Luz de um Herói

1 A Origem da Luz, Capítulo 1, Parte 1/4


Notas iniciais
Primeiro capítulo da série, um capítulo que vai ser feito em quatro partes.

Sabe, imaginei que na história da minha vida eu iria ser o personagem principal, mas acho que com o tempo,

Deus fez de mim só mais um coadjuvante.Tantos famosos, tantas pessoas que são apenas estatísticas, tenho medo de viver,

tenho tanto medo de tentar, sou apenas mais um covarde, em um mundo cheio deles.Hoje, acordo cedo, mais uma vez, tenho de

ir pro colegio, aquele colegio que me deixa até desmotivado em lembrar que vou ver aquela gente nojenta.

–Ei, Morgan, a gente tava falando do efeito de uma explosão nuclear, o que você acha?

Lucas me faz uma pergunta, mas não faço idéia do que ele tá falando, devo ter perdido atenção e ido para meu outro mundo:

–O quê? -Respondo, com uma expressão de confuso.

–Cara, você anda em que lugar?Nunca consegue prestar atenção em nada.

–Tanto faz, vocês dois só falam besteira. -Digo isto e saio da mesa que eles estão.Quando levanto, Dillan diz:

–Vai embora mesmo, mestre intelectual. -Diz Dillan e sorri.

Apenas mostro o dedo do meio e vou até a porta da sala de aula de filosofia, que é a minha próxima aula.

As aulas de filosofia são as mais legais, para um garoto de dezesseis anos é bom ler, para a maioria não,

mas pra mim é.

A aula acaba, saio pela porta de trás, sempre Lucas e Dillan estão lá me esperando, mas dessa vez não,

eles devem ter ficado meio sem paciência hoje para aguentar meu mau-humor.Enquanto vou seguindo a rua para o caminho de

casa, alguns babacas da faculdade me perseguem, falando coisas do tipo:

–Ei garotão, esse penteado foi lambido pela mamãe? -Ele diz isto e fica rindo, junto com seus amigos infantis.

Ele continua me perseguindo, se aproxima e começa a pisar no meu tênis:

–Que foi, bebê?Machuquei seu pézinho?Deixa eu ajeitar esse cabelo da mamãe. -Ele começa a mexer no meu cabelo, puxar também.

Então eu falo:

–Para com isso. -Com a cabeça baixa.

–Parar? -Diz ele, o mais grandalhão, que usa uma jaqueta verde e o cabelo de cantor de pop. -E se eu não quiser parar,

bebê?

Começo a me irritar, então bato com meu cotovelo no rosto do grandalhão, que estava bem perto de mim, e chuto o imbecil

do lado dele com o colegial preto.Então começo a correr, e o grandalhão grita:

–Idiota, filhinho de papai, eu vou te matar. -Diz ele e começa a correr junto com seus amigos.

Não tenho muita habilidade física, então eles fácilmente começam a me alcançar, tento me esforçar para fugir, mas ele acaba

chegando até mim, ele me puxa pelo ombro enquanto tento correr, e acabo caindo em cima de uma pedra.Sorte que minha mochila

ajuda a não machucar tantos minhas costas.Então o grandalhão começa a se abaixar, olha meu no meu rosto e diz:

–E agora, velocista?Acho que não tem como correr. -Posso perceber seu nariz sangrando.

Ele e seus amigos começam a me chutar, até que o do lado esquerdo do grandalhão, com uma camiseta flanela preta, decide

pegar minha mochila e ver o que tem dentro, eu tento levantar:

–Larga minha mochila! -E o grandalhão me acerta um soco, um soco bem forte na verdade.

–Vamos ver o que a moça guarda em sua bolsa. -Diz o garoto com camiseta flanela.

Eles tiram meus cadernos e jogam no chão, começam a procurar por todos os bolsos, até encontrarem minha chave.

–Olha só o que temos aqui, essa é sua chave de casa bebê? -Ele pergunta com um tom irônico.

Então ele pega e olha pros lados, até avistar uma casa velha, com um muro com alguns arames, ele caminha até ali perto,

começa a pegar impulso com a mão, e joga pra dentro do patio da casa velha:

–Agora você tem que buscar a sua chave, garoto. -Diz o grandalhão, sorrindo.

Então eles vão embora, estou todo machucado, meu nariz está sangrando, e pra piorar não tem como eu entrar em casa sem minhas

chaves.O muro daquela casa é cheio de arames, vai ser díficil eu entrar ali, meu casaco está rasgado, posso usar ele para pular

Então coloco meu casaco em cima dos arames,e quando vou pular, percebo algo dormindo.Meus olhos ficam fixados, e eu

começo a tremer, droga, é um pastor alemão.E a chave está bem na frente dele, então crio coragem e entro lá, com os passos

silênciosos caminho até perto do cachorro, mas ouço um barulho, e o pastor alemão acorda, e ele está olhando diretamente pra mim,

posso ver sua boca se mexendo, e seus dentes amostra, ele começa a latir, e eu não consigo me mexer, então uma voz diz:

–Ted, fica quieto! -É um velho, com um cabelo meio grisalho, e um casaco marrom, não tão velho, uns quarenta anos, eu diria.

–Então garoto, o que tá tentando fazer aqui?Nunca conheci um ladrão usando mascara de ketchup. -Diz o velho, com um sorriso.

–Venha garoto, pegue sua chave e entre aqui. -Ele me chama, faz um gesto com a mão.

Pego minha chave, entro e digo:

–Obrigado, senhor.

–De nada garoto, agora vá lavar esse rosto, o banheiro é no segundo andar, a direita.

Subo até o segundo andar, a escada faz um barulho, parece que vai cair a qualquer momento, a casa é velha, e tem muitas fotos,

fotos que parecem ser antigas, e um homem, que parece ser ele mais novo, com uma mulher, que deve ser sua esposa.

Caminho até o banheiro, olho no espelho e posso ver meu rosto machucado, com um sangue seco, que vou tenho dificuldade pra tirar,

mas consigo, com um pouco de sabão.Então desço e o velho fala:

–Como é seu nome, garoto?

–Morgan, e o seu?

–James.O quê tava tentando fazer?brincar com o cachorro ou se suicidar?

–Estava tentando pegar minha chave.., ela caiu aqui.

–Garoto, uma chave não pula muros, só se for uma chave mágica, e essa não parece ser uma.

–É, tive alguns problemas na rua.

–Esse tipo de problemas se parecem com um punho, não é? o quê você fez para se meter nisso?

–Bom, não sei se o senhor acredita, mas realmente não fiz nada.

–Aquela bobagem de bullying, não é garoto?

–é, com certeza é essa bobagem. -Respondo com um pequeno sorriso no rosto.

–Por que não se defendeu, Morgan?

–Eles eram três, e não sou tão bom de briga assim.

–Com certeza não é, você estava tremendo pra um cachorro menino. -Diz James, rindo um pouco.

–Isso não é justo, era um pastor alemão.

–Eu sei menino, tô só te zoando.Da onde você é?

–Sou do bairro Esmeralda.

–Essa bairro é longe daqui, o quê um garoto do bairro Esmeralda faz no Goías?

–Ganhei uma bolsa de estudos no colegio São Luiz, mas estava vindo até aqui para procurar um amigo.

–Bolsa é?Deve ser um garoto inteligente.

–Foi sorte, senhor.

–Bom, vejo que está longe, Morgan, como vai voltar?

–O meu plano era ônibus, mas acho que agora vai ser a pé mesmo.

–Que tal uma carona, garoto?

–Com certeza, senhor, eu ficaria muito grato.

–Não seja tão educado menino, não tenho duzentos anos, apenas quarenta.

–Desculpa. -Respondo, olhando para baixo.

–Sem problemas, garoto.Antes de ir até sua casa, eu tenho que resolver um problema, na indústria que trabalho, sua mãe

não se importa de chegar atrasado?

–Não se importa, senhor, desde que eu volte, está tudo bem.

Então a gente caminha até o carro dele, é um carro um pouco velho, um Chevette, mas está conservado, entramos no carro e

vamos seguindo até a industria que James disse, no caminho já posso ver que está escurecendo, gosto dessa hora, quando

o sol começa se por, e tudo começa a ficar vermelho.No caminho a gente vê um pouco de fumaça, é um fábrica pegando fogo,

James para o carro, tem muitas pessoas paradas na frente, uma mulher gritando:

–Meu marido, meu marido e meu filho estão lá, alguém precisa ajudar eles.

Ela está chorando, então James olha para mim e diz:

–Vou lá garoto, cuide do meu carro. -Ele diz isso e sorri para mim.

–Não, senhor, eu vou com você, posso ajudar.

–Garoto..

–Não, eu vou me cuidar.

Então a gente entra, amarro meu casaco no rosto, e James também, ele me olha e aponta para a porta da frente,

ele vai e chuta a porta, ela abre, a gente entra e conseguimos ouvir alguns gritos de ajuda.Os gritos vem do segundo andar

a gente sobe, mas acabo prendendo meu pé na escada que se quebra, James, volta e me puxa, então começamos a ouvir alguém chamar, James vai na frente, começo a ouvir um latido de cachorro, aponto para James ir para aquela porta que vou

para outra, a porta está pegando fogo, é dificil derrubar, meu pé fica queimado enquanto chuto.Quando abro vejo um homem

morto e do seu lado, um cachorro, um filhote de rottweiler, ele me olha e fica latindo, então pego no colo ele, e saio correndo, as chamas começam aumentar, e a fumaça faz meus olhos arderem, então corro e começo a gritar:

–James, cadê você!?

Ele não volta, então pulo para baixo das escadas, tudo começa a cair, tento correr o mais rápido que posso, a fumaça está

fazendo eu perder o folego, a entrada da frente está em chamas, não tem como eu sair por ali, então procuro outra saida, o cachorrinho no meu colo começa a perder o ar, corro mais rápido.Vejo uma janela, é um pouco alto, mas a queda não

vai me matar, então vou um pouco pra trás, pego impulso e corro, sinto o vidro quebrando, vem um frio na barriga, está

muito quente, e estou praticamente sem ar, tento virar de costas pro chão, pro cachorro conseguir sobreviver.Acabo caindo de costas e sinto uma falta de ar enorme, como se tivesse quebrado todos meus ossos, então levanto e corro para procurar o James, talvez ele esteja por perto, vejo um tonel que parece não ser perigoso, parece ser água, chego perto e fico ali sentado.Estou quase desmaiando, o cachorrinho parece estar bem, fogo começa a aumentar na fábrica, posso sentir um cheiro estranho, está tudo escuro, não posso correr daqui, acho que estou seguro, até que a fábrica explode, e a explosão faz um líquido estranho voar até a lâmpada de luz que tem acima de mim, a lâmpada derrete, e começa a pingar em mim, meu ombro começa a queimar.Vem muita fumaça em minha direção, não posso ver nada, boto meu casaco no rosto do filhote de rottweiler para ele conseguir sobreviver, está tudo escurecendo, o tonel onde estou perto está pegando fogo, não vejo mais nada, vou desmaiar.

Notas finais
O quê achou do capítulo? Comente para eu saber, favorite também.Obrigado.