Lumos Solem
34 Capítulo XXXIII
Pasca comia mingau de aveia enquanto lia um livro quando Sirius entrou no salão onde serviam as refeições. Ela usava o cabelo preso em duas tranças bem feitas, um suéter azul marinho e botas por cima da bainha da calça.
— Bom dia. — Sirius disse sentando ao seu lado.
Pasca virou-se na sua direção com um sorriso brilhante no rosto.
— Bom dia.
Sirius inclinou-se rapidamente e beijou seus lábios.
— Estamos em público. — Ela afastou-se e olhou ao redor.
Sirius revirou os olhos.
— Como foi ontem? Conseguiu chegar até a cozinha?
— Sim, tenho um bom feitiço de invisibilidade. — Pasca disse cheia de si.
— Eu sei. — Sirius respondeu com o rosto apoiado na mão.
Pasca o fitou, abandonando a colher.
— O que? Eu te observei, sei de muita coisa. — Ele disse com a expressão brincalhona, enquanto mergulhava a colher no mingau em frente a ela.
— Ah, é? Tipo o que? — Ela perguntou de forma provocante, sua expressão de dúvida foi trocada.
Sirius levantou o olhar, sorrindo sutilmente para ela, aquele sorriso de canto de lábios.
— Anda muito pela escola, Pasca? Deve fazer muito passeios… para ter um feitiço como o Camana nin visibelis tão bom. Você realmente desaparece. — Sirius murmurou.
Pasca expirou e sorriu sem mostrar os dentes. Sirius percebeu que eles estavam inclinados um sob o outro, seus rostos próximos um do outro.
— Bom dia, Srta. Viridiano. — Uma voz suave disse atrás de Sirius.
O homem era alto e bem arrumado, com seu suéter creme, colarinho azul e calça clara. Os fios dourados no topo da cabeça também lhe faziam jus, os outros claros eram um pouco assustadores para Sirius.
— Bom dia, Prof. Azakrof. — Pasca disse corando.
Sirius revirou os olhos e encarou os croissants. O cara parecia um panaca na opinião dele, não sabia como Pasca podia estar caindo nessa conversinha de voz macia.
— Estou vendo que está lendo o livro que lhe emprestei ontem. — Demyan reparou.
— Ah, sim, gostei muito do capítulo sobre insetos. — Ela disse prontamente, seus olhos brilhavam.
Sirius levantou a cabeça para olhar para Pasca, “Capítulo sobre insetos? Quando deu tempo para ler isso? Não era para ela estar lendo, era para estar fazendo outras coisas depois de nosso tempo juntos ontem à noite”.
— Sim, sim, teorias muito interessantes, não é mesmo? Testaremos algumas hoje nas espécies de flores. — O professor disse.
Pasca parecia reluzente.
— Bom, acho que vou para o meu laboratório. — Sirius interrompeu a troca entre os dois, enquanto levantava-se.
Pasca levantou-se também. De repente tensa por Sirius partir?
— Te vejo mais tarde. — Ele murmurou e inclinou-se, beijando o rosto de Pasca, na curva de seus lábios.
Ele virou-se à tempo de ver a sombra de rubor dela.
As aulas no laboratório de Criaturas Mágicas eram muito mais divertidas do que interessantes para Sirius. Mirta parecia realmente animada em aprender, mas Lupin e Sirius prestavam atenção apenas nas partes em que diziam o que eles deveriam fazer.
Um ou outro trabalho dado a eles era chato, mas a maioria eram aventuras, ou seja, eles estavam satisfeitos com os dias gastos em Kiev. Uma noite Lupin e Sirius visitaram um bar bruxo, a primeira opção de Sirius havia sido Pasca, mas ela estava muito cansada para ir, apesar de querer.
— Eu tive que colher flores o dia todo. Uma espécie de cada e minhas costas estão me matando. — Ela dissera.
Várias garotas — e alguns garotos — haviam convidado Sirius para dançar, mas nenhuma parecia ser interessante ou muito bonita ou ter os olhos parecidos com caramelo derretendo. Então ele concentrou-se no álcool e voltou para a vila bamboleante. Já fazia algum tempo que ele e Pasca não ficavam sozinhos e ele achou que seria uma ótima ideia bater em sua porta no estado em que estava.
Pasca estava deitada na cama de pijama e os cabelos soltos, cercada de milhares de travesseiros e com o livro de Demyan em mãos quando escutou batidas desritmadas na porta.
— Sirius? — Ela sussurrou surpresa para o garoto parado no batente da porta.
Ele estava apoiado na moldura da porta, suas bochechas estavam avermelhadas, como se ele tivesse passado maquiagem, seus olhos não estavam altivos, pareciam distraídos.
— Boa noite, Srta. Viridiano. — Disse curvando-se em uma saudação. — Já que anda sem tempo para mim, arrumei o tempo.
— Venha logo para dentro antes que alguém passe aqui. — Ela disse puxando-o para o quarto pelo suéter preto.
— Ah, as coisas estão rápidas hoje. — Disse rindo.
Pasca fechou a porta e em meio a puxá-lo para dentro do quarto, sentiu o cheiro de Firewhisky.
— Você bebeu? — Ela perguntou com as sobrancelhas franzidas.
— Estava em um bar, lembra? Te chamei. — Sirius disse sentando-se na cama dela e pegando o livro de forma desajeitada. — Você me trocou pelo livro do Professor Azakrof. — Ele disse as últimas duas palavras com bastante sotaque russo.
— Não te troquei, — Ela corou — eu estava cansada e minhas costas estão me matando.
Sirius soltou uma risada.
— O que foi? Você diz isso como se não ficasse cercado de garotas bonitas o tempo todo, ou como se não tivesse ido em um bar beber ao redor de todas essas ucranianas.
Sirius arregalou os olhos enquanto sorria, — Uaaau! Não esperava que você fosse ciumenta.
— Eu também não esperava que você fosse!... E eu não sou ciumenta! — Ela adicionou de última hora.
Sirius ficou em silêncio por alguns segundos.
— Ninguém é como você. — Ele disse a puxando para a cama.
Pasca não precisou ceder, ela queria que ele a desse contato físico.
— Não é que elas não sejam bonitas ou interessantes, — Sirius disse segurando sua mão — é que eu gosto de você. Você é mais bonita e mais interessante para mim.
Ela não se importou com as palavras atrapalhadas e a pouca coerência, ele parecia sincero e disposto a falar de seus sentimentos como pouquíssimas vezes. Pasca pensou em abusar de sua situação, mas não achou que seria justo.
— Eu gosto de você também. — Ela disse aproximando-se, soltando sua mão e enlaçando seu pescoço com seus braços.
— Ei, por que eu não faço uma massagem em você? — Sirius mudou de assunto.
Pasca riu da mudança drástica.
— Vai lá no banheiro e tira a roupa, coloca o roupão e volta aqui.
Ele não pareceu perceber o quanto ela ficou sem graça com a possibilidade de ficar nua só de roupão na frente dele, mas pensou em como já tinha tirado a camisa na segunda noite em Kiev.
— Você não parece aqui o suficiente para fazer uma massagem. — Ela referiu-se a como Sirius estava bêbado.
— Você é chata.
Ele a segurou pela cintura e jogou-a de costas na cama, ficando em cima dela, pronto para beijá-la, mas seu joelho estava muito perto da curva da cama e ele cedeu, fazendo com que todo o peso encontra-se o chão. Pasca arfou de susto e inclinou-se para ajudar Sirius, mas ele parecia bem, só soltou um grunhido.
— Acho que é mais seguro se a gente dormir. — Ela disse rindo.
Sirius revirou os olhos, mas começou a tirar as roupas, ficando de jeans e camiseta.
— Você fica bem de amarelo. — Sirius comentou sobre o pijama de Pasca, era um uma calça e casaco de moletom preto com linhas amarelas nas laterais do corpo.
Pasca sorriu ao jogar o cobertor para o lado e dar batidinhas no colchão, chamando-o para a cama, chamado ao qual ele obedeceu e deitou-se ao lado dela. Pasca deitou a cabeça no peito de Sirius e demorou pouquíssimo tempo para dormir, assim como ele, que foi embalado pelo restante de álcool em sua corrente sanguínea.
Os dois acordaram ao mesmo tempo e aquilo parecia o paraíso para os dois. A cama estava quentinha e os cobertores eram pesados em cima dos dois, do lado de fora era frio, mas eles não precisavam preocupar-se com isso, estando um nos braços do outro.
Fale com o autor