Lumos Solem

11 Capítulo XI


Notas iniciais
As coisas começam a ficar interessantes...

Pasca achara que a conversa com Sirius na biblioteca tinha ido muito melhor do que aquela no Salão Comunal. Afinal, ele não tinha saído depois de algo que ela dissera.

Pasca caminhava distraidamente pelos corredores de Hogwarts, sem viva alma com ela. Seu coração quase saiu pela boca quando ela avistou o cão.

Sirius trotou até ela, o rosto de Pasca estava vívido e ávido, ela abaixou-se para fazer carinho no cachorro, mas recolheu a mão e seu rosto se transformou em uma carranca irritada.

— Você sumiu.

Ela sentou-se no chão e cruzou os braços inconscientemente. Sirius negou com a cabeça canina. Ele emitiu um choro de cachorro. Não sabia o que fazer, ele não havia se preparado para encontrar Pasca, agiu impulsivamente, não tinha bilhetes.

— Não tem explicações, hum. — Pasca disse de forma amarga, se aproveitando de ele não poder falar.

Sirius encarou os olhos de Pasca e ela ficou sem graça. Ele latiu pra ela e aproximou-se.

— O que é? — Ela disse desmontando a fachada de irritação, a curiosidade maior.

Sirius latiu de novo, desta vez muito perto de Pasca.

— Eu não entendo o que você quer dizer! — Ela disse, começando a ficar agoniada.

Sirius olhou fundo em seus olhos, o que fez Pasca ficar em silêncio.

— Você quer que eu leia sua mente? — Ela perguntou embasbacada.

O cão latiu novamente, afirmando.

— Olha, eu não sei se essa é uma boa ideia. Não é algo que muitas pessoas conseguem controlar. E estou falando da pessoa que lê e da que tem a mente lida. — Pasca disse em uma enxurrada de informações, falando em uma frequência veloz.

Sirius continuou olhando nos olhos dela. Ela afirmou com a cabeça uma vez e olhou de volta. Pasca sacou a varinha e apontou, murmurando “legelimentes”.

De uma vez, pensamentos que não eram dela empurraram-se para dentro da mente de Pasca. Ela se viu na loja de doces, falando consigo mesma, pensando em comprar balas para para Lily e sentiu seu coração esquentar com um sentimento que não era seu. Ela viu enquanto uma mão invisível agarrava a sua própria a puxava para outro lugar, em ansiedade, e olhou para si mesma quando o dono da mão tornou-se um cão, desfazendo-se da capa, um sentimento de medo de perder algo a tomou, medo que também não era dela. Logo depois, a cena já era outra; ela encarou a si mesma sentada na floresta, um sorriso em seu próprio rosto, e um sentimento que mimicava o seu próprio naquele mesmo dia. A última cena era uma mão branca, com longos dedos colocando um bilhete dentro do oco de uma árvore. O dono daquela mão estava chateado e quase irritado. Ele virou-se para o castelo e lançou um patronos sem palavras.

Sirius desviou seu olhar do de Pasca e seus pensamentos já eram só dele e os de Pasca, só dela. E ela não precisava estar na mente dele para saber que eles compartilhavam os mesmos sentimentos naquele momento.

Pasca lançou os braços ao redor do pescoço do cachorro.

— Obrigada por confiar em mim. — Ela disse depois de alguns segundos, a cabeça enorme do cachorro em seu ombro.

Ela afastou-se e olhou para o cão. — Imagino que você tenha segredos que não possa compartilhar comigo. Espero que possa um dia.

Se Sirius estivesse em sua forma humana, ele teria corado. “Ela é esperta”, ele pensou enquanto afirmava entusiasticamente.

Sirius contou a Pasca telepaticamente para encontrá-lo na frente da Sala Precisa no sábado à tarde. E lá estava ela, depois do almoço, em frente à enorme parede de pedra. Sirius chegou instantes depois em sua forma canina e pensou como precisava de um lugar aconchegante para levar uma garota.

Em segundos uma passagem com duas portas se fez na parede de pedra. Pasca não conteve a surpresa e arfou. Sirius balançou a cabeça, incitando-lhe a ir na frente. Ela girou a maçaneta e empurrou a porta, entrando em um salão com muitas janelas e cortinas pesadas que estavam penduradas altas no teto. A sala não era muito grande, era confortável, com sofás compridos e pequenas mesas de centro e poltronas. Em uma das pontas havia uma montanha de travesseiros de tons escuros.

A sala não parecia romântica demais, de modo a entregar o que ele pensara, ao que Sirius agradeceu silenciosamente em sua cabeça de cão.

— O que é essa sala? — Pasca perguntou, caminhando pelo salão.

Sirius subiu no sofá e olhou no fundo dos olhos de Pasca. Ela entendeu o sinal e, com a varinha apontada para ele, murmurou “legelimentes”.

Pensamentos que não eram seus inundaram sua mente novamente. Ela viu Sirius entrando na sala, pela perspectiva visual dele em forma humana, então estava bem mais alto. Quando ele abriu a porta, a sala se moldou a algo diferente de onde eles estavam agora. Essa sala era mais larga, com paredes cobertas de livros e mesas cobertas de ferramentas das aulas de Poções e caldeirões de diversos tamanhos.

E Pasca estava de volta a sala nova.

— É uma sala que varia de acordo com o que você quer? — Pasca perguntou enquanto se sentava ao lado de Sirius.

Sirius balançou a cabeça afirmamente.

— E para onde vai a porta quando estamos aqui dentro?

O cão deu de ombros e ela entendeu que ninguém poderia encontrá-los lá dentro.

Após alguns instantes deles em silêncio, Sirius latiu baixo, atraindo a atenção de Pasca. Ela olhou fundo nos olhos do cachorro e outro pensamento veio em sua mente. Sirius estava repassando a cena em que Pasca havia defendido Lily.

— O que? — Pasca perguntou, ruborizada. — Não entendo o que você quer saber sobre isso. E duvido que possa me mostrar sua pergunta. Talvez seja a hora de virar humano. O seu silêncio é um pouco assustador, sabe? — Ela tentou de braços cruzados.

Sirius soltou o ar pela boca, fingindo tédio.

— Ok. Você quer saber como eu fiz? — Pasca disse, entediada por não tê-lo convencido.

Sirius afirmou com a cabeça. Pasca cruzou as pernas em cima do sofá e contou para ele das plantas e também de como leu a mente de Rabastan sem precisar pronunciar o feitiço. Sirius seguiu fazendo perguntas telepáticas e respondendo algumas de Pasca também. Eles seguiram com seu diálogo no dia seguinte e durante a semana Sirius encontrou Pasca em sua forma humana.

— Alguma descoberta de vegetal vermelho útil? — Sirius perguntou com as mãos nos bolsos, seu cabelo balançava ao vento.

Pasca tirou uma fruta grande do bolso na frente de Sirius e sua dupla, Mirta. Sirius inclinou-se para perto dela, sem tirar as mãos dos bolsos, e espiou uma fruta escamosa e rosa, com as pontas esverdeadas.

— Huum, interessante. — Sirius murmurou. — Como conseguiu?

— Pettigrew. — Pasca disse. — Ele não te contou?

Sirius negou com a cabeça. Ele teria uma conversa com o amigo mais tarde.

— Por que não pediu para mim? Eu consigo coisas de fora. — Sirius franziu a testa, enquanto Lupin dava um sorriso refreado, aproximando-se do grupo.

Pasca sentiu um tom de ciúmes, mas achou que seria muito cedo para brincar com isso. Ela deu de ombros, um sorriso torto em seus lábios. Ela havia encontrado Pettigrew na escada e se tocado que se havia alguém que poderia conseguir uma fruta da América Central, era um dos Marotos.

— Você pode ficar com 20% do valor que eu vou gastar com a fruta. — Pasca murmurou para Pettigrew.

— Feito! — Pettigrew estendeu a mão direita para que ela apertasse.

— Pitaya, Viridiano? — A professora se aproximou de Pasca, Sirius, Lupin e a dupla de Pasca.

— Sim, professora. Meu grupo descobriu que animais tais quais os unicórnios se alimentam de uma dieta carmim. — Pasca explicou com confiança na voz.

— São um grupo agora? — A professora perguntou.

— … Acho que é sensato nos juntar. — Pasca murmurou olhando para seus colegas que assentiram.

Mirta conhecia Sirius e Lupin, já que eram da mesma casa.

— Abra-a então. — A professora deu de ombros.

Sirius conjurou uma adaga e passou para Pasca. Seus dedos se esbarraram e Pasca se arrepiou, assim como Sirius. A pele dela estava gélida.

Pasca perpassou a lâmina pela fruta e a abriu. Os alunos se amontoaram para olhar o interior acinzentado da pitaya. Pasca grunhiu e Sirius suspirou, um pouco decepcionado.

— Será que vai dar certo ainda? — Lupin perguntou.

Pasca ofereceu a parte macia e cinza da fruta para o unicórnio. Ele cheirou, olhou, retraiu-se e tirou um pequeno pedaço. Revirou na boca enorme, mastigou e, finalmente, engoliu. Os alunos observaram com ansiedade. O enorme unicórnio macho regurgitou, os colegas de Pasca emitiram um som de nojo.

— Continuem tentando, meninos. Boa ideia, Pasca. — A professora disse enquanto se afastava para observar uma dupla. — Não esqueçam do prêmio final! A viagem de grupo para Ucrânia!

Pasca suspirou. Ela queria muito estudar as plantas peçonhentas ucranianas.

— E se déssemos só a casca? — Sirius perguntou, retirando a adaga das mãos de Pasca sem tocar em sua pele.

Ele ofereceu apenas a parte rosa para o unicórnio, que revirou na boca e engoliu, mas relinchou em descontento.

— Isso é um avanço! — Pasca virou-se para Sirius sorrindo, um sorriso verdadeiro.

Sirius balançou a cabeça positivamente, os olhos impressionados. Mirta e Lupin concordaram e fizeram anotações, distanciando-se um pouco dos dois.

— Tentaremos acerolas na próxima vez! — Pasca disse animada.

— Ace o que? — O feitiço foi quebrado com as acerolas.

— É uma fruta do Brasil. — Pasca disse recolhendo a pitaia e retirando um pedaço para ela mesma.

— Como é que escreve isso? — Sirius tirou um bloquinho da mochila e uma pena.

Pasca soletrou, observando Sirius escrever. Ela franziu as sobrancelhas para sua letra. Um vento forte bateu sobre eles, os fios negros de Sirius se agitaram, voando para todos os lados.

— Já pensou em cortar o cabelo, Black? — Pasca perguntou, seus cachos em seu rabo de cavalo usual se agitavam, mas estavam contidos.

— Pensei que as meninas gostassem de cabelo grande. — Sirius disse abrindo seu típico sorriso malicioso, que fez Pasca corar ligeiramente e desviar o olhar enquanto ele prendia um cabelo em um coque desarrumadamente elegante.

— Elas gostam por dois minutos, depois é só uma bagunça. — Ela disse com seu próprio sorriso malicioso, não tão eficaz quanto o de Sirius, mas eficaz o suficiente nele.

— Vou pensar nisso. — Ele murmurou.

Pasca mal teve tempo de admirar seu rosto perfeitamente esculpido antes de sentir um pingo de chuva na ponta do nariz, que a fez olhar para o céu. Uma chuva torrencial começou a cair. Algumas meninas gritaram procurando por cobertura.

— Pasca, Sirius! Me ajudem a levar os unicórnios para o estábulo! — A professora gritou. — Os outros.... — A professora ficou em dúvida do que ordenava, vendo os alunos agitados. — estão liberados.

Os outros alunos corriam na direção do castelo e Pasca e Sirius, em meio à chuva, correram para buscar os unicórnios. Pasca puxou os pais pela corrente em seus pescoços, Sirius puxou os unicórnios potros.

Eles levaram os unicórnios em uma mistura de corrida e trote para o estábulo, que descobriram ser uma floresta artificial. O queixo de Pasca caiu ao entrar e avistar todas as árvores, a terra e um pequeno lago dentro do estábulo.

A professora segurou as correntes dos unicórnios e os soltou. — Muito bem feito, não é?

Pasca afirmou.

— Obra do professor Dumbledore. — A professora comentou. — Podem voltar ao castelo depois que se aprumarem, crianças.

Sirius olhou para as próprias vestes. Estavam encharcadas, assim como as de Pasca. O cabelo dela estava muito molhado também. Ela levantou a mão para retirar a fita azul que mantia-o em um rabo de cavalo alto. Seus cachos molhados cairam pelos ombros até sua cintura. Sirius desviou o olhar, sentindo-se desconfortavelmente aquecido de repente.

Ele também desfez o coque, e espremeu o cabelo nas mãos, retirando o excesso de chuva, e os prendeu novamente. Quando virou na direção de Pasca, ela estava agachada observando uma planta com frutos brancos estranhos.

Notas finais
E aí? O que você achou dos diálogos de Sirius humano e Pasca?