Luz entre Escuridão

10 Capitulo 8- A Amargura do Almirante


Capitulo 8

A Amargura do Almirante

Concerte seus erros. Seria possível alcançar um dia o perdão?

Aborrecido em meio de uma pilha de papeis referentes a ultima missão Kamui suspirou apegando-se ao papel e tinta. Passou a escrever ideogramas avaliando os relatórios e dando baixa em requerimento para as armas da tropa, o ofício em si era problemático, visto que seu antecessor era um tolo irresponsável que facilmente declinava sua fronte aos anciões em troca de pequenas permissões para extração de recursos.

Observou no geral os documentos referentes a ataques e saques, notando as clausulas impostas para que os piratas notificassem possíveis fontes de altana nos planetas vitimados. Em grosso modo, cada fonte de energia bruta era entregue aos anciões, que após ser refinada para uso vendia-se a preço baixo ao Harusame.

Historicamente falando a proposta era bastante irônica, desde que os Yatos—principalmente seu antigo rei—aceitassem facilmente tais ideias, pois graças a essa energia os mesmo anciões foram os grandes algozes do massacre a “Toca de coelhos” nas terras de Kouan. A mesma potente e mutante altana que pode destruir um planeta inteiro e ser o graal dos equipamentos modernos.

Relaxou com a metade dos documentos finalizados e deixou o restante no escritório de Abuto. Decidiu ir à direção da enfermaria para saber como Mizuki estava, chegando lá, avistou-a a observar a janela que dava para o espaço—Ela realmente gosta disso--, pensou. Na maioria das vezes que a viu desde que ela entrou para a organização ficava admirada olhando pelas janelas.

Chegou por trás tocando as mãos da mulher que o eletrizou um pouco no momento do contato fazendo-o automaticamente soltá-la, foi estranho e o suficiente para ela virar a ele assustada. Cada vez ele adquiria uma expressão diferente dela, deixando Kamui curioso para adquirir mais destas.

“Que tipo de sonhos minha querida insurgente tem após olhar por várias horas esse local vazio?”, jactou-se tomando os lábios desta inesperadamente que o afastou imediatamente. Projetou novamente sua atenção às expressões dela, os olhos cor floresta estavam reluzentes como jade sentido o ódio naqueles orbes que formaram lágrimas na volta.

“O que você quer?”, ela gritou franzindo as sobrancelhas.

“Que maldade Mizuki-chan”, ele brincou presunçosamente virando-se de costa para ela. “Como forma de desculpa por minhas anteriores grosserias eu gostaria de melhorar seu humor”, ele tossiu de leve acenando com a cabeça para que o seguisse e Mizuki, já cansada das paredes brancas da enfermaria, decidiu ir atrás.

Eles andaram alguns metros de corredor após a enfermaria seguindo em direção a uma longa escada que dava acesso a parte subterrânea da base, a jovem já havia passado algumas vezes por lá para entrar a sala de treinamento então logo pensou de a proposta dele era algum tipo de treinamento estúpido. Distraída olhando diretamente na trança de Kamui ela nem se deu conta que já tinham passado da citada sala, quando por fim ele parou avistou a virada brusca deste que sorriu levemente com os olhos abertos.

“Tente olhar para baixo”, disse.

Abaixou a cabeça sentindo o medo e admiração aflorar sobre sua espinha, ela estava no espaço--quase literalmente falando. O recinto que ele a levou dava a impressão de translúcido em todos os quatros cantos permitindo uma visão privilegiada do redor a fora da nave (melhore). Em toda imensidão e intensos sentimentos Mizuki sentiu seus joelhos fraquejarem um pouco, descendo aos poucos até o “chão” do local, as lágrimas que não queria permitir que caíssem antes desceram como cascata em seu rosto ainda em choque.

Em meio da perturbação enfim os olhos da senhorita brilharam

“Eu sinto por não explicar uma coisa”, proferiu Kamui a sentar-se a frente com as pernas cruzadas em x. “Pode parecer cruel, no entanto quando seguimos nossos objetivos cair das nuvens pode ser mais doloroso que a morte, e eu creio que Yoi entendia muito bem disso”, ele estava um pouco cabisbaixo e com uma seriedade até anormal, e prosseguiu com um olhar forte que nunca visto até então. “Você parasse gostar muito de olhar pelas janelas das bases, então pensei que se sentiria mais feliz aqui. Estou lhe dando permissão para vir aqui quando se sentir mal, mas não se esqueça, se você quer realmente salvar o seu povo tens que ter sangue frio e coragem para viver nesse bando de vilões”.

“Ela parecia se importar muito com você, não se sente mal por ter visto ela secar em sua frente?”, inquiriu corajosamente referindo-se a morte da mulher no deserto.

“Gosto da sua coragem”, de repente ele deu um sorriso um pouco desconfortável. “No entanto eu já me ceguei há muito tempo sobre coisas de compaixão ou proteger alguém, portanto eu não tenho o direito de enganar uma pobre garota fazendo-a acreditar que adquiri sentimentos, isso me faria ainda pior?”

Não houve resposta, a jovem simplesmente levantou-se começando a sair do local lentamente. Vendo-a partir silenciosamente sorriu por dentro por expor um pouco de sua fraqueza pessoal sem nenhum progresso em troca, afinal, ele não era ainda realmente sem coração, ele sentiu por não poder corresponder aos sonhos de sua amiga que sobreviveu a seu lado, tampouco conseguir salvar a sua progenitora de ver seu “cálice de altana” secar de uma vez.

Ele sentou-se no chão acalmando sua solidão com a visão do espaço, ele também precisava daquilo. Uma máscara não podia se manter por tanto tempo, então, ele guardava os momentos em que revoltas pessoais e fantasmas do passado viessem à tona enquanto sozinho, naquele lugar, pudesse explodi-los como uma supernova e renovar suas esperanças para obter seu objetivo o mais rápido possível.

Se ele finalmente completar, ele não será mais tão vazio?

“Os coelhos tem faro apurado após tantas lutas”, ele tocava uma pequena fivela verde com detalhes vermelho em formato de pedrinhas. “E pelo que bem sinto de seu sangue pequena Mizuki, parece que temos um intruso a tocar-lhe nessa toca” Ele virou-se a silhueta que apresentou-se no começo da sala. “Você já sabe as ordens, eu posso realmente confiar em você senhorita Reiko?”

“Claramente”, a vice-capitã apenas assentiu colocando os fones de ouvido que davam acesso à escuta. “O senhor é de fato um verdadeiro canalha, afinal, aquela ceninha patética de beijar sua subordinada na enfermaria foi para vigiá-la sem que ela notasse a escuta?”

“Chega ser irônico utilizar o termo canalha em um mar de vilões taxados pelo sindicato do crime, mas acredito que você concorde que eu não posso deixar uma organização de piratas insanos se perderem por truques tão baratos”, esticou as pernas colocando os braços em volta da cabeça espreguiçando-se e soltando um leve suspiro entre os lábios. “Mizuki ainda é bastante inocente, mas talvez se esse transtorno for à frente ela de fato entenda no seguir”.

“Se comprovarmos a natureza dos intrusos devo mandar eliminá-los imediatamente?”, perguntou.

“Ainda não faça algo tão extremo como eliminá-lo. Você notou que ele esta próximo de Mizuki, certo? Como ela faz parte da divisão de conhecimento seria um bom treinamento se ela descobrisse por ela própria”, deu uma pequena pausa fitado o teto que estava com a profunda escuridão do espaço. “Mas se ela não for inteligente o suficiente fique livre para fazer o trabalho sujo”.

“Imprudente como sempre. Nós não sabemos o quanto de informação esse pirralho conseguiu a se infiltrar aqui. Ainda considero mais fácil cortar esse fio de ligação o mais rápido possível”, a mulher deu os ombros antes e antes de se retirar do recinto disse: “Nunca tinha lhe visto tão dedicado pelo bem estar de seus bichinhos, entretanto, presumo que veio aqui não somente para apresentar a Mizuki o refúgio das angústias, afinal, este lugar foi sua criação e pelo que bem sei a sua pessoa esta consternada por...”.

Interrompendo a dialética ácida da mulher Kamui relaxou os ombros e esticou-se no chão translúcido, seu “cabelo idiota” rodopiou como se tivesse vida própria e após um minuto de profundo silêncio ele proferiu em um leve assobiar.

“Creio que sua função não esta relacionada a se intrometer em minha vida, portanto senhorita Reiko que tal você por sua cabecinha brilhante para pensar em como lidar com nosso pequeno intruso?”, a mulher ao ouvir a rispidez das palavras do almirante sorriu alto.

“Sim, sim. Claro! É obvio que meu chefe cabeça oca jamais admitira uma leve derrota emocional!”, ela exclamou ainda em risos liberando a porta de ferro que dava acesso ao recinto. “Mesmo que se finja de desentendido eu sei que você chorou pela morte de Yoi, aliás, ainda sendo frio pensava demais como ajudar sua amiguinha sobrevivente do tal incidente”.

O infinito de luzes impróprias

O infinito de gélidos rochedos mortos

No centro daquela galáxia, o Sol era melancólico

O Sol era melancólico, mas ainda sorridente

Completamente sozinho ele tentou reencontrar-se novamente com o vazio em seu peito. Ele mirou fugindo da realidade, das chagas que escondeu em sua alam. Ele viu-se como o Sol, esbanjando seu sorrido para iluminar seus subordinados e a sua própria escuridão.

O sorriso era raso

Ou era um sorriso puro?

Era um sorriso raso

Um sorriso melancólico

E, enfim, o bem vido vazio

Inconscientemente acabou repetido as frases de Reiko com desdém, tal como uma criança que não admitia ser corrigido por um adulto. Ele fez-se acreditar que a morte de Yoi era por sua determinação ter secado.

“Ou sua determinação há tempos havia mudado, pequena Yoi?’.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.