Luz da Escuridão

9 Mudança necessárias


Notas iniciais
Gente, comenta, por favor, preciso muito saber o que estão achando.

Querida Ayla,

Antes que me esqueça de escrever começo com um convite. Este ano sediaremos a Copa Mundial de Quadribol e papai comprou ingressos ontem e comprou um extra para você. Será muito legal, pessoas de todos os lugares, jogadores gatos (não que você precise disso, não é?), enfim, não ouse recusar, só esteja aqui no início da segunda semana de agosto.

Você não imagina como está chato aqui em Londres, calor, umidade, tédio, nenhum menino bonito, enfim, nada de bom! Vou comprar minhas coisas depois da copa mundial, podemos fazer isso juntar, você viu a carta, diz para levarmos traje a rigor, para que será? Conte-me de Cedrico, como ele está com você passar as férias inteira longe? Será que ele vai a Copa?

Bom, me responda logo, mande Gipsy pois acredito que essa coruja é meio lenta...

Freya

Li e reli a carta de Freya e me pus a escrever a resposta. A coruja das torres que Freya havia mandado já havia partido após beber um cantil de água, me preocupava que o animal não chegasse ao destino pois parecia bem velha. Com uma folha de caderno e uma caneta trouxa escrevi minha resposta, não havia trazido nada de meu material escolar.

Cara Freya,

Claro que quero ir a Copa Mundial, nunca fui a nenhuma, não entendo muito de Quadribol e não voo muito bem mas acredito que será divertido. Vem mesmo bruxos de todos os lugares? Deve ser incrível.

Minha irmã e eu estivemos no Brasil como bem sabe e aqui há uma escola de Magia também. Não é um castelo enorme como Hogwarts, mas parece bem legal. É um castelo menor mas feito de ouro. As vestes aqui são todas verdes, eles não se separam por casa e são especialistas e herbologia e magizoologia. Quadribol não é muito popular por aqui, eles parecem nem ligar para isso na verdade e preferem jogar o futebol trouxa. Me convidaram para permanecer lá, disseram que eu só precisava mandar uma coruja ao meu ministério solicitando permissão e poderia passar minhas férias tendo aulas com eles, mas eu preferi ficar com minha irmã.

Yannis se interessou muito pelo assunto, enfim, sabe como ela é. Parecia que queria se ver livre de mim deslumbrada com o castelo de ouro.

Não tenho muitas novidades além disso e quanto a Ced, conversamos quando eu chegar a sua casa, vou de avião então você poderia ir me buscar no aeroporto?

Vejo você em breve,

Ayla.

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— Ah, largue tudo aqui mesmo – falou e então gritou — Marj! – um puff depois um elfo domestico com um vestido rosa apareceu – Marj você está linda, lavou seu vestido?

— Sim senhorita. – disse com um sorriso – Em que posso lhe servir?

— Você pode, por favor, levar as malas de Ayla para o quarto que preparamos para ela e começar a preparar um banho?

— Com prazer, minha senhora. – e em outro puff desapareceu.

— Venha vamos para meu quarto enquanto isso. – disse me puxando para seu quarto.

Corremos para o segundo andar, seus pais não haviam chegado do trabalho ainda, a mãe de Freya havia aberto uma loja de tecidos e fazias trajes a rigor e seu pai era funcionário do ministério.

— Sabe, eu queria dar roupas a Marj, mas mamãe disse que perguntou a ela se ela gostaria de receber roupas e ela entrou em pânico achando que nós não a queríamos mais.

— Ela não quer ser libertada?

— Parece que tem medo de não ter para onde ir.

— Mas e se vocês a libertarem e ofereceram um emprego remunerado a ela?

— Porque não pensei nisso? OK garota inteligente, vamos fazer compras para ela quando voltarmos da copa e vou escrever uma carta junto para oferecer um emprego, dizendo o quanto ela é especial para nós e nenhum de nós gosta do fato de ela ser considerada escrava. – concordo com um aceno e ela continua – Mas mudando de assunto, me fale de você, Brasil, Cedrico, você não quis falar dele na carta.

Aperto uma mão na outra com as palmas suadas com o nervoso. Eu sabia desde que embarquei no avião que teria de contar a Freya e agora era a hora. Tomei folego e comecei:

— Freya, eu, não vou voltar para Hogwarts.

— Como assim? – ela exclama.

— Minha irmã vai se mudar pro Brasil e não vai voltar para Londres ela terminou com o namorado dela e fomos roubadas pelo diretor financeiro que cuidava da distribuição das bolsas, estamos falindo e ela quer escrever e se afastar da Europa. A escola vai ficar aberta por mais sete anos sem receber alunos, vai somente formar os alunos que já tem e então o banco a tomará e fechará. Yannis disse que posso continuar meus estudos em castelobruxo.

— Não! Você não pode!

— Eu não tenho escolha, ela vai se mudar, não tenho com quem ficar aqui e não posso morar sozinha, não posso deixar minha irmã sozinha também.

— Mas Ayla, Hogowarts, você é a melhor aluna da classe... Não pode, vamos falar com ela. Porque ela terminou? Porque quer ir embora? Porq...

— Você entendeu não foi?

— Mas ela não pode te culpar, Ayla, não é culpa sua se ela tem medo de ele não entender.

— Eu sou bruxa, é culpa minha! Ela não queria mais esconder e ele estava achando que ela estava traindo ele.

— Mas não é verdade.

— É mas não posso fazer nada, eles terminaram a dois meses, antes mesmo das aulas terminarem porque ela andava nervosa com a história de Sirius Black e ele se cansou. Não se falam desde então.

— Vamos dar um jeito. Não volto para Hogwarts sem você!

— Bom e tem a questão Cedrico também.

— Ele me convidou para ir a casa dele no primeiro mês de férias e eu neguei dizendo que precisava viajar, ele mandava cartas dia sim dia não e então sem querer contar o que te contei eu enviei uma coruja dizendo que queria voltar a ser só amiga dele e ele me mandou uma resposta curta e grossa “Se é assim que quer” dizia e não me respondeu as outras duas que lhe enviei.

— Você gosta dele?

— Não de verdade, como amiga sim tenho certeza, ele foi gentil comigo e me ajudou e tenho mais vontade de beija-lo do que tenho de beijar Henri, mas não sei, acho que não... No fim das contas foi bom ter terminado. Eu acho que...

— Que não o ama. Bom ele vai ter que entender isso.

— Espero que ele me perdoe.

— Ele vai... Ninguém te odeia por muito tempo.

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Acordo de manhã com Marj dançante abrindo as cortinas, ela me orienta indicando o banheiro e as roupas que separou e diz que o café da manhã vai ser servido logo. Faço minha higiene e troco rapidamente de roupa quando saio do banheiro Freya está me esperando sentada em minha cama já perfeitamente arrumada.

— Falei com papai...- ela anuncia.

— Sobre?

— Você!

— Ele diz que sua irmã pode emancipa-la, como fazem os trouxas só que você teria que ter quinze anos e ainda tem quatorze com os trouxas é preciso ter dezesseis então a outra opção é que ela assine um documento permitindo que meus pais sejam seus guardiões garantindo sua segurança, educação e coisas básicas que pais devem garantir a menores. Você morará conosco e tudo mais como parte da família, o que você já é, e pode continuar sendo blacklight ou pode se tornar uma Lockhart.

— Mas Free minha irmã...

— Já pensei nisso também... Disse pro papai sobre o problema com o namorado e ele disse que sua irmã pode tentar contar e se algo der errado ela pode escrever a você e você solicita a alguém do ministério que modifique as lembranças dele, no caso esse alguém seria papai. Então eu pensei que poderíamos comprar passagens de avião e ir falar com o namorado dela, assim eu e você contamos e se ele acreditar o mandamos para sua irmã.

— Você parece ter pensado em tudo.

— Isso mesmo, não vou deixar minha melhor amiga ser afastada de mim. Moraremos juntas, seremos irmãs e quando terminarmos a escola podemos mudar pra sua casa e morar lá nós duas, vai se festa todo dia!

Rio com ela e então vamos para o café da manhã encontrar o sr.Lockhart.

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Eu tinha que admitir a Copa Mundial de Quadribol era realmente incrível e eu estava achando Quadribol bem mais atraente depois de dois dias no local onde aconteciam os jogos. Conheci os jogadores da Inglaterra, que para profunda tristeza do Sr.Lockhart, o era patriota até a última, perdeu com um placar absurdamente vergonhoso. Eu não tinha nem um time então só fui na onda e seguia Freya que torcia para os búlgaros ou melhor para o búlgaro. Vitor Krum. Um garoto de dezessete anos que parecia ser perseguido por garotas o tempo inteiro.

Eu havia mandado uma carta para minha irmã antes de partir e avisei a Gipsy onde estaria e uma semana depois ela retornou.

Yannis parecia triste na carta mas assinou os papéis mesmo assim, agora eu moraria com os Lockhart nos verões enquanto ela escrevia e pesquisava no Brasil. A primeira parte do plano estava solucionada agora eu tinha que resolver a vida amorosa da minha irmã enquanto ignorava a minha.

Faltavam dois dias para a final quando encontramos com Cedrico.

— Ayla, não sabia que você viria a copa... – disse ele.

— O pai de Freya comprou ingressos.

— Ah bem... será que podemos conversar?

— Claro Ced...

Nos afastamos da banquinha que vendia algumas quinquilharias nos aproximando de uma cabana onde não havia muita gente próxima.

— Me desculpa, sabe, por não responder e por ser um idiota, você obviamente estava meio triste nas cartas e eu fui um grosso.

— Ced, tudo bem, você precisava de tempo.

— Não justifica. Você em primeiro lugar é minha amiga e eu quebrei a primeira regra da amizade. – ele fala apertando a minha mão mas solta rapidamente quando olho para baixo.

— Sabe, eu sei que você é nova, você tem quatorze anos e eu já fiz dezessete. Acho que forcei demais e não pensei que talvez você... ah. – ele se enrola e eu o corto.

— Sim, você está certo. Ced, eu gosto de você, realmente gosto, mas não sei direito se é um afeto do tipo amoroso, sabe, você é meu amigo e é bom quando saímos, mas é tudo novo pra mim.

— Vamos com calma então?

— E o que isso vai significar? – pergunto curiosa sorrindo.

— Bom, seremos amigos antes de qualquer coisa, vamos nos divertir, estudar, mas quem sabe, em meio a tudo isso – ele fala passando a mão no meu cabelo – Acho que se nenhum dos dois estiver em um compromisso sério, não vejo problemas em... – ele fala lentamente enquanto eu cedo acabando com a distância entre nós e o beijo – Isso significa que concorda?

— Antes de eu falar que sim tenho uma pergunta.

— Vá em frente.

— E se eu ou você acabarmos ficando com outras pessoas e for sem compromisso também?

— A intenção é que você entenda o que quer, e infelizmente para mim, isso significa que você talvez precise de experiência – ele fala torcendo o rosto em uma careta – Mas não quero saber se acontecer alguma coisa então tente não fazer isso em público.

— Isso significa que você é ciumento?

— Não deixe minha paciência te iludir de que sou uma pessoa super tolerável.

Rimos junto e eu beijo sua bochecha.

— Me acompanha até minha cabana? – peço sorrindo.

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Durante o jogo ficamos próximos da família Malfoy e Ced estava perto também, mas não comigo. Irlanda estava ganhando de lavada e Freya estava ficando emburrada pois Vitor ainda não tinha pego o pomo e nesse ponto do jogo se ele pegasse significava acabar com as esperanças da Bulgária. Até que então ele o pegou e o jogo terminou e acabamos comemorando do mesmo jeito. Os jogadores sobrevoaram comemorando e foram se aproximando de onde estávamos. O ministro estava logo ali a diante e eles como de costume teriam de passar ali e falar com os governantes.

Freya ficou vermelha como um tomate quando Krum passou por ela piscando com um sorriso convencido e Cedrico se aproximou de mim me abraçando e girando no ar.

— Ganhei a aposta. – cantarolou.

— E o que isso significa?

— Ainda estou decidindo, quando voltarmos a Hogwarts eu conto.

— Vamos meu filho... – diz um senhor com cabelos acinzentados se aproximando de Ced ele para e me encara – Ah, não vi que estava acompanhado, Amos Diggory e você é?

— Ayla Blacklight, é um prazer senhor Diggory.

— O prazer é meu, linda menina. Vocês se conheceram aqui ou...

— Ayla é de Hogwarts.

— Ah sim, muito bem, é da Lufa-Lufa também?

— Não senhor, Sonserina.

— A sangue-ruim que polui nossa casa! – diz alguém atrás de mim. Pansy Parkinson.

— Então é ela? – diz um homem alto e loiro vestido de negro. Ao seu lado está Draco, o homem é Lucio Malfoy, pai dele. – No fim das contas talvez o chapéu seletor esteja passando da validade.

— Lucio, não vai corrigir a sua menina, não é educado o que ela disse.

— Mesmo se eu quisesse corrigi-la, ela não é minha filha para que eu o faça, mas tenho certeza que a senhorita Blacklight não se ofendeu ou magoou. Sabe como são os jovens, falam bobagens sem pensar. – ele me lança um sorriso falso.

— Não. Não me ofendi ou me magoei. Conviver com seu filho me ensinou a ignorar idiotas que não pensam no que falam. – disso sorrindo e dando-lhe as costas para encarar Cedrico.

— Nos vemos em Hogwarts – disse lhe beijando a bochecha – Foi um prazer senhor Diggory.

— O prazer foi meu, linda menina.

Sai caminhando lançando um olhar para Lucio e esbarrando em Draco enquanto passava por ele.

— Nos vemos em Hogwarts Malfoy.

E segui em direção a Freya que agora pegava um autografo de Krum.

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Horas depois a comemoração ecoava no lado de fora. Freya e eu estávamos jantando quando seu pai entrou correndo e nos mandou pegar nossos pertences e correr. Por sorte já havíamos arrumado tudo e a maioria de nossas coisas estavam na mala de mão da mãe de Freya que havia feito um feitiço de extensão. Ele nos mandou correr em direção a floresta como os demais bruxos e bruxas que passavam por nós e disse para empunharmos nossas varinhas.

Paramos rodeados de pessoas assustadas a cerca de uns quatrocentos metros da entrada da floresta. Me encostei em uma arvore e me sentei no chão. Freya se abaixou ao meu lado.

— Você não pode fazer aquela coisa que você sabe fazer e ver o que está acontecendo?

— Não com tanta gente na minha volta, alguém poderia ver.

Há uns vinte metros de nós cabelos ruivos cintilavam a luz da lua. Reconheci alguns Wesley e caminhei até eles com Freya em meu encalço.

— Oi sou...

— Ayla! Tudo bem com você?

— Gui, sim tudo bem e você?

— Estamos bem... Gente essa é Ayla.

— Sonserina né?

— Ah, claro, você deve conhecer meus irmãos que estudam lá também. Fred, Jorge e Gina. E este é Carlinhos.

— É um prazer.

— Você não parece com alguém da Sonserina! – exclama ele.

— Escuto muito isso! Vocês sabem o que está acontecendo?

— Disseram que eram comensais estavam machucando, nasc... – ele trava e me encara.

— Nascidos trouxas. – eu me abraço – Devia ter imaginado.

— Que horror! – exclama Freya.

— Você está segura aqui, o ministério vai dar um jeito, tem aurores por todos os lados. Fique com a gente, se alg...

— Não, tudo bem, Freya e eu temos que achar a mãe dela. Sei que vou ficar bem se ficar aqui na floresta até, bom, até alguém do ministério aparecer imagino.

— Tudo bem então, qualquer coisa chame.

— Obrigada. Tchau. Vejo vocês em Hogwarts. – digo aos demais.

Caminhamos por uns dez minutos entre as pessoas e nada de encontrar a mãe de Freya então desistimos e paramos na mesma arvore de antes com visão para os Wesley. Ao nosso lado, um garoto magro e loiro aparece. Draco. Ele está mais alto do que eu me lembrava, não tinha percebido isso lá no estádio, parece mais forte também, mas continua com a pele pálida. Está com um olhar em um misto de divertimento e raiva. Ele se abaixa do meu lado sem que minha amiga que olha distraída na outra direção perceba.

— Se eu fosse você, mediria suas palavras Ayla, sei de uns segredinhos que você esconde e você talvez queira se lembrar que meu pai trabalha no ministério.

E tão rápido quanto apareceu, sumiu.