Lumos! Interativa

15 O que está por vir.


Notas iniciais
Yeeeeei, gente, tudo bem com vocês? Acho que consegui não demorar tanto desta vez, o que já é um milagre por si só. -q Essa é a continuação direta do ultimo cap, vai ser bem sussa também, tirando algumas coisinhas... Façam uma boa leitura ♥

Hogwarts, como todos sabem, é uma escola especializada no aprendizado de magia. Isso significava que luta física não era incentivada lá dentro – isso desconsiderando Godric, que fazia o que bem entendia e adorava um duelo com espadas envolvidas – e nesse caso o único lugar para um aluno inusual treinar tal arte, era a Sala Precisa.

Cateline havia sido talhada desde bem pequena para ser forte em tudo: feitiços, inteligência, força física. Seu pai sempre quisera um filho homem, mas a mãe era frágil e na maior parte das vezes as crianças morriam antes mesmo de nascerem. A exceção à regra fora Cat e suas duas irmãs mais novas, que sofreram abusos diários e treinamentos intensivos por conta de terem nascido com o “gênero” errado. As irmãs dela não aguentaram as frequentes torturas e pereceram, enquanto Cateline precisou de toda sua força de vontade para seguir em frente, naquela casa onde não era nada.

Lembrar das irmãs fazia com que ela fervesse por dentro. Quando estava na escola cercada pelos amigos, conseguia disfarçar muito bem, mas sozinha era diferente. Raiva e desgosto sempre a tomavam, desejava quebrar as coisas e gritar até que sua voz sumisse.

Mas Cat era controlada, em todos os quesitos – a não ser quando se tratava das suas pegadinhas – e costumava respirar fundo para diluir aqueles pensamentos destrutivos em outros, mais produtivos.

No momento, porém, não era bem isso que acontecia. Ela socava e chutava um boneco de treino com agilidade, mantendo seu corpo em forma. Então as lembranças turvaram sua mente, brincadeirinhas que fazia com as irmãs, Aldreda e Johannes. Das três Cat fora a única que nascera com dom da metamorfomagia, e usava-o para implicar com as pequenas, arrancando risadas delas quando tinham um descanso naquela rotina dura.

Aldreda era a irmã do meio, um ano mais nova que Cateline. Ela tinha cabelos castanhos e olhos verdes, e morrera aos sete anos.

Johannes era a caçula, de olhos azuis e cabelos ruivos bem escuros, e não passara dos cinco, perecendo um ano depois da irmã.

Recordar os rostinhos pálidos tão menosprezados fez com que ela golpeasse mais intensamente, numa sequência que terminou quando o boneco, despedaçado, caiu no piso e desapareceu. Agora Cat sentia nitidamente os punhos doerem, os dedos avermelhados pelas pancadas. Sacudiu os membros doloridos, irritada, e virou-se para fitar seja lá quem fosse que estava observando-a, afinal conseguia perceber os olhos presos nela de longe. — O que você quer?

— Só estava de passagem. — Andrômeda entrou em seu campo visual, com sua expressão irônica de sempre e os braços cruzados em frente ao corpo.

— Nunca sei porque essa sala aparece para qualquer um quando estou aqui dentro. — Cat fez um esgar, deixando-se cair sentada em um dos bancos, abrindo e fechando as mãos.

Andrômeda pareceu estressada por um segundo com a resposta, mas logo depois suspirou, revirando os olhos. — Sabe que não vou entregá-la.

— Bem, é seu trabalho… — Cateline espreguiçou-se, assumindo uma postura mais relaxada. — Está sendo deliberadamente relapsa.

— A menos que você brigue com alguém que respire… — e a outra cutucou um boneco que erguia-se ao seu lado. —… eu não sou obrigada a tomar nenhuma providência.

— Oh, percebo que Ian ainda não cruzou seu caminho.

A sonserina arqueou as sobrancelhas, indignada: — O que você fez com Ian?

Um sorriso malicioso surgiu no rosto da colega. — Olhe bem para a face dele e saberá.

Andrômeda deixou os ombros caírem, a mão direita apoiada contra a testa. — Sério… você não colabora.

— Se fizesse isso, não teria graça nenhuma. — a ruiva levantou-se, revirando as roupas para colocar cada peça em seu devido lugar. Com o canto dos olhos observou discretamente a parte inferior do corpo da amiga. Andrômeda havia passado por um inferno particular a um mês, com a morte do irmão e sua fuga desastrosa, que terminou sob a chuva e com uma parte da perna faltando. Ninguém ousou conversar com ela sobre o assunto para evitar perturbá-la ainda mais, e a jovem nunca mais reclamou ou comentou sobre aquilo. Mesmo assim, havia dias que o cérebro de Cateline não parava de processar teorias bizarras… E neles ela tinha muita vontade de perguntar à And qual fora exatamente as palavras que dissera a Katherine. — And…

— O que? — uma pergunta irritada. Cat mudou a própria linha de pensamento à força.

— Talvez você devesse prestar um pouco mais de atenção nos corredores. Hoje temos mais pessoas com a cabeça no mundo da lua do que o normal.

— O que você quer dizer com isso?

Ou Andrômeda estava muito distraída, ou tivera a sorte de não encontrar nem com Ian nem com Kat. — Você realmente não sabe, né?

— Não sei o que? É você quem não está dizendo nada que faça sentido hoje!

Cateline bufou, deixando a sala e esperando que a parceira saísse. Quando viu a porta desaparecer, deixando apenas uma parede lisa no lugar, puxou Andrômeda pela mão até que virassem para entrar em um dos corredores principais, e então apontou para os alunos que ali estavam, de ambos os gêneros, separados e todos com uma expressão enamorada no rosto.

— Veja.

— Er… tivemos algum acidente com poções do amor outra vez?

O olhar de ceticismo de Cat foi o bastante para saber que estava errada. — Não. São Ian e Kat decidindo quem é o mais popular.

— Vou querer saber como estão fazendo isso?

— Acho que dá pra deduzir.

— E Ian tentou…

— E acabou de olho roxo. Sim. — Cateline deu tapinhas no ombro da outra. — Eu vou para o dormitório onde felizmente ele não pode entrar, vejo você na próxima aula.

E antes que And pudesse retrucar, já havia afastado-se, rumo aos andares inferiores.

A outra jovem ficou olhando a amiga partir, com o cenho franzido, depois resmungou qualquer coisa referente à falta de maturidade dos dois apostadores e apressou-se para encontrá-los e ter uma… conversa muito amigável.

X-X

O grito de Charlottie pôde ser ouvido do outro lado do corredor. Para alguém que falava baixo e muito educadamente, a jovem conseguia gritar bem alto. No momento ela estava na sala de Rowena, onde ocorreria a aula de transfiguração. Ao contrário do que era esperado, contudo, não estava sentada na cadeira e sim em pé sobre a mesa, o delicado rosto pálido e olhando fixamente para uma criatura de oito pernas que, ignorando a reação da moça, andava tranquilamente pelo chão da sala.

A garota nunca lamentou tanto ser sempre a primeira a chegar nas aulas. Ela perseguia o aracnídeo com um olhar que era misto de pavor e inconformidade, questionando-se quanto tempo levaria para um salvador aparecer e tirar o animalzinho da sala. Bem que tentara lançar uns feitiços para assustar o bicho – afinal não gostava de matar absolutamente nada – mas fora inútil. A aranha simplesmente não ia embora de forma alguma, parecia escarnecer dela.

Foi quando Ian fez sua entrada notavelmente exagerada na sala, olhando de um lado para o outro e só parando de mexer a cabeça quando pôs os olhos na moça. — Lottie, que raios você está fazendo ai em cima, eu ouvi você gritar!

Ela não fez mais que apontar a aranha com o dedo. Ian deslocou os olhos dela para fixá-los no animal. Depois estalou os lábios.

Sério mesmo que eu deixei de aumentar um número por conta de uma…

— Isso é uma aranha?

— Sim.

— E você gritou por causa dela…

— Sim.

— Charlottie, olha só o seu tamanho, não tem vergonha de ter medo de um bicho tão minúsculo!?

Ela engoliu em seco, abraçando o próprio corpo. — Apenas tire-a da sala, certo?

O leve tremor na voz dela parece ter convencido-o, porque imediatamente Ian ergueu o pé para esmagá-la.

— Não!

O grito fez com que ele recuasse, tampando os ouvidos. — Qual é a droga do seu problema, não quer que eu me livre dela!?

— Não a mate! Eu disse para levá-la daqui.

Ian rosnou, resmungando um monte de coisas que ela não entendeu enquanto usava um pedaço de pergaminho para colocar o aracnídeo são e salvo fora da sala. Quando a aranha sumiu de vista, ele voltou para dentro e enlaçou a cintura de Chalottie para colocá-la no chão. Seus rostos ficaram bem próximos por microssegundos, ela era capaz de sentir a respiração dele bem perto.

— Ei… eu ganho aquele beijo agora?

Lottie não entendeu muito bem o motivo de ter sorrido nesse instante. Ela ficou na ponta dos pés e tocou seus lábios nos dele, dando-se conta da sua inexperiência com relação a Ian. Sentiu-o colocar as grandes mãos em seu rosto e aprofundar mais o beijo, e então afastou-se novamente. Olhou em seus olhos, abrindo um sorrisinho maroto. Só então ela reparou no olho roxo que ele exibia. — Acho que tenho que salvá-la de mais aranhas…

Quando pensou em responder, notou que Max e Dimitry haviam entrado na sala, mas não olhavam diretamente para os dois, preferindo focar sua atenção em pontos aleatórios. Na verdade, só Max tinha o trabalho de disfarçar, Dimitry com toda certeza estava prestes a cair no sono, como sempre.

— A gente deveria contabilizar isso? — questionou o primeiro para Dimitry, que apenas deu de ombros, alegando com descaso:

— Um beijo é um beijo, afinal de contas.

Aquele princípio de felicidade que começara a surgir no peito da garota morreu. — De que eles dois estão falando? — ela afastou-se de Ian alguns passos.

— Hum… — o rapaz fechou os olhos, coçando a parte de trás da nuca, visivelmente sem graça. — É que… estou em uma aposta com Kat.

— Que aposta?

— Olha, não é o que você está pensando…

Ela virou-se num rompante para os outros dois, usando de toda a sua compostura para não gritar. — De que aposta estamos falando?

Pôde ver que eles não pareciam muito dispostos a falar, mas entre o receio de Ian e o medo dela, acabaram cedendo: — Ian e Kat estão decidindo quem tem mais fãs… com beijos.

Charlottie entreabriu os lábios, mas nenhuma palavra veio. Fechou a boca novamente, e quando sentiu uma presença aproximar-se por trás e segurar seu pulso, girou rapidamente para estapear a face de Ian.

Oh… ela não tinha feito aquilo, tinha?

A jovem encarou-o bem nos olhos, ainda energizada por aquela sensação detestável e quente e, como um mero tapa não parecia adequado para descontar sua raiva, complementou, no seu tom de voz baixo, mas sem a gentileza de sempre. — Fique longe de mim. Não manterei relações com alguém tão medíocre e carente de atenção que precisa beijar todas as garotas de uma escola para sentir-se bem.

Dito isso, disparou para fora da sala, ignorando quaisquer pessoas que a chamassem. Não era alguém que faltava as aulas, mas que Rowena a perdoa-se, aquela ela não assistiria.

Mas Lottie tinha a plena consciência de que, se não arranja-se o que fazer, iria se menosprezar pelo resto do dia. Então rumou para a única sala de aula que, pelo que imaginava, não lhe traria dor de cabeça: a de Helga.

Encontrou os alunos da Corvinal prontos para deixar a sala, provavelmente teriam uma aula prática na estufa. Queria muito simplesmente enfiar-se no meio deles, mas seu uniforme destoava bastante dos outros. Passou os olhos pelo grupo e entrou no meio dos alunos, onde conseguira entrever Connor e Alana conversando, com uma Helena mal-humorada andando ao lado.

— Bem, nós poderemos ver no campo, lá é bem aberto, dará para ver a chuva muito bem…

— Acho uma ótima ideia! Eu queria ver no observatório junto com Glen, mas com todo mundo será bem mais divertido! Ah, oi, Lottie! — Alana foi a primeira a percebê-la, e pôs-se a acenar efusivamente para ela.

— Que estranho vê-la por aqui, não tem aula com a Rowena agora? — Connor estava inexpressivo, Charlottie sabia bem que ele era assim sempre, então não achou a frase tão intrusiva.

— Sim, contudo a estufa me parece um lugar mais agradável para passar um tempo, principalmente hoje. — abriu um sorriso gentil para ambos, vendo Helena revirar os olhos. — Importam-se que eu me junte a vós?

— Até entendo porque está tentando fugir da aula de Rowena. — Helena, como sempre, não referia-se a sua progenitora como “mãe”. — Por mim não tem problema, mas e Helga?

— Falarei com mestra Helga assim que encontrá-la… — a grifinória olhou ao redor, a professora não estava ali.

— Ela foi resolver alguma coisa. — Connor deu de ombros. — Helga sendo Helga.

— Deixando isso de lado… — Alana tomou a palavra novamente. — Lottie, você vai ver a chuva de meteoros com a gente?

Charlottie estreitou os olhos, nem se lembrara daquilo. Seria dali a três dias, pelo que sabia. Não tinha muita empolgação para essas coisas, mas a animação de Lana contaminou-a. — Se quiserem.

A corvina pôs-se a dar pulinhos de alegria. — Maravilha! Vai ser ainda melhor com você lá!

A jovem sorriu de sua habitual maneira comedida, sentindo-se um pouco mais leve. Alana conseguia fazer com que todo mundo se sentisse especial, era um dom maravilhoso.

Seguiu o grupo em direção à estufa, esperando que Helga não a mandasse para sua própria sala. Sabia que se ficasse sozinha naquele momento, ou perto demais de Ian, aquele pontinho de felicidade sumiria tão rápido quanto se estivesse usando o feitiço “Nox”.

X-X

Mais tarde naquele mesmo dia, Ian, Max, Dimitry, Kat e Anástacia se encontraram para apurar o resultado final. Depois de muita discussão, que se resumia em Ani apontando os casos em que beijos eram tomados sem permissão, enquanto Dimitry dormia e Max alegava que aquilo tudo fora uma péssima ideia – visto que Ian tomara um tapa e um soco no fim das contas – chegaram a um veredito:

— Empate!? Como assim empate? — retrucou Ian. Ele fingia estar muito bem, mas definitivamente tinha se abalado com o que Lottie dissera.

— Isso é impossível, contem isso direito! — Kat bateu o pé, impaciente.

— Nós recontamos três vezes. — alegou Max, levando as mãos para os céus e depois cruzando os braços.

— Sim, tirando todos os que não valiam. — Ani jogou os cabelos para trás. Dimitry bocejou e mandou mentalmente todos se calarem, embora tenha preferido dizer:

— Por que vocês dois não ficam um com o outro? Afinal, se merecem…

Kat e Ian fizeram uma careta igual de desgosto.

— Eca.

— Prefiro estar morto!

O quinteto se encarou por alguns segundos, em silêncio, então os pergaminhos foram guardados e a aposta completamente esquecida em segundos, como se nunca tivesse ocorrido.

— Vocês ficaram sabendo da chuva de meteoros? — questionou Ani, para preencher aquele silêncio que já começava a ficar constrangedor.

— Sim, Alana comentou comigo mais cedo, ela aparentemente quer juntar todos nós para vê-la. — e com “todos nós”, Max queria dizer a escola em peso.

Ian coçou o queixo. Poderia convidar Lottie para fazer as pazes com ela, mas tinha a certeza que não funcionaria. Mesmo assim ele gostava de espaços abertos e da noite, seria algo bonito de se ver, mesmo estando “sozinho”.

Em compensação, Kat parecia entediada e se absteve de fazer comentários sobre o assunto. Dimitry, de seu lado, abriu os olhos por um tempo, sorrindo largamente com a ideia. — Isso será interessante.

— Quer dizer que todos nós compareceremos? — Anastácia inclinou a cabeça, pensativa. — Uau… vai ser… realmente interessante.

Ia dizer “desastroso”, preferiu guardar a opinião para si. Afinal os alunos de Hogwarts naquela época podiam até ser bem unidos, mas juntá-los num mesmo espaço dificilmente terminaria em algo bom.

— Eu vou poder contar histórias sem parar! — Max alegou, satisfeitíssimo por ter pensado nisso. — Vocês terão quase uma aula sobre mitologia.

— Céus, você vai mesmo falar mais do que já fala normalmente? — Katherine bufou, levando as mãos ao rosto. — Não. Só… não.

— Ah, qual é, eu sei que você adora minhas histórias também, deixa de ser chata. — ele pôs-se a cutucá-la na bochecha, até que levou um tapa na mão e foi forçado a parar. — Ai.

— Quem foi que disse? — ela levantou-se, endireitando o vestido e deixando os que ficaram para trás. — Tenho que conversar com a And… céus, vou ser repreendida e o máximo que conseguimos foi um empate! Um empate, dá pra acreditar!?

E continuou discutindo consigo mesma pelo resto do caminho.

— Falando em repreensão e afins… — Dimitry ergueu a cabeça, sentando direito na cadeira e apoiando os braços sobre a mesa. — Não tinha que treinar com Godric hoje, Ian?

O rapaz continuou sem mover um músculo por um tempo, como se processasse aquela pergunta. Então levantou-se num ímpeto, quase levando a mesa junto. — Droga, droga, droga! Por que não me lembrou antes?

— E por que eu deveria lembrá-lo, nem gosto de espadas…

— Argh… mais tarde eu quebro a sua cara, pode anotar! — ele prendeu os cabelos ruivos com um pedaço de tecido que tirara sabe-se lá de onde e correu para fora do local.

Dim não fez mais que bocejar, desdenhando a ameaça. — E com isso estamos livres.

— Enfim. — murmuraram os outros dois, aparentando cansaço. O trio juntou seus materiais em tempo recorde e rumou para a sala Comunal da Lufa-Lufa, esperando que mais nenhum louco precisasse de seus “serviços” naquele dia.

X-X

— Você está meio distraído hoje, Senhor Blood. — Godric comentou, enquanto bloqueava com sua espada as investidas do aluno. Umas duas vezes durante a semana os dois deixavam sua paixão por espadas atingir o auge e encontravam-se para treinarem. As vezes usavam a Sala Precisa, quando a noite estava escura demais para verem um ao outro. Outras, como naquela em especial, trocavam golpes em campo aberto, sob o luar.

Ian sabia que Godric era um excelente espadachim. Ele conseguia defender e contra-atacar em todos os seus avanços e de vez em quando precisava parar a própria lâmina para evitar machucá-lo seriamente. Em compensação, raramente o rapaz conseguia furar seu bloqueio.

— É apenas impressão sua… — tentou um corte por baixo, que o professor aparou com maestria, girando e estocando na direção de seu estômago. Ian desviou por pouco e iniciou uma sequência de golpes visando encurralá-lo. Contudo, Godric mal se mexia para defendê-lo.

— Suas mentiras já foram melhores. — o mestre abriu um sorriso breve, desvencilhando-se da chuva de estocadas e golpeando por sua vez, a espada parando a centímetros do pescoço de Ian.

— Estou apenas pensando.

— Oh, algo que o faça pensar em meio a um duelo? Deve ser bem importante. — Afastou a espada novamente, entrando em guarda. Ian imitou a posição para recomeçar a luta.

— Nada de mais. — mentiu. — Apenas uma chuva de meteoros que vai acontecer daqui a três dias.

— Me soa bem poético, não combina muito contigo. — Godric riu, levantando a espada novamente para segurar o ataque impetuoso de Ian.

O rapaz ignorou as zombarias, tentando concentrar-se na luta novamente. O mestre vivia testando-o de todas as formas possíveis, ele não podia cair em uma armadilha tão óbvia. — Tanto faz… Alana quer convidar a todos para ver.

— A todos, você diz? — isso pareceu chamar a atenção do professor. Ian viu seus olhos estreitarem-se, e aproveitou a brecha para atacar novamente. Ambos trocaram golpes por algum tempo, um sem acertar o outro, o que era frustrante. Godric havia fixado seus pensamentos em outro lugar, mas sua técnica continuava impecável. — Todos, é?

O mais novo conseguiu finalmente enganchar sua espada na do rival, assim fazendo-o soltá-la e deixando-o desarmado. A espada de Gryffindor girou no ar por alguns instantes antes de cravar-se profundamente na grama atrás dele. Isso pareceu despertá-lo, embora ele não parecesse nem um pouco perplexo, mesmo com a lâmina de Ian apontada para seu peito. — Oh… essa foi realmente boa, meus parabéns.

— Agradeço… a propósito, quem é que está distraído agora?

Godric caminhou até a sua espada e puxou-a, avaliando-a por alguns segundos antes de embainhá-la novamente. — Acho que chega por hoje, Senhor Mentiroso. — piscou para o aluno. —Posso pedir-lhe um favor?

— Hum… é claro. — quem era ele pra recusar fazer um favor para um dos fundadores?

— Preciso que descubra se alguém não tiver a intenção de assistir este evento.

Ian passou os dedos pela própria túnica, guardando sua lâmina também e encarando o mestre de maneira confusa. — Por quê?

— Apenas precaução. — o professor falou, despreocupado e coçando o queixo. Na verdade ele estava incomodado, mas não deixaria um aluno saber. Tentava evitar certo pânico, mas o fato é que estava com um péssimo pressentimento quanto ao que poderia acontecer em três dias…

Notas finais
Yooooooooooooooooooo!!! +Consegui postar uma imagem decente desta vez. -q Como fica óbvio pra quem consegue ler as letrinhas, esta é a Lottie. Eu queria uma personagem mais "coberta" com roupas mais europeias, mas achei essa fofa a cara dela, e tá nas cores da Grifinória também. +Bem... tivemos beijos, algumas revelações pequenininhas sobre o passado da Cateline (ela sofreu um bocado, tadinha) e uma luta interessante entre Godric e Ian (vocês achavam que ninguém ia duelar com espadas né? Inocentes... -q). +E com isso nós embarcamos em uma nova fase. Já deixo avisado que essa chuva de meteoros promete e que o próximo capítulo vai ficar em algum ponto... muito tenso. Preparem os coraçãozinhos que essa parada vai começar a ficar séria! +Espero que tenham gostado, não deixem de dizer suas opiniões por conta de como estou usando seus personagens e de me criticarem se eu estiver exagerando, tenho noção que as vezes eu exagero mesmo. -q Kisses kisses para todos vocês, e até a próxima ♥