Luzes de Dezembro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A história se passa depois da terceira temporada, antes da quarta, como se fosse uma cena excluída da série que ninguém nunca mencionou kkkkk vamos fingir.
Enfim, espero que gostem. Boa leitura!
E é natal, mais um ano se passando
Tantos sorrisos percorreram esse ano
Dentro de tantos desejos pra se esperar
Apenas um que eu esperava encontrar
E é natal e as luzinhas vão piscando
E o meu carinho anda longe dos teus planos
Numa cartinha escrita no azul bebe
Foram poemas escritos só pra você
E é natal e a estrelinha vai subindo
E num cantinho deixam sempre um carinho
São tantas coisas que eu acabo recebendo
Mas teu amor fica entre as luzes de dezembro
(Luzes de Dezembro — Mariana Nolasco)
Eu não era obcecado pelas tradições de natal. Eu não ligava de montar uma árvore ou de enfeitar a casa toda com luzes, não que eu não gostasse, apenas não me faria falta se não o fizesse.
Por outro lado, Lydia queria que cada centímetro da casa tivesse um enfeite. Como era apenas eu e meu pai, e Scott tinha apenas ele e sua mãe visto que ninguém sabe de seu pai a anos, costumávamos nos juntar no natal. Nós quatro. Esse ano, a mãe de Lydia precisava fazer uma viagem inadiável e Lydia ficaria sozinha, então obviamente a convidamos para a ceia de natal no dia seguinte, e por esse ano o natal ser em minha casa, pedi a ajuda de Lydia para fazer uma decoração simples, no entanto ela me apareceu em casa com caixas e mais caixas de enfeites, alguns que eu nem sabia como ou onde se pendurava.
—Me ajuda Stiles! Segura a escada.
—Lydia, a escada não vai cair, você não tem que se preocupar. — a escada era feita para se subir, e era nova, era completamente improvável que ela caísse.
—Espero que se lembre disso quando eu estiver no chão com um osso quebrado. Agora, segura! — insistiu e eu então segurei para que ela fosse mais alto e colocasse a estrela no topo da árvore de natal.
—Você sabe que não precisava fazer tudo isso, certo?
—É natal, Stiles, e acho que depois de tudo o que passamos esse ano com… bem você sabe, Nogitsune e todas as maluquices, podemos levar ao menos o natal ao pè da letra e fazer tudo o que temos direito e nos divertir por uma noite, okay?
Entendo então que aquilo era importante para ela, por inúmeros motivos e se era importante para Lydia, então seria importante para mim. Comecei a ajudá-la com mais entusiasmo, desembalando coisas das caixas e pendurando onde eu sabia e as vezes pedindo sua opinião de onde por.
Estávamos no lado de fora, enchendo a árvore do quintal de luzes quando Lydia me perguntou:
—Porque não tem costume de enfeitar a casa para o natal?
Dei de ombros enquanto pegava outra ponto do pisca-pisca e amarrava em um dos lados e passava novamente a ponta para Lydia prender do lado dela.
—Minha mãe costumava fazer isso e eu realmente gostava, aliás era o mais ansioso para montar ao menos a árvore, mas depois que ela morreu, meu pai e eu tentamos manter o costume de montar os enfeites, mas ao menos no começo não tinha qualquer graça ou magia sem ela. Fomos deixando de fazer aos poucos nos próximos anos e agora, mesmo que fizéssemos isso e não tivesse aquela sensação estranha que sentimos no começo, já perdemos o costume, então não nos importamos mais de enfeitar coisas. Apenas celebramos.
—Oh. — foi apenas o que disse enquanto segurava pensativa a ponta do fio da luz que dei a ela.
Franzi a sobrancelha sem entender.
—O que foi?
—Me desculpa.
Ela olha para mim e realmente vejo culpa em seu olhar enquanto enrola nervosamente o fio no dedo.
—Me desculpa por fazer você se lembrar assim e quase forçá-lo a fazer uma coisa que era acostumado a fazer com a sua mãe, não foi minha intenção, eu devia ter perguntado antes
—Hey, Lydia. — dou a volta na árvore e seguro suas duas mãos nas minhas. -Está tudo bem, já faz tempo, não me importo mais de fazer a decoração, mas não quer dizer que eu a odeie ou que hoje isso me traga memórias ruins e doloridas. — seguro o fio que ela tinha na mão e começo a prendê-lo em seu lugar na árvore. -Quando perdemos alguém, no começo dói muito, mas depois, as lembranças são boas, nós rimos das lembranças, sentimos saudades, não è mais algo dolorido. È apenas… saudades, então está tudo bem. — digo, terminando de amarrar a ponta e me virando novamente para ela, oferecendo um sorriso para que tenha certeza de que realmente estava tudo bem.
Ela me surpreende ao se aproximar e enrolar os braços ao meu redor, em um abraço apertado, deitando a cabeça em meu peito enquanto me abraça e após alguns segundos de surpresa eu a abraço novamente.
—Sinto muito. -sussurro, mas era claro que ela entendera que eu estava bem. -Sinto muito por tê-la perdido tão cedo, tenho certeza que onde quer que ela esteja, ela te ama e tem orgulho de você.
Sorrio abraçando-a apertado uma vez mais.
—Obrigado. — sussurro. -Vem, vamos terminar isso. — nos afastamos do abraço e peguei a ponta da luz que estava novamente do meu lado da árvore e voltamos a decorá-la.
Ainda tínhamos que comprar coisas para a ceia e semi preparar toda a comida até o dia seguinte e eu tinha ainda alguns presentes para se embrulhar.
—Você tem certeza que não quer ajuda? — ela me pergunta mais tarde naquele dia.
—Sim, você organiza os presentes que já estão prontos na árvore e eu termino de embrulhar os que vou dar. Se você for me ajudar, vai espiar o seu presente.
—Você comprou um presente pra mim?
—È claro que sim, e espero ganhar um também! — brinco e ela sorri concordando.
—Vou pensar no seu caso, Stilinski.
Subo as escadas até o meu quarto para começar minha tarefa de embrulho, eu não era muito bom com embrulhos, mas o quão difícil seria? Era só embrulhar.
Comprei um relógio para meu pai, visto que o seu já era tão ruim que só faltava se desprender sozinho de seu braço qualquer dia. Comprei rodas novas para o Skate de Scott que ele já não andava mais pelas rodas estarem um bagaço. Havia um colar para Melissa e uma pulseira para Kira que disse que daria uma passada em casa. Lydia me ajudou a escolhe-los e o dela fôra o mais difícil de se achar. Eu queria dar uma coisa diferente visto que eu costumava a exagerar um pouco nos presentes para ela. Algo legal, que ao mesmo tempo tivesse um valor simbólico e por isso eu havia escolhido um porta retrato, que na verdade era uma luminária, sua volta toda acendia e faria uma luz ambiente em seu quarto. Dentro dele havia uma foto rara que tínhamos tirado, eu, ela, Scott e Allison, eu sabia que a foto seria ainda mais importante agora que havíamos perdido Allison e esperava realmente que ela gostasse do presente.
Coloquei o em uma caixa, envolvendo um um papel e deixando na caixa, cortando um pedaço de fita para fazer um laço nele.
Reuni todos os presentes e desci com eles no andar de baixo para que Lydia terminasse de organizarmos em baixo da árvore.
O que encontrei foi a coisa mais linda que vi em tanto tempo, quase pude sentir o ar sumindo de meus pulmões, meu coração acelerou e o frio na barriga que eu já era habituado a ter ao redor dela, estava presente.
Ela estava encostada no sofá ao lado da árvore de natal, tinha um presente na mão, estava com os olhos fechados ressonando tranquila. Eu adorava observá-la dormir, talvez pelo fato de assim posso admirá-la sem tornar o momento estranho ou ter de explicar o porquê de estar olhando.
Me aproximo deixando os presentes no chão e me sentando ao lado dela, retirando com cuidado o presente de sua mão e deixando no chão ao lado. Ela teria um torcicolo e tanto deitada ali daquele jeito, toda torta e desconfortável.
Não consigo me conter e levo minha mão ao seu rosto, fazendo um breve carinho com o polegar em sua bochecha. Sorrio e me aproximo mais, me acomodando ao seu lado e deitando com cuidado sua cabeça em meu colo, se eu tentasse movê-la inteira, ela com certeza acordaria, portanto deixá-la confortável no chão era mais seguro, pois eu não queria acordá-la.
Afastei algumas mechas de seu cabelo do seu rosto e observei por um tempo, era algo incrível tudo isso, a facilidade que eu tinha de me perder nela, tudo nela me atrai de alguma forma, era algo que eu não podia controlar, eu apenas queria protege-la, me divertir com ela, passar tempo com ela como fizemos hoje, sem nossas vidas em perigo.
Eu sempre tive certeza dos meus sentimentos por Lydia, mas algo estava diferente de alguns anos pra cá, antes eu me sentia de um jeito e agora me sinto de outro, não sei dizer o que mudou. Talvez o meu coração tenha se conformado que Lydia nunca me amaria de volta da forma como eu a amava uma vez e então ele estava seguindo em frente. Talvez agora eu estivesse pronto para amar outra pessoa e era isso que tinha mudado. Talvez.
Mas então porque eu ainda me sinto todo bobo perto dela? Porque meu coração ainda reserva batidas diferentes para ela? Porque tantos sentimentos direcionados a ela se meu coração decidira seguir em frente? Não fazia sentido. Eu não sabia dizer o que mudou, mas gostaria de descobrir.
Continuei o mais silencioso que eu podia a organizar os presentes na árvore com Lydia ainda deitada em mim, logo senti meus olhos pesados também. Já estava tarde e meu pai passaria a noite na delegacia naquele dia, voltaria apenas perto do almoço do dia seguinte. Lydia dormiria ali de qualquer maneira visto que não queria ficar sozinha em casa, então quando menos percebi, meus olhos tinham se fechado e eu também começava a ressonar encostado no sofá com Lydia deitada em meu colo.
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Eu não sabia dizer que horas eram quando senti algo estranho, longe no meu subconsciente. Talvez fossem dedos passando por meu rosto, tocando talvez alguns pontos específicos, indo da minha bochecha ao meu pescoço. Logo depois sinto cócegas. Cócegas? Alguém estava realmente empenhado em me fazer cócegas, não eram severas, apenas o suficiente para começar a me despertar lentamente, eu tinha cócegas na barriga sim, mas talvez pelo fato de estar dormindo meu cérebro ainda não havia captado isso.
Não por muito tempo. Quando me senti acordado a vontade de rir bateu forte quando os dedos insistentes dançavam sobre minha barriga por cima da camisa de mangas cumpridas e abro meus olhos, levando os braços a frente da barriga, tentando afastar as mãos de mim. Mãos que descobri serem de Lydia.
Resmunguei e tentei ainda meio grogue de sono afastar suas mãos, mas a risada começou a sair de mim e Lydia ficou mais insistente.
—Hey! — reclamo enquanto meu cérebro processava apenas as cócegas e me impossibilitava de ter forças para pará-la.
—Lydia, pare! hey, não consigo respirar, Lydia!
Consigo uma brecha por entre suas mãos e encontro a sua barriga também, movendo os dedos e toquei no ponto certo quando percebo ela se contrair e soltar uma risada.
—Não! — protesta, tentando manter sua vantagem sobre mim, mas perdendo quando começo a usar as duas mãos. Ela parecia ter o dobro de cócegas do que eu.
—Stiles! — consegue se afastar, de frente para mim, indo de costas ao lado contrário, apenas tantando se livrar de minhas mãos em meio a risadas persistentes.
—Você começou e não aguenta! — digo, agarrando seu pé direito para que não fugisse mais e me aproximando pronto para atacar com as mãos sua barriga e pescoço, fazendo o máximo de cócegas que eu podia. Praticamente a imobilizei enquanto riamos.
—Hey, agora sou eu que não consigo respirar!
Paro minhas mãos, apoiando ao lado de sua cabeça, percebendo que eu estava praticamente em cima dela, apenas não deixei meu peso sobre ela, sequer nos encostarmos completamente. Ambas respirações eram ofegantes e desesperadas, em meio a sorrisos, ela tinha os olhos fechados por um momento e novamente tomei esse tempo para observá-la.
Sua mão direita foi para minhas costelas, talvez numa tentativa de contra atacar.
—Hey! Eu claramente tenho a vantagem então nem pense nisso! Vai perder novamente.
Ela ri e a mão que tinha ido para minha costela se agarra ao tecido da minha camisa.
—Você estava roncando. — diz ao abrir os olhos, tentando explicar o porquê das cócegas. -E não acordava de jeito nenhum. Estava vendo que teria que dar um super grito Banshee pra você levantar.
Não digo nada, ainda meio perdido em seu rosto. Como eu disse, às vezes ainda ficava meio bobo perto dela, meus olhos param em sua boca. Não havíamos nos movidos, as respirações haviam se acalmando e de repente Lydia ficou séria. Seus olhos avaliaram meu rosto como eu fizera com ela e seus olhos também caíram sobre minha boca e ela mordeu nervosa e suavemente o lábio inferior. Senti sua mão segurar mais firme minha camisa e de repente dedos quentes estavam na curva do meu pescoço, escorregando suavemente até minha nuca, brincando devagar com alguns fios de cabelo. Parecia que estávamos ali a longos minutos, me aproximei alguns centímetros e ela olhou em meus olhos, parecendo ansiosa.
Minha mente viajou para meses atrás quando tive aquele ataque de pânico e ela havia me beijando na intenção de me ajudar. Me lembro claramente daquela eletricidade que passou por meu corpo, me lembro em detalhes de todas as sensações que senti, cada batida ritmada do meu coração, a sensação do calor de seus lábios sobre os meus e por fim, seus olhos fechados enquanto me beijava e do aperto em meu rosto quando eu retribui o beijo.
Eu não sabia que estava tão ansioso para repetir aquele momento até agora quando estava de certo modo tão perto de repeti-lo.
—Eu não ronco. — sussurro.
—Sim, você ronca e dorme feito uma pedra.
Na verdade era uma surpresa eu ter dormido tão bem, quando ultimamente eu não tive uma noite de sono sem pesadelos.
Levo minha mão até seu rosto, como eu havia feito mais cedo enquanto ela dormia, mas dessa vez meu polegar passou de sua bochecha até o canto de seus lábios e Lydia fechou os olhos, respirando fundo e sorrindo ao abrir novamente e me olhar com suas íris verdes.
—Acho melhor voltarmos para a decoração e a comida. — sussurra, ainda me olhando intensamente. -Dormimos até dez horas sabia? Temos muito o que fazer.
Como em um choque de realidade arregalo os olhos percebendo de verdade que estávamos prestes a nos beijar. Isso era loucura, éramos amigos e Lydia não gostava de mim mais do que isso, e não éramos do tipo de amigos que ficavam apenas pra ficar. Era surreal que estávamos prestes a dar um passo desses, talvez sem volta para a normalidade ou talvez como ocorrera em nosso primeiro beijo, a diferença é que esse não seria por motivos de vida ou morte.
Me afasto dela, sentando-me no chão enquanto ela se levanta. Sinto uma fisgada em meu pescoço e sorrio levando uma mão até ele.
—Te arrumei para dormir mais confortável e não ter um torcicolo, mas acabei dormindo e agora quem tem o torcicolo sou eu.
Lydia ri, a brincadeira tirara o clima estranho antes dele começar e nós ficamos apenas na brincadeira de cócegas, deixando quieto o que quase aconteceu.
—Vamos, temos um enorme peru para temperar e assar.
—Certo.
A noite chegou logo, meu pai ligou avisando que chegaria apenas perto da hora da ceia e Lydia e eu nos divertimos fazendo todas as comidas e sobremesas, na verdade acho que exageramos na quantidade já que a mãe de Scott também traria comida, juntando tudo daria comida pra um batalhão.
—Eu vou me arrumar, já vão chegar e estou toda suja de coisas de comida.
—Você está linda. — digo no automático.
Eu já disse a ela algumas vezes, mas eram em momento que eu sabia que ela precisava ouvir, ou queria ouvir, ou que estava realmente arrumada e esperava por um elogio e não quando estava realmente um pouco suja e com roupas normais de ficar em casa, soltar isso nesse momento foi algo que alguém muito mais íntimo diria, alguém que realmente a achasse bonita em todos os momentos, e eu a achava, ela estava maravilhosa para mim naquele momento, mas eu tinha que ter guardado o comentário para mim e não soltá-lo assim na lata.
—Oh, bem, obrigada, mas não acho que um shorts e uma blusinha simples e sujas com tempero são adequadas para a ceia de natal. — diz sorrindo enquanto limpa as mãos em um pano. -Então vou me arrumar.
Assinto com a cabeça, oferecendo um sorriso envergonhado.
Claro que ela se arrumou em meu quarto, por isso tive que esperar ela terminar para tomar meu próprio banho e trocar de roupa. Assim que ela apareceu novamente na sala, eu tive outra vez aquela sensação de ar fugindo dos meus pulmões e coração acelerado.
—Ual. Vo-você… está linda. — dessa vez eu disse com mais segurança, sem me preocupar muito. Afinal, já tinha dito mais cedo, então qual o problema de repetir.
—Obrigada. — diz sorrindo, alisando o vestido vermelho tomara que caia. — você pode ir agora, eu recebo o pessoal que chegar.
Balanço a cabeça concordando e quase corro para o andar de cima. Coloquei minha calça jeans preta e uma das camisas xadrez azul, meu cabelo era sempre difícil de arrumar, então eu deixei como era normalmente.
Eu já podia ouvir vozes no andar de baixo que indicava que já tinham chegado. Saí do quarto e encontrei meu pai com o uniforme subindo as escadas provavelmente para se trocar.
—Hey pai!
Ele sorriu vindo me abraçar.
—Hey! Feliz natal filho.
—Feliz natal.
—Eu vou me arrumar e já desço tudo bem?
—Tudo bem.
Desci, procurando por Lydia com os olhos. A encontrei conversando com Melissa na cozinha, rindo com alguma coisa em relação a uma das sobremesas.
Olhei a árvore de natal e ela estava mais arrumada do que quando eu subi pra me arrumar, Lydia deve ter dado alguns toques de arrumação a mais.
Cumprimentei Scott e Melissa, falamos sobre a confusão que foi ter preparado tudo aquilo pra comer e também sobre toda aquela decoração já que Lydia colocou pisca-pisca até na porta.
Em certo momento, depois que meu pai já tinha descido e todos já tinhamos comido, esperávamos apenas para servir a sobremesa, percebo que Lydia não estava em lugar algum. Nem no andar de cima, ou em algum banheiro.
Vejo sua blusa de frio em cima do sofá e franzi o cenho percebendo que ela ainda estava ali, pois não iria embora simplesmente sem a blusa ou sem se despedir.
Então olho pela janela, passando a mão no vidro para tirar o embaçado por conta do frio. Ela estava ali fora, sentada abaixo da árvore abraçada com os joelhos encolhida, parecendo com frio. O que fazia lá?
Peguei sua blusa em cima do sofá e sem que ninguém perceba, nem ao menos Scott visto que Kira estava ali também, saí de casa até seu encontro.
Estava frio, e por ser de noite havia um pouco de neblina, fecho meu próprio casaco e me sento ao lado dela.
—Esqueceu isso lá dentro. — digo oferecendo o casaco dela.
—Obrigado. — sussurra. Sua voz estava diferente, parecendo um tanto embargada e isso doeu fundo em meu coração. Ela coloca o casaco e tenta ser discreta ao esfregar o rosto na manga.
Seguro seu queixo para virar seu rosto para mim suavemente e ela tinha os olhos fechados respirando fundo antes de abri-los para me olhar.
—Hey, Lydia o que foi?
—Eu só… — morde o lábio tentando segurar as lágrimas que queriam cair.
—O que? — insisto.
—Nós todos aqui, isso è tão legal. Já fazia um tempo que eu não participava de um momento assim, eu estou feliz, por ter vocês agora, por ter amigos de verdade que me amam e que eu amo, nós passamos por tanto juntos e apesar de tanta coisa ruim, agradeço por várias outras que aconteceram pois sem ela, nós não estaríamos aqui hoje, talvez não tivéssemos um ao outro. Estou feliz por ter vocês.
Sorrio para ela a confortando.
—Nós também somos felizes por ter você, Lydia.
—Mas… sinto falta dela, Stiles. Ela tinha que estar aqui, Allison tinha que estar aqui e participar disso, ter todos nós reunidos aqui. Não è justo o que aconteceu, não è justo. Ela era minha melhor amiga, nossa melhor amiga e nós a perdemos.
Passo meu braço por seu ombro para que ela se apoiou em mim, sua cabeça em meu ombro e um braço circula minha cintura enquanto a escuto chorar.
—Eu sei, sei que dói agora. Não foi justo o que aconteceu, e ela devia estar aqui. Sentimos falta dela, mas eu sei que onde quer que ela esteja… ela está feliz por termos conseguido, está orgulhosa de nós. — digo repetindo o que ela havia me dito mais cedo naquele dia sobre minha mãe. -Sua morte não foi em vão e ela será lembrada, sempre.
Ficamos em silêncio e ela já havia parado de chorar.
—Vai ficar tudo bem. — sussurro. -Hey, acho que vou querer dar o seu presente agora.
—O que? Porque?
—Acho que vai gostar dele. Só um minuto. — nos separamos do abraço e corro para dentro para pegar o presente debaixo da árvore. Volto novamente para a árvore lá fora, estava realmente frio.
Me sento no mesmo lugar de antes, mas agora estávamos de frente um para o outro.
—Aqui está. — entrego a ela o presente e ela ri animada ao pegar a caixa e desfazer o laço com cuidado assim como tirou o papel também.
Seus olhos brilharam do modo que eu mais amava ver, era como se o sol estivesse neles.
—Oh meu Deus, Stiles. — ela apertou o botão ao lado e a volta toda da foto se iluminou. — È a coisa mais linda que eu já ganhei.
—Somos nós, nossa matilha.
Seu sorriso aumentou e ela colocou novamente o presente na caixa, me abraçando forte em seguida.
—Obrigado, è um presente lindo!
—De nada.
Permanecemos assim por um tempo, estávamos quentinhos abraçados em meio ao frio. Lydia levantou a cabeça para me olhar, suas bochechas estavam rosadas e ela soltou uma expressão de surpresa, misturada com um sorriso.
—O que foi? — pergunto.
—Olha. — olho para cima atrás do que ela queira que eu visse e arregalo os olhos surpreso ao ver um visco.
—Oh. — olhei um pouco exasperado para ela.
Ela não iria…
—Lydia, não somos… vo-você sa-sabe, não somos o-obrigados a seguir a tradição. — não posso evitar gaguejar.
—Stilinski, não parece que passou a tarde toda comigo. Sabe como eu sou com as tradições de natal.
Oh Deus, ela realmente queria fazer isso.
—Ok, então… — eu devia começar?
Ela se aproximou com o sorriso ainda no rosto, sua mão pousou novamente em meu pescoço, eu adorava a sensação dos seus dedos em minha nuca. O tempo pareceu parar novamente, mergulhei fundo em seus olhos, senti o gelado em meu estômago e o coração aumentar as batidas. Antes que algo nos interrompesse, surpreendentemente eu quem quebrei a distância entre nós e a sensação de nossos lábios juntos era o que eu ansiava desde que os senti pela primeira vez, eu iria aproveitar esse momento mais do que nunca em minha vida.
Lydia pressionou mais a boca contra a minha, os dedos fizeram um carinho gostoso em minha pele, minha mão afastou seu cabelo, segurando firmemente sua cabeça, soltamos suspiros ao mesmo tempo e eu estava completamente incrédulo que aquilo estava acontecendo, como se fosse apenas um sonho bom.
Nos separamos milimetricamente para respirar e incapazes de acabar com o beijo e com aquele momento nos beijamos novamente, sua língua roçou meu lábio inferior e eu entreabri a boca fazendo nossas línguas se encontrarem, tornando tudo mais quente e mais intenso. Eu queria congelar aquele momento pra sempre e nunca mais deixar Lydia Martin ir. Mas o ar era necessário e eu sabia que em poucos segundos teríamos que nos separar e ela também pareceu ter consciência disso, pois aumentamos o ritmo, a intensidade, a ânsia um pelo outro.
Quando seus lábios deixaram os meus senti a brisa fria bater contra nossos corpos, como se o sol de repente tivesse morrido e eu nunca mais fosse sentir calor outra vez em minha vida, era como se parte de mim tivesse ido junto com ela. Nos olhamos tão intensamente quanto podiamos, não precisávamos discutir aquele momento, não precisávamos nos preocupar com o que ele significava. Foi um beijo, e era assim que ele permaneceria, um dia perfeito que estava terminando também de forma perfeita. Era natal e tudo parecia ter uma certa mágica, inclusive aquele momento e eu e ela sabíamos que nada mudaria entre nós. Pelo menos não por enquanto.
—Acho que preciso dar o seu presente também.
—Oh, è verdade, e temos a sobremesa para comer.
Ela assentiu e sorrimos um para o outro enquanto levantamos, batendo nossas roupas para expulsar alguma sujeira. Lydia estendeu uma mão para mim e eu a segurei. Fogos começaram a explodir no cèu, anunciando que já era meia noite. Rimos olhando todas aquelas cores no cèu, puxei Lydia para outro abraço e ela retribuiu.
—Feliz natal — sussurro em seu ouvido enquanto nos separamos apenas o suficiente para nós olharmos. Ainda muito próximos quase podemos tocar os lábios um no outro, passo a língua entre os meus para me lembrar do gosto dela ainda em mim e suavemente a ponta da minha língua encosta em sua boca.
Aperto mais sua mão na minha.
—Feliz natal. — ela responde em um sussurro quase tão inaudível quanto ao meu em meio a tanto barulho.
Nos viramos para olhar novamente os fogos explodindo no céu e todos que estavam dentro de casa começam a sair também, vestindo casacos para ver todas aquelas luzes e cores.
Horas depois, quando era novamente meu pai e eu em casa apenas eu arrumava alguns plásticos que estavam jogados debaixo da árvore para jogá-los fora e avistei em meio a alguns enfeites um pequeno papel azul dobrado, tinha o meu nome nele e o peguei intrigado.
“Feliz natal, Stiles. Obrigada por hoje, você è o melhor amigo que alguém poderia ter e uma das melhores pessoas que já conheci. Eu vou me lembrar e guardar no coração o dia de hoje, pra sempre.
Se todos tivessem o privilégio de ter alguém como você
O guardariam e iriam protegê-lo no coração
A sete chaves
Para que nunca o perdesse de novo,
Pois sem você, o mundo deles seria…
Sem cor e sem calor.
Ainda bem que
A privilegiada sou eu.
(Lydia)”
Dobrei novamente o papel, emocionado. Lydia havia me dado um box de todos os DVDs de Star Wars de presente e ficou o tempo todo dizendo que não era tão legal quando o que eu tinha dado, pois era algo apenas material e não meio a meio como o que eu tinha dado, mas fiz ela entender que além de seu presente, todos os momentos que passei com ela faziam parte do pacote. Inclusive como nós terminamos aquele dia, tudo aquilo era um presente de natal inesquecível e eu mal podia esperar para tantos outros que nós teríamos pela frente.
Xxxx
“E é natal, e eu não queria quase nada
Meu presente ficou dentro de uma caixa
Podiam ser apenas versos de carinho
Quem sabe apenas 4 ou 5 minutinhos
Pra eu dizer que não, eu não queria
Que passasse mais um ano sem você
Dizer que sim
E enfim, eu gostaria que você me
incluísse nos teus planos desse ano
Com começo, meio e sem fim”
(Luzes de Dezembro — Mariana Nolasco)
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