Lutar por Nós
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Notas iniciais
Eu e Camila estávamos sentados em frente à lareira de minha sala, em silêncio por um longo tempo, apenas curtindo o momento.
Era tão bom e tão fácil ficar com ela que eu chegava a me perguntar como foi que eu consegui viver sem ela por tanto tempo...
Apertei sua cintura esguia com os dois braços gentilmente, aninhando-a mais em meu peito e ela deitou a cabeça em meu ombro. Beijei o topo de sua cabeça e ela deu uma risadinha.
– Do que você está rindo? – perguntei curioso e ela acariciou meu rosto com sua mão macia.
– Estou pensando na recepção “calorosa” que deve estar me aguardando no Brasil... – ela tornou a rir divertidamente e eu senti o gosto amargo do remorso subir até minha boca.
– Sinto muito por ter lhe causado tudo isso lhe trazendo aqui... – disse um pouco envergonhado, num tom de voz baixo e entristecido.
– Você sente mesmo? – Camila perguntou rindo e acariciou meus cabelos como se tentasse me confortar. – Eu não! Sabe quantas garotas só no Brasil vão morrer de inveja porque eu durmo com o vocalista do the GazettE? – ela disse num tom de voz presunçoso.
– Ah, é verdade... Você vai mesmo ser muito invejada por isso... – desdenhei, revirando os olhos e ela deu risada.
– Você não imagina quanto... – ela assentiu. – Mas meus pais... – ela fez uma pausa reflexiva. – Bom, tenho certeza de que eu não sairei impune dessa aventura... – ela deu de ombros e o remorso me esmagou ainda mais.
Ficamos mais tempo em silêncio, ela, esticando os braços na direção do fogo para aquecer suas mãozinhas; eu, refletindo sobre muitas coisas ao mesmo tempo. Lembrando a noite em que nos conhecemos, nossa primeira noite juntos, minha proposta de voarmos juntos para o Japão, que pode ter lhe causado mais mal do que eu poderia ter previsto naquela época... Nossos dias lindos aqui... O dia de sua partida estar se aproximando... Os problemas que ela teria por ter enfrentado os pais para viajar comigo...
– Eu estava conversando com Kouyou sobre isso, sabe? – eu disse enfim, quebrando o silêncio que se instalara depois de muito tempo.
Camila se virou em meus braços para me encarar sem entender provavelmente não achando que fosse o mesmo assunto. Sua mente devia ter vagado livre por um bilhão de pontos reluzentes de pensamentos diferentes enquanto eu me martirizava...
– Vocês irem embora em breve... – esclareci e sua boca se abriu num gracioso “ah” de compreensão.
– Conversaram? – ela franziu o cenho de repente. – Quando?
Eu dei risada para sua pergunta antes de respondê-la. Nós dois raramente nos largávamos e sempre que eu conversava com qualquer um de meus amigos, Camila estava presente. Por isso, ela estranhou desconhecer completamente essa minha conversa com o guitarrista.
– Você tinha saído com Yutaka e Mariana pra fazer alguma coisa... – franzi o cenho tentando me lembrar o que era. – Mas não sei exatamente o que foi... – respondi.
– E o que ele disse? – ela perguntou.
– Disse que sua irmã não estava querendo voltar pra casa...
– Eu já imaginava que ela fosse ter esse tipo de atitude... Não tem exatamente alguma coisa que a prenda lá há muitos anos... Ao contrário daqui...
– Ele disse que conseguiu convencê-la, mas, de alguma forma que ele não soube me explicar, ele sabe que o acordo entre eles não vai durar...
– Também acho isso... – Camila deu risada. – Eu não sei que acordo Kouyou fez com a minha irmã, mas acho que o máximo que ele conseguiu foi fazê-la voltar agora... – ela refletiu por uns segundos. – Ele já sabe o que fazer?
– Era sobre isso que conversávamos... Ele acreditava que minha situação era mais fácil porque você tem que fazer a sua faculdade...
– E não é? – ela se surpreendeu. – Não vou te causar esse tipo de problema – Camila deu risada.
– Esse tipo – eu repeti e ela fez uma cara emburrada.
– Não vou causar nenhum tipo de problema, Taka! Eu já não te prometi?
Acariciei seu rosto sorrindo divertido e estalei um beijo em seus lábios cheios.
– Mas você já colocou um em minha cabeça. Um problemão – dei risada e ela tornou a franzir o cenho sem entender.
– O que foi que eu fiz?
– Não foi alguma coisa que você fez... Foi o que eu lhe fiz...
– O que você fez? – ela fez aquela cara de quem está horrorizada que eu tanto gostava. Não tinha muitas oportunidades de vê-la com aquela expressão... Ela era a namorada do vocalista do the GazettE! Ela não se surpreendia fácil...
– O que eu fiz, Mila? Eu praticamente sequestrei você e seus irmãos e levei pro outro lado do mundo... Sem contar... Sem contar... – não consegui colocar em palavras meu desespero. – E você vai enfrentar sozinha as consequências desse meu ato imprudente!
Camila ficou em silêncio me escutando, seus olhos me analisando calmamente, como uma doutora olharia para um paciente. Depois, segurou meu rosto entre as mãos e o aproximou de seu próprio, unindo nossas testas, enquanto fechava os olhos.
– Ato imprudente? Eu nunca fiz nada imprudente em toda a minha vida, amor! Você é tudo o que eu sempre quis pra mim... Se for pra ficar com você, não importa se eu tenho que enfrentar o mundo inteiro ou se eu vou escutar meu pai gritando e ver minha mãe fazendo uma cara de decepção que eu já até decorei de tantas vezes que eu vi... Eu estou disposta a enfrentar! Ou você está dizendo que nós dois não valemos a briga?
– Claro que valemos – tratei de dizer. – Não foi o que eu quis dizer...
– Eu sei – ela deu risada do meu desespero. – Por isso, eu não quero que você fique se culpando por tudo isso... Eles não vão dizer nada que eu já não tenha previsto...
– Mesmo assim... Eu não consigo deixar de pensar que todas as broncas que você vai escutar, frias, duras e amargas, são, na verdade, pra mim! Eu que tenho que escutar! Eu que mereço!
– Isso seria engraçado – ela acariciou minha nuca. – Você recebendo uma bronca do meu pai!
– Então, você concorda? – perguntei hesitante e Camila ergueu as sobrancelhas, apreensiva.
– Que é engraçado? – ela arriscou e eu sacudi a cabeça negativamente, fazendo-a fechar os olhos e torcer as mãos, preocupada com o que eu tinha em mente.
– Eu ir falar com os seus pais... – expliquei e ela sacudiu a cabeça violentamente.
– Não! Não! Está louco? Isso é suicídio! Ir enfrentar meus pais logo assim de cara...
– E quando eu vou fazer isso? Eu vou entrar em férias agora, posso ir com você! Kouyou e eu estávamos falando sobre isso mesmo! – Camila apertou minhas mãos nas dela.
– Você tem certeza disso? – ela perguntou e nunca tinha parecido tanto com uma criança assustada do que agora. – Tem certeza de que quer ir comigo para o Brasil e enfrentar as consequências com meus pais?
– Mila! – segurei seu rosto delicado entre minhas mãos e olhei-a fundo nos olhos. – Você é a mulher da minha vida, Chibi! E você acabou de dizer que, se for preciso enfrentar o mundo por nós dois, é o que nós faremos! E faremos isso, juntos, ok?
Ela abriu o sorriso mais lindo que eu já tinha visto em minha vida e seus olhos brilharam.
– Aishiteru, Taka!
– Você fez toda a diferença em minha vida, Chibi! – sorri afagando seu rosto.
Toda a diferença... E era por ela que eu ia lutar...
Notas finais
a próxima fanfic se chama "In Law"
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