Lumos! Interativa

10 Um mundo de suspeitas.


Notas iniciais
Yooooooo, seus lindos que amo tanto ♥ Como sempre, demoro uma vida mas não desisto. Na verdade o atraso desta vez foi intencional, já que passei o mês passado trabalhando em fics mais antigas que eu não mexia faz tempo e que estou tentando terminar antes de começar a trabalhar. Enfim... desejo-lhes uma boa leitura, e não se assustem, como eu havia prometido, as coisas vão começar a ficar tensas.

A noite desceu sobre Hogwarts de forma lenta e gradual, encontrando os quatro fundadores devidamente reunidos em uma das salas, exclusivamente separada para ocasiões daquele tipo e enfeitiçada à prova de ouvidos curiosos. Não era um aposento muito extenso. Ficava no terceiro andar, e era bem arejada, com suas janelas extensas envidraçadas e a mesa de madeira maciça, grande o suficiente para que os quatro se colocassem ao seu redor – embora fosse quadrada, e não redonda.

— Creio que podemos começar. — Rowena inclinou-se em sua cadeira estofada, apoiando os braços sobre o tampo do móvel e observando seus parceiros com atenção. — Helga… que notícias temos da segunda manticora… conseguiram capturá-la?

A outra balançou negativamente a cabeça, parecendo genuinamente preocupada. — Ninguém mais foi capaz de encontrá-la. Mas não foi morta por nenhum bruxo conhecido. Então não posso dizer que estamos seguros com relação a ela, pois o invasor pode ter conseguido controlá-la novamente.

— Isso é ruim… — Godric alegou de seu lado, ele estava encostado confortavelmente em seu assento, mastigando um palitinho de madeira com nervosismo. — Posso dar um fim rápido a criatura se voltar a aparecer, mas quanto ao intruso… — seus olhos voltaram-se para Salazar. — Você duelou com ele, certo? O que tem a dizer?

— Arrogante, pretensioso, orgulhoso. — ele enumerou, com o jeito frio de sempre. Era o único de pé na sala, ainda que usasse a cadeira que deveria estar sentado como apoio.

— Ora, me parece que acabou de se descrever. — Helga riu por alguns instantes, quebrando o clima ruim. Godric pareceu compartilhar da piada, pois colocou a mão sobre os lábios para disfarçar. Rowena, por sua vez, apenas sorriu.

— Vamos, Salazar, continue e ignore-os.

— Eu não preciso ser lembrado disso. — cortou o fundador, com desinteresse. — Aquele bruxo das trevas não era nenhum ignorante. Com toda certeza recebeu instrução.

— Além disso, é talentoso. — Helga controlou as risadas e ergueu uma das mãos, como quem pede permissão para falar. — Nunca vi alguém capaz de controlar uma manticora antes. Nem sabia que isso era possível.

— Ainda que essa ideia a agrade bastante… — a fundadora da Corvinal lembrou, o que fez sua amiga franzir o cenho em um bico de contrariedade.

—Até eu sei que certas coisas não se tenta domesticar.

— Estão desviando do assunto principal. Se não tem nada útil para dizer, então calem-se. — Slytherin protestou pela enésima vez, cruzando os braços. — Eis os fatos: passaram-se duas semanas desde que nossa escola foi invadida, alguns alunos quase foram mortos e o culpado está solto. Não sabemos suas intenções. Não sabemos suas origens, e nunca ouvimos falar nele.

Godric estreitou os olhos por um instante, observando-o de esguelha, mas nada disse. Rowena parecia também estar em dúvida quanto as intenções do bruxo. Ainda assim, expôs sua opinião. — Para ser sincera, comecei a pesquisar assim que tivemos certeza do intruso não estar mais em nossas terras.

— A grande Rowena, inteligente como poucas! — Godric inclinou-se sobre a mesa, parecendo empolgado. — Descobriu algo?

— Nada com relação ao motivo, mas estou especulando sobre a identidade dele. — ela desencostou-se do tampo, jogando a mão para o colo e capturando um dos seis pergaminhos que mantinha consigo. Desenrolou-o sobre a mesa, sob o olhar dos outros três. — Existem três famílias que podem estar envolvidas no caso… pelos meus palpites, pelo menos.

Helga, que estava mais próxima dela e tentava ler tudo o mais rápido possível, estremeceu ligeiramente e abriu a boca para falar, mas Rowena a interrompeu com um gesto. — Ouça antes de protestar, Helga! Bem… comecemos pelos Talbot…

— Conveniente… visto que são uma família ligada à magia negra desde a raiz. — Godric comentou de seu lado, enquanto Slytherin apenas revirava os olhos, com enfado.

— Os Talbot, como você faz bem em lembrar, Godric, estão entre as poucas famílias que adotam magia negra desde que se tem notícia.

— Também estão entre os que o Godric ofendeu durante o Torneio no qual nos conhecemos. — Salazar mencionou, com destreza acertando um peteleco na testa do amigo.

— Isso é muito hipócrita vindo de você, sabia?

— Eu tenho razões para ser arrogante com meus inimigos, ao contrário de ti.

— Você é arrogante com todo mundo! Homem mais mesquinho…

— Comportem-se, os dois. — retrucou Rowena, com as mãos agora nos quadris. — Francamente! Não conseguem ficar sob o mesmo teto por alguns minutos sem brigarem… Como eu ia dizendo, eles tem uma rixa bem forte com nosso querido Godric…

O querido dela soou extremamente desagradável. Ele arqueou suas sobrancelhas ruivas e cruzou os braços com indiferença. — Eu estava com a razão, e todos vocês viram. Você menciona os Talbot, mas não sei se eles teriam força suficiente para controlar aquelas criaturas…

— Não é possível ter certeza, magia negra é, basicamente, algo que subverte a natureza, deformando-a. — Slytherin alegou. — Sabendo disso, só é preciso uma personalidade talentosa para conseguir tais resultados.

— Bem… vamos adiante. — a morena puxou os cabelos para trás, com as pontas dos dedos, e respirou profundamente. — Os próximos são… Blackhearts.

— Ah… aqueles… — Helga gemeu, estremecendo levemente.

— Nem sabia que esse pessoal ainda existia. — Godric fez uma careta.

— Os necromantes… — Slytherin fechou os olhos, momentaneamente. — Pensei que estivessem extintos…

— Todos pensamos. Eles foram caçados por bastante tempo, a alguns anos atrás. Existem boatos que apontam sobreviventes espalhados pelo mundo, mas são apenas isso, boatos. Creio que os pais de todos nós estavam envolvidos com a missão de extermínio, então isso poderia ser uma motivação.

Todos ficaram quietos por alguns instantes. Realmente, o Clã Blackheart ficou tão poderoso que era preciso fazer algo a respeito. Eles subvertiam a natureza da forma mais cruel, fazendo com que cadáveres recuperassem vida. Estes últimos alimentavam-se de carne de pessoas e animais saudáveis, e daí surgiram as lendas de zumbis que se propagaram pela região, chegando até os dias atuais. Os membros da família chegavam ao cúmulo de beber e utilizar sangue humano para “potencializar” sua força mágica. Se isso era verdade ou não, ninguém sabe dizer.

Os bruxos mais influentes da região juntaram-se aos mais esquecidos para limpar completamente aquela área dos Blackhearts, afugentando-os e, consequentemente, executando os que insistiam. E era de se esperar que os filhos daquela geração fossem atormentados por tais atos anos depois.

— E a última família? — Questionou Godric, quebrando o silêncio. Rowena agora mordia o lábio inferior, sinal de que não gostava nada daquele assunto, mas era preciso falar sobre o mesmo para que as coisas se ajeitassem. — Ro…?

— Hum… sim… os últimos da lista são os Slava.

— Mas, mas… — Helga insistiu, voltando ao protesto que começara minutos atrás. — É a família paterna da Cateline…

— De fato. Não podemos excluí-los, porém. Seus membros trabalham no submundo, e eles são conhecidos por serem torturadores natos. Vejam bem a criança que cuidamos… aquela garota sofreu na mão dos próprios pais. E isso me faz pensar em algo pior, que esqueci-me de mencionar antes… o jeito como o intruso conseguiu escapar não demonstra apenas habilidade e inteligência. Ele precisava saber que caminho tomar, e não teve tanto tempo assim para explorar a escola inteira, o que me faz pensar…

— Que tem alguém de dentro passando informação? — Helga arregalou os olhos. — Isso é impossível, são nossos alunos! Nós tivemos o cuidado de selecionar cada um deles. Não poderiam ter nos enganado com essa idade, e…

— E ainda assim existem alguns com um histórico familiar comprometedor. Não estou acusando ninguém, apenas afirmando o que eu deduzi com dias de pesquisa e trabalho. — Rowena moveu sua cabeça em direção a Slytherin. — O que acha, Salazar?

— Minha aluna está aqui por merecimento próprio. Se lhe agrada tanto, manterei vigilância sobre ela. E, se suas suspeitas estiverem corretas, eu mesmo lidarei com a situação.

— Fico feliz que compreenda.

— Não julgue errado. Não permitirei uma mancha sequer na honra dessa escola, principalmente se tratando de minha Casa. — Ele girou nos calcanhares, fazendo seus longos cabelos chicotearem no ar. — Creio que já acabamos…

— Por hora, não há muito mais a ser dito. — a fundadora suspirou, notando a exaltação de sua amável parceira, do indiferente amigo e até mesmo do sarcástico companheiro. Era inútil continuar com aquela reunião, pois todos já estavam irritados demais. Talvez ela devesse pesquisar ainda mais fundo para ter certeza… — Estão dispensados, se for isso o que desejam.

Slytherin meneou levemente a cabeça e foi o primeiro a deixar a sala. Helga abaixou os olhos e foi logo atrás, andando mais rápido que de costume. Rowena também baixou a própria cabeça, sentindo-a doer terrivelmente, até ter o ombro tocado pela mão firme de Godric. — Relaxe, Ro. Vamos resolver isso, afinal não foi a toa que nós fundamos esse lugar…

Ela suspirou pesadamente, inclinando a cabeça para o lado. — Podemos até descobrir o mistério, mas… será que apreciaremos a resposta?

X-X

Os alunos reuniam-se para o jantar enquanto isso… alguns acabavam de chegar, outros estavam prestes a sair. Alana havia invadido sem muita cerimônia a mesa da Grifinória, acomodando-se entre Charllotie e Ian.

— Ora, ora, a pequena grudenta chegou. — Ian abriu seu melhor sorriso charmoso para a garota ao seu lado, fazendo menção de abraçá-la, logo recebendo um tapa nos braços de Lottie, forçando-o a soltá-la novamente.

— Não agarre a pobre moça, ela é inocente.

— Ah, eu esqueci, esqueci que não devo cantar crianças…

— Eu não sou uma criança. — Resmungou Alana, ofendida, enquanto agarrava um pedaço de pão seco da mesa e mergulhava no prato de sopa que magicamente surgira a sua frente.

— Onde estavas hoje? Não lembro de tê-la visto… — A outra moça alegou, com seu tom educado e doce, enquanto Ian agarrava uma coxa de ave e mordia-a com sofreguidão, mastigando e engolindo.

— Também faltou às aulas especiais para animagos. Rowena perguntou por você.

— Ah… eu me perdi, e quando me encontrei, acabei tropeçando e caindo, e bem… eu me atrasei de todas as formas possíveis, então Beatrice me prendeu na enfermaria…

— Entendo…

— Caramba, depois de cinco anos você ainda consegue se perder aqui? O que você tem na cabeça?

Alana tomou uma colher da sopa de legumes e encarou Ian por alguns minutos, logo apontando para si mesma. — Dois olhos, um nariz, uma boca, cabelo…

Lottie levou a mão aos lábios para abafar uma risada contida, enquanto o colega ficava imaginando se a garota estava deliberadamente tirando uma com a cara dele. — Tanto faz. Apenas tome cuidado quando anda por ai, vai acabar se machucando.

A grifinória parou de rir, assumindo um ar de seriedade. — Ele tem razão, Alana. Ultimamente… seria bom não andar por estes corredores sozinha. Nunca sabemos quando alguém pode invadir a escola novamente.

— Com esse monte de feitiço de proteção que estão usando agora? Não podemos nem mais aparatar e desaparatar aqui dentro. — Resmungou Ian, deitando o osso já limpo sobre o próprio prato.

— Mesmo assim…. Cuidado nunca é demais. — Charllotie voltou a sorrir mansamente, enquanto unia as mãos sobre o colo.

Em outra mesa, Helena fitava Connor de frente, e as vezes desviava a cabeça para olhar Alana por sobre o ombro dele. — O que foi?

— Hum… não é nada. — ela mordeu o lábio, descendo os olhos para a tigela, onde sua sopa começava a esfriar. — Ei, estranho… digo, Connor.

— Quem você está chamando de estranho, garota irritante? — apesar das maneiras dele serem bem contidas, aquele olhar parecia mais uma facada.

A careta azeda natural de Helena pareceu se aprofundar. — Não é a toa que é impossível conversar com você.

— Se você diz. — ele revirou os olhos, voltando a cravá-los em sua comida. Só retornou a falar umas dez garfadas depois. — Diga logo o que é…

— Você é mais chegado ao grupo de Ian e Lottie… ficou sabendo de algo?

— Não sei o que quer dizer com “algo”.

— Algo relacionado ao acontecimento de duas semanas atrás. — Ela baixou a voz. A mesa estava praticamente vazia, ninguém perto dos dois para ouvir a conversa.

— Não sei porque eu deveria saber.

— Você estava lá, não estava.

— Sim. — ele piscou os olhos, enfadado. — E prefiro não pensar nisso.

— Não estou perguntando por curiosidade. — ela cortou, estreitando os olhos e cutucando o ombro dele com a parte de trás da colher para chamar sua atenção. — Alana é uma cabecinha de vento, não percebe nada, mas alguns dos outros estão estranhos desde aquele dia. Rowena entra e sai como uma louca da biblioteca, Godric e Salazar estão mais sisudos que o normal e colocaram esse monte de feitiços de proteção sobre as nossas cabeças e até Helga parece estar assustada com alguma coisa.

Connor manteve-se em silêncio resoluto, por um tempo, e espetou um pedaço de cenoura com o garfo, levando-o a boca. Depois de mastigar, encarou-a com aquele mesmo olhar enviesado de sempre. — Você quer saber? Eles esperam que o Bruxo das Trevas retorne. É uma possibilidade, claro. Pode ou não acontecer, mas todos parecem temer isso pelo menos um pouco. E seria inteligente da sua parte começar a se preocupar também. — ele girou o garfo entre os dedos, batendo com a parte de trás do mesmo no nariz dela, e se levantou, deixando a mesa. — Em vez de incomodar “o estranho” aqui. Com licença…

E saiu, deixando-a com um humor ainda pior que o de antes.

Se Alana era conhecida por invadir a mesa alheia apenas por diversão, Cat o fazia por conveniência. Desta vez, escolhera os alunos da Lufa-Lufa para lhe fazerem companhia, arrastando consigo uma Katherine com expressão de poucos amigos.

— Podemos nos sentar aqui?

Ana rosnou um “sem problemas”, enquanto Anastácia deixava um espaço para que ambas sentassem e Max erguia a mão com uma saudação cortês. — Olá! Problemas com a mesa de vocês?

— Não, eu apenas gosto da aleatoriedade. — afirmou Cateline, com desenvoltura, sentando-se e forçando a colega a sentar do seu lado. — Ora, não está faltando alguém?

— Dimitry estava dormindo na mesa como sempre, ele foi jogar uma água no rosto… ah, lá está ele de novo. — Max acenou para o amigo, que andava como um sonâmbulo. — Por aqui!

— Não precisas gritar. — o garoto suspirou, desabando de qualquer jeito no último lugar disponível.

— Você não tem vergonha de dormir tanto? — zombou Katherine, com seu sorriso felino.

— Não tens vergonha de pregar peças? — foi a resposta, dita no tom sonolento de sempre, seguido por uma piscada de seus olhos vermelhos.

— Uh… essa foi boa… mas diga-me, rapaz, você entregou a carta que pedi para Andrômeda?

— Sim, sim… a Simpatia em Pessoa já está com ela.

— Ótimo… que bom garoto que você é!

— Poupe-me.

— E então… quais são as novas, Cateline? — Max cortou, visando amenizar o clima. Ainda que tivesse meio receio daquelas duas pelas peças que sempre faziam com ele, ainda mantinha uma amizade saudável com as mesmas.

— Nenhuma… ainda estou a procura de alguma vítima pra te substituir, mas é tão difícil… acho que vou ter que esperá-lo ficar bem de vez para recomeçar a brincadeira.

Uma gota de suor escorreu pelo rosto do rapaz, que automaticamente se afastou. — E… está falando sério?

— Lógico. — e ela parecia bastante satisfeita, ao transferir sua atenção para Anastácia e Ana. — O que me lembra… Kat mencionou que as aulas foram difíceis hoje.

— Terríveis. — resmungou Ana, sem tirar os olhos de sua carne assada.

— Não fique assim, Ana, na próxima vai ser sair melhor. — Ani murmurou, passando com cuidado a mão pelas costas da outra. Katherine tinha um comentário sarcástico na ponta da língua, mas preferiu não mencioná-lo, afinal ela mesma estava tendo problemas para controlar seus instintos felinos.

— Hum, o que posso lhes dizer é que com treinamento, tudo se resolve. — Cateline jogou o peso do corpo para trás, estalando os dedos e fazendo seu cabelo crescer até a cintura e assumir um tom loiro. Passou a mesma mão na frente do rosto, transformando a estrutura do mesmo enquanto o fazia, de maneira que olhavam para uma garota completamente diferente quando voltou a baixar os dedos.

— É tão talentosa… — deixou escapar Ani, logo percebendo-se disso e corando um pouco.

O olhar da sonserina ficou mais sombrio e ela desfez a transformação, retornando a sua aparência natural. — Como eu disse… questão de prática… muita, prática. Mas agradeço o elogio.

Ana trincou os dentes por alguns instantes, sem que qualquer um dos outros notasse, e levantou-se, ajeitando suas vestes com ambas as mãos. — Estou indo… tenham uma boa noite.

— N… não tem de quê… — Anastácia piscou, notando finalmente o movimento da amiga. — Ei, espera… eu vou com você.

— Dispenso… até mais tarde, Ani. Até amanhã para todos os outros. — ela fez um aceno breve e saiu, pisando duro e apertando os punhos.

Ani, por sua vez, pareceu murchar. — Ela está bastante chateada, ainda. Não consegue se transformar, ao contrário do resto de nós.

— Ela sabia o que esperava quando decidiu se tornar animaga. — Katherine alegou, por sua vez, com razão. — Se ela não for forte para lidar com o fracasso, não pode evoluir e atingir o sucesso.

— Bom, és uma gata, não tem tanto mistério nisso. — Dimitry, que permanecia calado até agora – possivelmente tinha cochilado durante a conversa – se intrometeu. — Ana teve o azar de se metamorfosear em uma fênix…

— Ela conseguiu uma única vez, pelo que sei, mas depois disso nada. — a outra lufana alegou baixinho. — Só espero que ela consiga, no fim das contas.

— Bom, é como a Cateline disse, só o que se precisa é um treinamento intensivo e muita prática. — Max sorriu, na tentativa de confortar a amiga. — Não se preocupe tanto com ela, a Ana é forte, vai conseguir contornar a situação.

— Espero que sim.

Katherine havia perdido seu olhar no caminho que Ana percorrera, e estreitou seus olhos claros, voltando-se para Cateline logo em seguida. Aquilo ela podia resolver bem mais tarde… no exato momento, outra coisa mais importante a perturbava. — Cat… vamos voltar também. Estou incomodada com Andrômeda, ela não apareceu para jantar.

— Não está patrulhando como sempre? — Max juntou as sobrancelhas. A outra sonserina estalou a língua em desagrado.

— Mas eu queria ouvir uma das histórias mitológicas do Max…

— Então foi pra isso que você me arrastou aqui? Tudo faz sentido! Bom, você pode ouvir outro dia, o covarde ainda não vai ter um ataque do coração. Vamos.

E Kat levantou-se, arrastando a colega de volta consigo, enquanto Max fazia uma interjeição de protesto. — Ei, quem você está chamando de…

— Calminho, calminho… — Ani deu pequenas batidinhas sobre a cabeça dele, num jeito nada eficiente de acalmá-lo. — Já sei, vamos aproveitar a ideia da Cateline.

— Sim, conte alguma lenda ou… — Dim bocejou mais uma vez — Algo assim.

— Certo… — o rapaz suspirou, coçando a bochecha e logo estendendo o dedo, com uma súbita inspiração. — Já sei…

X-X

Ela ainda parecia em choque, quando as duas amigas entraram no Salão Comunal da Sonserina. Suas mãos delicadas amassavam as beiradas da carta entregada por Dimitry. Seu corpo tremia tanto que os outros membros da casa começaram a se preocupar, mas por mais que a interpelassem, nada Andrômeda era capaz de responder.

— And… o que foi? — Katherine agachou-se em frente a ela, assumindo uma expressão preocupada ao olhar em seus olhos. Era claro que sabia que chorava, podia sentir as lágrimas escorrerem, mas ela não conseguia mexer um milímetro sequer.

— Andrômeda, está nos assustando, o que houve?— Cateline perguntou por sua vez, afastando os cabelos dela para o lado. Deitou seus olhos sobre a carta, e estendeu a mão para segurá-la, mas a outra recuou, finalmente saindo de sua imobilidade.

— Não toque nisso! É apenas… uma mentira… uma brincadeira de mal gosto. — os olhos correram em direção a Katherine. — Sua brincadeira, não foi?

— Eu não faço ideia do que está falando… eu nem abri o selo, mandei-lhe pelo Dimitry na mesma hora que recebi.

— Mentiras… mentiras… é um engano, um engano terrível. — Andrômeda soluçou, deixando-se cair ajoelhada no chão, as mãos pressionando o crânio, enquanto a direita ainda segurava o pedaço de pergaminho. Balançou a cabeça de um lado para o outro.

As duas observaram-na, impotentes, sem saber do que se tratava. Nunca haviam visto ela em tal estado de confusão. Com cuidado, mantinham os outros sonserinos afastados, ainda mais os mais novos, que tentavam ver o que estava acontecendo, por mera curiosidade.

O fogo da lareira, que jazia esquecida e acesa desde o cair da noite, tremulou sutilmente, ganhando um tom esverdeado. Dois rostos surgiram sobre a lenha e o carvão, mas era difícil definir sua expressão ou identidade, já que eram apenas a junção de brasas e fogo. Ainda assim, Andrômeda levantou-se, meio cambaleante, e correu para aquele canto, derrapando no chão e largando a carta de qualquer jeito. Espalmou as mãos no piso, olhando bem de perto para os rostos, as lágrimas inundando o seu próprio.

— Digam-me… digam-me que é mentira. Pai, Mãe!

Se pudessem demonstrar pesar e tristeza, com toda certeza eles estariam fazendo-o. As vozes que chegaram a ela, logo após, denunciavam o pranto contido dos seus progenitores.

— É verdade, minha querida criança…

— Arthur… seu irmão, está morto.

Notas finais
Vamos às notas finais! Por motivos que desconheço o Nyah não está reconhecendo a imagem do capítulo, então deixo o link aqui para quem quiser ver -> http://i1368.photobucket.com/albums/ag197/ame_chan1/Scorpius%20Dominique%20e%20Benjamim_zpso4aajlpm.jpg Como imagem, nosso amado trio da nova geração - Scorp, Domi e Benj. Lembrando que o foco da fic é no passado, então é normal que eles não apareçam em todos os caps. . Sobre os Talbot e os Blackheart: ambos foram crianções minhas, para o desenvolvimento da trama. Isso explica o porquê de vocês nunca terem ouvido falar neles (embora eu lembre de ter lido em algum lugar que Godric de fato arranjou alguma treta durante o torneio, mas não tenho certeza se foi algo oficial). . Não me lembro de ter mais alguma coisa para avisar... kkk. Ah, antes que perguntem, o irmão da And está morto mesmo, e isso também tem relação com a trama que vai se desenvolver, não está ai aleatoriamente. . Acho que é só isso... kisses, e até a próxima