Lumos Solem
5 Capítulo V
Notas iniciais
A cabeça de Pasca estava bem até avistar Madame Pomfrey e relembrar os últimos minutos antes de perder consciência. A menina deu um grito e sentou-se rápido, olhando ao redor, como se um cão enorme fosse estar dentro da enfermaria.
— Calma, calma, está tudo bem! O que é isso? Está machucada? — Madame Pomfrey aproximou-se, uma toalha molhada em suas mãos.
Depois de Pasca ficar mais calma e ter sido revelado que foi parar lá 15 minutos atrás, quando Madame Pomfrey estava conversando ali por perto com Sprout, Pasca ficou apenas confusa.
— Mas… — Pasca se interrompeu.
— O que foi?
Ela não sabia o porquê, mas sentia que era melhor ficar quieta sobre a causa do susto.
— Não sei. Não lembro de nada.
— Podemos resolver isso, querida. Fique aí quietinha, vou pegar minha varinha. — Disse Madame Pomfrey já indo.
— Não, não, sério! Eu estou bem, vou só voltar para o quarto, acho que estou só cansada. — Pasca disse já nervosa de novo.
— Bom, está bem! — Ela disse, as sobrancelhas unidas em dúvida. — Se sentir algo estranho, volte.
Pasca apoiou-se na cama e saltou para o chão, uma estranha sensação na palma da mão. Ela estava enfaixada com gaze.
Chegando no salão principal, ela se juntou a mesa da Lufa-Lufa em meio a burburinhos. Sirius levantou a cabeça ao vê-la passar.
— Como você está?
— Onde estava?!
Torry e Pyrites disseram quase ao mesmo tempo assim que Pasca sentou-se. Eles sentaram-se ao seu redor, os lufanos chegando para os lados, dando espaço ao grupo verde e prateado.
— Eu estou bem e estava na enfermaria.
E claramente apenas aquela resposta não foi suficiente para eles. Pasca lançou-se a narração das últimas horas.
— Estou feliz que esse dia esteja acabando. — Pasca disse.
No dia seguinte, uma das aulas de Sirius e Pasca era de Trato de Criaturas Mágicas. Eles foram recebidos pela professora Gertrudes ao lado de um casal de unicórnios e suas crias. Os unicórnios eram de um branco tão resplandecente que brilhavam, seus cascos dourados tão polidos refletindo o sol. As crias ainda possuíam um tom dourado e prateado.
— Bom dia, alunos! — Disse a professora.
Madame Gertrudes era uma senhora musculosa e atlética. Seus cabelos ruivos estavam sempre amarrados em um coque baixo perto da nuca.
— Nesse semestre vamos cuidar dessa família de unicórnios além de outras criaturas. Como já discutido anteriormente, as meninas podem se aproximar e os meninos mantenham a distância, por enquanto, e façam anotações. Na próxima aula, com sorte, vocês já poderão se aproximar pelo menos dos filhotes. — Madame Gertrudes disse.
Sirius, Potter, Remo e Peter havia acabado de chegar e receberam um olhar feio da professora. James correu para o lado de Lily, que logo depois de apertar sua mão se aproximou do unicórnio fêmea.
Pasca retirou as vestes e colocou em cima da cerca de madeira que contornava os unicórnios. Dentro da cerca havia muito espaço para eles.
Sirius reparou quando grande parte dos olhares masculinos atrás da cerca se voltaram para ela enquanto Pasca dobrava as mangas da camisa.
O sol não brilhava mais tão forte do lado de fora da escola. Ele emanava seus raios durante a hora dourada, lançando-os sobre Pasca e seus cachos áureos.
Com uma escova na mão, ela penteou a crina do unicórnio lentamente. Os batimentos do animal eram calmos, assim como o dela.
— Você é boa com eles.
Lilian aproximou-se dela, uma escova em sua mão.
— Obrigada. Eles são muito dóceis. — Pasca disse com um sorriso no rosto.
Um silêncio desconfortável emanou entre elas duas.
— Obrigada de novo por ontem. Podia não ter acontecido nada demais, mas poderia… — As últimas palavras se perderam.
— Foi um prazer, sério. — Pasca começou a fazer uma trança nas crinas do unicórnio.
— Como você sabia? — Lily perguntou, escovando o corpo do animal.
Pasca queria contar a ela que foi com oclumência que ela leu a mente de Lestrange, mas algo dizia que seria melhor não ficar espalhando isso por aí. Ela não conhecia Lily para saber o que ela faria com essa informação.
Pasca deu de ombros. — Eu vi quando ele levantou a varinha.
Lily não pareceu acreditar em Pasca, que vira sua reação no dia anterior.
Do outro lado da cerca, já não estava mais Potter e Pettigrew, estavam provavelmente na Floresta Proibida, mas Sirius resolveu ficar para a aula a qual não participaria.
Naquela noite, na sala comunal da Grifinória, com todos reunidos Sirius expressou sua preocupação, contando o que ouviu Rabastan dizendo a Pasca na saída do escritório de Dumbledore .
— Lestrange não vai deixar as coisas assim. Ele falou para Pasca que não deixaria e não duvido que faça algo.
— Ela pode muito bem se defender, lembra? — James disse.
— Talvez devêssemos reportar para Mcgonaggal. — Remo disse, braços cruzados, cotovelo apoiado no braço e mão apoiando o queixo.
— Acho que devemos ficar de olho nela. — Lilian disse.
Pettigrew permaneceu em silêncio por um tempo enquanto os outros pensavam.
— Esse final de semana iremos a Hogsmeade, não podemos deixar isso pra lá? — Peter disse.
Sirius estalou os dedos.
— É lá onde devemos tomar cuidado. — Sirius disse
— Bom, então o que faremos? — Lily perguntou.
A semana passou bem devagar para os alunos que iriam a Hogsmeade no sábado e passou ainda mais devagar para Pasca, que foi o centro das atenções durante a maior parte da semana. Mas o dia finalmente havia chegado.
Pasca colocou por cima da blusa laranja de manga um macacão jeans, colocou a varinha no bolso interno e amarrou o cabelo como todos os dias: rabo de cavalo alto preso com uma fita azul escura e uma mochila pequena azul.
— Bom dia! — Torry disse entusiasmada. — Vamos almoçar em Hogsmeade?
— Parece ótimo! — Pasca disse.
Todos eles estavam vestindo roupas comuns. Torry usava uma calça jeans folgada e uma blusa azul de alcinhas, seu curto cabelo castanho médio solto, sua franja balançando com o vento que adentrava o salão. Pyrites usava uma calça e camisa preta, folgada e sem mangas, seu cabelo cor de areia organizadamente desgrenhado, como sempre. Já Rachel vestia um vestido verde de bolinhas simples, porém, bonito; a cor de seus olhos pareciam até mais brilhantes.
Depois de torradas e sucos de laranja, eles partiram em direção à saída de Hogwarts. Vários outros alunos também partiam, entre eles, Sirius, James, Lilian, Peter e Remo. Eles seguiam Pasca e seu grupo de perto, receosos.
Ficou combinado que Sirius usaria a capa de invisibilidade de James e, assim, poderia ficar perto de Pasca sem ela perceber, enquanto o resto dos marotos ficaria por perto, mas sem ser visto. Essa ideia tinha sido dada por Sirius, o que fez com que Lily e James trocassem olhares e sorrisinhos, o que Sirius não notou.
Então depois de todos eles saírem da escola, Sirius cobriu-se com a capa e correu para ficar ao lado de Pasca.
— Onde vamos primeiro? — Torry perguntou.
— Dedos de Mel! — Pasca disse. — Escutei falar que um chiclete novo chegou! As bolas viram bolhas de sabão!
Até Sirius ficou animado com essa ideia, apesar de não gostar de doces.
Eles foram na direção da loja de janelas verde.
— Pasca, não acha estranho Lilian ter sido quase assassinada por causa de um suco de laranja? — Pyrites perguntou retoricamente, mãos nos bolsos e nariz em pé.
Algo naquela situação dizia a Pasca que eles haviam conversado sobre aquilo em particular.
— Talvez eles já tivessem desavenças. — Pasca murmurou, olhos nos parelelepípedos do caminho.
— Algo muito sério que ela não contou a você, a salvadora? — Pyrites disse.
Sirius decidiu que não gostava de Pyrites. Pasca suspirou revirando os olhos.
— Pyrites, não sei. Eles não me disseram nada. — Ela disse enquanto abria uma das portas da loja.
Rachel e Torry entreolharam-se, sem Pasca perceber.
Pasca entrou na loja e logo pegou um saquinho e pôs-se ao trabalho de selecionar diferentes doces. Seus amigos e Sirius ficaram para trás, caminharam até as estantes e comentaram sobre as diferentes guloseimas.
Sirius ficou ao lado de Pasca, olhando os doces ao seu redor, a procura de algo que gostasse.
— Esse é para a Rachel… Certeza que ela vai gostar… — Murmurou Pasca, atraindo a atenção de Sirius.
— Pyrites gosta desses aqui… — Murmurou de novo, pensando alto.
— Será que… não, eu pareceria ridícula… — Pasca murmurou de novo, virando as costas para um doce em forma de pérola.
— Lily só está sendo simpática. Ou curiosa- Ela murmurou rumando para outro corredor.
O canto direito dos lábios de Sirius repuxaram-se um pouco para cima.
Depois de mais uma ou outra loja, e de um almoço satisfeito no Três Vassouras; com Sirius comendo no canto, o prato roubado da cozinha e sendo devorado debaixo da capa de invisibilidade. Eles foram ao Zonko’s, a loja de piadas, onde Sirius percebeu Pasca um pouco assustada. Ela parecia querer ficar longe de qualquer um produto da loja, mas claro que isso não funcionaria num lugar onde cada metro quadrado era cercado de quinquilharias que explodiam.
Pasca encostou em um bando de borrachas que procuravam dedos para morder e todas elas foram acionadas ao mesmo tempo, procurando desesperadamente polegares e indicadores e isso já teria sido bem ruim sem Rabastan abrir a porta da Zonko’s.
Pasca deu um gritinho e Rabastan exclamou, confuso com várias borrachas quicando na direção de sua mão. Ele tentou espantar as borrachas, mas elas já começavam a atacar e a cena era um tanto quanto cômica. Pasca e os outros começaram a rir até Lestrange tirar a varinha do bolso e espantá-las.
Ele lançou um olhar feio para Pasca e apontou a varinha para ela. Sirius, ao seu lado, agarrou uma caixa de estalinhos que queimavam mais do que os comuns e jogou em cima de Lestrange. Pasca se assustou e virou-se na direção de Sirius, olhando diretamente em seus olhos, o que o deixou confuso; porém, ela não o vira, estava olhando na direção a qual achava que alguém estaria.
Nesse meio tempo em que Pasca ficou embasbacada, Lestrange se livrou dos estalinhos. Pasca virou-se e saiu correndo pela loja, indo em direção aos fundos. Ela driblou os atendentes e outros alunos que estavam comprando doces à caminho da porta. Sirius saiu atrás dela, derrubando uma estante na saída e batendo a porta.
Pasca olhou para os lados, incerta de para onde deveria ir e sem perceber que alguém estava com ela, até este alguém pegar a sua mão e puxá-la em direção a uma das portas. Ela deu um grito e, de primeira, se recusou a ir.
— Vamos! — Sirius gritou, dando um puxão.
Pasca cedeu, embasbacada. Sirius correu para fora da Dedos de Mel, Pasca logo atrás, o braço estendido para ninguém.
Ela pegou a varinha, soltando a mão de Sirius, e murmurou “coloportus”, trancando a porta.
Virou-se e voltou a caminhar rapidamente, a varinha já no bolso, procurando um lugar para se esconder ou por onde fugir. Ela vira o olhar de Lestrange. Ele parecia extremamente raivoso, porém, não tanto quanto quando insultou Lily.
Pasca estava prestes a entrar em alguma outra loja pelos fundos.
— Ei!
Ela se virou. Lestrange posava com sua varinha estendida, e a dela estava inacessível naquele momento. Ele riu.
— Que momento! — Lestrange disse abaixando a varinha.
— Então você além de ser uma… Lufana, — Ele disse a palavra como quem cospe algo nojento. — ainda é uma amante de trouxas. Que desgraça aos Viridiano.
Pasca solta uma risada seca, balançando a cabeça. Eles estavam perto de um bosque, as árvores ao redor já os ligavam à floresta. Naquela clareira, eles podiam ver os fundos de algumas lojas de Hogsmeade.
— Você é uma desgraça a toda a comunidade bruxa. Você tentou matar uma pessoa que nem podia se defender… Isso é baixo até para o seu tipo. Você é nojento.
O sorriso de Lestrange se perdeu. Ele levantou a varinha. Sirius olhou na direção de Pasca.
— Suas últimas palavra. — Disse ele. — Avad…
Ao mesmo tempo que Sirius retirava a capa da invisibilidade, um enorme cão saltava em cima de Lestrange, os dentes arreganhados.
Fale com o autor