Notas iniciais
Desculpe a demora para postar, mas é que não recebo nem mesmo um comentário e isso acaba desanimado o autor. Mas como sempre termino uma história, mesmo que demore, não vou deixar que isso me faça desistir. Boa leitura! :)

Alex abriu lentamente os olhos, sentindo uma feroz dor na cabeça e nas costas. Atordoado, tentou lembrar o que aconteceu ao se levantar. Mas bateu a cabeça num galho e voltou ao chão, a dor de cabeça quadruplicada . Um pensamento tomou conta da sua mente, eliminando qualquer outra preocupação: Onde estava Thalia?

-- Thalia... -- Sua voz saiu rouca e falha. Passando a língua pelos lábios para eliminar um pouco da secura, se forçou a ficar de pé, tomando o cuidado de não bater a cabeça novamente. -- THALIA!

-- Aqui...! -- Uma voz exclamou, estava tão rouca quanto a dele na primeira vez que tentou falar.

Correndo até a direção da voz, percebeu que parte dos primeiros galhos da árvore que estavam usando para se proteger da chuva tinha os atingido. Alex ficou aliviado, poderia ser o tronco da árvore que cairia em cima deles e, provavelmente, se não morresse com impacto, morreria embaixo da árvore pois não conseguiria movê-la. Encontrou Thalia semiconsciente, os olhos cerrados e encolhida entre galhos menores. Estava com vários cortes que, apenas olhando, não dava para ver quais eram profundos e quais eram superficiais. A ajudou a ficar de pé e ambos procuraram suas sacolas com mantimentos que perderam durante a viagem, bolsas achadas, trataram de cuidar dos ferimentos adquiridos.

-- AÍ! -- Alex protestou, num choramingo entre dentes.

-- Não seja frouxo! -- A ruiva revirou os olhos, soltando uma risada.

-- Não é você que está sendo torturada! -- Murmurou dramaticamente.

Thalia bufou, terminando de tratar os ferimentos do melhor jeito que seus recursos escassos permitiam e Alex fez o mesmo por ela. Logo eles voltaram a andar, Thalia mancando um pouco, mas garantindo que não era nada ao ser questionada pelo companheiro.

-- Saímos um pouco da rota, o que vai prolongar nossa viagem, mas nada realmente preocupante. -- A mulher Informou, dobrando o mapa.

-- Que bom! Espero achamos um lugar para dormir antes anoitecer, estou exausto e olha que nós dois dormimos a noite inteira e boa parte desse dia.

-- Não dormimos, acabamos desmaiando por que batemos a cabeça.

-- E qual a diferença entre desmaiar e dormir? -- Alex levantou as sobrancelhas.

-- Quando você desmaiar, ninguém consegue te acordar. Mas não me admira que você não saiba a diferença já que quando dorme parece que desmaiou.

-- Ah, você não ousou...

-- Ousei sim! -- Thalia mostrou a língua para ele num ato impulsivamente infantil.

-- Você é impossível!

XXXXXX

Foi quando já entrava a madrugada que eles encontraram um casebre abandonado. Hera e musgo tingia as paredes de madeira que não foram comidas por cupins de verde, o teto de palha já era praticamente inexistente e teias de aranhas grandes podiam ser vistas quando se aproximava.

-- Por que alguém moraria no meio do nada? -- Alex franziu a testa, avaliando a construção decadente.

-- Algumas pessoas gostam de viverem isoladas de tudo e todos. -- Thalia deu de ombros.

O lugar não oferecia o mínimo de conforto, mas isso não os incomodou. Já bastava eles dormirem em algo construído por humanos, onde não precisariam se preocupar muito com as feras das florestas que seriam instintivamente mais cautelosas com aquele território desconhecido. Juntos e abraçados, adormeceram.

Acordaram cedo e se prepararam rapidamente para retornar ao caminho. Mas quando se afastaram do casebre, tiveram a infeliz surpresa de ouvirem o som família de vários cavalos vindo na sua direção. Eles se entreolharam e olharam em volta em busca de um esconderijo. Foi Alex que avistou a árvore alta com folhagem cheia o suficiente para os esconder, eles escalaram os galhos e, sobre a proteção do ser vivo vegetal, observaram o que ocorria abaixo deles. No seu campo de visão limitado, foi surgido os soldados do reino dos RealisAurum, liderados por uma figura desconhecida por ambos.

Era um homem baixinho, de rosto oleoso, cabelos raspados e os lábios grossos que eram puxados para formar uma careta de desdém. Os olhos verdes como folhas escuras que começavam a se degenerar avaliavam tudo ao redor milimetricamente quando ele se agachou, acariciando o solo com leveza e atenção.

-- E então, Raposa? -- Questionou Lúcio, que se encaminhou para a frente dos soldados.

-- Eles estiveram por aqui. -- O homem, que foi identificado como Raposa, ficou de pé e olhou em volta. -- Mas como já mencionei, é difícil saber a direção certa com tanta vegetação envolvida. Se fosse capim, seria muito mais fácil, por que esse tipo de planta revela traiçoeiramente a direção que a pessoa foi. Mas já que não é o caso... Temos que entregar nas mãos da sorte.

-- Então seu pagamento vai depender da sorte. -- Rosnou o comandante.

Raposa estreitou os olhos e lhe lançou um olhar frio, fez uma careta e apontou para uma direção que para o alívio do casal não era a que eles seguiriam, mesmo que ainda fosse perigosamente perto.

-- Pelo que percebi, é possível que tenha um rio naquela direção. Se esse príncipe e essa plebéia são tão espertinhos quanto vocês dizem ser, provavelmente foram naquela direção em busca de água fresca para beber. Podem sobreviver muito tempo sem comida antes do corpo entrar em colapso, mas sabem que não podem ficar muito tempo sem água.

-- Não esperemos mais! Vamos! -- Comandou, Lúcio, num gesto autoritário.

Raposa montou num cavalo magricela e seguiu junto com os soldados na direção que ele indicou num berrante som de cascos. Quando o som não era mais ouvido, o casal desceu da árvore e tratou de apresar os passos pelo lado que iam.

-- Quem era aquele homem? -- Thalia perguntou. -- Parecia alguém importante para o exército e você nunca me falou dele.

-- Eu não o conheço e nunca o vi no exército... Mas tenho uma teoria do que ele é e espero sinceramente está errado. -- Respondeu Alex, temeroso.

-- Qual sua teoria?

-- Que ele é um rastreador.

Thalia franziu a testa.

-- Pelo nome já dá pra ter uma noção básica do que é, mas pode ser mais específico?

-- Rastreadores são homens contratados para rastrear alguma coisa para você, qualquer coisa. Seja lugares, plantas, animais, pessoas... -- Eles se entreolharam momentaneamente.

-- Devem ser muito famosos os que tem essa habilidade, por que nunca ouvi falar de nenhum?

-- Rastreadores são raros, Thalia, pelo menos os de qualidade são. Essa habilidade de rastreia as coisas exige anos de experiência, estudo e muita coragem. Além deles cobrarem bem caro pelos serviços. -- Alex suspirou.

-- Seu paizinho está ficando impaciente... -- Ela deu um sorriso que misturava conforto com deboche.

-- Eu sei...

XXXXXX

Eles só pararam para um rápido almoço e logo depois retornaram a jornada. A proximidade dos seus perseguidores os deixaram ansiosos e eles queriam o máximo de distância deles. Mas sabiam que um encontro seria inevitável, afinal os soldados tinham a vantagem do transporte, por mais que eles tivessem uma leve vantagem com a distância.

Eles pararam para descansar no começo da tarde, num lugar muito bonito que encontraram em meio aos passos apressados: Uma cachoeira larga que caía numa queda de cerca de quinze metros até águas de um azul tão claro quanto o céu limpo situada bem do lado da primeira das Três Colinas Gêmeas do Sul. Eles estavam cansados, sonolentos e quando avistaram o lugar não puderam evitar parar para admirar a beleza natural de tudo aquilo. O casal se sentou perto da beirada da cachoeira e permaneceu ali descansado. Alex tinha deitado a cabeça no colo de Thalia, espalhando seus fios negros pelas suas pernas e abdômen, enquanto a mulher apenas observava ao redor e fazia um cafuné no seu príncipe.

Seus corpos relaxaram pela primeira vez em meses e suas pernas estavam doloridas, mesmo que fossem orgulhosos demais para confessarem um para outro. Conversavam de forma casual com a brisa fresca do ar úmido batendo nos seus rostos, o que os lembrou numa pesada nostalgia de quando subiam no alto dos telhados do reino onde moravam para jogar conversa fora e aproveitar a companhia um do outro. Eles estavam tão absortos nesse momento de sossego mais do que bem-vindo, que não notaram a silenciosa aproximação deles até ser tarde demais e uma voz de pronunciar:

-- Desculpe, interrompo algo?

A voz cheia de escárnio fez Alex e Thalia respectivamente darem um pulo, encarando com o coração acelerado o olhar frio do comandante.

-- Lúcio... -- Sussurrou o nobre num fio de voz.

Alex olhou em volta em busca de uma saída, mas isso apenas aumentou seu desespero ao constatar que estavam encurralados. Estavam cercados por soldados armados pela frente e pelos lados, enquanto que atrás deles estava uma cachoeira cuja a queda poderia causar sérios danos.

-- Você nos deu muito trabalho, jovem príncipe. -- Cantarolou Lúcio, um sorriso seco nos lábios. -- Os meus homens não estão felizes de ter que se distanciar das suas famílias e arriscar sofrer a ira do rei por que você resolveu bancar o rebelde e fugir. Então sugiro que venha conosco sem nenhuma resistência, seria uma pena ter que machucar essa bela moça.

Alex olhou do canto do olho para os soldados que os cercavam. A paz que se instalou no reino deles enfraqueceu completamente seu senso de batalha e precaução, o que os impediu de terem a decência de sacar os arcos e terem o privilégio de alcançar grandes distâncias. Se fosse rápido o suficiente...

Enquanto uma ideia maiuca surgia na sua mente, ele decidiu que não deixaria Thalia saí ferida dessa por sua culpa. Dando um pequeno passo a frente, ergueu as mãos na altura da cabeça, fazendo sua melhor expressão de derrota.

-- Tudo bem, eu me rendo. Mas não machuque Thalia!

-- Alex! -- A ruiva protestou, recebendo um olhar significativo do companheiro.

Bufando, o imitou, erguendo as mãos. Não sabia qual era seu plano, mas aprenderam a confiar um no outro a muito anos atrás. Enquanto o comandante se aproximava com arrogância e presunção, com dois soldados atrás de si carregando algemas de ferro polidas, Alex calculou o momento certo. Precisava ter o atordoamento total de todos ali ou poderiam sair ambos machucados (Talvez até mortos) dali. Com o comandante a poucos passos de distância, o nobre agiu rápido e ágil: Pegou Thalia nos braços e pulou rumo a queda, com apenas a sorte o auxiliando. Quando não sentiu mais o chão debaixo de seus pés, tratou de se colocar na frente de Thalia, de modo que eles caíssem com ele por cima dela. Se os soldados tentassem usar os arcos, como ele sabia que fariam, ele seria o atingido e como precisavam dele vivo então não seria mirado num ponto mortal.

Como o esperado, Alex sentiu algo atravessar sua panturrilha, o fazendo gritar de dor para o horror de sua companheira. Quando se chocaram contra as águas, o azul cristalino foi manchado de vermelho e Thalia se debateu em meio ao sua aflição quando o homem começou a afundar. Se forçando a agir com racionalidade em meio a aquela situação, nadou até o nobre e o pegou nos braços, emergindo em busca de ar. Alex estava parcialmente inconsciente, os olhos cerrados numa brecha azul-celeste e assim que seus pulmões foram tomados por ar ele começou a tossir compulsivamente. Thalia se deixou levar pela correnteza, se mexendo apenas para manter ambos flutuando e olhou com ódio puro nos olhos âmbar para os soldados que estava enfileirados na beirada da cachoeira espiando o que acontecia, antes de sumir numa curva do rio lentamente.

Eles permaneceram flutuando em meio às águas, até que a exaustão ameaçou dominar a mulher e ela os puxou para a terra firme. Deitando Alex nas margens, ela desmoronou tremendo ao seu lado. Se aconchegando nele, que conseguiu passar os braços trêmulos num gesto instintivo ao seu redor, Thalia deitou a cabeça próximo ao coração de Alex em busca de conforto nos batimentos cardíacos que indicavam que ainda havia vida nele.

-- Você precisa de cuidados médicos... -- Sussurrou Thalia bem baixinho, cama músculo de seu corpo doendo ao menor esforço. -- Mas eu... Eu estou tão... Sinto muito...

-- Shiu!... Está tudo bem, meu anjo ruivo, apenas descanse. Eu vou sobreviver... Descanse...

Sorrindo bobamente para o apelido que a muito estava esquecido, ela permitiu a contra gosto que seus olhos se fechassem e sua mente caísse nos braços acolhedores do sono. Logo Alex permitiu o mesmo, ignorando a dor e se concentrando na calmaria que sentia ao lado da sua companheira.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Façam críticas construtivas, mas também elogie se gostar! Beijinhos de Mel!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.