Lumos Solem
37 Capítulo XXXVI
Notas iniciais
Sirius estava secando o cabelo com uma toalha felpuda, trajando suas roupas de baixo, uma regata de algodão levemente transparente e uma cueca samba-canção com vassourinhas. As roupas dele estavam secando em cima do aquecedor antigo no canto do quarto. Pela sua idade, ele não aquecia muito, mas era o suficiente para os dois não congelarem de frio.
Pasca saira do banheiro só em suas roupas íntimas também. As dela eram rendadas e brancas, combinando. Seu cabelo estava molhado e, assim como Sirius, secava os cachos com uma toalha. O rosto dela estava corado, provavelmente do calor da água. Ele achou que ela parecia completamente adorável, de uma beleza tão singela que poderia passar-se por uma Veela — tirando toda aquela parada meio bizarra de sedução que faz os homens fazerem loucuras.
Toda vez que ele a olhava, principalmente nesses trajes, seu coração perdia uma batida. Ele jurava que um dia desses teria um ataque cardíaco.
Pasca virou seus olhos para ele, que desceram lentamente até alcançarem sua samba-canção. Ela começou a gargalhar, o que fez Sirius enrubescer.
— Vassouras, Black? — Ela disse de forma provocante.
— Ah, você prefere que eu tire. — Disse já com os dedos no cós da cueca.
— Não, não, não! — Pasca balançou as mãos de forma negativa.
Foi a vez de Sirius rir. Ele a chamou com as mãos, para que senta-se na cama.
— Seu cabelo está embaraçado. — Disse quando Pasca sentou-se à sua frente.
— Não trouxe escova, inclusive… Deixei tudo lá. — Ela disse um pouco triste. — Sei que Theo sabe se virar, mas me preocupo com ela.
— Não pode chamá-la? — Sirius indagou.
Pasca torceu os lábios, esforçando-se para pensar nas regras de gatos mágicos.
— Não sei se ela “escutaria” tão longe assim. Theo? — Pasca chamou.
Os dois ficaram olhando ao redor por alguns instantes, até que escutaram um miado fraco do lado de fora da porta. Pasca levantou de um vez, pronta para abri-la.
— Theo! — Ela sussurrou.
A gata subiu na cama e ronronou para Sirius. Ela parecia ótima, não parecia como um animal que passou por uma guerra.
— Ah, Theo… — Pasca murmurou contra o pelo do animal enquanto a abraçava.
Sirius passou os dedos pelas costas de Pasca, assegurando-a que tudo ficaria bem. Assim que esse sentimento instalou-se no ambiente, uma prova martelou na janela. Os três olharam para uma poderosa fênix empertigada atrás do vidro.
Sirius levantou-se rapidamente para abrir a janela e a fênix entrou em um voo rasante. Ela empoleirou-se no encosto da cadeira em frente a uma mesa e esperou um dos dois se aproximar e retirar o pergaminho de sua perna.
Os olhos de Sirius leram a carta velozmente.
— É de Dumbledore. Ele diz que Lupin está bem e que avisou da nossa situação e que deveremos voltar para casa o quanto antes… Ele disse que… que não devemos ir para Hogwarts. — Sirius retira os olhos da carta para voltá-los para Pasca.
– O que? — Pasca indaga enquanto levanta da cama e aproxima-se de Sirius, lendo a carta também.
— Aqui. — Sirius aponta uma linha. — Estão procurando alguma ameaça na escola deixada pela Professora Smerna. — Ele passa os dedos pelos cabelos escuros e úmidos. — Pasca, precisamos ir para lá.
— Sirius, não. Vamos para casa. — Pasca disse balançando a cabeça. — O próprio Dumbledore disse para irmos para casa.
Sirius sentou-se na beira da cama e apoiou os cotovelos nos joelhos enquanto relia a carta, ao mesmo tempo que Pasca buscava água para o pássaro e desfazia alguns pedaços de biscoito. E Theo olhava a fênix de forma desconfiada.
Antes que os dois fossem dormir, Fawkes, a fênix, já havia alçado voo.
Já era muito tarde e Sirius continuava a olhar pela janela, pensando se seu amigo estaria a salvo e se ele mesmo não deveria procurá-lo. Afinal, os dois não deveriam estar longe. Sim! Se ele saísse agora, talvez os alcançasse e os três poderiam ficar juntos no hotel e retornar para Londres em segurança no dia seguinte. Mas braços quente envolveram-o e a dona do calor viu a preocupação em seus olhos. Pasca deu um sorriso de lábios cerrados e trouxe Sirius para perto.
— Eles vão ficar bem. — Ela disse baixinho em seu ouvido.
E aquela promessa vinda dela pareceu o suficiente para que Sirius pudesse deslizar nos braços de Morfeu para um sono pesado, apesar do desconforto da cama antiga.
No dia seguinte, os dois acordaram quando o sol ainda se levantava. Eles passaram a manhã em silêncio, vestindo-se com pressa e prendendo o cabelo em rabos de cavalo bem firmes. Antes de cruzarem o portão e descerem para tomar café da manhã, Sirius puxou Pasca pelo pulso e plantou um beijo gentil em seus lábios. Quando ele afastou-se, ela sorriu e puxou-lhe para mais um.
O esquisito dono do hotel ainda arrumava os alimentos em uma longa mesa no canto do salão quando Sirius e Pasca sentaram-se em uma mesa afastada e abriram um mapa da região que estava disponível para os hóspedes.
— Hogwarts deve estar perigosa, assim como a região ao redor… Deveríamos passar bem longe de lá. — Pasca disse.
Sirius olhava pela janela quando disse:
— O meu apartamento fica no caminho… Poderíamos ir para lá e… enviar corujas para os seus pais e Lupin.
Pasca levantou os olhos do mapa coberto por dobraduras. Apesar de ainda estar um pouco escuro para ter certeza, ela podia jurar que Sirius estava corando. E, agora que ela o via sem graça, começava a ficar também, pensando no que ele poderia estar pensando.
— Parece uma boa estratégia. — Ela disse com os olhos em seu extra interessante café com leite.
— Você acha? — Sirius virou-se para ela.
— É, porque não? Só por uns dias, certo? — Ela deu de ombros e bebericou a bebida quente.
— Isso mesmo. — Uma coceira imaginária atraiu a atenção de Sirius para sua nuca.
Pouco tempo depois os dois estavam no céu com Theo dentro da mochila, acabando de cruzar a Europa, de volta para casa.
O apartamento em um prédio de trouxas era pequeno e organizado, com uma cozinha no estilo aberto, um sofá com almofadas pretas, uma poltrona de aparência confortável, mesa de centro e uma pequena mesa de refeições. A melhor parte da sala era, sem dúvidas, a janela enorme sem cortinas. Também havia um objeto estranho. Ele ficava em cima de uma pequena cômoda e parecia que todo os móveis estavam virados para ele. Quase como se fosse um altar. Era grande, negro, com uma tela de vidro no centro e uma camada de plástico ao redor. Atrás havia um grande tubo e acima, antenas pontudas de metal. Pasca observou o objeto enquanto Sirius a ajudava a tirar seus dois casacos.
— Veio com o apartamento, assim como os outros móveis. — Sirius respondeu sua pergunta silenciosa.
Ela girou o corpo em sua direção antes de perguntar: — Você sabe o que é?
— … Não exatamente. Também não quero descobrir, vai que atrai algum tipo de monstro? — Sirius disse com os olhos no aparelho.
Os dois deram de ombros.
— Eu vou tomar um banho antes de comer… — Sirius disse de forma estranha. — Você quer ir primeiro?
— Ah, tudo bem, você pode ir primeiro... Obrigada. — Pasca pigarreou.
Pasca esperou encarando seu reflexo no vidro do objeto esquisito depois de comer uma torrada e, depois de Sirius sair do quarto — vestido uma camiseta branca e jeans escuros -, ela passou pela porta.
O quarto de Sirius era bem simples. Havia um cama de casal no centro, livros que formavam um criado mudo do lado da janela, esta que possuía cortinas leves e escuras. Num canto, um pequeno armário de duas portas e madeira branca. Havia também um tapete com uma imagem que Pasca não compreendeu completamente. Os tons eram escuros e misturavam-se. O quarto estava abafado, provavelmente de todo o tempo que ficara fechado, então ela arrastou as cortinas para os lados e abriu a janela. Ela aproveitou para ver a foto no topo do criado mudo. Sirius, Lupin, James e Pettigrew estavam posando de forma um tanto ridícula e James não conseguia levar a sério, pois toda vez que ele olhava para Sirius, gargalhava.
Pasca abriu a única porta do quarto, sem ser a de saída, e deparou-se com um banheiro bem pequeno. Apenas ela dentro dele já era lotado. Retirou suas roupas com dificuldade e as colocou em cima da pia, assim como sua varinha.
O chuveiro era forte e a água fluía em grande quantidade. Pasca lavou o cabelo com os produtos de Sirius, limpando o corpo com seu sabonete líquido de maçã verde. Em alguns minutos ela saía do banheiro enrolada em uma toalha.
Em cima da cama havia uma camisa branca de algodão e uma cueca boxer cinza. Ela vestiu o que Sirius havia deixado e abriu a porta do quarto com sua calcinha limpa na mão.
— Hum, oi. Onde posso pendurar minha calcinha para secar? — Ela disse do mesmo lugar.
O queijo quente que Sirius comia caiu no prato, fazendo um barulho surdo. Ele fez alguns sons com a garganta antes de apontar para uma porta ao lado do armário da cozinha. Pasca cruzou a sala rapidamente e voltou para o quarto de costas, sem olhar para Sirius.
Seu rosto estava vermelho quando ela fechou a porta depois de murmurar que iria tirar uma soneca. Ela pedira para ele acordá-la em alguns minutos, não queria deixar de dormir à noite.
Ela fechou as janelas e as cortinas antes de deitar-se na cama. Parecia que todo o dinheiro para móveis mais legais havia sido investido nos lençóis e travesseiros. As costas de Pasca pareceram derreter em contato com o colchão macio. Ela chegou a soltar um som quando sua cabeça encontrou o travesseiro de penas de animais pelos quais ela se sentia culpada, porém, pensou que eles deviam sentir-se orgulhosos por terem penas tão maravilhosas. Seu corpo protestava de forma até prazerosa contra o conforto todo da cama depois dos dois dias desconfortáveis montada em uma vassoura equilibrando as próprias costas.
O sono veio antes que ela pudesse perceber e trinta minutos depois Sirius bateu levemente na porta.
— Pasca? — Ele chamou antes de entrar no quarto.
Ela parecia um anjo desmaiado entre os lençóis, travesseiros e colcha púrpura. Seu cabelo estava seco e como uma auréola ao redor de sua cabeça. Ela parecia não ter preocupação nenhuma enquanto dormia docemente e parecia ter a idade que realmente tinha, ao contrário do normal.
Sirius aproximou-se devagar e deitou-se ao seu lado. Tentativamente, ele deixou um beijo em sua bochecha, depois testa, queixo, nariz até, gentilmente, beijar seus lábios. Com o leve toque, Pasca pareceu despertar.
Ela emitiu um som que fez Sirius sorrir e abraçou seu pescoço com os olhos ainda fechados. Ele a trouxe para mais perto e ela enfiou seu rosto no pescoço dele e, após alguns instantes, beijou sua pele quente. Assim como ele havia feito com seu rosto, ela fez naquela região. Sirius sorriu docemente, aproveitando o carinho.
Porém, o que parecia apenas doce tornou-se rapidamente mais intenso quando Pasca beliscou sua pele com os dentes, enviando uma corrente elétrica diretamente para a região baixa de seu torso. Sirius fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás enquanto ela beijava seu pescoço com vontade, deixando pequenas marcas.
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