Lugares esquecidos
12 Sono profundo
A vila se agitou com a chegada de Mia. O murmúrio de curiosidade percorreu as ruas, e todos buscavam saber quem ela era e qual era sua relação com Lino. A presença dela trouxe um sopro de excitação e mistério, envolvendo a atmosfera em uma aura de expectativa.
Após o turbilhão de emoções causado pelo sonho, Lino se viu inquieto e ansioso para encontrar Mia. Ele queria desvendar os segredos do passado, entender as conexões entre eles e enfrentar as sombras que o assombravam. No entanto, ele também respeitava o fato de que Mia estava se recuperando e que precisava de espaço para se reestabelecer.
Decidindo buscar conselhos em meio à sua inquietação, Lino fez seu caminho até a casa de Louis. Antes que ele pudesse chegar à porta, no entanto, Louis apareceu com uma expressão nervosa no rosto. Ela o abordou imediatamente, suas palavras atropelando-se em sua pressa.
"Lino, aconteceu algo terrível. Mia... ela desmaiou e eu não consigo acordá-la", disse Louis, seus olhos refletindo o pânico que sentia.
Lino sentiu seu coração disparar, a ansiedade se transformando em um temor urgente. Juntos, eles correram em direção ao local onde Mia estava. O coração de Lino martelava em seu peito, e ele lutava para controlar sua inquietude enquanto chegavam ao quarto onde Mia estava deitada.
Mia parecia pálida e vulnerável na cama. Seus olhos estavam fechados, e ela não respondia aos chamados de Louis. Lino sentiu uma mistura de preocupação e culpa enquanto olhava para ela. Ele sabia que o sonho que teve a havia afetado profundamente, e agora a cena se desdobrava diante de seus olhos de uma maneira que ele não podia ignorar.
Louis estava tentando medir os sinais vitais de Mia com mãos trêmulas. "Eu não sei o que aconteceu. Ela estava bem, e de repente... ela simplesmente desmaiou. Eu tentei acordá-la, mas não está respondendo."
Lino sentou-se na beirada da cama, olhando para Mia com um turbilhão de emoções. Ele queria desesperadamente entender o que estava acontecendo, mas também sentia um medo profundo de que suas próprias ações e as memórias que havia começado a recuperar estivessem ligadas a essa situação.
Enquanto Louis continuava a tentar acordar Mia, Lino tomou sua mão e sussurrou seu nome com suavidade. "Mia... você consegue me ouvir? Por favor, acorde."
O quarto permaneceu em silêncio, exceto pelo som da respiração calma de Mia. Lino olhou para o rosto sereno dela e sentiu um aperto em seu peito. Ele estava preso entre a confusão de suas próprias emoções e a angústia de não saber o que fazer para ajudá-la.
Louis finalmente suspirou, parecendo exausta e frustrada. "Eu não sei o que mais fazer, Lino. Eu... eu nunca vi algo assim antes."
Lino olhou para ela com determinação, uma resolução se formando em seus olhos. "Eu sei que parece loucura, Louis, mas... acho que posso ter uma ideia do que está acontecendo."
Louis olhou para ele, confusa e esperançosa. "O que você quer dizer?"
Lino engoliu em seco antes de falar. "O sonho que tive na última noite... Eu vi Mia. Nós estávamos em um bosque, éramos mais jovens. Havia amor e paixão entre nós. E depois... as sombras vieram. Eu ouvi a voz dela, pedindo ajuda."
Louis parecia perplexa, tentando entender as palavras de Lino. "Um sonho? Você acha que o sonho está relacionado a isso?"
Lino assentiu, a determinação em seus olhos crescendo. "Eu não sei como explicar, mas eu senti algo. Como se as memórias do passado estivessem voltando. E agora, vendo Mia aqui... eu acho que isso tem a ver com ela."
Louis olhou entre Lino e Mia, a incerteza ainda pairando em seu rosto. No entanto, ela estava disposta a ouvir. "O que você sugere que façamos?"
Lino olhou para Mia com um misto de preocupação e resolução. "Eu vou tentar conversar com ela, de uma maneira diferente. Eu preciso descobrir o que está acontecendo, e acho que só ela pode me dar as respostas."
Louis olhou para ele com uma mistura de ceticismo e esperança. "Lino, você acha que isso vai funcionar?"
Ele olhou para Mia e, com uma determinação intensa, respondeu. "Eu vou tentar. Eu não posso deixá-la assim."
Em meio à agitação e confusão que envolvia a situação de Mia, a figura imponente de Elias entrou pela porta. A atmosfera parecia eletrizada com a presença do homem mais velho, cujos olhos pareciam refletir um conhecimento profundo que ele carregava consigo. A incerteza pairava no ar enquanto Lino, Louis e Elias buscavam entender o que estava acontecendo.
Elias, embora normalmente calmo, estava claramente perturbado. Ele olhou para Mia de maneira quase intensa, como se estivesse tentando decifrar algo em sua aparência. A sensação de que ele já conhecia Mia pairava no ar, como um quebra-cabeça cujas peças ainda não se encaixavam completamente.
Louis explicou a situação a Elias, detalhando o desmaio de Mia e a incapacidade de acordá-la. Lino olhou para Elias com uma mistura de esperança e desespero, em busca de qualquer resposta que pudesse ajudá-los.
Elias escutou atentamente, sua expressão séria enquanto processava as informações. Depois de um momento de silêncio tenso, ele se aproximou de Mia e examinou-a de perto. Seus dedos tocaram suavemente a pele dela, como se ele estivesse lendo alguma mensagem invisível.
"Eu já vi essa marca antes", Elias finalmente disse, sua voz carregada de gravidade.
Lino e Louis olharam para ele, a surpresa e a curiosidade claramente expressas em seus olhares.
"Uma marca como essa... ela é rara e antiga. Eu só vi isso em duas pessoas antes, ao longo de toda a minha vida", Elias continuou, sua voz carregada de memórias antigas.
"O que é essa marca?" Lino perguntou, ansioso por entender.
Elias olhou para Mia, seu olhar cheio de compaixão. "Essa marca é conhecida como a Marca da Bruxa. Uma lenda antiga que fala de almas antigas que foram amaldiçoadas por alguma razão, marcadas por um poder que transcende o tempo."
Lino engoliu em seco, a gravidade das palavras de Elias pesando em seu coração. "Uma maldição? Como isso aconteceu?"
Elias suspirou, seus olhos se perdendo em um passado distante. "A história se perdeu no tempo. Dizem que aqueles que têm essa marca carregam consigo os pecados e as dores de vidas passadas. Uma marca que simboliza uma ligação profunda com forças além do nosso entendimento."
"Mas como podemos ajudá-la?" Louis perguntou, sua voz trêmula.
Elias olhou para Mia, seus olhos cheios de tristeza. "Eu não tenho todas as respostas. A Marca da Bruxa é um poder antigo e misterioso, além do alcance da maioria. No entanto, a marca também tem um aspecto de cura, se for entendida e dominada corretamente."
Ele se aproximou de Mia e, com cuidado, virou sua cabeça para que todos pudessem ver sua nuca. Lá, claramente visível, estava a marca que parecia o desenho de uma cobra. Era uma imagem intricada com uma complexidade que não poderia ser coincidência.
Elias olhou para Lino, suas palavras carregadas de um conhecimento profundo. "Eu só vi essa marca em duas pessoas em toda a minha vida. Mia é uma delas."
Lino sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "E a outra?"
Elias olhou para ele com uma intensidade inabalável. "A outra é uma história que talvez eu conte um dia. Mas agora, o que importa é ajudar Mia."
Elias explicou que a marca carregava consigo não apenas uma maldição, mas também uma oportunidade de cura. Ele havia ouvido falar de antigos rituais que poderiam ser realizados para tentar dissipar a maldição, mas eram práticas perigosas e incertas.
Enquanto a noite avançava, Elias compartilhou mais sobre a Marca da Bruxa, suas origens obscuras e a lenda que a envolvia. Ele explicou que essa era uma batalha que Mia teria que enfrentar, uma luta contra suas próprias sombras e os pecados de vidas passadas.
Enquanto as palavras de Elias preenchiam o ar, Lino olhou para Mia, uma mistura de emoções preenchendo seu peito. A verdade estava se revelando aos poucos, e eles estavam diante de um desafio que ia além das fronteiras do tempo. No entanto, ele sabia que a conexão que sentia com Mia era real, e ele estava disposto a enfrentar qualquer desafio que viesse em seu caminho para ajudá-la a superar a maldição que a atormentava.
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