Luz das Estrelas
1 Luz das Estrelas
“Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.”
— Canção, Cecília Meireles
Conheci Poseidon no cais. Era verão de 2018.
Já o tinha visto antes, na sala de aula, é verdade, – naquele momento estranhíssimo em que nosso olhar se cruzou e foi como se me lembrasse dele – mas conhecê-lo de fato foi só no final de fevereiro. Num dia tão quente que me sentia capaz de derreter.
Talvez você ache estranho que tenhamos demorado tanto assim para nos aproximarmos um do outro, especialmente depois de uma espécie de conexão instantânea ou coisa assim, mas o fato é que desde o princípio nos demos muito bem em não nos darmos bem.
As provocações vinham muito fáceis e gosto de pensar que meu jeito metódico e certinho o enlouquecia tanto quanto sua espontaneidade me desequilibrava, mas mesmo à época, por detrás dos olhares desafiadores e do sarcasmo, sentia que ele me lia perfeitamente. Eu via além do garoto novato engraçadinho, levemente bagunceiro e desleixado que parecia não dar a mínima para as coisas, e ele também parecia tomar cuidado para jamais implicar com algo que me magoaria de verdade.
Era um jogo divertido, uma brincadeira estimulante, mas confesso que preferi muito mais o que veio depois.
Apesar de morar numa cidade litorânea, sempre fui o tipo de pessoa que parecia mais adaptada para o frio, então o calor de 32ºC de Ilhabela certamente parecia estar tentando me matar. Curioso, não? Uma pessoa que jamais saiu do Brasil se sentir muito mais atraída pela ideia de neve do que uma praia paradisíaca, mas tudo bem, estar perto do mar não era nada mal.
O litoral norte de São Paulo tem seus encantos – estar num dos únicos municípios-arquipélagos do país era interessantíssimo para uma curiosa nata como eu – mas eu sonhava mesmo era com construções grandiosas (e um ar condicionado). Desde muito nova desejo me formar em arquitetura e ter a liberdade de mergulhar na beleza estrutural das colunas gregas ou na modernidade do design da Bauhaus. A beleza e a funcionalidade, os cálculos e a lógica. Essa sim, sempre foi a minha praia.
Foi justamente desenhando o rascunho do que parecia ser a fachada de uma casa em estilo art nouveau— com seu uso abundante de ferro e linhas curvas tão características da Belle Époque— que Poseidon me encontrou. O carnaval havia terminado na quarta-feira da semana anterior, mas as pessoas pareciam empenhadas em fazer a festa pagã se estender um pouco mais e, portanto, eu havia contado pelo menos duas celebrações concomitantes acontecendo na tarde daquela sexta, o que havia feito meu trabalho de encontrar um lugar tranquilo e silencioso no cais até que não tão difícil, visto que as aglomerações estavam no centro e ali estivera vazio. Bem, pelo menos até aquela hora.
— Você não é muito sair, não é, loira?
Me lembro de haver levantado os olhos muito brevemente do papel, sendo recebida pelo brilho daquelas orbes verde-folha tão distintas, e reprimido um sorriso com meu tradicional ar de enfado apenas para não lhe dar o gostinho de saber que eu gostara muito do vocativo escolhido para mim. Apesar da implicância que se tornara um costume de modo natural, dei espaço para que ele se sentasse ao meu lado.
— Oi para você também, Poseidon. – Mesmo sem vê-lo, o sentia sorrir. – E não faço ideia do que possivelmente você queira dizer com essa pergunta.
— Bem, me mudei para cá no final do ano, então posso ter perdido alguma movimentação interessante das férias por não te conhecer e na escola você tem seu grupinho de amigos, eu notei, mas sempre que te vejo aqui fora, está sozinha. Vou além e me atrevo a arriscar que, nos dias em que não te localizo, é porque nem sequer saiu de casa.
— Humpft, talvez você esteja certo. Não me atento particularmente a isso e uso meu tempo livre para estudar para o vestibular, que é minha prioridade, então pode ser... Mas não é como se eu estivesse contando...
Ah, mas eu estava sim. Fazia cerca de dois meses e meio que não saia com ninguém. Não desde que minhas melhores amigas, Artemis e Héstia, se mudaram para a capital. Minhas outras colegas até me convidavam para seus programas, mas Perséfone namorava e Dite estava sempre tentando me arrastar para uma de suas festas malucas, então preferia me contentar em ficar sozinha mesmo. Eu era boa nisso.
— Você fala isso, mas não é raro te encontrar perambulando desacompanhado pela praia. – Acrescentei, para tentar desviar o assunto, sem me atentar propriamente que isso confessava que o vinha notando nos últimos tempos.
— Sou novo por aqui. – Ele afirmou, dando de ombros, como seu eu não soubesse que estava plenamente adaptado. Hermes, Ares e Apolo o incluíram mais que depressa em seu círculo de amizades e eles pareciam se dar super bem. – Gosto de aproveitar minha própria companhia de vez em quando. É bom para pensar...
— Uau, você pensa! Isso sim é uma informação interessante.
Apesar de meu tom ácido, o largo sorriso que captei de esguelha parecia indicar que ele não se importara com minha réplica provocativa.
— Gosto do seu senso de humor, Atena.
Me lembro de diminuir a pressão do lápis e ser preenchida por uma quentura gostosa nas bochechas e em meu interior, que nada tinha a ver com o clima-tempo abafado.
— Obrigada.
Ele permaneceu ao meu lado, em silêncio, apenas observando o vai e vem das ondas, enquanto eu finalizava meu desenho. O céu já havia passado para os tons rosados quando resolvi que era tempo de ir para casa.
Sem combinarmos nada, ele me acompanhou até minha residência, apreciando a quietude de nossa companhia enquanto caminhávamos pelo calçadão e, já quase em frente a meu portão, ele se dirigiu novamente a mim:
— Você pode me acompanhar, se quiser. Não me importaria de ter você ao meu lado. Quando me vir caminhar pela praia, quero dizer...
Como aquelas palavras pareciam dizer tanto?
— Oh... Obrigada. Vou... me atentar a isso. – Respondi, pateticamente.
— Ou também você poderia não me expulsar a pontapés quando eu resolver raptar a Julieta de sua torre para um pouco de diversão.
Seu olhar travesso indicava que ele estava tramando algo e eu sinceramente estava ansiosa para ver onde aquilo iria dar.
— Você é doido, Poseidon.
— Separe seu vestido de festa, princesa. Aventuras épicas estão à caminho.
Ri de sua total falta de senso, mas estava absolutamente leve quando subi até meu quarto e pude observá-lo se afastando pela janela. Foi a piscadela que ele me dirigiu ao olhar para trás que me fez efetivamente separar um bendito cabide.
○✵○
I met Bobby on the boardwalk, summer of '45
Picked me up late one night out the window
We were 17 and crazy, runnin' wild, wild
Can't remember what song it was playing when we walked in
The night we snuck into a yacht club party
Pretending to be a duchess and a prince
Algo me dizia para estar pronta para a impulsividade absurda daquele ser humano, mas eu realmente não imaginava que ela fosse se apresentar assim, tão rápido. Já no dia seguinte, praticamente de madrugada, ouvi o som de duas pedrinhas ricochetearem no vidro da minha janela.
Levantei da cama onde estava confortavelmente acomodada assistindo um filme na Netflix para ver o que era e me deparei com Poseidon acenando para mim, indicando-me que descesse. Ele trajava uma camisa de botões clara com as mangas arregaçadas até a altura de seu cotovelo junto a uma calça social escura, pelo que a parca luz do poste permitia perceber, e devia ser imoral um adolescente ficar tão lindo daquele jeito.
Busquei rapidamente o celular e localizei seu contato no grupo da sala, mandando-lhe uma interrogação gigante pelo privado.
Providencie um rápido bibbidi-bobbidi-boo com a fada madrinha e venha para sua aventura, loira.
Encarei a mensagem com uma das sobrancelhas arqueada. Ele estava maluco se achava que eu ia me trocar para acompanha-lo para sabe-se lá onde no meio de uma noite de sábado.
Por outro lado...
Por outro lado, eu, de fato, estava com maldito vestido pronto para ser usado, disposto de modo perfeitamente alinhado no meu cabideiro, como um convite.
Revirei os olhos para mim mesma ao me enfiar para dentro daquele pedaço de pano, calçar minhas sapatilhas favoritas e alcançar rapidamente a carteira com dinheiro e documentos e enfiá-la na primeira bolsa que pude localizar no meu armário. Meu cabelo não estava lá essas coisas, mas também podia estar muito pior, então cheguei a conclusão de que o solto ondulado teria de bastar.
Ter dezessete anos me dava alicerce suficiente para sustentar uma loucura daquelas, não?
Tentei me convencer daquilo enquanto descia as escadas o mais silenciosamente possível, quase tanto quanto crer que o disparar do meu coração enquanto corríamos pelas ruas assim que alcancei o lado de fora se devia apenas à adrenalina, e não pelo fato dele estar segurando minha mão.
Não lembro qual música estava tocando quando chegamos – quase sem fôlego – na frente do bonito edifício do clube de iate, mas sei que notei de cara que tudo estava elegantemente arrumado e as pessoas que faziam seu caminho para dentro trajavam roupa de festa.
— Apenas me acompanhe, okay? – O moreno sussurrou próximo a meu ouvido esquerdo e mal pude assentir em resposta, pois Poseidon já se aproximava do senhor responsável por controlar as entradas exibindo seu sorriso mais charmoso.
— Nome, por favor.
— Pardonne-moi. Mon père vient d'entrer. J'avais oublié mon téléphone portable dans la voiture¹.
— Perdão? – O pobre homem não entendera uma só palavra.
Fazendo um sinal sutil com a cabeça, Poseidon indicou que eu me pronunciasse e, finalmente, entendi seu plano.
(E desde quando ele fala francês?)
— Oh, sim. Pierre disse que seu pai acabou de entrar e pede desculpas por ter se distanciado um pouco, mas é que havia esquecido o celular no banco do carro.
— Sem problemas, senhorita. Basta informar o nome para que eu confirme na lista e – O interrompi antes que prosseguisse, falando baixo e de canto, como se o alertasse.
— O senhor não reconhecesse monsieur Pierre? – Sussurrei e, diante da negativa confusa, prossegui com a farsa. – Ele é filho do investidor estrangeiro que está aqui na festa para fazer negócios com o sócio majoritário do clube. Ele é tipo... o príncipe dos transportes marinhos.
Foi difícil segurar o riso, confesso, mas a artimanha pareceu efetiva. Ninguém gostaria de parecer desentendido quando se tratava de celebridades e pessoas importantes, portanto ele logo nos deixou passar.
Mantivemos a pose por alguns metros, para evitar sermos desmascarados agora que a parte mais difícil havia sido ultrapassada, mas nos encostamos em um cantinho e caímos na risada assim que julgamos seguro.
Mal podia quer que havia funcionado! Que havíamos enganado o segurança, entrado na festa e... Só ai me dei conta do ambiente ao nosso redor. Tudo estava iluminado com lâmpadas amareladas que deixavam o lugar aconchegante e chique ao mesmo tempo. Madeira escura nos móveis, vidro nos vasos e copos dispostos, o brilho resplandecendo nas águas ao fundo... Era lindo.
— Minha nossa...
— Fala sério, eu sou incrível, não?
Eu começava a ter sérias dúvidas se queria pegar aquela expressão convencida e enchê-la de tapas, ou de beijos.
(A segunda opção estava ganhando).
— Você é um inconsequente, isso sim. Não sei como me deixei convencer a participar de uma loucura dessas... – Parando para refletir seriamente pela primeira vez desde o convite inusitado, fui bombardeada pelas minhas próprias inseguranças – Deve configurar como um tipo de crime, não? Falsidade ideológica ou algo assim? Se formos pegos...
— Ei, Atena. – Ele sacodiu a mão na frente do meu rosto, chamando-me de volta à realidade. – Te trouxe aqui para relaxar um pouco, não para ter uma síncope. Fica tranquila, não vai acontecer nada e você está precisando se divertir.
— Como você saberia algo assim? Nem me conhece!
Seus olhos se estreitaram como se dissesse: Tem certeza?
(Eu não tinha).
— Está ouvindo essa música?
O som parecia nos tomar por todos os lados, mas eu não me lembrava de já o ter escutado antes.
— Estou, mas não reconheço. Qual é?
— Não faço ideia, mas percebe a melodia? – A canção dava um jeito de parecer moderna e antiga ao mesmo tempo, despertando a vontade de simplesmente se entregar a ela e dançar. – Boa, né?
— É maravilhosa...
Aproveitando-se do garçom que passava próximo de onde estávamos, Poseidon agarrou dois copos de refrigerante e entregou um deles para mim, indicando para que brindássemos.
— A vida está nos oferecendo uma oportunidade. Permita-se aproveitar, loira.
And I said: Oh my, what a marvellous tune
It was the best night, never would forget how we moved
The whole place was dressed to the nines
And we were dancing, dancing
Like we're made of starlight, starlight
Like we're made of starlight, starlight
○✵○
He said: Look at you, worrying too much about things you can't change
You'll spend your whole life singing the blues
If you keep thinking that way
He was trying to skip rocks on the ocean saying to me
Don't you see the starlight, starlight?
Don't you dream impossible things?
Mais tarde, a noite já ia alta no céu e eu não tinha mais noção de que horas eram, nem que dia. Tudo o que sabia é que havíamos comido e bebido do bom e do melhor, improvisado passos animados na pista de dança e conversado. Muito.
Parecia natural me abrir com ele – sobre a saudade das amigas que eram quase irmãs e que agora estavam distantes; da pressão de querer uma faculdade muito concorrida tendo sido considerada quase um gênio desde pequena: E se falhasse? E se não desse conta de acompanhar depois? E se nada daquilo fosse o que realmente queria? Como descobrir seu papel no mundo? – e foi igualmente espontâneo fazer o inverso, ouvindo ele me contar sobre sua família, o trabalho do pai que os fazia mudar com frequência e o quanto ele não se importava de todo, pois gostava de viajar. Parecia estar no seu sangue. Contou-me como descobrira possuir uma lábia de vendedor invejável quando trabalhara na loja do tio no ano passado, mas que queria mesmo era formar-se em biologia marinha, talvez para realizar – com muita estrapolação – o sonho infantil de ser pirata, descobrindo tesouros no fundo do mar.
Estava certa em ter lido algo mais nas entrelinhas daquele homem. Eram tão diferentes quanto podiam ser, mas estar em sua companhia parecia certo. Era bom, confortável até no desconforto que a oposição entre si causava, se é que isso fazia sentido.
Havíamos deixado a festa para trás, caminhando contemplativos pela orla da praia, até encontrar um local na areia que estivesse mais limpo – tanto de conchas e pedrinhas, quanto de pequenos lembretes da ação humana, que adorava usufruir do local sem limpá-lo depois – e nos sentamos lado a lado, com as pernas cruzadas.
Eu estava mais quieta, pensativa, e Poseidon não demorou a notar.
— O que foi, loira?
Deixei escapar uma risada, intrigada com o absurdo de toda aquela situação.
— É só que... tudo que acabei vomitando em cima de você, os medos, a ansiedade, o futuro... Às vezes é muito, sabe?
Com uma expressão concentrada, o moreno fechou o punho num montinho de areia, deixando que o excesso dela lhe escorresse pelos dedos até que em sua palma restassem apenas cinco conchinhas de tamanhos distintos. Ele analisou a primeira delas diante dos olhos e, assentindo, como se satisfeito com o que se deparara, a lança em direção à água, fazendo com que pelo menos três círculos reverberassem na superfície antes dela se perder por entre as ondas. Só depois disso começou a falar:
— Olhe pra você, Atena, se preocupando com coisas que não pode mudar. Vai passar a vida toda cantando músicas melancólicas se continuar pensando assim, sabia? – Não fazia o menor sentido que a solução que ele me oferecia, tão simples e despreocupada, me soasse tão convidativa. – Será que você não vê a luz das estrelas? Não sonha coisas impossíveis?
Meu coração então disparou como se despertado por uma espécie de choque, incitado a bombear vida e esperança para todas as extremidades de meu corpo e, embora eu claramente já as houvesse observado antes, posso jurar que até as constelações pareciam mais brilhantes...
Like, oh my, what a marvellous tune
It was the best night, never would forget how we moved
The whole place was dressed to the nines
And we were dancing, dancing
Like we're made of starlight, starlight
Like we're made of starlight, starlight
○✵○
Ooh, ooh, he's talking crazy
Ooh, ooh, dancing with me
Ooh, ooh, we could get married
Have ten kids and teach them how to dream
Não sei dizer com certeza se tudo aconteceu na sequência ou houve um intervalo de paz e quietude, onde a única ação que protagonizávamos era o ir e vir de nossas respirações. Tudo era som e silêncio. Claro e escuro. Rápido e devagar. Opostos complementares numa antítese que me tirava do eixo, fogos de artifício nos pulmões.
(Me pergunto o que eu desejara na noite do réveillon anterior. Será que essa mudança toda poderia ter sido prevista? Houve sinais que eu ignorara?)
Era como se aquele momento perdido no tempo nos apresentasse todo um novo universo. O oferecer da última das conchas em sua palma como uma miragem indistinta de um passado distante. Um sonho antigo, talvez? O que sei é que também atirei a pequena formação calcificada nas águas revoltas e a sensação foi como ser criança de novo, desejando com força por algo incrível ao lançar uma moeda num poço dos desejos.
Eu quero...
Eu quero...
Eu quero...
E então, despropositado e ilógico como só ele, Poseidon tomou minhas mãos nas dele e me puxou para uma dança sem música.
(Nossos corações eram o ritmo e as ondas, o refrão).
— Sabe, loira, eu acho que a gente combina... – Era mais um balançar suave no lugar do que um bailar propriamente dito, nossos pés mal movendo um punhado de areia macia de um lado para o outro, e ele seguia falando coisas loucas. Justamente as ideias tolas que eu subitamente queria ouvir por uma vida inteira. – Nós poderíamos equilibrar um ao outro, sabe? Destruir impérios apenas para reconstruí-los de novo na sequência. Descobrir vida em Marte. Explorar o lado escuro da lua. Nos casar, ter dez filhos e ensiná-los a sonhar...
O mundo calou-se, como se testemunhasse um segredo, e eu gargalhei, entranhando meus dedos naquelas madeixas escuras como se finalmente voltasse para casa.
Minha nossa, que melodia maravilhosa a dos encontros do Destino...
Oh my, what a marvellous tune
It was the best night, never would forget how we moved
The whole place was dressed to the nines
And we were dancing, dancing
Like we're made of starlight, starlight
Like we dream impossible dreams
○✵○
Debaixo daquele céu, vendo a luz das estrelas refletidas naqueles olhos verdes apaixonantes, eu soube que éramos feitos do pó da mesma supernova – hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo, enxofre e magia— e jamais me esqueceria de sonhar coisas impossíveis, desde que tivesse aquelas mãos bronzeadas para segurar as minhas pelo caminho.
Like starlight, starlight
Like we dream impossible dreams
Don't you see the starlight, starlight?
Don't you dream impossible things?
○✵○
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