Luz entre Escuridão

9 Capitulo 7- A Prisão


Capitulo 7

A prisão

"Nada é bom ou mau, o pensamento é que faz as coisas assim."( William Shakespeare).

Soluço a soluço procurou a melhor posição para deitar em uma duna de areia. Congelou pela chegada da noite, boca seca, fome latente, seria morrer a melhor opção? Seria se não quisesse enfrentar a realidade. Delirava rolando na fina areia vivendo intensamente em sua mente os arrependimentos lhe brotaram no presente. Estava perdida... Veridicamente perdida.

Uma sensação boa a preencheu o seu corpo parecia planar através do espaço como uma fantasia de um filme Chibli, este não tinha a intenção de lhe ferir ou fazê-la sofrer. O calor que a abraçava deixando-a confortável e pela primeira vez relaxou.

Uma umidade desceu em seus lábios e começou a brincar com estes envolvendo-os no todo fechando-se a distância, mas logo partiu deixando o desejo só mais um pouco. Deixava agora cair em milhões de penas pomposas que administravam um conforto magnífico; O sonho, porém, teve seu fim quando uma leve picada em sua pele a fez retomar a consciência. Estava Kamui ao lado de sua cama e Hikari aplicando-lhe soro.

“Que alívio vê-la acordada, mesmo com meus anos de experiência comecei a perde as esperanças”, a senhoria suspirou em meio ao seu sorriso radiante. “Kamui-san teve a sorte e ter lhe alcançado em meio aquela ventania. Sei que vocês têm muito a conversar, estou saindo para que fiquem a sós”.

Deu os últimos retoques no medicamento e saiu temerosa, Mizuki então dirigiu sua atenção ao homem que cabisbaixo que estranhamente não sorria. Em seguida quando levantou a fronte e seus olhares se cruzaram soou frio, engoliu seco lado quando ele começou a levantar e subir na cama ficando para seu lado subindo as madeixas azuis puxando-as com força no fim, forçando-a a ficar frente a frente a ele.

“Achou que poderia fugir Mizuki-chan? Se tiver coragem para isso tenho a mesma impressão que possa responder”, a frente dela ficou bem próximo de seu rosto acariciou tal abraçando-a. Rindo escuro este sussurrou ao pé de seu ouvido. “Sua determinação não pode secar não acha?”.

Levantou caminhando até a entrada e virou com sua expressão comum diferenciada só por seu sorriso maior que os anteriores. Amedrontá-la era a intenção.

“Você ficará trancafiada nesse quarto até eu decidir uma punição interessante. Tentar fazer greve de fome ou algo do tipo só lhe causará prejuízo, aprender a ser forte foi o seu pedido a entrar aqui, deixar de ser uma menina chorona e aguentar o sofrimento jogando fora sentimentos patéticos”, novamente sorriu, porém desta vez era seu comum sorriso superficial. “Farei de tudo para atender a sua súplica inicial”.

De volta ao quarto Hikari retirava a agulha do soro e atentou-se a visão baixa amuada, preocupou-se com o a jovem se sentado na cadeira ao lado da cama ajeitado as mechas desgrenhadas.

“Por acaso Kamui-san lhe machucou? Ouvi uma discussão em quanto fiquei lá fora e ele saiu com um rosto ameaçador, Mizuki-chan não me esconda nada, por favor,”, sem respostas continuou. “Achará desagradável o que vou falar, mas para alguém que tentou fugir sinto que ele realmente se importa com você”.

“Se importar com alguém é tentar feri-lo?”, retrucou direta.

“Então você não faz ideia de como voltou aqui?”, vendo-a recusar remexendo a cabeça sorriu a mostrar seus brilhantes orbes cor de bronze, escondia delicadamente a boca com a borda do kimono para disfarce. “Não a incomodarei aprofundando o assunto. Descanse e restaure seus pontos de harmonia após um dia tão agitado”.

“Senhor! As últimas notícias que tivemos é que nosso alvo está sobe custódia interna dele após o fracasso da missão ao planeta Shinra, o que faremos?”, ajoelhou-se diante da figura sentada ao trono. “Em minha opinião ele está tentando nos provocar”.

“Não seja tão ingênuo, talvez ele provavelmente não faz ideia de sua real natureza”.

A silhueta saia aos poucos da escuridão, um homem, cujos cabelos eram cobertos por um capuz preto deixando apenas visível olhos verdes, além disso, seu rosto estava coberto por uma grande cicatriz na bochecha. Arrumou sua camisa de botão branca de manga curta tal como sua calça verde petróleo. Como todo Yato nato não se esqueceu de seu guarda-sol pego com um giro de mão, o subordinado a sua frente lhe fez mesura em quanto este saia do recinto.

“Quando ele de por si eu já estarei lá para tomar o que me pertence. Anos de dedicação não serão jogados foras pelo discípulo daquele verme que nós fez sofrer até sua morte, porém, não tiro a possibilidade de achar interessante ele tê-la em mãos”. Apoiando-se no parapeito da janela o homem seguiu olhar a Ryo, que em sua presença retirou a mascara revelando orbes de intensa escuridão. Ele ajoelhou-se diante do homem prestando-lhe uma profunda mesura.

“Sinto que você foi descuidoso, Mizuki acabou sujando suas delicadas mãos ceifando sua companheira”, ele proferiu seguindo até a cadeira no centro do recinto. Ao lado desta, havia uma mesa de madeira com que ele desceu o punho forte que, consequentemente a rachou facilmente. “O que me diz sobre sua desatenção?”

“Sinto muito meu senhor, no entanto dei meu máximo para evitar que Yoi seguisse com essa ideia estúpida”, respondeu suando nervos.

“Parece que ele tomou-lhe mais uma pessoa, no caso que nunca lhe correspondeu o amor”, dito isso o misterioso homem voltou-se a direção de Ryo e prosseguiu. “Creio que devas saber claramente as ordens, mande Jun até a base para cuidar de Mizuki além de dar um recado especial ao Almirante”.

“Sim senhor, devo ordenar que Jun execute-o?”, perguntou.

“Quantas vezes tenho que repetir para que você deixe de ser ingênuo?”, inquiriu de volta soltando um forte suspiro. “De fato Jun é um soldado de excelência, no entanto estamos tratando de um coelho louco que esta alcançando o nível do Rei da Escuridão e ameaçou a subjugar os anciões, mesmo odiando isso não podemos agir sem cautela. Quando ele de por si eu já estarei lá para tomar o que me pertence, anos de dedicação não serão jogados foras pelo discípulo daquele verme que nós fez sofrer até sua morte. Porém, não tiro a possibilidade de achar interessante ele tê-la em mãos”. Apoiando-se no parapeito da janela o homem seguiu olhar a Ryo que se ajoelhou diante do homem prestando-lhe uma profunda mesura.

“Suas ordens sempre serão absolutas”.

Ele de fato a aprisionou na enfermaria sendo que Mizuki facilmente poderia romper a porta, no entanto diante da ameaça preferiu conter-se pensando no trato que firmou com aquele homem insano de proteger seu povo que ficou para trás. Cercou-se nos lençóis tentando imaginar se todos estavam realmente bem e sentiu uma lágrima quente escorrer através de seu rosto.

Naquele recinto as horas passavam como dias, tendo o único alento uma pequena janela que dava visão ao espaço. Olhar através delas era sempre atraente, pois o espaço como “estrelas mortas” pareciam mudar o tempo todo, sempre uma novidade confortante a sua mente barulhenta. Passou a imaginar como seria o Planeta dos Samurais, das imagens que viu nos livros é uma imensa bola azul com pontos marrons, era realmente bela, e cheia de curiosidades.

Após observar por bastante tempo através da janela decidiu aconchegar-se novamente na maca, tentava fechar as pálpebras embora logo fosse interferida pela memória traumática recente. Mesmo que tentasse com todas as forças não conseguia parar de lembrar de Yoi ressecando a sua frente, detalhadamente ela poderia rapidamente ignorar o fato, afinal, ela mal a conhecia e também já havia presenciando várias formas piores de morte, porém o que mais lhe intrigava era o desejo daquela mulher em proteger seu amor não correspondido. Sentir afeto entre os Yatos no geral era um tema interessante, e, no mínimo curioso, já é impensável para outros que seres tão violentos em guerras possuam no fundo um coração intensamente amoroso. Por quanto intensamente? A ponto da dicotomia de amor e ódio ser tênue.

Ouviu o trinco da porta se abrir e em seguida um giro na maçaneta de estilo ocidental. Colocou os olhos para fora do lençol curiosa e pode ver a aproximação de uma silhueta masculina. Este caminhou até o criado mudo e depositou uma bandeja de alumínio.

“O almirante intimou-me para que levasse comida a senhorita”, quando levantou a fronte observou que era um jovem rapaz de cabelos castanho claro um tanto fechado e olhos da mesma cor. “Recomendo que coma logo para evitar problemas”.

Levantou-se e em seguida tomou a atenção ao conteúdo da bandeja, que continha uma tigela de sopa, uma de arroz, dois pedaços de pão unidos por uma geleia e, por fim, um copo de água com dois comprimidos cuidadosamente enrolados em um guardanapo ao lado.

“Antes que pergunte, esses são vitaminas necessárias para restaurar sua força após a insolação”, disse apontando com a mão na direção dos comprimidos e logo sentou-se em um banquinho que ficava ao lado da maca. “Se você fosse menos rebelde mesmo em poucos dias conseguiria uma vida mais confortável aqui, mas acho que meio que entendo como é cumprir missões contrárias a seus princípios. Veja-me como um aliado em sua jornada nesse ‘Covil de Vilões’ senhorita Mizuki”, no termo que ele descreveu a tropa fez aspas no ar rindo de sua própria ideia.

“Que aliado estranho, como poderei confiar em um desconhecido ainda por cima sem nome?”, a feição desta relaxou, movendo o lábio timidamente formando um singelo sorriso.

“Ah! Sinto-me honrado, o sorriso da pequena princesa é realmente belo como o mestre disse!”, exclamou retribuído o sorriso expandido o seu, embora causasse confusões com os termos. “Eu me chamo Jun, será sempre gratificante ajuda-la. Agora se me der licença devo voltar a minhas tarefas, coma tudo direitinho e evite a bronca do Kamui, ele pode ser extremamente assustador com seus saldados”.

Aceitando o conselho do rapaz que partiu do recinto Mizuki aproximou-se da bandeja para consumir os alimentos. De todos, ela estranhou um pouco a geleia que era o elemento ocidental do prato, mas aos poucos acostumou-se com a doçura extrema da nova iguaria. Findado o pequeno almoço tomou os dois comprimidos, cujo tinham um gosto metálico no fundo bastante semelhante ao gosto de sangue fresco. Extremamente relaxada e um pouco zonza elo efeito do remédio conseguiu finalmente retirar seu descanso sem as pontadas de ansiedade.

O planeta chamado Terra passou a ser desejado. Um local banhando por sol que pode matar, mas cheio de esperanças que não se apagavam.