Lullaby

17 Looking for hope.


Em busca de esperança.

Hayley deixou Noshiko no hospital, se despedindo de Kira com um abraço rápido, e um sorriso forçado. Quando colocou os pés sobre o chão asfaltados da rua, longe do hospital, foi impossível conter o urro de raiva que saiu de sua boca. Quando percebeu, estava ajoelhada no chão com as mãos nos joelhos, a cabeça escondida entre os braços, mas ainda não conseguia chorar, por alguma razão não conseguia, mesmo estando machucada, perdida, e sozinha. Não conseguia que uma lagrima sequer saísse. Imagens de sorrisos de Derek invadirão sua mente, momentos atrás em que estava sorrindo junto com ele, os olhares trocados, cada partícula de felicidade parecia sumir lentamente de seu corpo, dando lugar a um sentimento feroz, que a fez transformar. Em meio a sua corrida desajeitada, acabou batendo com com tudo em uma árvore mas a dor não veio, aumentando o sentimento ruim que estava consumindo-a.

Poderia matar Alex. Pensou, em meio a sua corrida, estava nos meados da floresta, perseguindo um pequeno esquilo. Estava prestes a desistir e ir atrás de Alexandra, mas acabou suspirando ao pensar o quão triste Derek ficaria. Não, eu não posso. Ele merece ser feliz, mesmo que isso custe a minha felicidade.

E com esses pensamentos voltou para a floresta, as patas sujas de lama e sangrando por pedras pontiagudas que pisou durante a corrida. Iria ficar sozinha, longe de toda a cidade, e de todos.

—X-

Drake terminou de vestir a jaqueta, sentando-se no sofá do Loft de Derek para esperar seu namorado, Ethan, que agora estava no andar se cima tomando banho. Derek estava sentando na mesa de centro, brincando com uma pequena faca. A algumas horas Drake soube que tinha algo errado com Hayley, seu coração não conseguia parar de doer e seus pés estava manchados de sangue, sua irmã definitivamente não estava bem. Quando Derek foi perguntado se sabia algo sobre isso, acabou contando que agora estava com Alex, sem conseguir conter uma careta ao final da frase, e logo Drake entendeu: Hayley estava machucada, mas iria preferir guardar para si mesma do que confessar. E agora estavam ali, Drake fuzilando Derek com o olhar enquanto o mesmo brincava com uma faca, evitando o olhar dele.

— Estou usando todo meu auto controle para não te bater, Hale. – Drake ameaçou, remexendo-se inquieto sobre o sofá. Sua raiva parecia crescer a cada segundo, mas não seria apropriado bater em Hale, precisava achar sua irmã primeiro. – Não tenho palavras para dizer o quanto estou decepcionado.

Derek permaneceu em silêncio, uma coisa incomum se fosse qualquer outro dia, mas apenas continuou brincando com a faca, ignorando o lobo. Drake estava prestes a implicar com ele novamente, porém Derek se se levantou, passando ambas as mãos no cabelo.

— O que quer que eu faça? Termine com Alex para ficar com ela? Foi apenas uma noite, Drake, não sei o porque desse problema todo. – replicou, revirando os olhos ao ver o moreno se levantar do sofá com os punhos cerrados. – Ela está errada, você sabe disso. Não posso fazer nada.

Em menos de dois segundos, Drake ja estava a frente de Derek, uma mão suspensa no ar para batê-lo. Mas acabou abaixando a mão, sabia que Hayley não iria gostar. Porém, se aproximou ainda mais, rangendo os dentes para controlar sua raiva.

— Não ouse dizer que ela está errada, você não faz ideia do que ela passou para estar aqui, do quanto ela abriu mão para poder dar um espaço do coração dela para você. Então Derek, eu sugiro que cale a sua boca. Não me importo se ela esta certa ou errada, o que é obvio que ela não está, eu sempre vou ficar do lado dela. – Drake rangeu os dentes, respirando fundo para reunir paciência e fôlego. – Porque, você sabe, se ela fizesse com você metade do que você faz com ela, nem na cara dela você olhava mais.

Dito isso, Drake soltou o lobo e se afastou, mais um segundo e teria socado Derek. Ouviu os passos de Ethan no corredor acima, e tratou recolher suas coisas para ir embora, mas antes olhou uma ultima vez para Derek, agora encostado no canto da parede, voltando a brincar com sua faca.

— Posso ser a pior pessoa do mundo quando se trata da minha irmã, então eu vou avisar, não toque nela novamente. – dito isso, Drake saiu do loft batendo a porta com força.

Ethan apareceu na sala alguns segundos depois, olhando para onde o namorado havia ido com o cenho franzido, e depois olhou para Derek com a feição preocupada.

— Não fez nada com ele, certo? – inquiriu, andando em passos apressados para perto do sofá, recolheu sua bolsa e colocou no ombro, esperando a resposta de Derek.

— Eu não fiz nada, seu namorado apenas me deu um conselho. – respondeu, revirando os olhos diante do adjetivo que deu para a conversa. Ethan estreitou os olhos, mas logo foi seguir o namorado. – Um conselho horrível, por sinal. – O lobisomem jogo a faca na parede, atingindo em cheio a madeira próxima a sua janela, suspirou, seu dia, por algum motivo, não iria acabar bem.

—X–

Estava andando a meia hora, os meus pés ja estavam formando pequenas cicatrizes, que com certo tempo, voltariam a ser a pele lisa e macia que era antes. Acabei lembrando do porque ter ido para dentro da floresta, e acabei suspirando mais uma vez naquele dia: Derek Hale. Toda minha raiva, magoa e o sentimento ruim que agora estava insistindo em ficar no meu organismo, se resumia a ele. Peguei os restos da minha roupa no chão, destruídas e sujas por uma transformação lupina de última hora, acabei colocando apenas a blusa que não estava tão acabada. O som de galhos se quebrando voltou minha atenção para trás, onde avistei uma silhueta cruzar a floresta na minha direção. Era Drake. O olhar preocupado, os sapatos nas mãos e acariciando os pés vez ou outra.

— Ainda bem que te achei. – murmurou, acelerando o passo na minha direção. Retirou sua jaqueta e jogou na minha direção, sentando-se no troco de arvore ao seu lado, acenando para que eu fizesse o mesmo. Vesti a jaqueta, sentando ao seu lado em seguida. – Eu sei o que houve. – afirmou, deitando-se sobre minhas coxas, deixando suas pernas sobre o troco. Acariciei seus cabelos, respirando quando vi seu olhar em meu rosto.

Drake e eu não tínhamos traços físicos parecidos. Seus cabelos eram castanhos escuros, sempre bagunçados de um jeito proposital, olhos verdes claros, a única coisa que tínhamos em comum, que a partir do dia que nos mudados possuíam um brilho diferente. Eu sabia o que era, e sentia inveja por ele conseguir sentir um amor tão puro: Amor. A pele leitosa, tao branca e pálida que o fazia parecer doente, porém, seus lábios carnudos e avermelhados, junto de seu nariz arrebitado davam um ar encantador ao seu rosto. Sorri, observando o sorriso encantador e adorável que eu tanto amava nascer em seus lábios, fazendo seus olhos brilharem mais que o normal.

— Você esta bem com o relacionamento de Alex com Derek? – inquiriu, assumindo uma expressão seria. Drake parecia conhecer meu coração como ninguém, sabendo sempre como me persuadir a falar algo. – Digo, eu sei que esta machucada por ter dormido com ele, age eu estaria por ter dormido com aquele gost... – Arqueei uma sobrancelha, cruzando os braços acima do peito. Drake riu, parando sua frase, e beijando minhas coxas. – Quer dizer, Alex não é uma boa pessoa, percebi isso quando a vi. Não está com raiva por ele, literalmente, estar namorando outra no mesmo dia que se abriu com ele? – questionou, alisando carinhosamente minhas bochechas. Fechei os olhos sobre o carinho, virando meu rosto para beijar a palma de sua mão.

— Não posso dizer que aceito ele namorar Alex, pois não aceito e acho que não dara certo. – admiti, deixando meus olhos o mais fechados que podia. Já não tinha forcas para conversar sobre Derek sozinha, conversar com Drake causaria mais dor ainda. – Porém, se a felicidade dele é ela, mesmo que eu não entenda, desejo do fundo do meu coração felicidades. Aprendi, Drake, que podemos abrir mão de nossa própria felicidade para manter outra pessoa feliz. – sussurrei, baixo demais para que somente ele ouvisse, mesmo que estivéssemos sozinhos em uma floresta.

Vi um sorriso mínimo nascer em seus lábios, e seus olhos ficarem úmidos, passou a mão pelos mesmo depressa. Drake se levantou, me virando para si pelos ombros, e puxando meu corpo para um abraço.

— Você sabe que tenho mais sangue que você nas mãos, bem mais. E teria muito mais com orgulho por você. – disse, beijando meus cabelos. Abracei sua cintura, afundando meu rosto sobre seu peito. – E quero que me prometa uma coisa. – pediu, afastando deu corpo bruscamente de mim, anuí com a cabeça, sem soltar sua cintura. – Deixe o que te machuca no passado. Se um dia amou, há de amar novamente.

Ouvir aquelas palavras ditas por Drake foi um soco, quase me fizeram chorar em seus braços. Drake, a pelo menos dois anos, havia namorado um rapaz chamado Kevin, do bando de Deucalion. Quando descobri que Deucalion era meu tio, fui atrás de respostas que me ajudassem de alguma forma a saber o porque não ter ouvido falar dele com meus pais quando pequena, não sabia que Drake namorava Kevin, e por isso matei o mesmo, em frente ao Deucalion para provar que não estava de brincadeira, e para quitar também uma pequena rixa, ja que Kevin havia dito a minha localização ao meu pai. Roubei uma memoria de Deucalion e voltei para casa. No mesmo dia Drake me contou sobre seu namorado, descrevendo todos os detalhes físicos do mesmo, e acabei reconhecendo como o lobisomem do bando de Deucalion. Foi duro falar que ele estava morto, ver seus olhos tornarem-se frios, ser motivo da tristeza daquele que sempre me fez sorrir. Drake poderia ter reagido de todas as maneiras a aquilo, porém, reagiu da pior forma: Silêncio. Ficamos um mês se conversar, recebia palavras simples quando tentava puxar assunto e não olhava em meus olhos de forma alguma. Demorou um tempo ate que ele finalmente puxasse assunto comigo, voltando a sorrir e me olhar nos olhos depois de meses. E agora, para ele falar sobre aquilo e me olhar nos olhos, era porque ele me perdoava.

— Junte os cacos Hay. E jogue para trás, que cortem os pés de quem tentar te seguir nessa jornada só sua, e que cortem os seus se você tentar voltar a aquilo que te machuca. – aconselhou, sorrindo largamente para mim. Foi inevitavelmente a lagrima que caiu, o sorriso que se formou em meus lábios e o abraço pelo qual eu o puxei.

Drake sabia como me animar, como me dar forças e sempre me surpreender. E decidi, olhando o sorriso doce e encantador do meu irmão, que tentaria viver para ele, e não mais para Derek.

—X–

Desci do carro ao lado de Drake, William apenas acenou do banco do motorista, abrindo um sorriso e sumindo com seu caro. Recebendo uma mensagem de Scott dizendo ter um assunto importante a falar, tanto eu quanto Drake saímos da floresta, encontrando meu pai, Will, nos esperando. Estávamos caminhando e conversando baixo até a porta, quando a mesma foi aberta por dentro por Scott, que tratou de puxar nós dois pelos braços para dentro.

— O que aconteceu de tão importante? – inquiri, soltando-me de seu braço. Agarrei a mão de Drake, indo ate a sala para me sentar, a pedido de Scott.

Ao chegarmos avistei Lydia, Stiles, Ethan e Aiden, Chris Argent, Alan Deaton, Derek e Alexandra. Me concentrei em meu irmão, apertando sua mão com força para suportar passar pela sala até me sentar no sofá ao lado de Drake, bem longe deles.

— Estamos aqui porque Isaac foi sequestrado. – Scott anunciou, suspirando e sentando-se com tudo no sofá, passando as mãos pelos cabelos.

— Isaac não estava no hospital? Recuperando-se do acidente com o fio desencapado que atingiu o chão molhado? – questionei, confusa sobre sua revelação. Ajeitei-me sobre o sofá, inclinando o corpo para frente.

— E estava, fui ao hospital hoje para ver ele e tirar um pouco da sua dor, quando cheguei ele não estava la. Câmeras desligadas, sem digitais ou nada que ajude. Nem sequer um bilhete. – Scott estava desesperado, levantando-se do sofá e andando de um lado a outro. Stiles se levantou também, o parando e colocando as mãos em seus ombros.

— Irei bolar um plano, vou ir amanha ao hospi... – Stiles foi interrompido pelo grunhido do amigo, e até mesmo eu fiquei supressa, vendo Stiles retirar sua mão do ombro do amigo.

— Essa é a questão. Seus planos nunca são certo, Stiles, não posso colocar minha fé de que ira dar certo quando sei que não vai. – decretou, voltando a andar de um lado a outro. Minha boca se abriu em choque, tanto quanto de todos ali presentes, vi os olhos de Stiles ficarem úmido e ele limpar o rosto.

Levantei do sofá com raiva, andando em passos furiosos até Scott. Puxei a mão para trás, pegando impulso e acertando sua mandíbula com tanta força que minha mão afundou sobre sua pele, e se Scott ja tinha a mandíbula torta, ficaria mais torta ainda. Vi seus olhos ficarem arregalados, olhando-me com um misto de decepção e dor. Depois olhou para Stiles, parecendo dar-se conta do que havia dito. Impedi que ele dissesse alguma coisa, puxando Stile junto a mim pela cintura para fora. Independente da situação, defenderia que achasse estar certo, e no momento, Stiles tinha toda minha confiança e compreensão.

Antes de sair do lugar, vi Alex murmurar palavras com Drake, e levantar a mão sutilmente quando viu que eu a olhava. Em seu dedo anelar, uma pequena aliança brilhava, vi o pequeno rubi vermelho brilhar e um deja vu me invadiu. Eu já tinha visto aquilo. Porém, apenas segui para fora com Stiles, não podia seguir meus instintos com um amigo precisa dos ajuda.

— Desabafe, Stiles. – incentivei, guiando-o até o carro de Aiden estacionado em frente a casa.

Sentamos no capô, Stiles começando a brincar com os dedos antes de murmurar:

— Eu fui espancado, mas me curei. Eu achava que estava louco, mas estava bem. Eu fui possuído, mas passei por isso. Eu quase fui morto ao tentar salvar Scott, mas sobrevivi. – começou, e percebi que seus olhos estavam úmidos, ele piscou e a primeira lagrima desceu. Limpei-a rapidamente, abraçando seus ombros e olhando a lua. – Mas quando meu irmão perdeu a fé em mim... – fungou, colocando sua cabeça em meus ombros, o puxei mais para mim, abraçando todo seu corpo. – Esse foi o momento que eu me despedacei.

Percebi que não era a única a estar desmoronando, porém seu motivo era amizade, enquanto o meu era amor. Apenas abracei seu corpo com mais força, beijando o topo da sua cabeça enquanto ele chorava, fungando vez ou outra. Nunca vi Stiles vulnerável daquele jeito, abraçando meu corpo com medo que eu sumisse, e chorando tanto até molhar minha camisa. Permaneci ao seu lado o tempo inteiro, sabia como doía e não iria sair dali, não até ele estar bem.

Notas finais
Olá amores, estou atrasada e ciente disso. Os motivos são os mesmos: Bloqueio, falta de tempo e a tive provas semana passada inteira, por isso, sem tempo para escrever. Agradeço, de coração, a todas que comentaram na fanfic, amei muito cada review ♥. Bom, a partir de agora, a fanfic terá capítulos avulsos a qualquer temporada. Não se passa mais entre a temporada três e nem nenhuma temporada, são acontecimentos e fatos criados por mim, que formarão o enredo da fanfic. Bom, sobre a aliança na mão de Alex, ela não esta casada com Derek a quem esta se perguntando, e darei spoolers a quem pedir nos Reviews. Entao amores, a partir de agora, Hayley não será a única a sofrer, todos, sem exceção de ninguém, irão sofrer. Comentários são bem vindos, quero ver muitas leitoras aparecendo, hum? Espero lhes ver no próximo, flores. *_*