Luz E Trevas

1 Visita Inesperada


Notas iniciais
Bem... primeiro capítulo da história, é o começo dos meus RP's com a Ana (Apolo), o "tio Suquinho" estava cabadão, depois que o Hypnos deixou ele de lado, então, BUM. Nasceu essa história.
Espero que gostem ^^

Houve um murmúrio, mas eu não me dei ao trabalho de abrir os olhos ou largar meus mais profundos pensamentos para descobrir do que se tratava.
Eu sei que ele tem outras obrigações, assim como eu tenho, mas ele é um deus, não um escravo, eu sei que ele tem um certo tempo livre.... E onde se enfia? Naquela maldita biblioteca. Aquilo já estava me desgastando demais, eu sempre o procurava, estava sempre querendo saber se estava bem ou como passou o dia, mas ele está sempre ocupado. Cansou até a minha santa paciência.

Outro murmúrio, agora mais alto, continuei com meu dilema. — Lorde Hades?! — aquela voz me despertou completamente, afinal, fora quase um grito.
— O que é?! — me irritei, mas depois de notar quem era, respirei o mais fundo que pude e peguei a última dose de paciência que me restara — O que foi, Minos? — deixei a taça de vinho em cima da mesa, ao lado da garrafa vazia.
— Perdão por interromper, meu senhor — disse o espectro, meu fiel amigo, se curvando de forma respeitosa.
Suspirei, eu tinha sido realmente rude, para ele se curvar daquela maneira, sem olhar em meus olhos — Não é nada — falei com a voz calma. — O que houve?
— N-não é nada muito importante, Lorde. — levantou-se, mas ainda de cabeça baixa — preciso entregar esses relatórios para o senhor Hypnos, sabe onde posso encontrá-lo?
Minha dose de paciência desceu rápido demais pela garganta, fechei o punho — Por que eu deveria saber onde ele se meteu? — aquelas palavras saíram com tal rispidez, que fez o espectro se encolher um pouco, mas ouvir o nome dele realmente me irritou.
Curvou-se rapidamente — desculpe por interromper — falou e saiu da sala.
A contínua ausência de Hypnos estava me irritando demais, aquilo estava começando a me deprimir, havia dias em que eu não parecia o "senhor dos mortos" e sim o próprio morto... Olheiras, cabelos bagunçados, e em algumas ocasiões, uma ou outra garrafa de vinho na mão. Eu estava virando um velho bêbado.
Bem.... Acho que a verdadeira reviravolta na minha vida começou, mais ou menos assim...

Mil e uma coisas passavam pela cabeça do deus naquele momento, passava do meio-dia. Aquele era um dos raros dias em que o Senhor dos Mortos ía à terra, queria ter certeza de que seu ódio pelos humanos ainda era válido e era bom para se desfazer da pressão de seu reino. Vestia um terno preto e tinha os cabelos negros amarrados num rabo alto, a pele estremamente branca e os olhos azuis, davam-lhe um certo destaque, muitas mulheres o olhavam.
Estava em uma importante avenida de São Paulo no Brasil, onde havia muitas empresas e escritórios, por ali circulavam pessoas de todas as idades, cores e classes sociais, falavam línguas diferentes e gírias. Hades podia entendê-las todas, nada do que ouvia era produtivo ou o agradava. O sol estava extremamente forte, mal conseguia abrir os olhos e isso era apenas mais um motivo para o deixar irritado. Não conseguiu ficar ali por muito tempo, logo se encontrava novamente em seu castelo, em sua pouco iluminada sala de estar.
Vestiu seu manto negro e deitou-se no sofá de couro, fechou os olhos e tentou relaxar, esquecer-se de Hypnos e dos humanos, mas não conseguiu, sentia seu pescoço arder por causa do sol forte.
— Maldito Apolo! — irritado, o deus passou o resto do dia em seus aposentos, com as continas fechadas, impedindo a entrada da luz do sol. Hypnos não apareceu naquele dia, nem nos que se seguiram.
Hades preferiu passar algum tempo nos Campos Elíseos, onde o sol era mais ameno, vivia sentado debaixo de árvores ou em cima de pedras, sempre dispensando a presença de ninfas. Encontrava-se em péssimo estado, passou a ter o péssimo hábito de beber sempre que pensava em Hypnos e aquilo o estava transformando em um deus patético.

Naquele dia, estava sentado num canto afastado nos Campo Elíseos, com sua garrafa de vinho quase vazia ao lado,quando sentiu o cosmo de alguém que não deveria estar ali, achou que estava ficando louco, não deu atenção, continuou devaneando onde estava.
— Hades? — reconheceu a voz no mesmo instante e virou-se, lentamente, como se não acreditasse.
— O que está fazendo aqui, garoto? — perguntou ao deus do sol.
— Vim passar um tempo — sorriu.
— Crise de adolescente é? Seu pai te expulsou.... o que houve? — Hades não estava sóbreo. E é claro que Apolo notou.
Balançou a cabeça, negativamente — Por que está bebendo? — perguntou, incrédulo, enquanto pegava a garrafa do chão, analisando-a.
— OK papai, vamos esclarecer as coisas, estou fazendo isso porque quero, e não é da sua conta!
Apolo fez uma careta, colocando a garrafa no lugar — Você está péssimo.
— Obrigado.
— Que horror — falou o mais jovem, indo para dentro do templo de Hades.

É... Aquilo foi vergonhoso, mas quando alguém simplesmente, deixa de considerar a sua existência, depois de uma longa declaração de amor... Você fica um pouco "conturbado". Bem... Apolo chegou naquele dia e, depois de eu mandá-lo embora mil e uma vezes, ele resolveu que queria realmente me tirar do sério, indo dormir na minha cama!
— Moleque, se eu acordar queimado, eu juro que te arranco desse corpo e guardo sua alma num pote! — ameacei, deitando no lado esquerdo da cama, onde eu não gostava de ficar.
No dia seguinte, eu acordei, e ele não estava lá, como de costume, a essa hora da manhã, ele estava no Olimpo, importunando outro deus... Mas o garoto estava estranho, andava muito quieto ultimamente, não mais estranho do que eu.... Mas contemos o que houve no dia em que eu... bem, veremos....

Apolo voltou ao castelo de Hades, onde estavam agora, não costumavam ir muito aos Elíseos. Hades acabou por aceitar o sobrinho aos poucos e teve de admitir, ele o fez muito bem, estava sempre ajudando-o com seus problemas amorosos, o deus não bebia mais, por pura insistência de Apolo, é claro.
Apolo, por outro lado, geralmente estava em um canto, quieto e não tinha uma expressão muito feliz. Naquele dia, ele estava sentado na varanda do quarto de Hades, onde tinha realmente se estabelecido. O deus estava apenas passando por ali quando o viu, entrou lentamente no quarto e o atravessou, chegando à varanda e sem dizer nada, sentou-se ao lado de Apolo, que estava cabisbaixo demais.
— O que houve? — perguntou, tentando ver seu rosto por entre os cabelos alaranjados.
Ele não respondeu de imediato, mal sabia Hades que a resposta o iria afetar muito mais do que deveria. O jovem respirou fundo e engoliu as lágrimas.
— Eu não posso me apaixonar pelo meu tio! — Falou com a voz carregada de dor e deixou que as lágrimas caíssem por seu rosto alvo.
Hades sabia que o deus não estava falando dele, mas de Poseidon, sabia que os dois eram muito próximos e que Apolo sempre contava tudo para ele. Mas não esperava que aquilo doesse tanto em si. Aquilo não podia acontecer, ele era incontáveis anos mais novo que Hades e ainda por cima, era seu sobrinho. O deus se levantou de sua cadeira, com o rosto calmo como sempre, sentou-se na beira da cadeira junto com Apolo e segurou seu rosto entre as mãos, enxugando suas lágrimas com os polegares.
— Se lembra do que eu te disse? — Falou, sorrindo brevemente.
— Não podemos controlar esse tipo de coisa — respondeu Apolo, sem olhar nos olhos do outro.
Hades apenas concordou com a cabeça, como se aquilo servisse para ele também. Apolo o abraçou, chorava como uma criança — eu não quero isso pra mim Hades... Vai acontecer outra vez, eu vou me decepcionar de novo. — o deus acariciou seus cabelos, tentando acalmá-lo, depois de um longo tempo, conseguiu. Sentia seu coração pesado, como se aquelas palavras houvessem grudado lá.


Não estava acontecendo, Zeus o mataria.

Notas finais
Então... Eu resolvi escrever essa história, pq gosto demais dela e de como a coisa se desenrolou, além de eu amar a Ana.
Bjos a todos e até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.