Lumus

6 Reparação


Regulus respondeu. Sirius entrou no quarto abafado do irmão – todos os quartos de Grimmauld eram, de uma forma ou de outra, abafados. Regulus decorara o seu com camadas de verde, prata e orgulho familiar. Uma versão menor da tapeçaria dos Black cobria a parede da lareira. Ele queimara “Toujours Pur” em fogo, na sua cabeceira.

— Você está indo embora — percebeu ao bater os olhos no irmão, sem precisar de explicação. Não era porque eles não se falavam mais, que Regulus não via.

Sirius assentiu.

A escolha entre o alívio de todas as suas dores ou o torturante perdão.

— Regulus, me perdoe. Me desculpe.

— Pelo quê? — o caçula perguntou, muito sério. — Por me abandonar aqui daquela vez, ou por me abandonar de novo, agora?

— Daquela vez eu não tive escolha — Sirius oscilou em seus pés. Regulus concordou.

— Mas agora você tem.

Eles se encaram. Carne e unha. Noite e dia.

— Você também — Sirius lhe disse, uma última vez. Um último pedido. Ele teria implorado, se soubesse como.

Regulus assentiu. Um sorriso tímido retorceu o canto do lábio direito. Foi a primeira vez que Sirius viu o irmão caçula sorrir para ele, em muito tempo.

— Eu sei, Sirius. Eu perdoo você. Agora vá logo, antes que papai e mamãe acordem.

Sirius concordou, um novo senso de urgência e adrenalina, excitação e medo eletrizando o seu sistema.

— Vou voltar por você, Regulus. Prometo.