Lust Mermaid
18 Bem vinda, princesa
– Algum problema, alteza? — Killian perguntou enquanto eu me aproximava da cela e me deixava cair de joelhos à frente da mesma.
–Não. — Eu respondi mais baixo do que esperava.
– Nunca pensei que uma rainha podes-se se importar com um pirata, muito menos você. — Ele se aproximando das grades me encarando com um sorriso irónico.
– Não me preocupo com você, pirata, estou preocupado com Liam. Ele perdeu a mãe, não é justo perder o pai também. — Resmunguei.
– Eu perdi ela também, você acha mesmo que se eu ficar vivo eu vou conseguir cuidar de uma criança? Olhe para mim! Eu sou um pirata e tenho um gancho no lugar da mão, nem consigo pegar nele direito. Sem ela eu não consigo. Amor é uma fraqueza e a Swan me deixou fraco, me tornou dependente dela. — Ele tinha o seu olhar mergulhado numa tristeza profunda o que me deixou com muita pena dele.
– Hook...- Eu passei um dos meus braços pelas grades e coloquei a minha mão no ombro dele, eu não consegui me controlar e deixei lágrimas escaparem dos meus olhos enquanto senti as mãos do pequeno Liam tentando alcançar o meu rosto, eu o compreendia, eu antes era uma aventureira e quando conheci David fiquei fraca e me tornei dependente dele, tanto que sempre concordava com ele com medo de o perder e eu estava tão cega que não consegui ver o monstro em que ele se tornou.
– Snow! Snow! — Alguém gritava o meu nome que ecoava pelos corredores do palácio, era ele, David.
– David...- Sussurrei.
– Snow, acho que é melhor você ir. — Killian falou com a voz calma e rapidamente desviou o olhar para Liam que estava tentando colocar a mão na barba dele o que fez arrancar um sorriso bobo do pirata.
Sorri e sai do local andando lentamente, quando cheguei nas escadas que davam para o salão de baile as subi devagar evitando fazer qualquer tipo de barulho, David estava virado de costas para mim olhando a janela de cabeça baixa e eu tentei passar o mais silenciosamente possível por ele.
Abri a porta do salão bem lentamente e assim que a abri sai correndo, tudo o que eu não queria naquele momento era olhar ou falar com ele, sai do palácio com Liam nos braços e fui para o jardim que ficava na parte traseira do palácio onde haviam muitas árvores e arbustos que formavam um grande labirinto no centro do jardim e pendurado em uma das árvores havia um baloiço onde Emma costumava brincar quando era criança.
Me aproximei do baloiço e me sentei lá com dificuldade por causa do vestido e fiquei baloiçando ali com Liam olhando o céu e me lembrando das conversas que eu e a minha pequena princesa tínhamos antes sobre o amor verdadeiros, príncipes encantados e finais felizes.
– Vossa majestade....- Alguém falou atrás de mim colocando a mão no meu ombro e eu dei um pulo de susto, sai do baloiço e me virei para ver quem era.
– Ariel! -Exclamei a abraçando desajeitadamente graças ao bebé. — Como você está?
– Triste, soube hoje sobre a morte de Emma, ela era a única pessoa que me restava e eu perdi ela também. — Ela disse com um sorriso triste. — E como está o capitão?
– Preso. Triste. De coração partido, mas ele sabe disfarçar direito. Ariel, não se preocupe, eu vou trazer Emma de volta, eu juro, meu plano já está em andamento.
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– Regina, por favor, eu sei que eu errei mas eu preciso da sua ajuda. — Eu supliquei.
– E porque raios eu ajudaria a mulher que destruiu a minha vida ? Eu...
– Pode fazer o que quiser comigo, pode me matar, pode me torturar, pode tirar o meu reino, mas por favor, traga Emma de volta, eu sei que você pode! Por favor, Regina! — Eu me deixei cair de joelhos na frente dela, lágrimas corriam pelo meu rosto e manchavam o chão de mármore do grande salão, ela ficou um silêncio e uma tensão cresceu entre nós.
– Você vai ter que sumir do reino, deixar David e sumir para sempre da minha vida.
– Eu...Eu aceito.
Sacrifícios têm que ser feitos pelas pessoas que amamos e se era para trazer Emma de volta eu sacrificaria qualquer coisa, pelo menos ela poderia ser feliz.
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Abri os olhos e olhei à volta, estava numa sala escura só com algumas velas acesas e umas flores junto dessas velas, em cima de mim estava uma espécie de véu que me fazia uma comichão terrível e eu me apressei a retira-lo me sentando em algo que parecia ser uma pedra com uma almofada muito macia e confortável.
– Bem vinda, princesa. — Uma voz que eu conhecia muito bem disse atrás de mim, eu me virei e me deparei com uma mulher alta de longos cabelos pretos ondulados que me encarava.
– Regina...o que está fazendo aqui? Onde eu estou?
– Um simples "obrigada" seria o suficiente. — Ela disse revirando os olhos.
– Obrigada? Como assim?
– Querida, você estava morta, esse é seu túmulo real, morreu depois de dar à luz aquele pestinha que todo o mundo ama. Você deveria ter visto, Snow ficou despedaçada tal como aquele pirata que usa lápis de olho. Sua mãe fez um acordo comigo, ela deixou o reino, e agora você está viva. De nada. — Ela sorriu e desapareceu numa fumaça roxa.
Sai daquele local e quando abri a porta a luz do sol queimou os meus olhos, parecia estar mais luminoso e quente do que nunca, caminhei pelo cemitério real olhando todos os túmulos e mausoléus que se encontravam ali com o coração nas mãos, eu não lembrava do que tinha acontecido, provavelmente eu tinha morrido mas durante quanto tempo? Nada disso importa, eu ia poder voltar para casa. Andei pelas ruas e quando passava todo o mundo me olhava com um olhar assustado, o que me assustou também mas eu tentei ignorar, rapidamente cheguei nos portões do castelo, o guarda hesitou mas acabou por abrir, enquanto eu me aproximava da porta do palácio e andava pelos corredores do mesmo enquanto todo o mundo olhava para mim incrédulo como se estivessem vendo um fantasma.
– Emma! — Alguém me chamou e eu me virei para trás sendo atacada por uns braços que me apertaram com força.
Eu me afastei e olhei, como ele era capaz de fazer isso? Ele me deu um tapa quando eu estava desvanecendo lá na cama e nem se importou se eu estava bem ou mal! Olhei para ele uma ultima vez e dei um soco bem na cara dele com toda a força que arranjei e ele caiu para trás.
– Onde está Killian? Onde está o meu filho? — Perguntei o mais fria que consegui.
– Um "oi" séria bem vindo. — Ele falou se levantando e num movimento rápido o encostei à parede apertando o seu pescoço.
– Sabe de um coisa, Bae? Eu to farta de ser a princesa, a única vez que eu fui feliz foi quando eu estava fora desse castelo, vivendo as minhas aventuras sem vestidos compridos e incómodos que não me permitem sequer socar essa sua cara de bicho imundo direito. Agora, ou você fala ou eu tiro a sua capacidade e ter descendestes. — Disse ameaçando acertar as suas partes baixas.
– Liam está com David e Killian está na prisão subterrânea. Agora, por favor, não faça nada...- Eu sorri e o soltei.
Corri até ao salão de baile, mas quando estava abrindo a porta cai de cara no chão por conta do vestido, me levantei com algum esforço e com alguma dificuldade rasguei o vestido para que ficasse mais curto e continuei correndo até às escadas que ficavam escondidas nesse salão que davam para o subsolo. Desci o mais depressa que consegui com aqueles saltos enormes, os quais tirei quando cheguei no fim da escada e andei pelos corredores vazios e empoeirados da prisão secreta do palácio, procurei por um longo tempo quando me aproximei de uma cela que ficava bem no fundo do local e encontrei quem queria, dormindo que nem um anjinho deitado no chão frio.
– Hey, Killian...- Me ajoelhei no chão e passei o meu braço por entre as grades para tocar no ombro dele.
– Snow...eu to cansado...eu falei para vir aqui só quando...- Ele falava com uma voz embriagada de sono enquanto abri-a os olhos vagarosamente. -Emma?
Quando ele me viu piscou os olhos um monte de vezes como se acreditasse que era um sonho e a sua boca abri-a e fechava numa tentativa falhada de falar mas nada sai-a ele se ajoelhou para ficar ao meu nível e me encarou durante segundos infindáveis, ele estava completamente acabado, os seus cabelos estavam completamente despenteados, estava pálido e com certeza estava com olheiras que era perfeitamente escondidas pelo seu tradicional lápis de olho, mas de uma maneira ou de outra ele continuava completamente sensual e eu poderia ficar a olha-lo durante horas a fio.
– E-Emma...Você...Swan...- Ele falou completamente atrapalhado possivelmente tentando arranjar palavras.
– Eu estou bem, Hook. Eu estou aqui.- Respondi com um sorriso enorme estampado no rosto e colocando uma das minhas mãos sobre a dele que estava incrivelmente fria como se o recém-morto ali fosse ele.
– Emma...- Ele se jogou contra a grades e me abraçou desajeitadamente por entre as mesmas com bastante força.
Ele passava a mão pelos meus cabelo soltos e perfeitamente alinhados e com o outro braço ele me apertava tentando prensar o meu corpo no dele, encostei a minha testa na testa dele e fiquei durante um tempo de olhos fechados só ouvindo a respiração ofegante e descontrolada dele.
– Você está bem? — Ele perguntou me obrigando a abrir os olhos.
– Não e você?
– Não. — Ele respondeu e só ai reparei que ele estava chorando.
– Hey, se você chorar vai borrar o lápis. — Disse rindo e me afastando um pouco dele para poder o encarar.
Ele então sorriu e me puxou de novo para perto dele me prensando contra as grades e me beijando por entre as mesmas.
– Eu pensei que você estava morta...-Ele disse com os lábios ainda nos meus.
– Eu pensei que o nosso começo afinal seria o nosso fim...
E novamente os nossos lábios se colaram com dificuldade enquanto eu passava os meus braços pelas grades para alcançar os cabelos desarrumados dele e ele acariciava os meus cabelos compridos. Senti a minha respiração ficar ofegante tal como a dele, o meu coração parecia que ia pular do peito a qualquer momento, eu estava completamente feliz e me sentindo mais segura do que antes.
– Emma...- Uma voz grossa falou atrás de mim e eu rapidamente me soltei de Hook me virando para trás.
– David...- disse rispida me levantando do chão e o encarando o mais fria que conseguia.
– Estou feliz por ter voltado e...
–Cala a boca! Você não fez nada para eu voltar! Mamãe fez um acordo com a Regina para eu voltar e à conta disso ela teve que sumir! Você não ama ela mais é? Oh...pois é...esqueci...o Senhor das Trevas nunca ama ninguém...não é mesmo, Rumpelstiltskin?
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