entrei, sem fazer nenhum mísero ruído. Quando finalmente cheguei a porta da frente e fechei-a.

Corri em silêncio para a calçada. A garota ainda estava sentada no asfalto. Ao ver-me me aproximando seu rosto se encheu de alegria. Devia estar esperando que eu não voltasse, ou coisa do tipo.

“Aqui.” Mostrei a sacola para ela e, em retribuição, ela me mostrou um enorme sorriso.

Nunca tinha visto um sorriso tão grande e tão lindo antes. Podia não ser o mais branco, mas... Era tão contagiante. E fazia eu me sentir um herói.

“Espera... Vamos para a próxima esquina. Não podemos fazer barulho.” Adverti.

Ela foi me puxando delicadamente para a esquina. Quando chegamos lá ela se sentou no chão e estendeu os braços para mim.

“Aqui.” Entreguei a sacola para ela. “Eu... Não sabia o que você gostava, nem mesmo quantos dias passaria sem comer novamente... Então trouxe tudo isso.”

“Obrigada!” Agradeceu ela.

Eu resolvi sentar na calçada também.

Assim que pegou a sacola ela começou a comer um saco de batata frita com uma velocidade enorme. Depois pegou um bom-bom que tinha na sacola. Ela continuou a comer sem parar, até que, por fim, foi diminuindo a velocidade com o tempo.

“Me diz...” Falou ela entre um mordida no sanduíche. “Posso te fazer uma pergunta?”

“Sim. Pode sim.” Falei.

“Você mora mesmo lá?” Perguntou ela.

“Moro sim.” Respondi sorrindo.

“Mas... Ali não é uma agência de detetives?” Falou ela.

“É! O caso é que... Eu sou um detetive.” Falei apontando para mim mesmo com o meu dedão.

“Uau! Você é um detetive de verdade?!” Surpreendeu-se ela.

“Sim!” Sorri em resposta. “Eu trabalho na LWU junto com meus irmãos e o nosso parceiro. Juntos nós perseguimos os maiores criminosos, e descobrimos mistérios!”

“Nossa! Isso deve ser um trabalho muito legal!” Eu podia ver seus olhos brilharem ao olhar para mim.

“É sim! Eu adoro o meu trabalho.” Concordei.

“Mas... Por que você teve que entrar em silêncio em casa? Você fugiu de lá por acaso?” Perguntou ela curiosa.

“Ah... É porque, mesmo eu sendo um dos melhores detetives... O Pai, o meu irmão mais velho, não me deixa sair de noite para resolver os casos. Ele fala que eu sou muito pequeno! Dá para acreditar?!” Reclamei.

“Na verdade... Dá sim.” Falou ela. “O seu irmão está certo. A rua, principalmente de noite, é muito perigosa para crianças ficarem sozinhas.”

“Bem...” Eu notei que ela estava falando por experiência própria. “E quanto a você? Se aqui fora é tão perigoso, por que está sozinha?”

Ela baixou os olhos para a sacola que estava no chão.

“É que... Eu sou órfã.” Explicou ela.

Ao ouvir aquilo o meu coração se apertou. Imaginei como seria viver sem Pai e Kisshu. Como seria não ter uma casa. Estar sozinho, sem ninguém no mundo devia ser muito difícil... Sentia tanta pena dela.

“Então... Você não tem casa?” Perguntei.

“Não. Nem casa, nem família.” Falou ela e pude perceber lágrimas fugindo de seus olhos. “Por isso eu tenho que cuidar de mim mesma... E por isso vivo com fome.”

“Não... Não chore. Tudo vai ficar bem.” Tentei consolá-la, mas não sabia o que dizer.

Como eu poderia dizer para ela que tudo ficaria bem, se assim que eu fosse embora ela voltaria a andar sozinha pelas ruas á noite com fome? Me sentia péssimo. Como se fosse minha culpa aquilo tudo.

Eu não sabia o que fazer, por isso abracei aquela menina. Mesmo sabendo que suas roupas estavam sujas, e que ela poderia não querer o meu abraço... Foi a melhor coisa que pude pensar.

“Tudo bem... Eu já estou acostumada...” Murmurou ela.

“Eu sinto muito mesmo...” Foi aí que eu tive uma idéia. “Ei! Já sei!”

Ela levantou o rosto para olhar para mim. Seus olhos ainda estavam cheios d’água, mas eu limpei-os.

“Será que pode me ajudar a resolver o meu novo caso? Eu não conheço muito bem a cidade e preciso de alguém que possa me ajudar.” Sugeri.

“Ajudar...?” Perguntou ela sem entender.

“Sim! Como pagamento posso te dar mais comida!” Sorri.

“Ah! Seria ótimo!” Comemorou ela. “Quer te ajudar! Vou ser uma detetive!”

“É... Mais ou menos... Mas lembre-se! Eu sou o melhor detetive. Então... Tente aprender um pouco comigo.” Falei para ela.

“Pode deixar, senhor detetive!” Concordou ela.

“Não precisa me chamar assim também!” Reclamei.

“Certo então, Sensei!” Corrigiu ela.

“Não! Ah... Desculpe. Eu me esqueci de dizer para você o meu nome.” Lembrei. “O meu nome é Taruto.”

“Certo... Taruto!” Falou ela fazendo um sinal como àqueles dos militares de colocar dois dedos na testa. “E o meu nome é Pudding.”

“Bom te conhecer, Pudding.” Falei. “Agora vamos! Temos que achar a rua do Palace.”

“Palace?” Repetiu ela.

“Sim. O nome todo é Mew Mew Grand Palace.” Disse. “Sabe para onde fica?”

“Claro que sim!” Respondeu ela prontamente.

Pudding deu um pulo e se pôs de pé. Estava tão animada e feliz que nem mesmo parecia a garota que tinha visto antes quando estava perdido. Acho que a fome era tanto que a tinha deixado fraca até mesmo para ficar feliz... Mas eu estava muito feliz naquele momento por vê-la feliz.

“É para lá!” Informou ela apontando para uma rua que eu não conhecia.

“Ótimo. Vamos até lá então.” Concordei.

“Sim!” Sorriu ela.

Pudding segurou o meu braço novamente e começou a andar na direção que tinha apontado, e, mesmo eu não conhecendo ela direito, tinha plena confiança nela. No fundo... Ela parecia ser uma pessoa muito boa.

Notas finais
Então? O que acharam?

Espero que vocês tenham gostado. Eu sempre escrevo isso, né?

Bem... Espero reviews! Estrelinhas! E tudo mais!

Até o próximo capítulo.