Notas iniciais
Olá, pessoal! Eu sou novo no nyah!, mas já tenho algumas experiências em outras plataformas. Resolvi escrever esse livro sobre um assunto que eu adoro, e assim, espero repassar minhas ideias para vocês. Quero faze-los rir, chorar, se emocionar, etc. Desculpem-me se houver algum erro! Tentarei conserta-los assim que possível. Abração!! :D

Era mais uma manhã de segunda-feira, como todas as outras: chatas. Ter que me forcar a ir para a escola é o trabalho principal da minha mãe, que se chama Anne.

— Acorda, Mat! – Falou ela enquanto entrava no quarto e me sacudia na cama.

— Mãeee, só mais cinco minutos! Qual foi?

— Nada disso, menino. Hoje é o primeiro dia de aula e não quero você se atrasando. – Falou puxando o meu lençol.

Sim, meu nome é Matheus, mas minha mãe me chama pelo apelido carinhoso “Mat”, como vocês já devem ter percebido.

Ela é a única família que tenho, pelo menos até onde eu sei, meu pai morreu quando eu era apenas uma criança de quatro anos, mas minha mãe segurou a barra durante esses 13 anos.

Ela é uma mulher linda, de cabelos negros e lisos, que caem na altura da cintura, olhos castanhos claros e pele morena. As pessoas costumam dizer que eu sou a cópia fiel dela, e realmente é verdade, só muda que meus cabelos só alcançam a minha testa.

Eu moro em Recife, capital pernambucana, no bairro da Madalena. Minha residência é uma casa de dois andares, que não é muito simples nem muito luxuosa, podemos dizer que é modesta. Nossos quartos ficam no primeiro andar, assim como o quarto de visitas. Cada quarto possui sua própria suíte. Não é como se eu trouxesse amigos aqui, afinal, nem amigos eu tinha. Sinto que as pessoas se aproximam de mim por pena ou algo do tipo, por ser o garoto excluído da turma, o zé mané.

Levantei-me da cama e fui direto para o banheiro, lavar o rosto. Me olhei no espelho e vi que várias espinhas estavam prestes a aparecer. “Ótimo, mais algumas para a conta do garoto estranho”, pensei comigo mesmo.

Tomei meu banho, vesti o uniforme do colégio e saí do quarto, indo em direção ao corredor que dava acesso à escada.

Quando estava passando pela frente do quarto da minha mãe, noto que há uma caixinha embrulhada em um papel de presente dourado. Foi aí que me lembrei, meu aniversário é hoje. Estou completando 14 anos hoje. Não sou muito de lembrar dessa data.

— Matheus, se você não descer agora juro que vou te arrancar dessa cama. – Gritou minha mãe lá de baixo.

— Já estou indo, mãe. – Gritei de volta

Saí do quarto às peças e desci as escadas, que davam de frente com a sala de estar. Logo à direita estava a porta da cozinha e, à esquerda, a que dava para a sala de televisão.

Como de costume, de manhã nós tomávamos café juntos. Fui até a cozinha e a vi preparando um prato de panquecas. Me sentei e peguei uma.

— Filho, você sabe que dia é hoje?

— Não – Falei tentando parecer desinteressado.

— Dia 01 de fevereiro, seu bobo. Vai me dizer que esqueceu do seu aniversário de 14 anos?

— Não quero falar sobre isso, mãe. Você já sabe.

Ela me olhou preocupada e se levantou da mesa. Saiu da cozinha e foi em direção à sala.

Eu não gosto de completar ano, prefiro ficar sendo uma criança, que vê o mundo diferente e não tem obrigações para se preocupar. Meu pensamento é muito complicado, eu sei, deve ser por isso que não tenho muitos amigos.

Terminei de tomar o café da manhã e saí de casa. Fiquei esperando minha mãe em uma pequena praça em frente da minha casa. Eu gostava muito de observar tudo ao meu redor, sempre me achei muito curioso.

Algo estava diferente naquela pracinha, eu sentia como se algo de estranho pudesse acontecer a qualquer momento. De repente uma rajada de vento sopra e várias folhas começam a cair, mas por incrível que pareça, antes mesmo delas tocarem o chão, transformaram-se em pó em apenas um piscar de olhos.

Olhei para o lado e vi uma figura sombria por detrás de algumas arvores, me observando. Senti um arrepio me subir pela espinha. Eu não conseguia me mover, mas minha atenção foi roubada pelo barulho que minha mãe fazia enquanto saia com seu carro da garagem de casa.

Olhei de volta para o local onde pensei ter visto algo, mas nada estava lá.

Entrei no carro, que tinha um cheiro estranho, e ao mesmo tempo calmante, de morango, que ela adora.

Durante a viagem até o colégio eu não dei um pio, muito menos ela, pois parecia estar chateada com algo. Provavelmente pelo fato de que eu não goste de comemorar meu aniversário.

Quando chegamos na frente do colégio, ela segurou no meu braço quando eu estava prestes a sair do carro.

—Eu te amo, filho.

— Eu também te amo, mãe. Mas, já pode parar com isso, é só mais um dia irritante.

—Não, não é! – Falou ela me fitando – Não sei se você está preparado ainda.

— Preparado? Mas, para que eu teria que estar preparado?

Sua expressão mudou subitamente, passando de pensativa para preocupada.

— Nada, filho. – Falou lançando-me um sorriso. – Não se preocupe com nada, apenas aproveite este dia o máximo que puder.

—Ok.

Dei um beijo de despedida nela e saí em direção a entrada principal do colégio. Alguns garotos do ensino fundamental corriam pra lá e pra cá e eu adorava isso. Eles não eram taxados de idiotas, pois eram crianças. Já eu, se fosse inventar de sair correndo por aí, cursando o primeiro ano do ensino médio, iriam me chamar de nomes inimagináveis, por isso que eu odeio essa data.

Entrei no colégio e fui até uma multidão de alunos se matando para ver quais seriam suas salas. As informações estavam em papeis pregados na parede, por isso todo aquele alvoroço todo. Alguns caiam, outros empurravam, vi até puxões de cabelos.

— Melhor sair dessa selva. – Falei baixo.

Me virei para sair do local, quando esbarro em alguém. A pessoa era mais alta do que eu, e me vez levantar a cabeça para poder encara-la. Como eu tenho 1,60 de altura acho que todos são bem mais altos. Me sentia um salva-vidas de aquário perto de meus colegas de classe.

Era um garoto de cabelos e olhos negros. Ele me encarava com superioridade. Ele era um pouco estranho, vestia vestes negras e seu rosto era tão branco que chegava a ser pálido. Eu tinha a ligeira impressão que já o tinha visto antes, mas abandonei esse pensamento quando percebi que eu precisava falar alguma coisa.

— Desculpa. – Falei olhando para ele.

— Não se preocupe, isso não vai acontecer novamente. – Falou ele dando uma risada que fez meu corpo estremecer — Eu te prometo.

— Espero que não – falei dando um sorriso sem graça.

Saí dali e percebi que ele não parava de me olhar. “Nossa, que garoto estranho”- pensei — Mas, algo me deixou confuso, não era eu que tinha que prometer que não iria acontecer aquilo novamente? Por que foi ele que prometeu? “Além de estranho é sem noção” – pensei novamente dando uma risada, fazendo alguns alunos olharem na minha direção. Ótimo, mais alguns votos de idiota para minha coleção.

Fui em direção à coordenação e pedi para a minha coordenadora, taísa, verificar qual seria a minha sala. Assim que peguei meu mapa de sala, fui direto para lá.

Cheguei na porta e pela pequena janela pude ver que o garoto estranho estava na mesma sala que eu. Só me faltava essa. Entrei e me sentei bem distante dele, que ainda não parava de me fitar e sorrir como se eu fosse um palhaço. Ele já estava me irritando.

Os alunos começaram a chegar de montes e o murmurinho começou. As meninas fofocavam sobre tudo o que haviam feito nas férias, dentre essas conversas, algumas contavam sobre os garotos que pediram pra ficar com elas, os foras que deram, e falavam mais da vida alheia. Algumas garotas conversavam com os garotos sobre jogos de vídeo game, esportes etc. Acho que só eu não tinha um grupinho para conversar, quando de repente a última coisa que eu queria que acontecesse, veio a acontecer. O garoto estranho apareceu do meu lado tão de repente que dei um pulo da cadeira.

— Você é louco? – Questionei-o com um pouco de raiva na voz – Quase me matava.

Ele sorriu, mas a sua risada tinha mudado, antes ele parecia um idiota, agora ele parece mais um psicopata rindo.

— Qual é a graça?

— Você saberá... Em breve. – Ele falou e se levantou para voltar ao seu lugar.

O mesmo arrepio que eu senti de manhã me correu pela espinha. Ele conseguiu me deixar com medo.

O professor entrou na sala e mandou todos se sentarem. Se apresentou como o nosso novo professor de ciências e pediu para cada um dizer o seu nome em voz alta, o que foi uma tortura para mim, pois não gostava de ser o centro das atenções. Como todo início de ano, os professores faziam seus discursos, que eu considerava desnecessários, falando sobre como os alunos deveriam se comportar em suas aulas e sobre questões éticas. Não lembro de mais nada da aula, pois dormi durante toda a sua eternidade.

Durante esse cochilo, eu tive um sonho:

“Eu estava de frente a um lago, que ficava no meio de várias árvores que o circundavam. A lua no céu brilhava mais do que o normal, quando de repente vi a figura de uma mulher sentada em uma pedra mais a minha frente segurando uma criança em seus braços, era uma menininha”

Meu sonho acabou quando fui acordado por uma mulher que parecia ser professora.

— Parece que alguém não dormiu direito, não é mesmo? – Falou ela dando um sorriso simpático que já gostei – Nessa aula pode ficar à vontade, querido. Só irei fazer uma dinâmica com a turma.

Ela voltou para a frente da sala e começou a se apresentar, mas eu não queria dormir. Não sei o porquê, mas aquela professora também não me era estranha. Parece que meu dia foi voltado para conspirações.

As aulas acabaram mais cedo e eu fui direto para o ponto de ônibus, que ficava perto do colégio. Alguns alunos faziam algazarra na parada, como tentar impedir que os seus amigos pegassem o ônibus desejado. Devo admitir que algumas vezes era engraçado ver a cara de desespero deles.

Meu ônibus chegou e eu embarquei. Quando me sentei em um assento vazio, liguei para minha mãe, pois precisava avisar que chegaria mais cedo em casa.

— Alô, mãe!

— Ah, oi filho. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

Não sei por qual razão ela estava agindo daquela maneira. Nunca a vi agir assim, tão preocupada... alguma coisa está cheirando mal. Só espero que não seja uma festa surpresa.

— Não, mãe! Só liguei para avisar que estou indo para casa mais cedo!

— Espera! Não vá sozinho. Nós precisamos conversar.

—Mãe, eu já tenho quatorze anos! Não precisa tentar me proteger de tudo.

— Você que se engana. Vá para casa e me espere, mas tome cuidado. Qualquer movimentação estranha ligue para mim imediatamente.

— Ok, mãe. Tchau!

Desliguei o celular e o guardei.

A viagem de ônibus até a minha casa não é tão perto, então eu, normalmente, ia dormindo, mas dessa vez eu não consegui. Não sei a razão.

A parada de ônibus mais próxima da minha casa ficava distante um quarteirão, então o resto do percurso eu fui andando. As ruas pareciam mais vazias do que o de costume. Passei de frente a pracinha na qual eu estava mais cedo. Lá estava parecendo um cenário de filme de terror. Um balanço se balançava sozinho por causa da ação do vento.

Entrei em casa e logo fui pegando meu almoço na geladeira e o esquentando. Quando terminei de esquenta-lo subi para o meu quarto e liguei o condicionador de ar.

Quando terminei de comer e fui deixar o prato na pia da cozinha, olhei pela janela, que dava para ver o parquinho e não acreditei na cena que via:

O garoto estranho da escola se balançava no balanço, mas o pior era que ele estava com um daqueles sorrisos no rosto e olhando na direção da minha casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não deixem de favoritar e comentar! :D Abraçooos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.