Luz do Sol na Primavera

1 Capítulo 1 - O vale do renascimento


Notas iniciais
Olá, eu sou Kitsune Ayakashi e esse é minha primeira fanfiction. Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu sempre utilizo elementos da história cannon para escrever as fanfics. Então, se vocês não assistiram propriamente Naruto Clássico, Shippuden e Boruto, até mesmos os filmes, não serão capazes de compreender todas as referências. Por isso, se alguma parte dos capítulos te remeter à história e você não se lembrar do que é, deixe um comentário para deixar a interação entre os fãs mais animada. Sou superfã de SasuSaku Cannon no Universo Naruto - se você for autor de uma fanfic assim, por gentileza me recomende. Aproveitem a história. Obrigada por estarem aqui ♥

UCHIHA SASUKE

Os olhos vermelhos de Uchiha Sasuke mudam de acordo com os seus sentimentos, mas eles não são capazes de ver o horizonte que se apresenta tão nebuloso, como nuvens cor de sangue pairando em um céu cinza de tristeza. Os mesmos olhos se ferem ao ver que as sombras da noite escura da alma são afastadas pela claridade indestrutível da alvorada que se aproxima. O ciclo do ódio é superado pelo ciclo da vida.

Os olhos vermelhos Sharingan se transformaram e evoluíram para tons de violeta e espirais hipnotizantes, acessando dimensões de espaço-tempo remotas, mas incapazes de transportá-lo para o lugar que deveria voltar. O lugar do qual não deveria ter saído. Como se sua teimosia não fosse suficiente, seus olhos ousaram usar as habilidades adquiridas e herdadas para destruir aqueles que se não se aproximaram para ferir, mas para curar.

Os olhos agora se fecham, porque mesmo sendo considerados os mais fortes e temidos do mundo, não possuem poder eterno, e o chakra que eles exigem se esvaiu do corpo dormente completamente.

Um corpo incompleto, destruído parcialmente, mas impedido de seguir o fluxo de ódio insano que em uma época distante fez muito sentido. Um corpo abandonado sobre a ruína da glória das estátuas dos deuses do mundo shinobi, sangrando e morrendo, entorpecido. Esse mesmo corpo sobreviveu às guerras mais terríveis da história. A guerra contra um irmão, contra um inimigo em comum, contra um amigo, contra si mesmo, contra a morte.

O sentimento deplorável invadiu seu peito ao pensar no gosto amargo da vingança. Havia perdido o último membro da família, e definitivamente era o último de sua linhagem. Os olhos vermelhos se tornaram cegos em uma procura frenética pelo irmão que se tornou inimigo, mas depois de concluir seu objetivo, a sensação é de como estar diante de um precipício.

Os olhos fitam o abismo escuro, mas imediatamente se voltam para tentar ver o lugar de origem, apenas para perceber o quanto foi deixado para trás. Todas as coisas abandonadas, que nunca poderiam ser reconquistadas, encaravam-no agora. O único meio de manter a lucidez é encontrando outro propósito para a existência sem sentido, e continuar correndo desesperado na noite escura da alma.

Ele estava morrendo, uma guerra que nunca poderia evitar perder para sempre, mas desejava declarar a derrota, mesmo que fosse seu momento de vencê-la. Seu corpo não era capaz de se mover e nem sustentar a si mesmo, curvando-se para a imensidão do céu e dos deuses que o contemplava.

A divindade, contudo, não procedia do horizonte em tons de vermelho e dourado da aurora. Ela revestia as pessoas, deixando-as envoltas em uma branquitude ofuscante, causando desconforto aos olhos negros, vermelhos e púrpuras enxergando o mundo acinzentado tornar-se brilhante como ouro, reluzindo como se estivesse sendo imediatamente criado.

As pessoas desprezadas por esses olhos cansados eram vistas agora como deidades, e curiosamente, são as mesmas pessoas que foram abandonadas por esse corpo, porque os olhos eram altivos demais, como se eles mesmos fossem deuses.

As estátuas de Senju Hashirama e Uchiha Madara caíram e os dedos erguidos em posição de batalha foram unidos quando as mãos de pedra se abaixaram. Não havia mais eu e você, tudo era um no universo conectado, vivendo sobre o mesmo chão e debaixo do mesmo céu. Não existia nada que pudesse ser propriedade particular em um universo concedido e não-criado. Insanidade seria pensar que, por um momento, fosse possível ser sozinho na vastidão desse mundo.

Observando cautelosamente pode-se ver o vazio interno do lado de fora e a plenitude externa no lado de dentro. A água da chuva do céu é a mesma água da lágrima dos olhos chorosos, a mesma água desabando pela cascata do vale do fim, chocando-se contra as pedras como se gemesse em prantos. O pranto de uma pessoa se humilhando, declarando seu amor novamente, para ser desprezado mais uma vez.

A coragem de enfrentar a dor da rejeição para fazer uma pessoa amada permanecer a seu lado seria considerado fraqueza, se não fosse ele mesmo o objeto desse amor. Esse som, o som do pranto às suas costas, foi abafado pelo fogo da vingança correndo nas veias de aço, deixando os olhos cegos, os ouvidos surdos, e o coração vazio.

Os olhos verdes não estavam chorosos como uma folha molhada pelo orvalho, mas a cor de esmeralda era a única coloração que poderia ser vista pelos olhos vermelhos de Sasuke em meio ao cinza. Não eram capazes de enxergar mais nada, porque tudo estava coberto por uma neblina numinosa no campo de visão periférica. Não havia ponto cego nos olhos vermelhos. Os olhos eram cegos, e os olhos verdes era somente o que eles viam.

O verde estava em todo lugar, a mesma cor de chakra emanando das mãos pousadas sobre o resto do membro assassino, arrancado como leproso, salvando o restante do corpo. O verde não era só verde, também era nome, nome de flor, capaz de evocar a primavera ao ser sussurrado. Sakura. Os olhos esmeraldas olharam para o olho negro. O olho violeta estava fechado, sobrecarregado, e o vermelho estava dormente, como o corpo perdendo sangue carmesim.

Não fale. Preciso me concentrar. Os ouvidos estavam preparados para a rejeição depois de recusarem a escutar suas palavras de amor. Não era problema. Era a boca, silenciosa demais, que recusava a se calar. Os olhos verdes, cativados demais pelos olhos negros, não queriam perder mais tempo contemplando o vazio sombrio como um abismo da expressão enigmática. Os olhos negros, incapazes de ver em qualquer grau de claridade, afastados da escuridão que os cobria, não viam escolha a não ser encarar a luz do raiar do sol que não podia ser frustrado. Não enxergavam, mas queriam ver. Isso mudava todo o resto. Me desculpe.

A garganta não produzia voz, mas as palavras queriam sair. Elas saíram arrastadas, cortando as cordas vocais, decepando as amarras do orgulho destruído. Seu corpo não estava soberbo, ele apenas existia, e sua existência não era motivo de contentamento. O emblema do clã simbolizando o nome temido entre as nações não era em formato de um leque para abanar o fogo da glória dos Uchihas de Konoha, era uma lua, um astro das sombras, sangrando.

O vento soprado pela garganta aprofundava a ferida aberta, mas isso também não era importante. O que precisava ser dito nunca poderia ser pronunciado em outro momento. Aquele segundo era a eternidade, era tudo o que existia, e os olhos vermelhos, como eles mesmos sabiam, não enxergavam além do que eles mesmos viam.

Desculpar? Pelo quê? Diferente dos olhos vermelhos, os olhos verdes viam, mas não queriam enxergar. Talvez porque tivessem visto demais. Chorado demais, inchados de tanto serem esfregados até sangrarem pelas mãos que traziam tanto alívio ao corpo cansado. Por tudo.

Não havia palavras para descrever o que Sasuke havia feito. Ele sequer tinha energia para pronunciar as palavras que poderiam ser ditas, mas seus argumentos não seriam capazes de explicar que, qualquer coisa que ele dissesse, não era nada comparado à monstruosidade do que realmente aconteceu. Tudo. Tudo o que foi feito. Tudo que não poderia nem deveria ser perdoado, mas clamava pela redenção.

As mãos curativas não pararam apenas a hemorragia do membro esquerdo decepado. Elas tocaram os ombros de Sasuke, puxando-o para perto, e Sakura envolveu seus nas costas cansadas de carregar o ódio de Ootsutsuki Indra. O membro que restou envolveu as costas daquela que não precisava de ajuda para isso. Ela era extremamente forte, tão forte que o universo inteiro tremia ao impacto de suas mãos fechadas. As mesmas mãos eram capazes de restaurar a destruição causada quando elas se abriam para curar. Ela era o começo e o fim, o renascimento e a eternidade.

Não existiam palavras para descrever aquele abraço. O corpo de Sakura, tão treinado quanto o dele, era resistente como madeira de cerejeira. Os cabelos rosados eram como pétalas caindo sobre os ombros dela, como o festival de hanami mais belo da história que os olhos negros de Sasuke eram espectadores. O calor emanando no contato dos corpos era como o calor reconfortante da luz do sol na primavera, dando vida à terra após temporada de inverno.

Amor. A mente deturpada de Sasuke pensou, a mesma responsável por elaborar um plano tão maligno quanto aquele que havia acabado de impedir, escravizando novamente o mundo shinobi em uma ideologia de paz eterna tão distante daquela que podia ser sentida na plenitude daquele abraço.

Amor era a palavra mais apropriada, tão pura que não era digna de ser pensada, então foi rapidamente afastada antes de ser maculada. A sensação de morte invadiu o corpo daquele que foi privado daquele contato logo depois de acreditar que poderia viver no torpor infinito da compreensão. Ser aceito e amado, acolhido e cuidado.

O amor não era o caminho escolhido para viver nem a forma como Sasuke era capaz de compreender o nindo de um shinobi. O sofrimento tão presente em sua vida sufocou as possibilidades de encontrar outras maneiras de motivação, além do ódio, rancor e desprezo. Esses sentimentos não permaneceram, assim como todos os outros. Não havia pedra sobre pedra na fortaleza derrubada.

Reconstruir os escombros era uma oportunidade de renascimento. A tarefa de vagar pelo terreno destruído em busca do que poderia ser reutilizado não era algo que Sasuke queria fazer. Contudo, ela era necessária e seria feita com muito cuidado para que as pequenas coisas que poderiam ser reaproveitadas não ficassem soterradas pela montanha de inutilidades sucumbidas como uma avalanche. Sasuke não deixaria que ninguém se envolvesse em uma tarefa tão íntima e dolorosa, nem que se ferisse ao revolver os cacos espalhados pelo chão. Seus pecados eram muito particulares e não deveriam pertencer a mais ninguém. Deveriam ser pagos, o que ele faria até o último centavo.

Vamos para casa. Por mais que se referissem a um lugar, não sabia do que se tratava. Uma casa, um lar, uma família. Essas eram palavras conhecidas que provocavam um sentimento de desconforto, mas não era capaz de associar a nenhuma imagem além do que os olhos negros eram capazes de ver agora. O que seria casa, senão onde as pessoas que se amam estivessem reunidas? O que seria um lar, senão onde pensa-se em abaixar a guarda e descansar? O que seria uma família, se não pessoas que amam umas as outras tão profundamente, capazes de matar e morrer, de se desculparem e serem perdoadas? Não havia lugar para ir. Eles, com toda certeza desse mundo, estavam em casa.

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UZUMAKI NARUTO

Não havia nada tão poderoso e irrevogável como as palavras de uma promessa. A promessa de resgatar um amigo da escuridão. Nenhum sonho realizado poderia superar o fracasso de ter falhado em tirar o amigo das sombras da noite escura da alma. Nem mesmo o sonho de ser Hokage para proteger todos ao seu redor teria sentido se a pessoa mais próxima não podia ser tocada. Eu vou trazê-lo de volta.

Não era mais uma promessa para seus companheiros de time. Essa era uma promessa para si mesmo. Uma promessa repetida tantas vezes soando tão infantil quanto a narrativa de um conto de fadas. Uma promessa que, para ser cumprida, ofereceria o próprio corpo para ser destruído. Por isso, ao olhar os restos de um membro direito envolto em sangue, não o sentia dolorido, mas aliviado. O amigo, por outro lado, não estava. Por que você insiste tanto em me trazer de volta?

O amigo estava curioso. O que motivava a obsessão do companheiro, que mesmo quando todos desistiam antes de tentar, ainda acreditava na possibilidade de resgatá-lo? As pessoas motivadas pelas promessas não conheciam a palavra desistir. Não poderia ser dito que nunca houve dúvidas a esse respeito. Em uma época distante, os parceiros de time remanescentes cogitaram também a respeito da salvação não acontecer.

O amigo se envolvia cada vez mais nas sombras, mas palavras tão infantis quanto aquelas que tinham prometido a restauração da amizade disseram que quando uma pessoa estava perdida, tudo o que era preciso era deixar preparado um lugar para que pudesse voltar. Esse lugar nunca existiria se um amigo abandonasse seu companheiro. Por isso, os membros do time do amigo decidiram que continuariam pensando nele para preparar o seu retorno.

O amigo curioso tinha feito uma pergunta curiosa, uma pergunta muito difícil de ser respondida. Porque eu sou seu amigo. Essa era a resposta mais verdadeira do que o sol ascendendo em direção ao meio do céu, mas não era suficiente para sanar a dúvida. Você já disse isso, mas o que isso quer dizer? O que significa ser amigo para você?

Para quem sempre foi abandonado ao ter selado um demônio dentro de si, desprezado pelas pessoas que poderiam destruir a solidão, tudo. A imagem de um menino assentado em uma gangorra na árvore em frente a academia apareceu, e ser amigo significava tudo para ele. Não era uma promessa ou uma resposta para uma pergunta. Era um motivo para viver. Eu mesmo não sei como te responder.

A solidão sendo preenchida por uma pessoa amada era uma sensação além da compreensão para o jinchuriki. Essa era a mesma pergunta que ele fez para Sai quando procuravam pelo amigo perdido. O desenhista pegou um pergaminho e escreveu com pincel e tinta nanquim a resposta do que significava ser um amigo. Os caracteres que formavam a palavra tomodachi eram muito bonitos, mas não representavam nada.

Os discursos acalorados sobre amor ou paz não eram capazes de traduzir o significado de ser um amigo. Aquilo era apenas papiro tingido com traços tão frios e falsos como os sorrisos do shinobi substituto do time sete. Mas, quando eu vejo você fazendo escolhas erradas e se machucando por causa disso, eu meio que sinto sua dor também. Eu também me machuco e não consigo ignorar essa dor. Uma lágrima escorreu pelas bochechas do amigo que virou o rosto, envergonhado.

Amizade era sentimento. Um sentimento que nunca poderia expressar-se de uma maneira menos intensa. Um sentimento que não aceitaria ser rejeitado. Os verdadeiros shinobi podiam se entender quando lutavam. As palavras emudeciam diante dos golpes e modulações de chakra. As explicações muito complexas criavam uma distância muito maior do que a que se deveria percorrer.

Os ataques proporcionavam a proximidade, carne contra carne, nomes reverberando no impulso de liberação de um jutsu, sem que o desnecessário seja ridiculamente percebido nas frases vazias de um discurso infeliz. Depois de ter argumentado com tantas outras pessoas com ideologias distorcidas sobre o mundo shinobi, a percepção de que as palavras tinham o poder de ferir e curar, destruir e reconstruir era sempre viva, como se não estivesse falando para o outro, mas ouvindo o outro dizer.

O sofrimento imposto poderia ser compartilhado. As mesmas sensações, vivenciadas de maneiras diferentes por todas as pessoas, poderiam ser experimentadas e suportadas pelos amigos. A solidão não era o único caminho, não poderia nem mesmo ser vista realmente como uma possibilidade de existência. O amigo perdido percebeu que seus argumentos, mesmo tão inteligentes e elaborados, não poderiam convencer o que não tinha explicação. Deve ser por isso que aceitou as palavras do companheiro que entrou no vale do fim para sentir os seus sentimentos enquanto lutavam. Eu confesso que eu perdi.

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HATAKE KAKASHI

O mundo shinobi é parte do ciclo da vida. As sucessões de renascimentos não podiam ser escondidas dos olhos perceptivos. Os olhos que teriam que encontrar uma maneira de verem por si mesmos. O sensei observou sobre a montanha do vale do fim seus alunos reunidos após tudo ser resolvido. Ele colocou as mãos sobre a cicatriz que se estendia das sobrancelhas até a bochecha, e um sorriso apareceu debaixo da máscara. Então ele finalmente voltou.

Ele via seus alunos, mas também via seus amigos. Era curioso como o aluno perdido na escuridão lembrava fisicamente o amigo que o trouxe para a luz. Os mesmos olhos vermelhos, capazes de ver o invisível, além do genjutsu da realidade desse espaço-tempo. O amigo se foi, mas deixou seu olho como um presente, para que seu companheiro pudesse ver o mundo com seus olhos.

Um shinobi que viola as regras é visto como lixo, mas aquele que abandona seus amigos é ainda mais lixo. As palavras que o salvaram da tristeza do que restou do ritual de seppuku, um corpo estirado no chão da sala de estar, a condenação eterna daqueles que valorizavam mais a missão do que a vida. O amigo ensinou que a vida de um shinobi é a maior de todas as missões, e sua importância supera todas as outras.

O amigo que o admirava se foi e a amiga que o amava também. As memórias mais dolorosas faziam com que ele acordasse no meio da noite para lavar as mãos. Um raio em seu pulso atravessando o peito da amiga, saltando para a morte, assim como todos os outros.

Como o pai que preferiu morrer a encarar a vergonha de não ter sido um verdadeiro shinobi para esse mundo cruel. O amigo que escolheu a morte para salvar seus companheiros de equipe. O sensei que deu sua vida para selar um demônio no corpo de seu próprio filho, salvando a vila amada. Todos eles se foram, preferindo morrer para que as coisas continuassem existindo de acordo com o fluxo, para que o ciclo da vida permanecesse girando sua roda do tempo. Porém, não se foram para sempre.

O adeus nunca seria definitivo. Ainda podia vê-los em sua frente, sobre o terreno onde costumavam estar estátuas dos deuses do mundo shinobi. Eles renasceram. Talvez nunca tivessem morrido e nunca morreriam, transpassando todas as gerações até que os desígnios deste mundo fossem cumpridos.

Um menino com um sonho de ser Hokage para proteger aqueles que amava. Uma menina com poderes curativos que apoiava os sonhos de seus companheiros, apaixonada pelo menino mau humorado, de um clã renomado, mas que via a si mesmo como um nada. Uzumaki Naruto ou Uchiha Obito. Uchiha Sasuke ou Hatake Kakashi. Haruno Sakura ou Nohari Rin. Se não fosse a diferença de seus nomes e fisionomias, poderia contar várias vezes, e pareceria sempre a mesma história.

Não era só uma história pessoal. Essa era a narrativa dos ciclos vitais do mundo shinobi, um enredo digno de um escritor como um sannin lendário, que escreveria no epílogo: desista de me fazer desistir. Esse não era seu livro preferido de seu escritor preferido. Não era uma história tão maravilhosa como uma coleção Icha-Icha, mas era o primeiro, aquele que inauguraria a carreira do autor que visitou o mundo, conheceu cabarés, escreveu seus livros, para encontrar e preparar a criança da profecia.

Uma criança que desde tão pequena carregou um fardo tão grande, mas que tinha vencido. Essa criança tinha perdido muito, e isso era perceptível, mesmo para os olhos escuros que não se tornavam mais vermelhos. O amor de seus pais. A amizade e proteção da vila. Um amigo. Por fim, o membro direito. Contudo, mesmo olhando de longe, parecia que agora tinha ganhado muito mais do que perdido. Ganhar não era a palavra certa, porque nada foi dado, tudo foi conquistado. Mesmo a salvação do amigo perdido que agora jazia ao seu lado.

Ainda que no futuro as pessoas dissessem ele que também fez parte de todo o processo de desenvolvimento de sua própria equipe, no fundo ainda sentia que mais aprendeu do que ensinou. Que eles foram seus senseis, e que foi apenas um aluno, sem assiduidade porque estava sempre diante de um memorial, murmurando desculpas para seus erros imperdoáveis. Um aluno que chegou atrasado, fazendo errado nos momentos certos, e tentando fazer o que era correto quando não era mais tempo.

Deve ser por isso que esse aluno, que também era um sensei, se via no amigo perdido, conhecendo muito bem o sentimento de ser resgatado da noite escura da alma. O amigo perdido tinha ganhado todos os olhos possíveis para ver o futuro que se estendia a sua frente. Por outro lado, o único olho capaz de ver a vida com humanidade lhe foi tomado.

Mesmo assim, sentia que não queria mais precisar dele. Deveria ver o mundo com seus próprios olhos, os olhos escuros como os de seu pai, com o hitaiate corretamente posicionado sobre a testa, a cicatriz da batalha à mostra, observando o universo se transformando no horizonte envolvido pela luz da alvorada. As coisas seriam diferentes agora. Bom, esse era apenas um palpite.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.