Lullaby
18 Capítulo 18 - Sobre Boatos e Como Lidar Com Eles
Notas iniciais
Primeiro, foi o piano, então violino e flauta. E aí muitos, muitos outros. Fosse com tecla, corda, ou espátula de sopro, meus dedos tocavam perfeitamente o que quer que me ensinassem. Meus tutores feios espalharam sobre o prodígio que morava na casa do luthier, mas isso acabou sendo ruim, graças a um boato maldoso que se espalhava junto.
O ouvi abertamente pela primeira vez com dez anos, enquanto comprava frutas sozinha, já que senhor Tom trabalharia até tarde. Uma adolescente, feia apesar de bem-vestida, declarou cruelmente direto a mim que meu senhor era um pedófilo pervertido que comprara-me para coisas doentes.
Não sabia o que eram coisas doentes, mas já reconhecia uma ofensa. Horas mais tarde, tinha a garota presa em uma minúscula caixa de ferro acusticamente isolada aos meus pés, assando lentamente enquanto eu cantava alto na rua por cima dos gritos. Os poucos transeuntes adoraram minha voz. Deram-me moedas. Nenhum ouviu a garota queimar e sufocar, e depois que a soltei, com o sorriso mais compreensivo que pude e um aviso gentil para não repetir seu erro, jamais a vi outra vez. Ace, numa breve visita à cidade, contou-me que ela se mudou de país por alguma razão.
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