Lucy no céu com dragões
13 Resquícios do passado
Notas iniciais
_ Você se acha bem esperta, não é? – A mulher falava dando chutes na barriga da loira enquanto ela tentava não gritar com a dor. – Anos fugindo de nós... Anos me dando dor de cabeça... – Abaixou ao lado dela e apagou o cigarro pouco abaixo de seu pescoço fazendo-a gritar. – Finalmente... Achei que tinha ficado muda. – Levantou e foi até onde estava seu marido.
A situação não poderia ser pior. Ela estava amarrava por mãos e pés jogada no canto da sala enquanto Bartolomeu e Dara estavam sentado no sofá. Os capangas reviravam sua casa em busca de dinheiro ou objetos de valor. Estava um verdadeiro caos. Sentia vontade de chorar, mas não podia. Ela não podia fraquejar agora. Não passou por tanta coisa para nada, não podia deixar aquela visão se realizar, era a única que podia ser mudada e ela mudaria, só precisaria pensar um pouco.
Desde que foi feita de refém em sua casa não quis pronunciar nenhuma palavra. Dara a agrediu incansavelmente, descontando sua raiva até que finalmente conseguiu ouvir um gemido de dor. Para a ruiva aquele som era a recompensa por tanto trabalho que a loira lhe dera. Lucy estava bastante machucada, com certeza, se conseguisse sair viva daquilo, teria vários hematomas pelo corpo.
Os capangas retornaram e Lucy se assustou. Os dois levantaram do sofá e começaram a discutir o que fariam em seguida já que nada de valor foi encontrado.
_ Como não tem nada? Essa piralha não tinha onde cair morta, e mesmo assim mora numa casa dessas. De algum lugar ela tira dinheiro... – Reclamou Bartolomeu.
_ Provavelmente essa casa estava abandonada, não seria estranho afinal é no meio do mato, quem iria querer morar em um lugar assim. – Falou Dara. – Agora temos que voltar para casa, não confio naquelas crianças sozinhas lá...
_ Eles estão sendo observados, nenhum nunca criou confusão ou fugiu, mulher, pare de se preocupar.
_ Não... Uma conseguiu. – Disse olhando para Lucy que não conseguiu desviar o olhar. – Uma não, duas. Por duas vezes. E eu os farei pagar pelo prejuízo que me deram. – Lucy engoliu seco. Precisava fazer algo urgente ou ela e Loke estariam em perigo.
_ Vamos mesmo levá-la para casa? – Perguntou o homem. – O que quer fazer com ela?
_ Os cachorros estão com fome? – Perguntou aos capangas. Eles disseram que não. – Então não os alimentem mais até segundas ordens. Vamos voltar para casa e vamos deixá-la na solitária. Assim que pegarmos o outro fujão eu cuido dela.
Um dos capangas amordaçou a boca de Lucy e a pegou, se dirigindo para a porta. Ela estava cada vez mais desesperada. Precisava que algo acontecesse, precisava de ajuda, mas não adiantava gritar ou espernear, não tinha vizinhos. Precisava de alguém que soubesse que ela estava ali em perigo, mas esse alguém não existia. Suas esperanças estavam no vermelho.
Alguém então dá três batidas na porta e todos travam em seus lugares. Lucy arregala os olho que se encheram de lágrimas. Era daquilo que ela precisava agora, que alguém a ajudasse. Era essa sua visão da primeira nuvem, mas a pergunta era: Quem estava atrás da porta?
_ O que faremos? – Sussurraram e Lucy conseguiu retirar a mordaça.
_ Socorro! – Gritou antes que tapassem sua boca. A porta é aberta por um chute que quebrou o trinco, revelando um rosado com cara nada boa, que ficou ainda mais sombria ao reconhecer Lucy amarrada e toda machucada que o encarava surpresa. – Natsu? – Disse inaudível com a boca novamente amordaçada.
O outro capanga apenas partiu para cima de Natsu enquanto ele se desviava e o golpeava com um chute. O homem cai para fora da casa enquanto Bartolomeu tenta acertá-lo com a faca. O que segurava Lucy a põe no chão e tenta ajudar, já que Natsu estava ganhando. O rosado conseguiu esquivar da faca e segurou a mão de Bartolomeu a torcendo e fazendo-o largá-la. Deu um soco no homem e desviou do golpe do outro capanga.
Lucy estava tão surpresa quanto maravilhada. Ver Natsu ali tinha renovado suas esperanças, mas vê-lo lutar daquele jeito, aquela aparência de forte e invencível que ele passava para ela era tão... Atraente! Por mais que esse sentimento não fizesse o menor sentido naquela hora, ele estava a protegendo e tudo indicava que podia ganhar. Além disso o fato dele tê-la escolhido, de ter vindo atrás dela a fez feliz o suficiente para o resto de sua vida.
Enquanto Natsu se preocupava em nocautear os três homens que tentavam golpeá-lo, não percebeu que havia mais alguém. Se distraiu por um segundo olhando para Lucy e recebeu um chute em sua barriga forçando-o a ir para trás. Não caiu, mas sentiu algo encostar em suas costas.
Dara segurava uma arma atrás do rosado. Lucy de olhos arregalados gritou algo incompreensível por causa da mordaça tentando avisá-lo e então ouviu o som ensurdecedor do tiro ecoar pela casa e pela floresta ao redor.
Seguido pelo silêncio.
Lucy tinha os olhos fechados. Não estava acreditando naquilo.
_ Nem mais um passo ou o próximo atravessa sua cabeça. – Disse Dara e Lucy abriu os olhos vendo Natsu em outra posição, agora de frente para a mulher.
Ao ouvir Lucy tentar gritar ele deduziu que corria perigo então desviou, milésimos de segundos antes da bala ser atirada. Ele encarou a mulher e a arma assustado, nunca tinha visto nada do tipo antes e parecia fazer muito estrago se tivesse o acertado. Com o aviso da ruiva não ousou se mexer mais. Sentiu alguém o segurar e amarrar suas mãos. Estava sendo preso também.
_ Como você conseguiu vir? Eles conseguiram abrir o portal outra vez? – Perguntou Lucy. Estavam os dois amarrados no canto da sala de costas um para o outro, enquanto decidiam o que fazer com eles.
_ Eu vim logo atrás de você... – Respondeu o rosado inconformado por ter perdido.
_ E por que demorou tanto? – Estranhou a loira.
_ Não é como se eu estivesse totalmente de acordo e a vontade em vir para a terra, nem como se soubesse onde você morava.
_ Entendo...
_ Mas isso não importa agora... Temos que fazer alguma coisa para sair daqui.
_ Eles tem armas e estão em maior números. Não temos o que fazer. – Disse Lucy dando-se por vencida.
_ A culpa é sua, sabia? – Reclamou Natsu.
_ É, a culpa dessa vez é minha. – Riu conformada lembrando que sempre dizia aquilo para o garoto ao seu lado enquanto ele se contorcia tentando se livrar das cordas. – Para de se mexer, está me machucando.
_ Eu não quero morrer aqui, você quer? – Devolveu.
_ Talvez isso seja algo que eu não consiga mudar... – Sussurrou. – Está nas mãos deles a minha morte.
_ Não está, não! – Exclamou alto e tentou conter sua voz. – Eu não vim aqui em vão, Lucy, eu vou mudar esse seu futuro. – Disse com firmeza, mesmo que não soubesse que já tinha mudado no momento em que decidiu salvá-la e vir para a terra. – Viu aqueles cachorros lá fora? – Perguntou e ela o incentivou a continuar. – Pois bem, eles teriam uma boa refeição se eu não tivesse vindo te salvar. – Lucy arregalou os olhos quando entendeu.
_ Minha nossa! – Exclamou assustada. Uma coisa era saber que iria morrer outra era saber como iria morrer.
_ Pois é... E eu não estou afim de deixar os cachorros comerem algo que eu nem tive oportunidade de provar.
_ Natsu! – Exclamou irritada e envergonhada.
_ Que é?
_ Você é um idiota... Nem numa hora dessas para de ser pervertido!
_ A culpa é sua se eu me tornei pervertido. Eu era inocente até você voltar.
_ Sei, a culpa é minha. – Disse irônica.
_ É claro que é! – Sorriu e suavizou a voz. – Quem aqui tem um corpo lindo e sedutor...? Olhos encantadores e hipnotizantes...? Lábios macios e... ?
_ P-para! – Disse envergonhada. E ele gostou do que ouviu, no entanto resolveu diferenciar.
_ Quem é loira e não sabe escolher nada direito? – Provocou e ela o acertou com o cotovelo em suas costas. – Ah... – Reclamou de dor e riu em seguida. Apoiou sua cabeça na dela e fitou o teto. – Eu te amo, sabia?
_ ... Que forma estranha de amar... – Se esquivou da pergunta com suas bochechas coradas agradecendo por estarem de costas.
_ É? Não sei... Nunca amei ninguém antes, nem pretendo amar mais ninguém.
_... – Não respondeu apenas sorriu.
_ Lucy? – Chamou já que ela não respondeu.
_ O que?
_ Nada... – Suspirou com a indiferença da loira, queria ouvir dela uma confirmação de seus sentimentos, porém não teve sucesso. – Mas então, como vamos sair daqui?
_ Não faço a menor ideia... Sabe, Natsu?
_ Hm...
_ Estou feliz que tenha vindo. – Disse e ele sorriu.
_ Mesmo que tenha vindo para morrer?
_ Nós não vamos morrer. Eu, no fundo, acredito que não. – Falou por fim convencida. Ouviram um celular tocar e tentaram prestar atenção na conversa, sem muito sucesso.
Uns cinco minutos se passaram e Natsu e Lucy apenas observavam a movimentação na casa. Desde a ligação eles ficaram mais agitados e ansiosos, Lucy não sabia se ficava feliz ou mais desesperada.
_ Em pensar que isso tudo seria evitado se você tivesse me ouvido. – Disse Natsu e Lucy suspirou. Tudo o que não precisava agora era de lição de moral.
_ Pode deixar isso para depois?
_ Mas agora eu entendo você... – Continuou surpreendendo a loira. – O fato de ter escolhido a terra... Talvez ela ofereça algo a mais do que eu para você, não é?
_ Como assim? – Perguntou confusa.
_ Eu tive que escolher também. Entre você e Tatsu. Entre sua vida e a minha sozinho... – Suspirou. – Não sei se adiantou muito, mas... Mas ainda assim acho que você escolheu errado.
_ Vale lembrar que eu não escolhi entre você e a terra. – Falou a loira encostando a cabeça no ombro dele.
_ Não? – Perguntou surpreso.
_ Eu tinha esperanças, Natsu, de você vir comigo... – Explicou. – Eu vi você na segunda visão... Quer dizer, eu não “vi” você, mas... Eu sei que você faz parte do meu destino. – O rosado corou com a afirmação. Mesmo que ele próprio tivesse cansado de dizer isso, ouvir da boca dela era algo incomparável.
_ Mas então... O que...?
_ Eu apenas escolhi o lugar em que iriamos viver... Talvez você ache que eu fui egoísta por escolher a terra, ainda assim... Eu sei que você se acostuma.
_ O que estão conversando aí? Calem a boca! – Reclamou Bartolomeu. – Vamos embora. – Anunciou. – Coloquem a garota no carro, nós a levaremos conosco. Quando ao garoto livrem-se dele e jogue-o na floresta. – Os olhos de Lucy se arregalaram. O que fariam agora? Seriam separados novamente, não estava pronta para isso. Duas vezes em um dia era demais.
_ Quem disse que eu concordo com isso? – Disse Natsu calmo e Lucy estranhou.
_ O que está fazendo? – Sussurrou a loira.
_ Espero que esteja certa Lucy, sobre os humanos. Se algo acontecer a eles dois, eu o mato quem quer que seja, nem que tenha que voltar do além.
_ Do que está falando? – Disseram Bartolomeu e Lucy ao mesmo tempo.
_ Senhor, temos problemas! – Disse um capanga. – Algumas viaturas já estão chegando.
_ Mas como assim? A denúncia foi feita a pouco, não tem como eles terem chegado tão rápido! Sequer sabiam onde essa casa fica!
_ Parece que já estavam por perto.
_ Droga! – Exclamou desesperado. – Vamos embora!
_ E quanto a eles?
_ Atirem nos dois, cadáver não fala.
Apontaram a arma para Lucy primeiro e uma sirene foi ouvida. Natsu, que já tinha se livrado das cordas, se soltou e chutou a arma surpreendendo o capanga. Lucy, ainda amarrada viu que ele tentava pegar novamente a arma e se jogou em cima dela dificultando a ação enquanto Natsu socava o homem fazendo-o cair desacordado. Os outro tentaram sair da casa para entrar nos carros e fugir, entretanto a polícia logo anunciou que se rendessem e invadiram a casa. Prenderam os quatro e os levaram para a viatura. Natsu soltou as cordas de Lucy e ficou de guarda, atento. Estava com muitos humanos e tinha passado por bastante perigo. E não fazia nem meia hora que chegara ali.
_ Ela está bem? Me deixe vê-la! – Lucy ouviu uma voz conhecida e olhou para a porta com atenção. Em instantes um moreno com uma cicatriz pouco acima do olho apareceu com angustia que tornou-se alívio assim que a viu bem, apesar de machucada.
_ Gray! – Correu para ele o abraçando.
_ Que bom que está bem... – Disse beijando o topo de sua cabeça. – Nós já estávamos a caminho, mas nos perdemos, você realmente encolheu um bom lugar para se esconder!... – Comentou mais aliviado. – Então um cachorro esquisito começou a latir ao lado de um gato e querer que nós o acompanhássemos...
_ Plue e Happy? – Sussurrou.
_... Então ouvimos um tiro. Eu achei que... Viemos o mais rápido possível. Ainda bem que chegamos a tempo. – Terminou de explicar então Lucy entendeu. Se Natsu não tivesse aparecido o tiro não seria disparado, então não a encontrariam.
Sentiu ser puxada pela cintura para longe de Gray e olhou para trás. Viu Natsu agarrar-se a ela e encarar o moreno com desconfiança.
_ E esse quem é? – Perguntou Gray.
_ O que te importa? – Disse o rosado e Lucy o cutucou.
_ Natsu! – Repreendeu e olhou para Gray que o encarava com uma sobrancelha erguida. – Ele é um conhecido de minha infância, Gray.
_ Achei que não lembrasse de sua infância.
_ Digamos que minhas memórias tenham voltado. – Sorriu amarelo. – Mas Gray... Como sabia que eu estava correndo perigo?
_ Nós recebemos um aviso, e juntando com a nossa denúncia de quando você fugiu de casa a polícia recebeu uma outra denúncia sobre eles também. Eu imediatamente parei o que estava fazendo e vim atrás de você.
_ E quem avisou?
_ Ah, Vai adorar saber disso... – Outra sirene foi ouvida seguida de uma porta batendo
_ Lucy! – Uma voz masculina que não foi de imediato reconhecida soou.
_ Quem é?... – Então viu surgir na porta um garoto com óculos, ruivos com traços sérios e preocupados. – Loke? É você? – Disse alegre e deu um passo para ele, mas Natsu a segurou mais forte a impedindo de se afastar de seus braços.
Ela se virou para o rosado e o fez a encarar segurando seu rosto entre as mãos. Sabia que demoraria para ele se acostumar com outras pessoas, mas agora não tinha mais perigo. Sorriu para ele e ele se inclinou para um selinho. Loke que estava ansioso para vê-la apenas uniu as sobrancelhas e encarou Gray. O moreno apenas deu os ombros.
Lucy se afastou e o encarou. – Natsu... Quero que confie em mim, ok? – Pediu e ele assentiu. – Esse dois são meus amigos. Pode confiar neles também.
_ Não acho uma boa ideia.
_ Apenas acredite em mim, vai ficar tudo bem.
_ Você não tem um censo muito bom de escolhas... Não acho que posso confiar.
_ Você não perde a oportunidade, não é? – Riu. – Agora preciso que me solte. – Disse gentilmente e se soltou dele encarando Loke. – Nem acredito que aquele filhotinho agora é um leão.
_ Nem acredito que aquela feiosa tem um namorado. – Revidou sorrindo. Claro que nunca a achou feia, apenas a provocava.
_ Senti tanta saudade! – Disseram se abraçando. Gray sorriu e olhou de soslaio para Natsu esperando vê-lo ferver de raiva pronto para separá-los assim como aconteceu com ele, mas apenas o viu passando por ele, marchando para fora. – Oy!
_ Natsu? – Disse Lucy ao notar também.
_ Happy? Canis? – Chamou fora da casa. Os policiais que ainda estavam ali o olharam com dúvida. Logo viram um cachorro e um gato se aproximar dele e ele se abaixar junto aos dois. – Já fizemos tudo que podíamos aqui. Vamos embora? – Disse fazendo carinho em Plue e notar Happy estranho.
_ Como assim ir embora? – Disse Lucy atrás de si, Plue pulou até ela alegre igualmente como Happy, que estranhamente não tinha voado ou falado nada desde que pisou na terra. Ele levantou, permanecendo de costas e respondeu.
_ Acho que não faz sentido eu ficar aqui, afinal eu não suportaria viver com tanta gente assim...
_ E para onde vai? Não tem como voltar. – Disse sem entender.
_ Eu do um jeito...
_ E quanto a nós? Que jeito você vai dar? – Ele então se virou para ela.
_ Nós? Eu não sei se existe nós, Lucy... – Disse com ironia. – Acabo de ouvir você dizendo que sentiu saudade de alguém que, até onde sei, faz menos tempo que o viu do que a mim, mesmo assim, eu não ouvi nenhuma palavra desse tipo sair de sua boca... – Declarou sério, mas não demonstrava irritação ou mágoa, apenas tristeza. – Em nenhum momento eu ouvi você dizer que gosta de mim, mesmo que eu tenha dito tantas vezes que te amo. É estranho, não? Então por que ‘nós’ se na verdade você nunca fez parte disso?
_ Eu... Eu não... – Ela balbuciou perplexa. Não sabia como reagir ou o que responder aquelas palavras, apesar de saber que ele estava com razão.
_ Então eu só estou te deixando livre de mim, acho que é melhor assim.
_ Você é idiota? – Não evitou de perguntar, estava pasmada. Ele estava querendo lhe dizer adeus?
_ Sou. – Respondeu e começou a andar se afastando dela.
_ O que? Natsu, espera! – Disse o segurando e abraçando por trás.
_ Estou no meu limite, Luce. Já abri mão de tudo que eu tinha por você e não posso recuperar mais nada... E não se preocupe, não estou arrependido de ter vindo te ajudar, apenas cansei de correr sempre atrás de você e só ver suas costas.
_ Sei que eu fui muito egoísta... Sei que é difícil entender, mas eu pensei em nós dois... – Começou a explicar ainda agarrada, ele o impedindo de se afastar dela.
_ É, eu não entendo... Lucy, eu não quero ficar ao seu lado só como um porto seguro, alguém que vai te ajudar quando estiver em perigo... Na verdade, acho você já tem muitos. – Olhou para Gray, Loke e os policiais que assistiam a discussão. – Eu quero mais que isso. Se você não sente o mesmo eu não vou ficar aqui para me machucar, me sujeitar a viver no meio desses humanos e longe de você. Prefiro longe fisicamente, que longe ao meu lado. – Se soltou dela e voltou a andar. Tudo dependia de Lucy agora, ele esperava que ela finalmente decidisse e precisava ouvir da boca dela o que ele significava para ela. Lucy então o acompanhou e se pôs em sua frente conectando seus olhos.
_ Então você fala o que quer e não me dá direito de resposta? – Iniciou novamente com olhos surpresos. – Me desculpe, Natsu, achei que tivesse intendido o que você é para mim. Eu sei, não falei nada sobre o que sinto, realmente foi falha minha. Mas eu tive medo todo esse tempo... De você não vir comigo e de ficarmos separados. Achei que sem expressar o que eu sentia doesse menos e fosse mais fácil caso realmente fossemos ficar longe um do outro, mas não é mais necessário. Agora estamos aqui juntos e não há mais escolhas, nem nada que nos impeça. E se você me diz que quer uma palavra minha para ficar Natsu, eu digo. O que você quer ouvir? – Perguntou se aproximando lentamente. – Eu morri de saudades...? Eu gosto de você...? – Colocou os braços em volta do pescoço dele. – Eu te amo...? Ou talvez... – Sentiu ele envolver seus braços em sua cintura e sussurrou. – Estou completamente, perdidamente, apaixonada e que eu sou sua garota assim como você é meu?
_ Hm... Pode repetir, eu esqueci as opções. – Disse segurando o sorriso com seus olhos oscilando entre as orbes chocolates de Lucy e sua boca.
_ Me beija, Natsu? – Ela disse igualmente desejosa, ignorando sua provocação.
_ Não... – Negou com a cabeça e ela ficou confusa. – Me beija, Lucy?
A loira sorriu com o pedido se aproximou para atendê-lo, mas antes perguntou aos sussurros. – Você ainda quer ir embora?
_ Nem que tivesse que passar por tudo isso de novo. – Respondeu e ela venceu a distância que os separavam.
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