Lwu
3 Capítulo 3 A carta
Notas iniciais
Espero que gostem, e mais uma coisa:
O primeiro personagem a falar é o Keiichiro e a segunda é a Minto.
Quanto tempo devia ter passado?
Eu andei de um lado para o outro. Aquele quarto era apertado demais, e parecia diminuir a cada minuto que passava. As janelas eram tampadas por um muro do lado de fora o que tornava aquele lugar uma prisão perfeita.
"Ryou... Ah, em que problema eu fui te meter?" Era tudo isso que passava em minha mente.
Todas as minhas preocupações se resumiam a isso. Ryou era o meu melhor amigo a tanto tempo que, envolver ele nesse problema, parecia um dos crimes mais graves que podia ser cometido. Porque eu tinha que esconder aquela pedra lá? Era um tesouro muito raro e precioso, de certo, mas não chegava ao valor que Ryou tinha para mim.
A porta então abriu, interrompendo a minha preocupação.
"Então... Já mudou de idéia?" Perguntou um homem de cabelo vermelho. Ele não era mais velho do que eu, mas podia detectar um tom de seriedade muito grande na voz dele. Muitas vezes, de ironia e deboche também.
"Já disse para você que não vou revelar a localização da pedra!" Falei "Porque simplesmente não esquecem isso?!"
Ele riu em deboche.
"Ordens diretas do chefe. Ele quer a pedra, e ele sempre tem o que ele quer."
"Diga ao Deep Blue, que não vou ajudá-lo." Afirmei.
"Então espero que goste de ficar preso aqui sem comida nem água." Sorriu ele "Ah! E só para a sua informação... Uma hora ou outra nós vamos encontrá-la. E assim que acharmos, vamos eliminar todos os que estão no nosso caminho. Pense nisso."
Ele fechou a porta novamente me deixando sozinho naquele minúsculo quarto.
Talvez o quarto nem fosse tão pequeno, mas o meu desespero o tornava assim.
Eliminar todos que estão no nosso caminho? Ah, não... Se achassem o diamante no cofre do Palace seria o fim de Ryou e de todos que ficavam lá. E tudo isso era minha culpa!
Eu soquei a parede com raiva, mas logo toda a minha raiva se transformou em decepção. Eu tinha que fazer alguma coisa. Não podia só ficar parado naquele quarto como um rato em uma gaiola.
Mas o que poderia fazer?
Estava trancado. Começava a sentir a fome me matar por dentro. A sede também não ajudava em nada... Droga.
Sentei na cama do quarto e fitei a parede na minha frente tentando pensar no melhor a fazer, ou em algum plano de fuga. Talvez a minha carta tivesse chegado á Ryou. Não pude escrever muito, mas pelo menos ele poderia entender que eu estava bem. E o que tinha que fazer. Tomar cuidado. Afinal o perigo estava mais perto dele do que podia imaginar.
Mas o que eu estava pensando? Eu simplesmente lancei a carta pelo pequeno buraco que tinha conseguido abrir no muro. Talvez aquela carta nunca chegasse ás mãos dele. Talvez ela tivesse se perdido em algum lugar na rua, ou simplesmente caido em alguma poça de água no chão. Mas... Era o melhor que eu podia fazer...
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"Ryou!" Chamei ele da porta de seu quarto. Estava quase na hora de abrir o Palace e eu nem mesmo tinha o visto. "Estou entrando!"
Depois de avisar esperei alguns segundos por um protesto de Ryou, mas não ouvi nada.
Eu empurrei a porta e ela se abriu. Ele não tinha nem mesmo fechado a porta? Estranho... Ryou era muito reservado e, nem mesmo a Ichigo conseguia ficar perto dele com facilidade. Mesmo sendo noivos, os dois não ficavam muito tempo juntos. Pareciam mais irmãos do que qualquer outra coisa, mas preferia não me meter.
"Ryou... Você deixou a porta aberta." Avisei a ele quando entrei no quarto.
Ele estava em pé com o olhar petrificado. Segurava na mão uma carta, um pouco amassada e suja. Seu olhar era de espanto. Como se tivesse acabado de ouvir a história mais sombria de toda a sua vida.
"Que carta é essa?" Perguntei preocupada. Nunca o tinha visto daquele jeito.
"Min-Minto?!" Assutou-se, porém sem mudar a expressão. Ele só olhou para mim sem ter o trabalho de suavizar sua expressão.
"O que houve? O que aconteceu?" Quis saber.
"Na-Nada. Eu só estava..." Ele colocou a carta na gaveta da escrivaninha fingindo não ter nenhum problema, e eu podia jurar que nunca tinha visto ele mentir tão mal.
"Ah, jura?" Revirei os olhos "Que carta era aquela, então?"
"Ah... É só uma conta errada. Entregaram a carta do hotel daqui ao lado para mim. Eu... Vou guardar e devolver depois." Explicou ele. Estava mais do que na cara que era mentira, mas eu não pude fazer nada.
"Ryou, eu..." Fui interrompida.
"Minto, eu não tenho muito tempo. Vamos, temos que abrir o Palace." Disse ele apressado.
Ele me direcionou a porta do quarto e junto de mim desceu as escadas. Passamos por Ichigo, que estava subindo as escadas em direção ao seu quarto.
"Onde está indo?" Perguntou Ryou. Alguma coisa em seu tom de voz fez com que ela franzisse o cenho.
"Ah... Eu estou indo para o meu quarto trocar de sapatos." Explicou "Algo errado?"
"Não! Nada errado, droga!" Exclamou Ryou irritado, talvez, de responder a mesma perguntas tantas vezes.
"Ce-Certo..." Falou Ichigo.
Nós dois descemos as escadas em direção ao grande salão principal e maravilhoso do Palace. Aquele lugar era digno da realeza, mas recebiamos todos os tipos de pessoas.
"Bem... Está na hora." Concluiu Ryou.
"Tudo bem... Vamos então." Concordei.
"De quem é a vez de cantar?" Perguntou ele.
"Ah... Acho que dessa vez é da Ichigo." Falei e ele sorriu.
Ia ser uma longa e romântica noite...
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