Luiza
1 Capítulo 1
Saindo da piscina, sento na borda, fecho os olhos e vem as lembranças da minha infância. Oito anos de idade, com um biquíni de cor rosa, uma branquela que encandeava todos ao meu redor chamava atenção de muitos, mas só uma pessoa me interessava. Enquanto minhas coleguinhas brincavam de casinha com os meninos, eu brincava de médica com ela.
Abro meus olhos e vejo que doze anos se passaram, perante tanta água, acho que já chorei essa piscina inteira. Queria que tudo fosse diferente, queria que minha vida fosse diferente, se eu pudesse ter uma máquina do tempo eu não teria deixado ela partir.
Acendo um cigarro, dou um trago em sua homenagem, de biquíni vermelho, um belo óculos escuro na cara, com a mesma cor de pele, de pernas cruzadas olhando para céu, solto uma risada assustadora, Margarida sai da cozinha e vem de encontro a mim, pergunta se estou bem, olho fixamente para ela com o cigarro entre os dedos, vem nas lembranças os seus cuidados, sua preocupação comigo — sempre me surpreendeu, só ela sabe me interpretar, sou mais amada por ela do que por minha própria mãe. -Falo que estou bem, ela estranha o meu jeito, mas entende e vai embora.
Meu celular começa a tocar. Olho no visor, é uma amiga mas não sinto vontade de atendê-la. Sinto uma necessidade de ficar só, me vejo presa dentro de mim mesma. Faço sinal pra Margarida com as mãos, pedindo mais uma garrafa de vinho, enquanto ela vai buscar, fico sacudindo os pés na água. Me recordo que aprendi isso com ela. Ela tem que estar em tudo que eu faço, pensando bem, ela nunca saiu do meu coração, sempre esteve presa dentro de mim.
A garrafa de vinho chega, sinto a essência daquele líquido maravilhoso, me sirvo enchendo a taça, tento esconder a dor no álcool. Acendo mais um cigarro. Fico a observar o jardim, tudo continua no mesmo lugar, as rosas, os desenhos nas árvores, tudo muito belo. O aroma das rosas me transmite a paz. Deixo o cigarro no cinzeiro, coloco a taça no chão, dou mais um mergulho ,bem mais profundo, fui lá no chão da piscina, começo a sorrir da minha besteira. Sinto uma falta de ar, tento subir mas não consigo chegar até a borda, minhas pernas travaram. O desespero toma conta de mim, tento chamar por socorro, mas ninguém vê. Cadê Margarida? Os seguranças da casa? Vejo de longe uma mulher correndo em minha direção, não aguentando mais meus olhos se fecham. Escuto alguém gritando meu nome, acho que conheço a dona da voz linda e suave, o choro das pessoas atrapalhavam aquela voz divina. Tento abrir os olhos, mas a minha visão está embaçada, não consigo ver quem grita meu nome, olho fixamente e a minha visão volta ao normal. Não posso acreditar, é ela! Meu coração pulsava loucamente, minha voz não saía. Olho ao redor, vejo todos chorando desesperados. Minha mãe com as mãos na cabeça não parava de gritar meu nome, meu pai de joelhos ao meu lado pedindo para eu ficar, Margarida passando mal, falando que me amava, me chamando de minha menina, ela me abraçava loucamente me pedindo perdão, dizendo que me amava, que sempre me amou e sempre iria me amar. Tento abraçá-la também, mas não conseguia, minhas mãos passavam direto. Me levanto do chão, mas me vejo caída ao lado da piscina. Tentava tocar meu pai, minha mãe e na Margarida mas não conseguia, ninguém me via. Não quero morrer! Logo agora que ela está aqui ao meu lado falando que me ama, me pedindo perdão, mas não há o que perdoar, eu esperei por ela esse tempo todo, não é justo eu ter que morrer agora.
– Luiza!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
– Amor, estou aqui!
Ela me acorda. Tudo não passa de um pesadelo. Abraço-a bem forte.
– Eu te amo, nunca me deixe. – Ela sem entender nada, com aquele sorriso lindo, corresponde as minhas palavras. Voltamos a dormir bem agarradinhas.
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