Luna - INTERATIVA
1 Capítulo I
Notas iniciais
A chuva caía em torrentes do lado de fora do palácio, e o som dos passos do príncipe se confundiam com os dos pingos. Ele adorava chuva. Quando era pequeno, costumava dizer que, se chuva fosse uma garota, ele se casaria com ela.
“Mesmo se essa garota fosse uma tempestade? ” Seu pai costumava perguntar, sorrindo.
“Mesmo assim. ” Ele respondia, e, se uma hora atrás o perguntassem isso, ele continuaria a responder a mesma coisa.
Mas agora, que lhe haviam prometido uma tempestade de trinta garotas, a ideia não parecia mais tão tentadora. Parecia terrivelmente assustadora, e, quando fora se deitar, horas depois, ainda lhe era nítida a reunião que traçara seu destino, e foi com isso que sonhou.
“ – Vossa Alteza, o que acha de governar Luna? – A voz da rainha Eadlyn era aveludada e autoritária, de um jeito que parece que, se ela te pedisse para pular de uma ponte, você o faria. E talvez ele o tivesse feito. Parecia menos assustador do que o que ela – e todo o Conselho – lhe propunham.
— Luna? – gaguejou. Ela só podia estar brincando. Olhou para o rosto de seus pais, a procura de uma centelha se quer de brincadeira, mas encontrou apenas incentivo para responder.
— Sabemos que pode parecer intimidador, mas você é o mais qualificado para o cargo, Vossa Alteza. – O príncipe não entendia como o rei George – e todos os outros presentes – poderiam estar tão calmos.
— Eu? – Todos concordaram. – Mas... Mas e a princesa Amelie? E o príncipe Julius? E a princesa Greer?! Todos têm a minha idade. Por que sou eu o mais qualificado?
— Vossa Alteza, – começou a embaixadora Nora. – o senhor é o único que tem condições de governar Luna e, ainda assim, ter alguém para governar seu país. O príncipe Julius é filho único, assim como a princesa Katherina.
— Amelie tem um irmão mais novo. – Ele já estava começando a se irritar.
— Sim, mas ela irá se casar...
— Com Julius. – O príncipe a interrompeu, embora fosse um pouco rude. Como ele pôde ter esquecido? Era óbvio! Todos só falavam disso! Amelie e Julius! A própria Amelie só falava disso.
Passou a mão nos cabelos e respirou fundo, tentando pensar. Ele era o único com irmãos que poderiam governar o país. Se ele fosse para Luna, então, a Itália ficaria nas mãos de... Ah, não.
— Vocês pretendem deixar o país com Vicento?! – Exclamou, horrorizado, olhando para seus pais.
Sua mãe, a rainha Nicoletta, o encarou como quem diz 'Decidimos isso depois, quando todo o Conselho Internacional não estiver aqui'.
Respirou fundo novamente.
— Tudo bem, mas eu imagino que vocês tenham alguma condição.
Os representantes de todos os países se entreolharam por um tempo, até que seu pai limpou a garganta e o sentenciou.
— Você precisa estar casado. ”
Nem valia a pena lembrar do resto, e parecia que seu subconsciente sabia disso, considerando que ele não sonhou com o resto, embora se lembrasse perfeitamente. “A Seleção”, “Todos os países de conselho”, “30 garotas”, “Vossa Alteza, acorde”... espera, “Vossa Alteza, acorde”?
— Vossa Alteza, o senhor precisa acordar!
Abriu os olhos, e viu seu mordomo inclinado em sua direção, tentando acorda-lo.
— Ah, perdão, Gervasio.
— Sem problema, Vossa Alteza. O senhor teve um dia difícil ontem. – Gervasio lhe dirigiu uma piscadela, que fez o príncipe dar uma risada rouca.
Ele pulou da cama em direção ao banheiro.
— A partir de ontem, a minha vida se tornou mais difícil – brincou, mesmo que ali houvesse um fundo de verdade. – Vou tomar banho. Ah, e você sabe que pode me chamar de Mass.
— Eu sei, Vossa Alteza, é só que prefiro assim. E sua mãe pediu para que descesse o mais rápido possível. Ah, e o senhor tem visita.
♛
Ainda com o cabelo molhado do chuveiro, o príncipe Massimiliano descia as escadas correndo e tentando fechar o terno ao mesmo tempo. Chegou ao Salão de Refeições, já pedindo desculpas pelo atraso, congelou. Ao invés de três pessoas na mesa, haviam quatro; Vicento estava em casa.
— O que ele está fazendo aqui? – Exclamou enquanto andava a passos duros até sua família.
— Massimiliano... – sua mãe começou.
— Nada de “Massimiliano”! O que ele está fazendo fora de Forthrose?
— É ótimo te ver também, fratellino.
— Veio destruir mais o que? – Assim que Mass terminou a frase, Vicento já estava de levantando da cadeira.
— CHEGA! – A rainha Nicoletta bateu na mesa com força, fazendo todos pulares, e Pietro cair da cadeira. – Vocês dois têm que parar com isso! Per l' amor di Dio! Agora sentem, os dois! – Ambos os príncipes sentaram, com a cabeça baixa e envergonhados. Sua mãe nunca ficava daquele jeito.
— Massimiliano, – O rei Arturo começou – seu irmão está aqui para passar um tempo conosco enquanto você ainda está aqui.
— É mesmo? – O príncipe disse, com ironia. – Daqui a pouco vão inventar de manda-lo para Luna também.
— Na verdade, era exatamente isso. – Falou sua mãe, já mais calma.
— O QUÊ?! – Tanto Mass, quanto Vicento quanto Pietro berraram, incrédulos.
— Todos nós sabemos que Vicento não tem o menor interesse em governar o país, — explicou seu pai, e todos entenderam que ele queria dizer que seu filho do meio não era qualificado para o cargo, embora isso não deixasse de ser verdade: Vicento nunca quis ser rei. – e é por isso que decidimos mandá-lo para Luna, como seu conselheiro, para que Pietro possa tronar.
— Padre, você sabe que ele só tem onze anos, certo? – Mass fez a pergunta na qual os três estavam pensando ao encarar seu pai como se ele fosse louco.
Nicoletta e Arturo deram uma risadinha.
— Sim, mio caro. Lógico que sabemos. Mas Pietro ainda terá todos esses anos para se preparar, para então tronar.
Os três se encaram, e, por um momento, toda a confusão de minutos atrás havia desaparecido. Eles eram irmãos, eles se amavam, e aquela era uma ótima ideia.
♛
Depois que o café da manhã acabou, Nicoletta tomo o braço de seu filho mais velho, e o conduziu pelo corredor.
— Mass, você deve imaginar o porquê de estarmos aqui, certo?
— Tem alguma coisa a ver com A Seleção?
— Sim. Quero te explicar exatamente como as coisas vão acontecer. Serão trinta meninas, duas de cada país da União.
Mass pensou um pouco.
— Mas só há quatorze países na União.
— Não, há quinze.
— Quinze? Mamma, acho que a senhora... – Ele parou de andar. – Vocês vão trazer garotas de Luna?
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