Lunari
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Notas iniciais
Tudo começou quando eu estava lendo uma FanFic num site aleatório, eu estava numa procura por um jogo que realmente me deixasse com vontade de jogar. Eu já havia jogado todos tipos de jogos existentes, desde infantil até terror: E ali, acima da storytext, apareceu uma propaganda de um jogo chamado Amor Doce. "Deve ser um joguinho para menininhas de 12 anos", pensei antes de clicar no anúncio: Mas eu só queria algo que me divertisse. Cliquei e apareceu a tela de um jogo normal, abaixo havia a imagem e o número do episódio, sem pensar duas vezes, cliquei em "inscrição" e lá, fiz meu cadastro.
O jogo começou normalmente, sem nada de paranormal: Fui recebida pela ChiNoMimi me dando algumas explicações sobre o jogo, era um dating-game que parecia divertido, então após terminar a introdução, já estava pelo menos antenada sobre como se jogava.
Meus PAs infelizmente acabaram no meio do episódio dois, e como eu estava sem créditos no meu celular, optei por esperar até meia-noite para poder receber mais dez e poder continuar minha jornada naquele jogo. Não era tão infantil, era legalzinho até.
Enquanto navegava pelo fórum do jogo, não encontrei nenhum elemento natural e o que me chamou a atenção, era que algumas "docetes" — era assim que se chamavam as jogadoras — tinham um quadro verde em volta da postagem, e seus títulos eram "ModeraDoces", decidi procurar mais sobre o assunto.
Ser ModeraDoce não era para qualquer uma Docete, e descobri que haviam poucas ModeraDoces, mas entre elas, eu não havia visto uma postando no Fórum: Seu nickname? Lunari. Decidi ir para o facebook, eram 23h30 ainda, faltava uns 20 minutos para eu receber meus PAs e decidi procurar mais sobre a ModeraDoce. Aliás: ela havia "sumido" do jogo, desde o dia 24/07/2012.
Nessa mesma data, minha avó havia morrido. Pura bobagem, coincidência normal: Uma página sobre tirinhas do jogo havia citado que a Lunari poderia ter morrido, não sei porquê mas senti uns calafrios danados. Eu não estava sozinha em casa, meus pais estavam trabalhando, mas minha tia estava na sala no andar de baixo e eu no de cima, pois meu quarto se localizava lá.
Alguns minutos se passaram e eu estava postando no fórum a espera de meus tão esperados PAs. Bateu meia-noite e quando eu fui jogar, fui surpreendida por um erro com alguns símbolos, tentei reiniciar o computador e infelizmente, ele não ligou mais.
— Deve estar com vírus.. Amanhã vou levar para a assistência técnica. — Comentei, enquanto me afastava do computador.
Rose, minha tia, ainda estava assistindo televisão e eu decidi assistir com ela para passar o tédio. Meu computador, em mais de cinco anos, nunca pegou vírus nem nada, eu já havia jogado jogos parecidos com esse Amor Doce, e nunca pegou vírus.
Uma coisa que eu achei estranha, foi o fato que na "carteirinha" da Lunari, estava escrita a frase "É tarde! é tarde! é muito tarde".
Sem notar que horas eram, acabei caindo no sono e acordei lá pelas três e meia da madrugada exatas, o telefone estava tocando. Rose provavelmente estava dormindo e me dei ao trabalho de atender.
— Alô..? — Encostei o telefone em meu ouvido.
— É tarde! É tarde! é muito tarde! — Escutei berros misturados com choros ao outro lado da linha. Desliguei o telefone da tomada, ou seja lá de onde aquilo era ligado e voltei a dormir, mesmo no sofá.
No dia seguinte, eu havia levado meu computador a assistência técnica, meu primo trabalhava lá então não em preocupei muito: já em casa, novamente, tentei relaxar assistindo um filme normal de comédia, até que fui surpreendida com um SMS. Pensei que era de meu namorado, porém..
"From: unknown.
To: (my number)
É tarde! É tarde! É muito tarde"
Rolei os olhos. Era só um trote aquilo, eu não deveria estar assustada.. Porém, eu fiquei curiosa com isso de Lunari, a famosa ModeraDoce fantasma. Rose havia me emprestado seu netbook, e nele decidi entrar no Amor Doce.
Eu sabia que de jeito nenhum tinha como o computador pegar vírus, até porque tinha um anti-vírus instalado nele. Ao tentar jogar o jogo, fui surpreendida com o mesmo erro da tela branca; novamente, o telefone tocou.
— A-alô? — Atendi, tremendo.
— É tarde! É tard- — Desliguei o telefone. Essa merda estava me perseguindo! Rezei mentalmente para o telefone não tocar novamente.
E ele tocou.
— .. — Fiquei quieta, ao atender.
— É tarde! É tarde! É muito t- — Os mesmos berros.
— Me deixe em paz! — Joguei o telefone longe e saí correndo para o jardim.
Porra, aquilo não podia ser sério. Aquele era apenas um joguinho estúpido, como aquela.. desgraçada poderia estar me atormentando? Não demorou um tempo para que eu começasse a chorar de medo.
— Por favor, me deixe em paz.. — Murmurei, com as lágrimas escorrendo sobre meu rosto.
Senti meu celular vibrar, pensei que era aquele tal de espírito que estava me atormentando mas era apenas John, meu namorado. Aliviada, atendi.
— Alô, John? eu..
— Stephanie? É a mãe do John, Adalia. John sofreu um acidente horrível na volta para casa, você pode vir aqui no hospital? — Adalia respondeu, desesperada.
Caralho. Com a chave no meu bolso da jaqueta, corri para meu carro e sem pensar duas vezes, desesperada, pisei no acelerador.
No meio do caminho para o hospital, me dei conta que eu não havia botado a chave no carro. Tanto faz, eu só queria ver John e rezei para que ele estivesse bem. Liguei o som e tocou uma música que eu já havia escutado antes..
There's someone.. walking behind you.. turn around, look at me..
Olhei para o retrovisor, e tinha um carro me seguindo. Achei normal aquilo, mas quando eu olhei novamente.. Uma mancha vermelha, da qual julguei ser sangue, espirrou no retrovisor. Assustada, não sabia onde parar o carro.
Parei perto de uma lanchonete, ao lado do hospital. Quando eu olhei o retrovisor novamente.. ele estava limpo. E não havia nenhum carro vermelho me seguindo.
Já no hospital, entrei correndo e me encontrei com Adalia chorando. Ela havia me falado que John queria me ver, adentrei a sala e John estava com alguns machucados abertos na testa, no braço.. Me agachei ao seu lado.
— J-john.. — Chorei mais ainda.
— É t-tarde.. é tarde.. — Ele repetiu incontáveis vezes.
O mundo todo havia enlouquecido? Saí correndo da sala e do hospital, Adalia me olhou assustada. Me encontrei em meu carro, abraçando as pernas e soluçando de tanto chorar, se aquilo era um pesadelo.. eu queria acordar.
Dirigindo de volta para casa, a porta estava aberta e julguei que Rose já havia chegado. A televisão estava ligada, porém com alguns chiados e decidi procurá-la. Chegando no banheiro, eu vi uma imagem que nunca mais sairia de minha cabeça.
Rose morta com o banheiro ensanguentado, uma espingarda ao seu lado. Sua expressão era de horror, olhos arregalados e tinha sangue em todos os lugares, em sua mão.. havia um bilhete. Peguei ele e tomei coragem para ler.
— É tarde.. é tarde.. é muito tarde. — Escutei uma voz murmurando no meu ouvido no mesmo tempo que eu lia o bilhete mentalmente.
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