Notas iniciais
Sim, apesar de ser o pecado da luxúria, achei melhor não colocar sexo... u.u
Me desculpem!
Espero que gostem mesmo assim! n.n

Quando conheci Sparda, não poderia saber que ele era o demônio que revoltou-se contra sua raça na batalha de dois mil anos atrás. Na verdade, ainda é assustador lembrar que ele acumulou mais de dois milênios de conhecimento.

Desde o dia em que se separara de Ernest por um pedido de casamento de um homem que conhecia há menos de dois meses, vivia com Sparda em uma mansão afastada da cidade. Era uma construção antiga que ela já vira antes, com uma arquitetura renascentista e que ela julgara ser de algum senhor muito rico que não tinha mais com o que gastar dinheiro.

Em todos os momentos, ele jamais faltara com respeito para com ela, sempre falou com sua polidez arcaica e manteve a promessa de explicar-lhe tudo que desejasse saber.

Quando casou-se, milagrosamente, seus pais não fizeram qualquer objeção. Inclusive haviam ficado felizes que a filha finalmente tivesse criado juízo e tivesse se casado com alguém tão bem apessoado.

-Sparda, você se veste assim por gosto pessoal?- perguntou eventualmente, fitando o sobretudo anil, o colete de veludo e a camisa bem engomada com um broche de algum brasão.

Ele em si já era alguém exótico, com seus cabelos anormalmente branco-prateados, seus olhos azuis e seu porte austero. Poderia ter sido um conde ou um marquês.

-Sim- ele respondeu sem tirar os olhos do livro.

-Não é um modelo meio antigo...?

-Certamente que sim. –ele a olhou- Por acaso, esses trajes a incomodam?

-Não- ela sorriu. –Eu acho que ficam bem em você.

Então ele sorriu, afinando os olhos. Eva notou que era a primeira vez que o via sorrir e isso a atordoou por um momento.

-Creio que... Não lhe contei toda a minha história. –ele disse, pesaroso- Não poderei esconder-lhe o meu passado sombrio por muito mais tempo...

-Sombrio...? Você... Não é mal, é?- ela o fitou com seus grandes olhos azuis, límpidos e sem qualquer traço de maculo. –Sempre foi doce e gentil. Jamais seria cruel com alguém...

-Eva- ele a chamou e então guiou-a até sua biblioteca particular, que possuía livros que ele reunira durante os dois milênios que passara no Mundo da Luz. Pegou um livro em especial e o abriu. –Você se lembra desta história...?

-Claro- ela respondeu prontamente- É uma lenda bem conhecida.

-Não é uma lenda- o homem disse. Hesitou por alguns segundos e a olhou. –Eu sou esse Sparda do qual este livro trata.

-... –Eva o fitou, esperando que ele lhe dissesse que aquilo era uma brincadeira. E quase riu, não fosse o olhar severo que ele tinha.

-Falo a verdade. Selei o mundo dos demônios na torre Temen-ni-gru com os meus poderes, mas... Creio eu ser capaz de fazer uso de certas habilidades. –o demônio contou-lhe. –Pode parecer-lhe uma sandice, mas posso lhe provar.

E Sparda provou. Era capaz de curar pequenos ferimentos, de fazer curtos contatos telepáticos e de controlar alguns animais. Além de ter a capacidade de narrar detalhadamente a maioria dos acontecimentos da humanidade com precisão e de demonstrar fluência em um grande número de idiomas.

A única prova que ele recusou-se a dar-lhe foi mostrar sua forma demoníaca a Eva; esta também não insistiu.

-E este é o amuleto do qual o livro trata. –o homem mostrou-lhe o objeto com corrente de prata maciça e com o pingente de uma pedra vermelha que reluzia em sangue. –Fique com ele.

-Mas... Ele é importante para você...

-Você é mais importante do que esta jóia. –ele sorriu-lhe, colocando o colar no pescoço da loira; ela sentiu a onda de poder quando o metal tocou sua pele. –Não está com medo...? Sou um demônio. Matei por diversas vezes e o fiz sem qualquer compaixão.

-Você é o herói da humanidade- ela sorriu, tocando em seu rosto e beijando-o de leve. -Sim, o fato é assustador, mas não por você ser um demônio. Você já ouviu o ditado por aqui, Sparda...? “Devil May Care”. Eu acredito nele vendo você...

-Eva...

-Me diga... Por que você deseja herdeiros?- perguntou, passando a mão pelos cabelos macios dele.

-Temo que o selo que fiz esteja enfraquecendo e que se quebre. Mundus provavelmente estará com uma horda de demônios, apenas me esperando. –disse- Quero que meu sangue continue em meus herdeiros e que cresçam com o mesmo objetivo que eu tenho.

-Fazer com que demônios e humanos convivam pacificamente. –constatou.

-Exato.

-Posso lhe dar herdeiros. –Eva corou, desviando o olhar para então mirá-lo novamente. –Então faça amor comigo, Sparda.

O demônio a beijou, desta vez de uma forma cálida e carregada de volúpia. Eva se recostou na mesa em uma permissão muda e ele sentou-a nesta, livrando-se do sobretudo e do colete. A moça enlaçou-o pelo pescoço, sentindo os lábios quentes sobre os seus e o desejo consumi-la. Queria mais. Não era a luxúria um pecado?

Haviam se casado há duas semanas e seria a primeira vez que fariam amor. Não se sentia exatamente culpada por pecar pela luxúria, considerando que aprendera há pouco a amar Sparda e desejava-o urgentemente.

-É a primeira vez que o vejo com os cabelos desalinhados... –sorriu, nua sobre o carpete da biblioteca.

-Acostume-se, Milady- ele sorriu novamente e enrolou uma mecha loira em seu indicador.

-É tão incrível... Quanto conhecimento você acumulou em dois milênios... –ela comentou- Faz o que sei parecer ínfimo e efêmero.

-Ensinarei tudo que desejar saber. –ele beijou-a. Eva colocou-se em cima dele, sentando em seus quadris.

Ainda não era o suficiente. Sexo com Ernest não fora tão maravilhoso como era com Sparda.

-Você já me ensinou. –ela umedeceu os lábios. –Sobre o fruto proibido. Mas eu escolhi ignorar a informação e provar dele.

-Que fruto...?

-A luxúria- Eva o beijou e sentiu a mão dele em suas costas, pronto para retribuir qualquer carícia.

*****

Eva engravidara. Descobriu pelo atraso da menstruação, pois não chegou a sentir os temíveis enjôos da gravidez.

Isso não foi empecilho para o apetite insaciável da moça por sexo.

-Sparda...

-Sim, Milady.

-Você tem dois exemplares de Divina Comédia. –ela informou. Gostava de passar o tempo livre na biblioteca com o demônio.

-Um em verso e um em prosa, creio eu. –ele concordou, sem precisar olhá-la.

-Foi comprar os livros só para me ver...?- perguntou, ligeiramente curiosa.

-Certamente- ele sorriu, afinando os olhos.

-Eu amo esse seu jeito de sorrir. –a moça comentou, sorrindo de volta.

-Fico deveras contente que seja do seu agrado- o homem a olhou.

-Também amo seu jeito de falar- ela se aproximou como uma felina à espreita.

-Agradeço- respondeu.

-E... Também gosto do seu modo de vestir. –a loira passou as unhas pelo couro do sobretudo, sorrindo maliciosamente em seguida. –Gosto ainda mais da sua forma de se despir.

*****

Eva se recusou a ir ao ginecologista para saber o sexo do bebê. Gostava de surpresas e amou quando teve uma surpresa a mais; tivera filhos gêmeos idênticos.

-Eles parecem com você- a loira sorriu, segurando ambos os filhos nos braços, observando-os dormir silenciosamente. Tinham fios prateados na pele alva da cabeça e isso era impressionante: a prova de que os cabelos do marido eram daquela cor de nascença.

-Não estão pesados...? –Sparda perguntou, parecendo preocupado.

-Nem um pouco- disse, satisfeita em poder estar com ambos os filhos no colo.

-Como pretende nomeá-los...?- o homem perguntou- Possui alguma idéia...?

-Ai, ai... –ela suspirou.

-Posso comprar-lhe um livro que contenha sugestões para nomes.

-Não, eu... Acho que sei que nome dar a eles- ela sorriu. –Segure este, por favor... Assim, com cuidado.

Eva pegou o livro de capa preta com entalhes forrados a ouro que estava na mesa de cabeceira.

-...?

-O menino em seus braços, poucos minutos mais velho, será Vergil Sparda. –a loira disse. –E este, o jovem Dante Sparda.

-É o mesmo nome dos protagonistas da Divina Comédia. –o demônio constatou.

-Sim... Pensei neles por ser um livro muito importante pra mim. –ela o olhou. –Afinal, foi por causa dele que eu o conheci, Sparda.

-... –ele sorriu da forma como ela mais gostava.

Depois do primeiro mês, Eva estava recuperada. Passara a dedicar suas horas aos gêmeos e isso a fez desejar mais filhos.

-Podemos providenciar- Sparda lembrou-a.

--Vamos nos empenhar...?- a mulher sorriu, maliciosa.

-Criei um monstro insaciável. –ele sorriu, beijando-a.

*****

Eles se empenharam, o que aumentou a vulnerabilidade de Eva ao pecado da luxúria, e isso durou quatro anos. Então a humana se conformou de que não poderia mais ter filhos.

-Papai, a mamãe parece triste. –o menininho de cabelos prateados constatou, fitando o pai com seus olhos azuis cristalinos.

-Isso porque ela não pode mais lhe dar irmãos, Dante- Sparda explicou.

-Mas... Meu pai, nós dois somos o suficiente. –o outro disse. Era exatamente igual ao primeiro, mas vestia um pulôver azul; o de Dante era vermelho. –Creio que a companhia de Dante já me basta.

-Certamente que sim, Vergil... E sua mãe está ciente disso. Só não quer admitir.

-Prepara um sundae pra mim, papai...?- Dante pediu, puxando a barra do sobretudo púrpura para chamar a atenção do pai.

-Claro, Dante- Sparda se ergueu e foi até a cozinha. Já havia se habituado a preparar ele mesmo o sorvete para os gêmeos e assim o fez.

-Sparda, com tanto sorvete, os meninos vão acabar tendo cáries. –Eva entrou no cômodo, pálida como usualmente estava.

-Não posso rejeitar um pedido deles para fazer sundae... –ele sorriu- Fiz uma promessa.

-O poderoso Sparda virou um pai babão. –Eva fez uma careta. –Meninos, como se diz para o papai...?

-Muitíssimo obrigado, meu pai- Vergil disse.

-É- Dante reiterou- Valeu pelo sundae.

-O Vergil puxou o seu jeito de falar- a loira constatou, satisfeita.

-E o Dante puxou o seu. –o demônio comentou.

-Agora... Os dois dêem licença que a mamãe precisa falar com o papai... –Eva fitou o marido maliciosamente.

-Aqui, na cozinha?- Sparda indagou quando os filhos se retiraram obedientemente.

-Ora... Você não criou um monstro luxurioso e insaciável? Para mim, qualquer lugar está bom. –ela umedeceu os lábios e o beijou em seguida.

Do lado de fora da cozinha, Dante saboreava o sundae, fitando o irmão cuidadosamente.

-Verg, será que a mamãe vai brigar com o papai por ter feito sorvete?

-Não seja tolo, Dan- Vergil levou sua colher à boca. –Provavelmente eles farão coisas de adultos.

-Que coisas?

Ai, amaldiçoada inocência... –o gêmeo mais velho revirou os olhos, mostrando-se um prodígio. Costumava freqüentar a biblioteca do pai. –Olhe, Dan... Não se preocupe. Quando crescer, fará as mesmas coisas.

-Sério?

-Claro- o outro respondeu. –O que acha de uma partida de xadrez?

-Não gosto de xadrez. –o gêmeo mais novo fez uma careta. –Vamos lutar!

-Mas a mamãe enfatizou que não apreciava violência na nossa casa- o mestiço ressaltou.

-Então vamos lutar no jardim, Verg!- o outro sorriu, puxando o irmão pelo braço e deixando as duas taças vazias na mesa.

Então veio o futuro que todos conhecem: o selo da torre Temen-ni-gru foi rompido e Mundus matou Eva. Supostamente, haveria ele matado Sparda, mas não havia provas deste fato.

Dante e Vergil cresceram amargurados, cada um com sua personalidade moldada de acordo com seus conhecimentos, e tomaram rumos diferentes.

Um renegava seu lado humano e estava no mundo dos demônios, almejando se vingar de Mundus.

O outro, antes inocente, herdou o pecado da mãe e montou uma loja que lidava com casos especiais; sua vida alterna entre matar demônios, flertar com suas companheiras e comer pizza ou sundae de morango.

E, por fim, Eva foi escolhida para o pecado da luxúria. Mas ela poderia ser absolvida, considerando o fato de que haveria necessidade de sexo para originar o tão estimado tesouro da sua vida. Um pecado por Dante e Vergil parece bem justo.

Notas finais
Bom, é isso... Espero que tenham gostado! n.n
Reviews? XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!