Luz da Escuridão

12 Tudo estava indo bem...


P.O.V. Autora

Aquele dia tinha se passado calmo e divertido. O primeiro depois de muitas semanas. Ayla e Freya passaram um delicioso e divertido dia em Hogsmeade, banhado a doces e cerveja amanteigada. No fim da tarde quando finalmente voltaram para Hogwarts ambas estavam exaustas. Pegaram roupas e itens de banho em seus quartos e foram para o banheiro feminino das masmorras, que pertencia a sonserina.

Ayla terminou seu banho por último e disse a amiga que fosse para o salão principal enquanto ela ia deixar os itens no quarto.

Estava saindo do salão comunal quando ouviu um barulho atrás dela. Saindo de um dos quartos do corredor masculino estava Pansy Parkinson. Ayla revirou os olhos e sorriu, seu sorriso, porém, morreu quando ela viu quem saiu do mesmo quarto ainda arrumando a camisa. Draco Malfoy. Ela se apressou em sair do salão, mas tinha certeza que Draco a havia visto.

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P.O.V. AYLA

(Dois meses depois)

— Sabe, ultimamente eu tenho pensado em te sequestrar. – disse Cedrico surgindo atrás de mim.

— Uma dica, amanhã as nove estarei no corredor norte do terceiro andar, tenho uma prova, pode ser nesse horário?

Ele riu.

— Prova de..?

— Transfiguração

— Ah – desdenhou ele – Como se você precisasse ser salva dessa. – Ele me fez cocegas – Podemos conversar?

— Claro. – disse indicando o jardim.

Cedrico e eu colocamos o assunto em dia e ele me fez confessar que fiquei irritada por ele ter se inscrito no torneio. Ele contou sobre o baile com Cho e contei sobre o Búlgaro risonho permitindo que Ced risse de minha situação deprimente no baile.

— Sabe, vou terminar com Cho.

— Porque?

— Porque para começar, eu nem queria namorar... Ela é legal, mas eu nunca quis namorar.

— Isso é algo horrível para se dizer e fazer.

— Não me faça sentir pior, ainda mais quando o motivo é você.

— Ced eu...

— Eu sei. Não se preocupe, sei que seremos só amigos e estive pensando que não devíamos mais ficar, sabe, sem beijos. Só amigos. Só assim vou seguir em frente.

— É, eu acho que é o melhor.

— Mas sabe, eu queria saber, porque se afastou de mim esse ano?

— Eu, estive com uma pessoa. – ele ficou surpreso e fez um gesto de “o Búlgaro?”, eu logo neguei com a cabeça – Alguém da minha casa. Mas eu não quero isso, preciso esquece-lo e ele não me quer também. Imagino que eu seria uma vergonha para ele e para a famílias dele, por isso tenho que limpar minha mente, ficar longe de meninos e focar na magia.

— Sinto muito... – ele fala e me abraça.

— Quando vai terminar com a Cho?

— Depois do torneio.

— Eu faria antes, ou vão dizer que ficou metido por ganhar...

— Acha que vou ganhar?

— Torço para que sim.

Ele pegou minhas mãos e apertou firme.

— Olha, prometo que vou ser um amigo melhor daqui para frente.

— Você é.

— Não sou não, olha o que você estava passando e eu não estava lá para ouvir, deixei tudo nas costas de Freya.

— Que bom que sabe disso bonitinho. – disse ela surgindo em seu timing perfeito – Vamos? Temos aula de astronomia em uma hora e meia e eu queria que me ajudasse a estudar um pouco antes.

— Claro. – beijei a bochecha de Cedrico e levantei – Tchau Ced.

— Boa noite.

— Sabe de amanhã Cedrico? – disse Freya.

— Claro, acha que sou um amigo tão ruim?

— O que tem amanhã?

— Você! – os dois respondem juntos e me lembro do meu aniversário de 15 anos – Sem essa.

— Aceita que dói menos – resmungou Freya me puxando.

Corremos para o dormitório afim de estudar, pegamos nossas coisas e fomos para a sala reservada, mas assim que abrimos os livros umas vozes alteradas começaram a rir no salão e Freya se distraiu espiando. Consumida pela curiosidade eu a acompanhei.

— Chega Pansy, foi só uma vez, não estamos namorando, não pira. – disse Draco.

— Mas, Draco, pensei que, depois do baile, depois daquilo...

— Se liga Pansy, você nunca foi minha namora e sabia disso, então pode parar de drama.

Ele a humilhou no salão comunal, com Mila, Crabbe, Goyle e Blásio como testemunhas. Todos eles exceto Blásio riam e foi ele quem rompeu as risadas.

— Deixa disso Pansy, você sabe como o Draco é, senta aqui comigo.

— Quer saber, você tá certo Draco, temos que aproveitar antes de firmar um compromisso. – e se jogou ao lado de Blásio.

A idiota havia aceitado a humilhação e tapado o sol com a peneira. Freya se afastou da porta, sentando-se. Sentei-me a sua frente e ela me encarou cuidadosa.

— Respira fundo e não me mata...

— Não precisa dizer nada!

— Acho que preciso sim... Ayla – ela começou – É errado o que ele fez, ele costuma errar frequentemente, sabemos disso, mas não o julgue por isso. Julgue pelo o que você conhece dele, não pelo o que ele mostra...

— Você está defendendo ele? – perguntei abismada.

— Não. – ela disse fazendo sinal com as mãos para eu sentar – Só estou dizendo que ele é um garoto com os hormônios a flor da pele. Vai ser idiota seja Draco ou seja Neville.

Ri, mesmo com minha raiva aflorada, sua comparação quebrou-me as pernas.

— Não entendo, você o odeia, concordou que eu devia esquecer.

— Não estou falando para casar com ele, mas você está mexida, não quero que se machuque. – ela levantou e me abraçou pousando a cabeça em cima da minha – Só estou cuidando do coraçãozinho da minha melhor amiga.

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P.O.V. Autora

Ayla e Freya se misturaram aos Lufanos no grande estádio de Quadribol. Todos cantavam alto o nome de seus preferidos e o estádio explodiu quando eles chegaram. Amos Diggory gritava o nome de seu filho levantando o seu braço orgulhoso e Cedrico se encolhia envergonhado. Harry entrou contrariado, levemente assustado até. Já Krum e Fleur entraram destemidos e brilhando alegria.

A prova começou logo depois de um anuncio de Dumbledore. Não se enxergava quase nada o que deixava todos apreensivos. Cerca de vinte minutos se passaram até que a primeira faísca vermelha subisse o céu, Fleur havia caído, terminou o torneio tribruxo em 4ºlugar. Logo ouviram-se gritos. Um vento forte tomou conta do estádio. Mais gritos. Faíscas de luzes verdes e vermelhas voavam. A cada faísca um grito. Então, tudo ficou calmo.

Dois minutos.

Cinco minutos.

Dez minutos.

Nada. Nenhum barulho.

Depois todos explodiram em aplausos e gritos.

Bem perto de nós dois garotos caíram deitados, um deles porém pulou sobre o outro sacudindo-o e gritando.

“Não!” o garoto gritava “Cedrico”

Dumbledore pulou do seu assento e correu para perto deles. Ayla que já estava em pé fez o mesmo, mas foi detida pela multidão de Sonserinos que estavam em seu caminho.

“Não” outro grito. Ela conhecia a voz. Essa mesma voz a elogiará diversas vezes durante a copa de Quadribol. “Meu filho não!”

— Ayla... – Freya falou segurando a mão da amiga.

Ayla soltou-se da amiga e começou a avançar em meio aos Sonserinos em direção aos garotos. As lagrimas rolavam livres sem que a mesma percebesse e Freya ficou para trás incapaz de seguir a amiga. Dentre todas pessoas ali ela não imaginava que seria ele a segura-la. Nem ele esperava fazer isso. Os Sonserinos distraídos nem perceberam quando Draco abraçou a cintura da garota puxando-a para trás sob protestos.

— Malfoy! – Freya exclamou, mas se deteve de insulta-lo – Tire ela daqui, leve para o salão comunal e não tire os olhos dela, se algo acontecer com ela vou te azarar como ninguém nunca azarou antes!

Ele não fez questão de responder e continuou puxando Ayla que esperneava em seus braços.

A garota era pequena e assim que saíram de vista ele a colocou sobre o ombro facilmente tomando sua varinha e percorreu rápido o caminho até as masmorras do castelo.

— Pare de se debater... Estou tentando ajudar. – disse ele ao larga-la no sofá em frente a lareira.

— ME DEVOLVA MINHA VARINHA – berrou aos prantos.

— Só se prometer não me amaldiçoar.

— É exatamente o que vou fazer seu idiota. – ela se encolheu ao falar – Por que? Por que me tirou de lá, por...que não me deixou vê-lo?

— Ayla, só vai te fazer ficar pior... Ele se...

— NÃO! Ele só estava desmaiado! – insistiu a garota – Madame Pomfrey...

— Faz magica, milagres até, mas não trás ninguém dos mortos. – ele grita para ela.

— Pare de FALAR ISSO! – ela branda irritada.

Draco não grita de volta, ao invez disso ele a beija. Puxando seu rosto para si sentindo-a tentar se afastar.

— Como ousa ME beija? – ela diz levantando – Depois de tudo que me fez passar nos últimos quatro anos, depois de várias tentativas de me humilhar, depois de me ameaçar. Depois do que vi você fazer com Pansy. Você me dá nojo!

— O que você viu?

— É tudo que ouve? Só presta atenção em alguém se ela o está elogiando ou ferindo seu ego? Seu imbecil, arrogante!

— Ayla... – ele sussurra para a garota irritada.

— Me devolva minha varinha!

— Não!

— Me devolva... – ela fala se aproximando a distância máxima segura dele.

— NÃO! – ele branda.

Em um reflexo rápido a garota dá um tapa forte ele deixando marcado em suas bochechas brancas a marca de três dedos e em sua distração enfia a mão no bolso da calça de Draco e apanha sua varinha, correndo logo em seguida para o quarto e se trancando lá.

Draco perplexo não a seguiu. Menos de cinco minutos depois Freya adentrou o salão comunal correndo e encontrou o garoto parado em frente a lareira ainda com a mão na bochecha.

— Onde ela está?

— Se trancou no quarto... – ele disse com raiva.

— Eu disse... – Freya começa a ralhar.

— Ela me bateu e roubou sua varinha de volta, OK? Tentei conversa com ela e ela me encheu de insultos! Não preciso disso! Cuide você daquela sangue-ruim ingrata! – Saiu assim pisando forte para seu quarto.

Freya entrou no quarto correndo e encontrou o quarto, até então perfeitamente organizado por sua amiga extremamente rigorosa com organização, destruído e em meio a todo caos sua amiga estava sangrando, caída sobre estilhaços do que outrora fora um espelho. Ela correu para Ayla a amparando e afastando dos cacos de espelho. A garota chorava a ponto de não conseguir respirar. Preocupada com a situação da amiga Freya pegou o frasco com liquido azul que Draco a entregará meses atrás e forçou a amiga a engolir. Dois minutos depois Ayla caiu em um sono profundo e voltou a respirar normalmente.

Em sua mente Freya sabia “Adiar a dor não torna mais fácil senti-la” mas pelo menos por uma noite sua amiga estaria em paz, não lembraria da horrível cena que presenciara, nem precisaria senti-la, estava segura de si mesma. Quando o amanhã chegasse, ela a ajudaria a passar pela dor, cuidaria para que essa não a destruísse e sabia que precisaria de ajuda.

Freya limpou o quarto com um feitiço e tratou os ferimentos de Ayla. Com tudo em ordem a garota deixou o quarto fechando a porta atrás de dela. Tomou folego duas ou três vezes e caminhou em direção ao corredor dos dormitórios masculinos e entrou no quarto de Draco Malfoy sem nem mesmo bater.

— O que? – disse o garoto levantando da cama – Como ousa..?

— Temos que ajudá-la! – ela fala sem deixar que ele termine.

Notas finais
A partir do próximo capitulo vou parar de avançar um ano em dois caps, então a coisa vai ir mais lenta e com mais acontecimentos. Espero que estejam gostando...