Luna - INTERATIVA
12 Capítulo XII
Notas iniciais
Crash. Era esse o som que Megan lembrava que vasos de vidro faziam ao quebrar e foi esse o barulho emitido quando ela jogou o de seu quarto na parede. Como havia sido b urra! Como ela deixara isso acontecer de novo? Quando James havia morrido, ela havia prometido. Prometido que nunca mais se deixaria levar por nenhum tipo de afeto pessoal, mas o fez com Vênus. Permitiu que elas fossem amigas. E ela lhe fora tirada. Graças a tudo que não tomara o mesmo caminho de James, mas fora eliminada: Vênus era cleptomaníaca, e fora pega roubando uma pulseira de alguém, uma pulseira valiosa. Merda, Vênus era a única coisa que ela conseguia pensar. Por que não me contou? Eu poderia ter feito alguma coisa! Porém uma vozinha dentro de sua cabeça a dizia que aquilo era uma competição, e pessoas eram eliminadas, era inevitável. Mas Vênus não era a única que mantinha um segredo, era exatamente dele que Megan precisava agora.
Saiu do quarto e avisou seu guarda, Eliot, que iria voltar tarde e se ele podia cobri-la.
— Você sabe que sim, Megan. Só tente não fazer nada estúpido.
— Pode deixar. Ah, e amanhã você poderia avisar Wanda e as meninas que tem um vaso quebrado lá dentro?
Um brilho de preocupação que ela via em todos os guardas quando algo dava errado apareceu em seus olhos.
— Você se machucou?
— Não, Elli. Está tudo bem. Só preciso esfriar um pouco a cabeça.
— Você sabe que faz isso da maneira mais irônica de todas, não é?
Megan deu-lhe uma piscadinha e saiu correndo nas ponta dos pés até uma porta dupla de vidro que dava para um pequeno jardim, onde os guardas faziam seus exercícios diários. Desenterrou um bastão e um fósforo, com o qual ela ascendeu o primeiro, e mergulhou e seus pensamentos e deixou eles e o fogo lhe guiarem. Rodou o bastão e dançou, desenhou milhões de coisas no ar e a sua frente com a luz fantástica do fogo, e o deixou a consumir. Não sabia dizer quanto tempo ficou ali: vinte minutos, uma hora, duas, três. Só sabia que aquilo a estava ajudando. Como na maioria das vezes, sua camisola pegou fogo, mas desta vez ela não estava muito incomodada em apagar. Lágrimas – lágrimas quentes— corriam por seu rosto, liberando tudo de ruim que mantinha dentro de si. A vida estava tão complicada. Sentia tanta a falta de James. Sempre perdia as pessoas, como seria perder a si mesma? Estava prestes a descobrir, tão perto, quanto sentiu algo frio sobre si, e o fogo fora apagado.
Saiu de seu pequeno transe, e percebeu que um par de arregalados olhos castanhos estavam perto, muito perto. O príncipe Massimiliano tinha suas mãos uma de cada lado da cabeça da ruiva, segurando parte de seus cabelos em desespero, tentando assim mantê-la perto o suficiente para ouvi-lo, o que ela não parecia estar fazendo. Mass gritava em agonia, perguntando repetidamente se ela estava bem. Quando se deu conta de si, Megan respondeu em murmúrios algo que deveria ser um “sim”, mas o príncipe não pareceu estar convencido: colocou um de seus braços por de baixo dos da selecionada, e o outro embaixo de seus joelhos e saiu correndo para algum lugar. A visão de Megan ainda estava meio turva, e ela começava a sentir as absurdas ardências, especialmente em suas pernas. Só viu uma sala branca, sentiu algo macio embaixo de si – talvez uma cama – e Massimiliano gritando alguma coisa para alguém, e então uma picada, e dormiu.
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Mass estava sentado num banco na ponta da maca número 3 da Ala Hospitalar, olhando para aquela garota ruiva que, mesmo dormindo, parecia selvagem como fogo, e se perguntava como aquilo havia acontecido. Havia falado com suas criadas e guarda e eles disseram que Megan – esse era o nome dela – preferiria explicar tudo ela mesma quando acordasse.
Demorou um pouco para virar a cabeça quando ouviu passos de salto alto na sala, na verdade só virou quando ouviu uma voz que ele particularmente preferia nunca mais ouvir em sua vida.
— Ela é bem bonita. Espero que não tenha se machucado muito.
— O que você está fazendo aqui, Geovanna?
— Olá também, Mass.
— Não me chame assim – disse, quase rosnando. Ele nunca ficava assim. – Foi sua culpa que isso aconteceu, você sabe disso.
— Minha culpa? Eu tenho que tipo de culpa se essa bastarda tem problemas psicológicos?
— Você sabe o que fez. Geovanna, você é quem tem problemas psicológicos! Você delatou uma menina que você sabia ser cleptomaníaca como ladra! Só porque alguma coisa deu errado e você ficou com raiva. Essa selecionada que foi para casa por sua causa, era a única amiga dela – apontou para Megan. – Você causou isso. Sem mais.
— Você o que? – Era a voz de Megan. Ambos se viraram para ela.
— Afonso, leve a senhorita Bondesan até o Jardim de Entrada, e passe a Melina minha ordem de eu a leve para casa, não importa o que. E se ela resistir de qualquer forma, avise a mim e a mãe dela, a orientadora Ada. Agora. Grazie. – Assim que a loira foi retirada da Ala Hospitalar, o príncipe se dirigiu para a selecionada. – Senhorita Adams, entenda...
— Eu já entendi. Obrigada, Vossa Alteza, mas se você me permite, eu gostaria de um tempo para processar a informação.
— É claro. Espero que melhore logo.
— Pode deixar.
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Hadassa Beatle Stark parecia mais uma das milhares de flores naquele jardim. Ela era radiante e colorida como elas, e parecia fazer parte daquele lugar. Ela não havia parado de sorrir desde que ela e Massimiliano chegaram lá.
— Então, Hadassa, como é a sua família. Lembro que você me disse que são só você, seu tio e seu irmão, mas como são eles? Sei que esse é um assunto bem delicado para algumas pessoas, então não se sinta obrigada de forma alguma em responder se não se sentir confortável.
— Não, sem problemas. Não sei se já mencionei, mas meu irmão, Constantine, tem oito anos e tem um problema cardíaco, chamado Sopro, ou CIV. Apesar de ser fraco fisicamente, ele é um menino radiante! Sempre tenta ajudar, e fazer o papel de “irmão ciumento”.
— Perdão a indelicadeza, mas há tratamento para CIV?
— Não peça perdão, tudo bem. Há sim, ela precisa de uma cirurgia, que é bem cara, mas, quando eu menos percebi, meu tio me ligou dizendo que o pagãmente da Seleção foi suficiente para fazê-la, e a operação já está marcada, graças a Deus! Meu tio é como um pai para mim, não tem tanto o que falar. Apenas que eu o amo!
Mass sorriu.
— Mudando de assunto, qual seu livro favorito?
— Ah, é um pouco difícil! Gosto muito da Bíblia, mas sempre estou lendo livros novos. Gosto dos teóricos, dos que falam sobre uma ciência especifica, mas um romance clássico ou outro também é bom.
— Acredite em mim, se meu irmão ouvisse você falando de tantos livros assim ele já iria arranjar um jeito de sair da conversa.
Ambos riram. Mass gostava de como Hadassa conseguia ser extremamente inteligente e suave ao mesmo tempo.
E o seu? Digo, seu livro favorito.
Não sei se já ouviu falar, é um livro bem antigo. É O Médico e o Monstro.
— Você está brincando? Eu amo esse livro!
Eles riram, como amigos. E na realidade, realmente estava se tornando.
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Quando Elizabeth precisou ir à Ala Hospitalar, Ingrid fora com ela. A lira tomou uma certa quantidade de soro na veia, já que naquele dia estava bem fraca. Enquanto esperavam a alta do médico, perceberam uma menina algumas macas par ao lado. Era Megan Adams, a menina que misteriosamente não havia aparecido nas últimas refeições ou atividades.
— Você está bem? – perguntaram em uníssono.
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