Notas iniciais
Então, fiz o segundo capítulo meio que contragosto. Se não tiver ficado bom, me avisem. E se tiver algum erro grave, me avisem para que eu corrija. Espero que gostem!

Cintia gelou quando ouviu a porta bater. Lentamente foi se virando sem dizer uma só palavra. Porém, antes de seu coração sair pela boca, lembrou-se que há somente uma pessoa neste mundo que a chama de vadia: sua melhor amiga, Glenda. Cintia olhou firme nos olhos da mulher que entrou. Era uma mulata, seus cabelos chegavam aos ombros. Usava um blazer aberto com uma blusa decotada por dentro. A sua calça era de couro e realçava suas pernas que não eram nada finas. Cintia confirmou: era sua amiga Glenda que estava ali. Ela abriu um sorriso cativante e correu para sua amiga, que há tempos não tinha visto, e envolveu-a com um forte abraço...

– Vamos parar com a frescura? Não curto isso não, minha irmã — disse Glenda com um sorriso no rosto.

– Eu também te adoro – disse Cintia rindo de sua amiga que não é nada sutil.

Depois do abraço de reencontro, Cintia achou entranho a presença da amiga, e questionou:

– Espera, mas a sua turnê já acabou?

– Já. O último show que iria ser em Honolulu foi cancelado. O empresário da Lady Gaga queria que ela fizesse uma participação especial a todo custo, mas recusei, lógico. Não gosto dessas cantoras que querem fazer sucesso às minhas custas, já basta aquela parceria que eu tive que fazer com a Demi Lovato pra dar um ‘’up’’ na carreira dela. Eu aproveitei e corri para o Brasil – disse Glenda, falando tudo de uma só vez.

– Nossa! Você continua tagarela! Estava morrendo de saudades de você – disse Cintia rindo da amiga.

– Tá bem, mas se apresse, senão desisto de dar carona pra você – disse isso balançando as chaves do carro.

– Ah, me desculpe, mas eu tenho motorista pra me buscar, porque eu sou rica – disse Cintia, se virando e jogando o cabelo na cara da amiga.

– Ah, esqueci que tenho uma amiga atriz... Ainda lembro como se fosse ontem quando você era uma favelada. Mas tira logo essa maquiagem horrorosa e vamos embora logo, que não tem quase mais ninguém no set de gravação – disse Glenda.

Cintia se arrumou e as duas foram embora, rindo e conversando. Aparentemente, não tinha mais ninguém no set, quando chegou Carla com um copo d’água com gelo seco na mão. Ela olhava para os lados, parecia não acreditar que todos tinham ido embora. Parou e perguntou:

– Diretor Horus? Ainda está ai? – disse isso olhando por todos os lados – Olá?

Percebendo que todos foram embora, Carla ficou furiosa. Tamanha era sua raiva que ela conseguiu quebrar o copo de vidro com sua mão. Foi interrompida por Daniel, que era uma das pessoas que se encarregava de deixar tudo em ordem antes de fechar o set.

– Não tem ninguém aqui. Já foram todos embora, e nem adianta ficar com raivinha – disse isso sem parar de conferir tudo que havia lá no set.

– Eu não perguntei a você, seu imprestável.

Carla estava com muita raiva. Dava para ver o ódio de seus olhos. Ela estava saindo quando Daniel completou:

– Tenho pena de você, porque você só sabe ganhar o desprezo das pessoas que te conhece. Você não sabe tratar as pessoas bem. Você está mergulhada na própria melancolia, fala com todos com agressividade, quer meter medo em todo mundo, mas ninguém tem medo de você. O que sinto por você é pena, pois pessoas como você vão passar a vida inteira só.

Carla estava parada. Ela ouviu tudo o que Daniel falou, mas não se virou. Apenas levantou a cabeça e seguiu em frente, e foi embora no seu silêncio...

Daniel apenas observou a moça sair, e continuou o que estava fazendo. Ele estava com o figurino do assassino em mãos e o colocou no armário onde todos os figurinos eram guardados e trancou o armário. Em seguida, foi limpar os cacos vidros que Carla havia deixado no chão. Ao passar novamente pela porta, o rapaz percebeu que ela estava aberta e trancou mais uma vez. Achou estranho, pois somente ele estava no set de gravação. Ele deu de ombros e foi até a lixeira que ficava um pouco mais distante. Terminando o serviço, ele pegou sua mochila que estava sobre uma cadeira e seguiu pelos corredores escuros até o vestiário. Eram corredores largos, cheios de portas. Olhou mais uma vez para certificar se realmente havia alguém naquele local. Então, o jovem entrou no vestiário, trancou a porta, abriu sua mochila com um sorriso malicioso e retirou o que havia dentro. Ele carregava lingeries dentro de sua mochila e estas pareciam ser novas. Aparentemente ele não daria aquelas lingeries para a sua namorada, pois o interesse dele parecia ser outro. Ele se despiu completamente e provou-as. Ele parecia gostar do que via... Estava vestido com um conjunto que tinha estampas de pele de onça. O rapaz era um rapaz bonito, tinha cabelos loiros e olhos claros. Não tinha pelos no corpo, nem tinha o corpo definido. Mas realmente era uma surpresa, pois este não era afeminado e ninguém desconfiava deste outro lado dele.

Enquanto estava distraído com as peças íntimas, Daniel escutou um barulho vindo do corredor. Rapidamente ele gritou:

– Carla? É você, Carla?

Ele começou a se vestir rapidamente, nem tirou as peças íntimas. Estava mais preocupado se alguém o visse daquela forma. Daniel apressou-se. De repente, as luzes se apagaram e o loiro entrou em pânico:

– Quem está ai? Se for você, Carla, pare com isso! Você está me assustando!

Daniel começa a iluminar o vestiário com a luz de seu celular. O rapaz foi abrindo a porta devagar, com medo que fizesse barulho, pois não sabia quem poderia estar por ali. Caminhava lentamente pelos corredores do set, que estavam totalmente escuros. Ele começou a ouvir passos acelerados, vindos da direção oposta a sua. Começou a correr, tentava olhar para trás, mas só via a escuridão. Correu com todas as suas forças... Ele havia esquecido que estava correndo no escuro, e que a atenção deveria ser dobrada, e por tal motivo, não viu o balde que estava mais adiante; tropeçou no mesmo e caiu. Deitado no chão, ele olhava para o teto, exausto. Parecia não ter mais forças para correr, ele nem sabia do quê estava fugindo. Fechou os olhos... Apenas respirou por alguns instantes... Não ouvia mais nada. Pensou que fosse só a imaginação dele. E quando deu conta de si, percebeu que tinha que ir embora. Daniel abriu os olhos, se deparando com a criatura que fazia parte do filme, o mesmo assassino mascarado e de casaco longo, o qual ele já estava bem familiarizado. Daniel arregalou os olhos, nem deu tempo de pensar em fugir. O assassino misterioso sacou uma faca e cortou o pescoço do jovem rapaz. Daniel sangrou até morrer. O assassino reativou a energia, em seguida retirou as roupas do jovem morto, deixando-o apenas com o conjunto do qual ele provara no vestiário. O assassino então foi embora.

Do lado de fora do set, duas mulheres estavam indo para o local de filmagem. Eram Cintia e Glenda.

– Não tenho dúvidas que você sempre teve o juízo na xoxota. Como é que alguém esquece o celular dessa forma? – disse Glenda, irritada por ter que voltar ao set de gravação.

– Mas acontece! E para de falar essas palavras feias e se apresse – disse Cintia.

– Mas você nem sabe se tem alguém lá! – disse Glenda, ainda irritada.

– Olhe! As luzes estão acesas! Daniel ainda não foi embora, vamos lá!

As duas entraram no set, e foram em direção ao camarim de Carla. Glenda disse que ficaria esperando lá na entrada. Cintia foi andando pelos corredores. Ela chamava pelo nome de Daniel, abrindo porta por porta na intenção de encontrá-lo. Cintia começou a achar isto estranho, seguiu até seu camarim e pegou seu celular, que realmente estava lá na mesinha que ficava de frente ao espelho. A morena saiu, as luzes do corredor piscavam. Estava começando a ficar assustador. Cintia estava se sentindo como se estivesse num filme de terror de verdade... Foi caminhando lentamente pelos corredores:

– Daniel, você está por aí?

Chegou a outro bloco que parecia uma encruzilhada e de longe viu uma poça de sangue... Foi se aproximando um pouco mais rápido, ela começou a ficar nervosa a partir dali. Dobrou o corredor à direita e viu Daniel morto no chão... E com o conjunto de pele de onça. Cintia paralisou por alguns segundos e deu um enorme grito.