Luz da Escuridão
3 Expresso Hogwarts
O namorado da minha irmã queria desesperadamente dormir em nossa casa no dia anterior o que fez com que eu e minha irmã tivéssemos que arrumar desculpas, dizendo que queríamos uma noite de garotas e já havíamos combinado tudo. Naquele domingo me despedi de meu único verdadeiro amigo trouxa, Henri, dizendo que no dia seguinte iria para um internato e só voltaria para o feriado de natal e para as férias de verão. Depois de voltar para casa minha irmã e eu cozinhamos juntas e naquela noite dormimos juntas no quarto que pertencerá a nossos pais.
Alguns dias antes vasculhando as memórias de nossa família havíamos encontrado diversos diários que nosso pai guardava de nossos ancestrais. Coloquei alguns em minha mala para Hogwarts e peguei um para ler a noite, que pertenceu ao meu pai durantes os anos que antecederam sua morte.
Pela manhã o sol já brilhava alto quando pulei da cama lembrando que aquele era o dia. Olhei para o relógio ao meu lado na intenção de preparar o café quando percebi que já eram quase 10 horas.
— Yannis ACORDA! – pulei em cima dela – Acorda, acorda, acorda...
— Calma Ayla... – resmungou – Temos tempo.
— Como assim temos tempo? Falta dois minutos para ser 10 horas, estamos atrasadas, tínhamos combinado de acordar as nove.
Yannis pulou da cama como eu e acabou me derrubando, enquanto eu corri para o banho, ela desceu para pôr tudo no carro e preparar o café. Tomo banho correndo e coloco o vestido que minha irmã me deu na noite passada e por último peguei o anel da família que minha irmã decidiu passar para mim no dia em que fomos ao beco diagonal.
Logo saímos, a viagem até a estação de trem dura cerca de vinte minutos. Chegando lá, enquanto minha irmã pegava um carrinho eu me concentro em ler as instruções que chegaram após a confirmação que enviei.
— Aqui diz que temos que atravessar a barreira entre a plataforma nove e dez.
— Como assim atravessar? – pergunta escandalizada.
— Tipo a parede eu acho. – digo rindo dela.
— OK temos quinze minutos, talvez aja outros alunos entrando e perguntamos como se faz.
Caminhamos até a plataforma nove e dez e no momento em que chegamos lá havia um garoto entrando parede a dentro. Minha irmã ficou boquiaberta enquanto eu a puxava em direção a parede. Gipsy parecia entender para onde íamos, pois ele estava extremamente agitado de uma forma feliz. Demorou dois segundos e quando olhei para minha irmã parecíamos estar algumas décadas no passado. O Expresso Hogwarts era um grande trem preto e vermelho que soltava bastante fumaça e a plataforma estava repleta de crianças e adolescentes alguns vestindo roupas de trouxas como eu e outros já com as vestes de Hogwarts, mas a maioria era diferente das minhas. Tinham detalhes coloridos, uns verdes, outros vermelhos, outros amarelos. Minha irmã parecia observar o mesmo.
— Porque suas vestes são todas pretas e as deles tem cor?
— Eu li sobre isso em Hogwarts: uma história. Quando chegar lá, seremos selecionados para casas, há quatro e cada uma tem uma cor. Ano que vem eu usarei alguma dessas cores, mas como só sabemos quando chegamos lá eles nos mandam comprar toda preta no primeiro ano.
— Ah, legal.
Minha irmã e eu temos problemas para colocar o malão no trem, porque ele é muito pesado. Um garoto gorducho, percebendo o trabalho que estamos passando se oferece para nos ajudar e coloca a mala no trem, enquanto eu agarro a gaiola de Gipsy e minha irmã confere tudo.
— Oi, sou Gregory Goyle.
— Ayla Blacklight – digo apertando a mão dele.
— É uma coruja Anã essa sua?
— Sim, o nome dele é Gipsy, minha irmã me deu por ter entrado para Hogwarts e a sua?
— Ela se chama Redga, é uma coruja vermelha.
— Ela é muito bonita.
Ele sorri e então um homem o chama e ele se despede indo até o que acho ser seu pai. Despeço-me de minha irmã também e vou para o trem. Entro em uma cabine vazia, coloco Gipsy no banco e vou para a janela falar com minha irmã.
— Não se esqueça de me mandar Gipsy com notícias todo sábado e se precisar de alguma coisa é só falar que eu a mandarei de volta com ela.
— Pode deixar mana, mando ela todo sábado e você a manda de volta toda segunda.
— Fechado. Aproveite Hogwarts maninha e estude muito, não quero notas baixas entendeu. – Disse autoritária.
Sorrio e abano para ela indo me sentar e quando o faço vejo que há uma menina entrando na minha cabine.
— Ah, olá.
— Oi – diz a garota e se sentando deixando o gato dela ao seu lado – Sou Pansy Parkinson e você é?
— Ayla Blacklight.
— Prazer.
E assim se encerra nossa conversa. Alguns minutos depois ela levanta.
— Vou procurar minha amiga Mila, você quer vir?
— Claro. – olho para Gipsy – Já volto.
Andamos três vagões até achar Mila em um vagão com mesas e junto dela havia vários meninos e algumas meninas e entre eles estava Gregory Goyle, que me ajudará mais cedo.
— Ah, olá de novo Ayla.
— Quem é essa? – perguntou um garoto loiro de cabelo lambido.
— Eu a conheci na plataforma, é Ayla Blacklight.
— Já ouvi seu sobrenome em algum lugar. – Comenta uma menina robusta.
— Onde você mora? – pergunta o garoto.
— Em Londres mesmo – respondo ele – e você deve ter visto meu sobrenome em algum jornal ou revista, recentemente andou saindo algumas reportagens sobre a academia que minha família fundou.
— Como assim? O que sua família faz?
— Meus avós foram fundadores da Academia de Artes Bethnal Green. Uma escola para artistas que oferece muitas bolsas para pessoas humildes que não tem dinheiro para pagar por seus estudos. – explico.
— Espera. – disse Crabbe um outro garoto gorducho – Então sua família é trouxa?
— Sim, — digo nervosa lembrando do que o guarda do banco havia me avisado – sou a primeira bruxa da família.
— Uma nascida trouxa? Uma sangue-ruim? – diz o garoto loiro – Pansy, achei que andasse em boas companhia.
— Eu não sabia que ela era uma sangue-ruim, ela parecia alguém que valia a pena. – diz minha colega de cabine com uma língua afiada cheia de veneno.
— Nós não podemos andar com sangues-ruins, isso vai manchar nossa reputação. – diz o garoto loiro.
— Não tem problema Draco. – diz Goyle – Não precisamos nos preocupar com ela, provavelmente vai para Lufa-Lufa...
E todos riram.
— Vá pegar suas coisas Pansy e leve para nossa cabine. – disse Mila.
A garota saiu correndo para pegar suas coisas enquanto eu balancei a cabeça tentando acreditar e impedindo as lagrimas que forçavam sair de meus olhos. Nunca havia sido tratada de maneira tão grosseira, nem mesmo pelas minhas ex-colegas, quem não gostava de mim, simplesmente não falava comigo, sempre fui respeitada pelo nome de minha família no mundo dos trouxas. Decidida a não ceder diante das ofensas dos garotos levantei a cabeça encarando cada um deles.
— Espero realmente que não fiquemos na mesma casa. Posso ser uma trouxa de nascença, mas prefiro isso a ser uma arrogante sangue-puro como vocês.
Virei as costas e sai dali em direção a minha cabine. Quando cheguei, Pansy estava discutindo com uma garota baixinha que já vestia as vestes de Hogwarts.
— Quem disse que você pode sentar aqui? – Pansy gritou com ela.
— Ah lugares vagos...
— Sim! Há lugares vagos aqui, afinal você estava de saída não é mesmo Pansy. – digo encarando-a – Sou Ayla... e você?
— Suzana Bones.
— Ah, olha, duas sangue-ruins, sejam felizes na Lufa-Lufa.
O resto da viagem é tranquila, Suzana é como eu, nascida trouxa, ela conta sobre sua família e que vem de uma longa geração de cozinheiros e que eles têm um restaurante na família a mais de um século e eu conto sobre a academia e sobre como cada um na minha família tem inclinação para alguma arte e que eu puxará a minha bisavó embora não me considerasse uma dançarina tão boa quanto ela todos diziam que eu era uma musicista muito melhor.
Em meio a viagem acabamos adormecendo e quando acordamos já está escuro. Um garoto ruivo passa nas cabines avisando que estamos quase chegando a Hogwarts e devemos colocar nossas vestes.
— Ei, espera, você é um Weasley, não é?
— Percy Weasley, monitor. Por que?
— Eu conheci seu irmão Gui no banco, ele foi muito gentil e falou que teria irmãos em Hogwarts esse ano.
— Há sim ele esteve trabalhando em Londres alguns dias... Bom seja bem-vinda.
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