Lumos Solem
10 Capítulo X
Notas iniciais
“Pasca,
Desculpe-me. Não poderei te ver hoje.
— Almofadinhas”
Pasca seguiu o patrono de um cão igual a Sirius até uma árvore. O vento aumentava assim como as sombras no chão, o dia anoitecendo. Ninguém vira Pasca seguir apressadamente atrás do cachorro até chegar à árvore. Ela olhou para os lados antes de enfiar a mão dentro da parte oca, onde o patronos havia desaparecido.
Pasca suspirou depois de ler. Ele não havia marcado outra data ou dito a causa.
E quando os dois perceberam, havia passado duas semanas, que mais parecia um mês. Pasca passava as conversas dos dois na cabeça, querendo saber onde havia errado. E Sirius passava quase todos os dias com Lupin e os outros, pensando em Pasca durante as aulas. Ela estava tão perto, mas não podiam se falar.
As visitas a Hogsmeade tinham sido banidas, então onde eles se encontrariam? Não havia muitos lugares seguros que não denunciaram a identidade de Sirius. Ele também não sabia o que dizer a ela. Não poderia dizer que um dos seus melhores amigos precisou de uma ajudinha pois não era muito chegado à luas cheias. Sirius tinha segredos demais para guardar e de repente, o que antes era confortável, agora o deixava agitado.
Em um dia de Trato das Criaturas Mágicas, Lupin, o parceiro de Sirius no projeto, não estava. Ele ainda se recuperava da lua cheia na enfermaria.
Sozinho, Sirius se aproximou de Pasca e perguntou onde tinham parado na aula anterior, com a prancheta em mãos e algumas anotações com pouco nexo.
— Tentamos alimentar os unicórnios, lembra? — Ela disse sem tirar os olhos de suas próprias anotações.
O coração de Sirius batia forte, com medo de ser desmascarado pelo olhar errado, o cheiro conhecido ou até mesmo o coração martelando.
— Ah, sim. O meu comeu um pedaço de carne de faisão da minha mão. — Sirius disse, observando o unicórnio de estudo dele, de Pasca, da dupla dela e de outras duas duplas.
Pasca olhou para ele impressionada. Toda a turma passou a aula inteira pesquisando com o que alimentar os unicórnios. Ela sabia que Sirius tirava boas notas, mas James era o exibido. Pasca achava que Sirius só tinha sorte e influência... positiva.
— Ele vomitou depois, mas acho que vale alguns pontos.
Pasca riu entre dentes, soltando o ar pelo nariz.
A aula seguiu com Pasca e Sirius se juntando para pesquisar alimentos que os unicórnios pudessem comer, a dupla de Pasca deixada de lado. Pasca ria dos comentários divertidos de Sirius e fazia um ou outro também, ao que Sirius respondia bem, rindo também.
No final da aula, os dois já liam um livro junto, com os braços quase se tocando.
— Muito bem, crianças. Corram para a próxima aula. — A professora disse quando a aula de Trato das Criaturas Mágicas havia acabado.
— Eu acho que já vi algo em um dos livros do Newt Scaramander sobre alimentação de unicórnios. — Sirius disse alcançando Pasca, que já subia colina acima.
Pasca virou-se para encarar Sirius. Seu cabelo estava desarrumado de um jeito que Pasca não conseguia completar o pensamento. E seu cílios eram incrivelmente compridos para um garoto. Seu rosto estava rosado do frio e do sol. E um sorriso brincava em seus lábios, pronto para escapar. Ela tornou a olhar para frente.
— Te encontro na biblioteca no nosso próximo horário livre? — Ela disse enquanto suas bochechas ficavam avermelhadas.
Sirius demorou para responder, um pouco impactado e disse seu próximo horário livre. Pasca franziu as sobrancelhas, como alguém que está tentando lembrar algo, mas não consegue. Ela deixou para lá; a conexão entre os horários do cachorro e de Sirius não foi feita.
— Te vejo lá. — Ela disse.
Eles se encontrariam na biblioteca no mesmo dia da semana que Pasca e o cão se encontrariam. Sirius já esperava em uma mesa perto da janela quando Pasca cruzou pelas estantes, sentando-se na frente dele.
— Oi. — Ela disse com um pequeno sorriso nos lábios.
— Oi. — Sirius respondeu com o mesmo sorriso. — Esse é o livro que eu falei.
Ele levantou o livro da mesa para mostrar a Pasca. Ela folheou-o e franziu as sobrancelhas.
— Imagino o que esteja pensando. Não tem um capítulo sobre unicórnios, mas tem um capítulo sobre artiodáctilos mágicos. E diz que… — Sirius contou rapidamente, um pouco empolgado. Nada parecido com ele mesmo.
— Espera, espera. Os o que mágicos? — Pasca interrompeu.
— Animais com chifres. — Ele disse, os lábios ligeiramente tortos, percebendo sua própria agitação.
— Ah, sim, ok, continue.
— Diz que eles comem vegetais vermelhos. — Sirius disse com o indicador apontando para o livro. — Talvez os unicórnios não sejam parte dessa família de animais, mas acho que é válido tentar.
— Você gosta desse tipo de assunto? — Pasca disse, pegando Sirius de surpresa com a pergunta pessoal.
— Fiz uma pesquisa extensa por um tempo. — Sirius disse depois de alguns segundos em silêncio pensando no estudo para transformação em animago. — Mas não tenho grande interesse. Você tem?
— Acho que toda garota gosta de unicórnios. — Ela riu. — Gosto de gatos, tenho um.
— Ah. — Sirius tentou não parecer chateado diante da ideia de que pessoas que gostam de gato normalmente não gostam de cachorro. — Qual o nome?
— Theo. — Pasca virou-se para o relógio.
— Complexo de deus?
— E ela está aqui. — Pasca disse enquanto um gato branco pulava em seu colo.
Sirius observou espantado.
— Sempre que eu digo o nome dela, ela aparece. — Pasca deu de ombros. — Talvez seja um completo de deus, afinal.
A gata subiu na mesa e desfilou até Sirius. Ele ofereceu os dedos para ela cheirar, o que fez e logo depois se jogou contra sua mão, pedindo carinho.
Pasca levantou as sobrancelhas em surpresa. A gata nunca fizera aquilo com ela.
— Vocês já se conhecem? — Ela fez piada.
Sirius riu sinceramente. Os olhos de Pasca reluziram por um instante.
— Gosto mais de plantas do que de animais. — Ela disse, tentando continuar a conversa.
— Então é verdade aquilo sobre os lufanos.
— Às vezes. — Ela sorriu de forma trocista. — É verdade que os grifinórios se colocam em perigo o tempo todo?
— … Às vezes. — Sirius lançou um sorriso sedutor.
Pasca sorriu e levantou-se.
— Te vejo na próxima aula. — Ela disse enquanto pegava o livro.
E saiu da biblioteca, os olhos de Sirius observando-a.
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