Notas iniciais
Olá ♥ Preparados para mais um capítulo? Espero que sim :3 (Sim, como prometi um capítulo mais extenso!) Desejo-lhe​s uma boa leitura c:

O dia amanheceu preguiçoso, era bastante comum até, aqueles dias amanhecendo sem vontade, mas logo um sol brilharia para todos, e o dia começaria de vez, e é claro, Shaka iria meditar por horas e horas à fio – esta era a sua rotina diária –, além de outras atividades que fazia com muito esforço e, poderia até dizer; carinho, com muito gosto. Um dos monges entrou naquela mesma sala, onde à frente estava a tão conhecida estátua de Buda e fez uma reverência discreta seguida de uma prece silenciosa, e provavelmente indo logo para outro lugar meditar, talvez não gostando de pessoas próximas nesses momentos tão pessoais. Shaka entendia perfeitamente este lado dos outros, dentre todos daquele mosteiro, o loiro tinha apreço aos mais jovens, que sempre lhe procuravam a fim de indagações e ensinamentos, ele nunca recusava, mostrava tudo que lhe fôra ensinado, da mesma maneira que há anos antes também foi-lhe ensinado, e sempre de braços abertos para novas experiências, palavras, e claro, muito tempo de reflexão. Dentre esses jovens, era onde vinha mais esperança ao mundo para ele, mesmo que tivesse uma eterna gratidão aos mais velhos, que há tanto tempo lhe ensinavam, e também mereciam seu total respeito, e compreensão.

Há alguns dias, o vilarejo estava mais afoito que o habitual. Surgiram boatos de guerrilhas próximas dali, nada que fosse afetar a vida daquelas​ pessoas trabalhadoras e inocentes. Os guerreiros próximos eram pessoas generosas demais, mesmo que estivessem​ em batalha por algum princípio, jamais esqueceriam sua educação exemplar que recebiam com tanto esmero de seus mestres. Shaka admirava isso, afinal, a cada novo dia, pessoas boas podem acabar em maus bocados, em um caminho ruim, seguido dos piores agouros, mesmo que quisesse proteger todos, era impossível, então ele estaria ali, meditando, atrás de sabedoria para orientar – e quem sabe –, pessoas como essas, atrás de um novo caminho, um atalho para o bem novamente. E nesses guerreiros muito honrosos, pareciam​ firmes em seu caminho de paz, mesmo que travassem batalhas​ sangrentas​, sacrificassem aqueles que amam, seria à um bem maior, que talvez em alguns anos, poupe mais vidas que o agora. Claro, nada poderia explicar às vidas perdidas naquele exato momento, mas com o seguir do horizonte, com um fio de esperança de dias melhores, onde a harmonia prosperará com firmeza.

Seu transe fôra desperto por certa agitação dos outros monges, principalmente os iniciantes, decidiu desculpar-se com Buda por sair dali mais cedo, e foi atrás da agitação, não por curiosidade, apenas, por não conseguir meditar com tanta balbúrdia, o que poderia ser ainda considerado como uma pequenina curiosidade, de sua parte, mas ele não iria afirmar tão cedo, e talvez nem fosse afirmar algum dia. Ninguém pareceu se importar com sua presença – estavam ocupados demais atrás das mesmas respostas ​que ele mesmo –, quando finalmente, ele encontrou outro monge, mais velho que si, explicando a bendita situação de tamanha curiosidade dos outros; alguns guerreiros tinham vindo visitar o vilarejo, atrás de alguns mantimentos, e sem maiores intenções, até tinham​ conversado com alguns monges com tranquilidade, perguntando se poderiam ir para meditar nem que fosse por alguns instantes, refletir sobre tudo. Estes, é claro, aceitaram de muito bom grado, e logo, voltaram aos seus afazeres, e no final, Shaka decidiu dar uma volta pelo discreto jardim do mosteiro, onde em sua maioria, os iniciantes corriam apressados, sempre auxiliando alguém ou só indo em algum lugar para seus​ próprios afazeres.

Tocaram sinos quando deu meio-dia, um aviso comum para os residentes do vilarejo. Não tardou para alguns dos tais guerreiros estarem para lá e cá, sempre tão discretos, silenciosos e educados, mesmo com suas roupas de guerra. Shaka não saiu para sauda-los, não por má conduta de sua parte, mas sim porque não gostaria de interromper pela segunda vez do dia sua meditação – só sairia de seu posto, caso algo terrível acontecesse, e isso lhe parecia praticamente impossível dada as circunstâncias –, então relaxou, limpou sua mente e começou sua meditação sem maiores interrupções. Ah, claro, ele teve sim, uma “pequena” interrupção, um dos guerreiros entrou na sala, quase não tirou o loiro de seu transe, mas suas sandálias batiam forte no piso de assoalho, fazendo um “barulhão”, mesmo que evitasse ao máximo fazer um mínimo ruído e atrapalhar quem estivesse ali dentro, acabou por se ajoelhar, quando finalmente, Shaka lhe deu atenção, desculpando-se pela pequena “invasão indesejada”. E garantiu, que apenas faria uma prece e, depois procuraria outro lugar para meditar, Shaka não interviu, apenas assentiu, ligeiramente indiferente com a situação.

Alguns minutos após, o tal guerreiro levantou-se, limpando o rosto com o tecido de suas roupas. E virou em direção da saída, Shaka acompanhou o som de seus passos, quando o tal homem lhe sorriu – mesmo que o loiro estivesse de olhos fechados, quase poderia captar à aura feliz do desconhecido –; e logo apressou-se para dar-lhe uma saudação decente:

— Desculpe pela interrupção anteriormente. Sou Mu, de Jamiel. – disse. — Sou um dos guerreiros que veio por pouquíssimo tempo para cá.. mas acho que você já deve saber.

— Eu estaria mentindo se fingisse surpresa. – Shaka não compreendia​ o porquê​ de fazer uma apresentação à alguém que ele provavelmente nunca mais veria. — Algumas pessoas gostam realmente de uma boa novidade, ou só xeretar na vida alheia. Mas, com toda a minha educação, me indago o porquê disso tudo, senhor Mu.

Eu não sei, só.. achei mais apropriado me apresentar corretamente à um dos monges mais.. pronunciado entre as bocas do seu povo.

— Que lisonjeiro. – admirou-se.

O guerreiro, Mu, pareceu afetado com tamanha formalidade. Também indagava-se por se importar em conversar com um homem daqueles​, um poço sem fundo de formalidade! Parecia fora do normal, e era, então por quê? Seus pensamentos já deviam estar lhe traindo a muito tempo, e até mesmo sua própria voz – e aquele monge budista de aspecto antipático –, uma tremenda confusão passava em seus pensamentos, até deixavam o descendente do povo muviano surpreso com tudo aquilo, era como se anos e anos de treinamento, toda aquela concentração que levara anos à obter fossem por água abaixo, e no meio de tudo aquilo, estava aquele homem loiro, que parecia uma​ muralha impenetrável, e da mais profunda calma, dos mais sábios ensinamentos, – ele permaneceria ali, como se desse boas gargalhadas da confusão por trás dos olhos verdes de Mu.

Eu.. – acho. – Vou indo.

— Pensei que já tivesse saído. Que situação! – ralhou. — Você, o que deseja de mim, afinal? Manteve-se​ aqui, com os olhos de alguém que está desesperado, gaguejando sobre seus agradecimentos, vamos, eu posso ajudá-lo a repensar suas palavras.

— Eu posso ser seu amigo?

E, aquela fôra a primeira vez que Mu vira os olhos tão azuis de Shaka, encantou-se, admirou aquele que, quase parecia um anjo piedoso entre os seres vivos e pecadores, ele quase sentiu um pouquinho de paz naquele breu que estava sua vida há algum tempo já. Shaka, por outro lado, estava realmente surpreso, até divagou um tantinho sobre tudo que estava ocorrendo de maneira quase assustadora e espontânea, não que aquela aproximação indevida lhe agradasse, pelo contrário, ele desejava um pouco de calmaria, mas ao que aparentava, aquele guerreiro de cabelos lavanda (cujo ele só descobrira quando abriu os olhos na emoção do diálogo) lhe lembrava seu costumeiro tédio, mas embolava com algumas outras sensações, nada que ele próprio não pudesse dar um fim rapidamente. Acabou, finalmente encerrando com aquela “pausa dramática” de forma sucinta, ainda expressando, é claro sua surpresa enfática:

— O quê? – disse suavemente. — Enlouqueceu, guerreiro?

— Certamente que não!

— Certamente está louco sim. – prosseguiu, agora de olhos fechados novamente. — Mas não tenho nenhum motivo para negar seu pedido... – pigarreou baixinho. — Tenho que me ausentar, tenha cuidado com o que posso lhe afetar durante sua jornada. – aconselhou.

— Eu irei. – deu alguns passos para trás. — Adeus, senhor. – com cordialidade, saiu pela entrada, e sumiu tão rápido quanto apareceu ali.

· · ·

Com algumas palavras bonitas, você consegue escrever algo; uma boa estória ou algumas ​frases, que usadas da maneira “certa”, pode desencadear coisas boas ou ruins; tudo têm sempre um grandíssimo ponto de vista, que muda para lá e cá. Repensando tudo, você verá, que algumas folhas de papel foram o suficiente para aniquilar milhares, ou causar danos irreversíveis, não à só uma única pessoa, mas sim milhares, e mesmo assim, todos continuam iguais, porventura fossem​ demasiados parvos, queria Shaka ser tão cego quanto eles, desvirtuado da visão para a calamidade, agindo como se tudo aquilo que pensava fosse apenas ideias de sua cabeça; sem valor e tampouco merecedoras de alguma atenção externa. O por que de seus pensamentos estarem imersos nesse assunto específico era simples: sua preocupação exagerada devido a Mu, – que desde seu encontro um tanto quanto “inusitado” com o mesmo, tudo fôra questão de tempo até, bem, eles realmente se tornarem bons amigos. Shaka, com toda a sua simplicidade, se assim puder ser dito, parecia quase uma amável e preocupadíssima mãe em relação ao amigo. A cada instante um novo motivo de lhe passar broncas, desde: você vai mesmo sair sem um casaco? (das vezes que o guerreiro ia visitá-lo usando apenas uma camisa de tecido frouxo, deixando o monge budista de cabelos em pé), ou quem sabe, dizer milhares de vezes para ele tomar cuidado no campo de batalha, afinal, era sua preciosa vida mortal em risco, e ele parecia tão, absurdamente, feliz em entregá-la em uma guerra que muito bem poderia ser evitada com algumas boas palavras. Mas, de fato, seres humanos conseguiam ser bastante ingênuos​, alguns de uma maldade imensurável, outros tentando fazer a diferença, e todos continuaram ali, até que suas vidas acabem.

Obviamente era impossível fazer o guerreiro muviano mudar de ideia, mesmo que fizesse o impossível se tornasse possível. Ele lutaria pela justiça até o fim, um ato nobre, de respeito. Seria culpado de grande parte das preces do loiro também, e também, de sua “raiva”. Desde reclamar que Shaka só tinha serventia para meditar e lhe passar sermões, e depois rir da expressão nada feliz do loiro, quase como uma criancinha – e talvez, ele ainda tivesse o espírito de uma por trás daquele olhar de alegria –, nunca entendeu de verdade, em tantos meses, talvez anos?, de amizade com Mu, onde tinha tamanha paciência para suportar alguém que poderia reclamar do cheiro de incenso ou de suas meditações, e que chamasse-o incessantemente para dar voltas e conversar (não que ele recusasse, grande parte das vezes sim, mas quando aceitava, eram bons momentos juntos ao de cabelos liláses), eram duas pessoas de personalidades​ distintas, Shaka sempre optaria pela calmaria de suas meditações, enquanto Mu buscaria algo para concertar, sempre estar em movimento, quase poderia ser considerado seu lema.

— Não quero parecer incomodativo nem nada – começou. — Mas você está encarando a estátua tem bastante tempo.. e isso me assusta!

— .. – Shaka virou para seu lado, levantando-se preguiçosamente. — Estive pensando em algumas coisas.. devo ter perdido à noção novamente.

— Então não foi nada de anormal. – cruzou os braços, esboçando um sorrisinho amigável. — Já estou indo.. vim me despedir, fiquei quanto tempo dessa vez?

— Quase uma semana. – respondeu, tirando um fio lilás do rosto do outro. — Até me surpreendi, não saiu correndo como louco atrás de ninguém que lhe parecesse um inimigo.

— Talvez eu já conheça todos os moradores daqui – inflou as bochechas. — E deveria agradecer por eu protegê-lo dessa forma!

— Oh sim, muitíssimo obrigado, senhor Mu. – andou até a porta, era cedo ainda, dava para sentir o cheirinho característico da manhã. — Devo minha vida pacata à você, sem dúvida alguma.

— Vou fingir que não notei certo tom de brincadeira em sua voz, senhor Shaka. – Mu ficou ao seu lado. — Um adeus ou só um até logo?

— Um até logo parece bom para o momento.. – disse. — Vai tomar cuidado aonde mete este narizinho intrometido?

— Com certeza não. – retrucou. — Vou indo.. até!

Inconsequente, sua mente exclamava espantado. Por que ele continuava? Para proteger seu povo, é claro, existia atitude mais nobre que aquela? Tinha suas incertezas ​sobre, mas Mu, claramente não compartilhava das mesmas incertezas, tampouco parecia estar atrás de novos motivos para ​mudar de pensamento, a certeza absoluta em algo, um senso de justiça em suas próprias palavras, um destino à seguir sem medo dos perigos que um dia iriam lhe cobrar o esforço tão valioso. Mu era um corajoso e tanto!, de atos admiráveis, e um senso de justiça único. E, novamente, Shaka estaria ali, de pé, em frente ao templo, de olhos fechados inerte em seus mais imaginativos pensamentos, e desejando que o lilás voltasse bem, independente de todo o resto. Seria um longínquo tempo até que eles voltassem à se encontrar novamente. Como estariam?, o que mudaria entre eles? Teriam muitas histórias para contar, como os vilarejos estariam? Como aquela guerra estaria? Tantos questionamentos – e sua vontade para respondê-los em algum tempo era minúscula –.

· · ·

— Shaka! SHAKA! – Mu gritava em plenos​ pulmões. — Seu monge de meia tigela! Me escute por favor..

Quase todos tinham à atenção voltada ao de cabelos liláses, mas não importava, eles não importavam, já aquele estúpido loiro com um ego do tamanho da lua – tirando sua arrogância desnecessária que parecia só se manifestar nos piores momentos –, aliás, como aquele homem tivera coragem suficiente para ignora-lo daquela maneira!? E, não tardou até finalmente ele obter a atenção do monge – que pareceu surpreso com tamanho escândalo e sua repentina volta –; só faziam alguns meses, já existia a hipótese de anos crescendo em torno de seus espíritos.

— Mu? O que você está fazendo gritando assim? Ninguém é surdo! – não é hora para broncas! — O que farei com você? Vamos, vamos, aposto que tens bastante coisa para me contar. – “arrastou” o outro pelos ombros, o lilás deixou tudo ir acontecendo, já tinha gritado muito para um único dia e para uma única e exclusiva pessoa.

— Você não estava no lugar de sempre.. – disse, como quem não queria nada. — Foi assustador, pensei que tivessem​ te sequestrado! Você nunca sai daquela sala, nem amarrado! – estava abismado com isso, e com um discreto filete de sarcasmo no tom.

— Então, acho bom ter uma excelente explicação para fazer tamanho escândalo atrás de mim – suavizou a expressão. — E lhe direi o motivo de eu ter saído de lá, como meu corriqueiro hábito.

Finalmente!

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Nos vemos no próximo capítulo, que infelizmente, talvez seja o último, sim, a fanfiction é curtíssima, como já tinha avisado de antemão no primeiro capítulo. Enton, até o próximo ♥